Não a Grandes Projetos Hoteleiros para a Aldeia do Meco (
NOVA PETIÇÃO )
Para: Presidente da Camara Municipal de Sesimbra,
Ministro do ambiente e da Ação Climática, Ministra da Coesão Territorial, CCDR
LVT
https://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT108286
Em defesa do Meco
pedimos que se respeitem a dimensão e características da Aldeia quando do
licenciamento de projetos turísticos.
Na pequena Aldeia
do Meco converteram-se vastas áreas protegidas integradas no Sítio de Interesse
Comunitário Arrábida/Espichel em “Zona Turística”, abrindo portas à implantação
de 4 projetos turísticos (Aparthotéis, Aldeamentos, …). Ao todo são cerca de
600 fogos, entre moradias e prédios de apartamentos com 2 e 3 pisos, e mais de
1800 camas para uma aldeia que, à data do Censos 2011, tinha 337 habitantes e
205 habitações!
Quem conhece a
Aldeia do Meco há vários anos sabe o quanto mudou.
Tem sido enorme a
pressão de diversas entidades com vista à construção de grandes empreendimentos
imobiliários.
Até à data têm-se
conseguido evitar esses projetos e a aldeia tem crescido de uma forma mais
equilibrada e sustentável, com a construção de habitações unifamiliares e, mais
recentemente, de pequenos condomínios que não alteram significativamente as
características demográficas, paisagísticas, ambientais e socioeconómicas desta
zona que – recorde-se – se encontra integrada no Sítio de Interesse Comunitário
(SIC) Arrábida/Espichel.
Essa realidade
parece estar prestes a mudar.
Junto à aldeia, a
caminho da Praia das Bicas, de ambos os lados da estrada, existem matas com
áreas significativas, que alternam zonas de pinheiro manso e bravo, sobreiros
espontâneos com vegetação rasteira típica da região da Arrábida e Espichel.
Casos da Mata dos Cardosos e da Mata do Rio da Prata, zonas preservadas até
hoje.
Neste momento,
para essa área, existem pelo menos três projetos imobiliários em diferentes
fases de licenciamento, que visam a implantação de unidades turísticas de
grandes dimensões
Na Mata dos
Cardosos já existem movimentações no terreno com vista à vedação da
propriedade. A empresa TURIMECO pretende aí implantar o Aparthotel “Pinhal do
Atlântico”, que consiste em 23 prédios de 3 pisos, que perfazem 411 unidades de
alojamento com capacidade para 1168 camas; edifício de recepção com SPA, 3
restaurantes, piscinas, bares, campos de jogos, parque infantil, espaços
comerciais…
Mas há outros
projetos previstos para toda esta zona:
- Aldeamento
Turístico “Pinhal da Prata” – Mais um projeto da TURIMECO, este com 95 fogos,
53 apartamentos em prédios de 2 pisos e 42 moradias, totalizando 360 camas,
localizado no Pinhal do Rio da Prata
- Empreendimento
Turístico na Rua do Casalinho – 58 fogos previstos, dos quais 50 inseridos em
prédios de apartamentos e 8 moradias, que totalizam 212 camas
- À saída da
Aldeia, em direção ao Cabo Espichel, anuncia-se a construção do Empreendimento
MecoMar – 36 Unidades de Alojamento, cerca de 92 camas.
A magnitude
destes projetos, caso se concretizem, representará uma aberração ambiental
Quando tanto se
fala – e bem – no problema das alterações climáticas, onde ficam as
preocupações ambientais e paisagísticas com empreendimentos desta dimensão?
A sua construção
terá um impacto brutal na conservação da biodiversidade, ao nível da poluição do
ar e do ruído, bem como na impermeabilização dos solos, produção de resíduos
urbanos, e sobre os recursos hídricos já de si escassos durante o Verão. Tudo
isto sem falar no estrangulamento dos acessos e do estacionamento já difíceis
hoje em dia.
Onde irão
estacionar todos os veículos dos ocupantes dos empreendimentos quando as
pessoas se deslocarem à aldeia para fazer compras ou tomar uma refeição? Que
espaços restam à população para passear, fazer piqueniques em família, andar de
bicicleta ou apenas espairecer e gozar da qualidade de vida de que até à data
sempre dispuseram?
Um dado parece
evidente: A Aldeia do Meco não tem escala para projetos desta envergadura!
Construir blocos de apartamentos em pacatas zonas de moradias constiui um
desfigurar da identidade natural do território que não tem retrocesso. Urge
respeitar o enquadramento paisagístico da zona envolvente e evitar o elevado
custo ambiental que os empreendimentos supracitados terão.
É neste sentido
que se apela ao vosso apoio, esperando que juntos consigamos evitar este
descalabro ambiental.


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