Aldeia do Meco: moradores contra a construção de
empreendimentos turísticos
Os residentes não só contestam o volume de novas casas -
cerca de 600 -, como acreditam que os projetos põe em risco o crescimento
sustentável daquela localidade.
Autor:
Redação 11 maio
2021, 7:23
Os
empreendimentos turísticos previstos para a zona da Aldeia do Meco, em
Sesimbra, não são bem vistos por quem lá vive. Os moradores não só contestam o
volume de novas casas, como acreditam que os projetos põe em risco o
crescimento sustentável daquela localidade. Lançaram uma petição pública que
identifica quatro projetos turísticos, num total de 600 fogos, entre moradias e
prédios de apartamentos com dois e três pisos, e mais de 1.800 camas, que “à
data dos Censos 2011, tinha 337 habitantes e 205 habitações”.
“Quem conhece a
Aldeia do Meco há vários anos sabe o quanto mudou. Tem sido enorme a pressão de
diversas entidades com vista à construção de grandes empreendimentos
imobiliários. Até à data têm-se conseguido evitar esses projetos e a aldeia tem
crescido de uma forma mais equilibrada e sustentável, com a construção de
habitações unifamiliares e, mais recentemente, de pequenos condomínios que não
alteram significativamente as características demográficas, paisagísticas,
ambientais e socioeconómicas desta zona que – recorde-se – se encontra
integrada no Sítio de Interesse Comunitário (SIC) Arrábida/Espichel”, lê-se na
petição.
Atualmente,
segundo se lê no documento, naquela zona irá nascer o aparthotel “Pinhal do
Atlântico”, no total de 23 prédios de
três pisos, que perfazem 411 unidades de alojamento com capacidade para 1.168
camas, pelas mãos da Turimeco; o aldeamento turístico “Pinhal da Prata”, mais
um projeto da Turimeco com 95 fogos, 53 apartamentos em prédios de dois pisos e
42 moradias, no total de 360 camas, localizado no Pinhal do Rio da Prata; um empreendimento turístico na Rua do
Casalinho, com 58 fogos previstos, dos quais 50 inseridos em prédios de
apartamentos e 8 moradias, que totalizam 212 camas; e ainda o empreendimento
MecoMar, com 36 unidades de alojamento no total de 92 camas.
Para os autores
da petição, a “magnitude” dos empreendimentos imobiliários previstos, caso se
concretizem, “representará uma aberração ambiental”. “A sua construção terá um
impacto brutal na conservação da biodiversidade, ao nível da poluição do ar e
do ruído, bem como na impermeabilização dos solos, produção de resíduos urbanos,
e sobre os recursos hídricos já de si escassos durante o Verão. Tudo isto sem
falar no estrangulamento dos acessos e do estacionamento já difíceis hoje em
dia”, salientam no documento.
“A Aldeia do Meco
não tem escala para projetos desta envergadura! Construir blocos de
apartamentos em pacatas zonas de moradias constiui um desfigurar da identidade
natural do território que não tem retrocesso”, defendem.

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