COMISSÃO DE
INQUÉRITO
Galamba vs. Galamba: o que mudou nas explicações do
ministro entre Abril e agora
A última vez que o ministro das Infra-Estruturas, João
Galamba, tinha explicado a polémica sobre a exoneração do seu adjunto e as duas
reuniões secretas com a ex-CEO da TAP tinha sido a 29 de Abril.
Helena Pereira
18 de Maio de
2023, 22:13 actualizado a 19 de Maio de 2023, 11:08
Houve quatro
temas em que as explicações do ministro das Infra-Estruturas, João Galamba,
diferiram daquelas que tinham sido dadas a 29 de Abril, um sábado à tarde, na
conferência de imprensa que convocou para esclarecer a opinião pública, um dia
após ter sido tornada pública a exoneração do seu ex-adjunto Frederico
Pinheiro.
Esta decisão foi
conhecida a 28 de Abril, mas tomada dois dias antes, quando Galamba regressou
de uma viagem oficial a Singapura e estava a terminar o prazo para o seu
ministério enviar para a Comissão Parlamentar de Inquérito da TAP informação
adicional (emails e documentos oficiais) sobre o caso Alexandra Reis e o
despedimento por “justa causa” da ex-presidente da TAP, Christine
Ourmières-Widener, e do ex-chairman, Manuel Beja.
Os telefonemas feitos na noite de 26 de Abril
“Liguei
imediatamente ao primeiro-ministro, julgo que estava a conduzir, não atendeu.
Liguei ao secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, a quem reportei,
julgo que estava ao lado do secretário de Estado da Modernização
Administrativa, disseram que devia falar com a ministra da Justiça, coisa que
fiz, e disseram-me que o meu gabinete devia comunicar àquelas duas entidades
[PJ e SIS]”, explicara Galamba em Abril.
Esta
quinta-feira, no Parlamento, revelou ter ligado também ao ministro da
Administração Interna, José Luís Carneiro, e disse ainda não se recordar se
avisou a Polícia Judiciária, quando falou com o seu director nacional, de que o
SIS já havia sido alertado e estava no terreno a actuar no caso do computador.
E confirmou ter sido o secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro a
dizer-lhe para contactar o SIS. O ministro disse ainda que informou António
Costa sobre o que se passou. "À uma da manhã contei-lhe [a António Costa]
o que se passou. Aí foi só mesmo: 'Então que se passa?'"
O que disse à ex-CEO na reunião de 16 de Janeiro
“Digo-lhe: 'Tenho
um pedido do grupo parlamentar do PS para uma reunião preparatória, se quiser
participar. Não faz muito sentido eu ir.’ Ela não confirmou que queria. Só às
16h desse dia disse que queria participar.” Esta foi a descrição feita pelo
ministro da reunião tida a 16 de Janeiro com a ex-CEO da TAP, reunião que foi
pela primeira vez tornada pública pelo ex-adjunto de Galamba, Frederico
Pinheiro, a 28 de Abril.
No Parlamento,
esta quinta-feira, Galamba repetiu que nunca partiu de si a sugestão, ou
qualquer ordem, para que a gestora participasse na reunião com o PS, na véspera
de uma audição parlamentar. “O que foi dito no dia 16 foi informá-la, não foi
dito por mim que devia ir, mas que podia ir se quisesse”, afirmou.
Quem esteve na reunião do dia 5 de Abril
Após a CEO ter
tornado público no Parlamento que tinha havido uma reunião preparatória da sua
audição na comissão de Economia, houve uma reunião de emergência no Ministério
das Infra-Estruturas. No dia 29 de Abril, Galamba explicou que foi “convocada
com o objectivo de recolher toda a informação existente sobre reunião havida.
Nessa reunião foi solicitado aos membros do gabinete que acompanharam essa
reunião de 16 de Janeiro que relatassem o sucedido e que fornecessem todos os
elementos recolhidos ou produzidos no âmbito da mesma”.
João Galamba não
explica se ele próprio participou ou não na reunião. Esta quinta-feira, diz
claramente que não participou nesse encontro.
As razões para a exoneração do adjunto
A 29 de Abril, o
ministro das Infra-Estruturas explicou que exonerara o seu adjunto Frederico
Pinheiro devido “a sonegação de informação”, referindo-se a notas que aquele
tirara da reunião de 17 de Janeiro.
Esta
quinta-feira, João Galamba explicou ter exonerado aquele membro do gabinete por
este “ter desobedecido a instruções da chefe de gabinete”, “por ter mentido” a
colegas e a si próprio, por “não ter atendido telefonemas”, por haver “pessoas
que tinham dito que não conseguiam trabalhar mais com ele” e ainda pelo facto
de Frederico Pinheiro ter como prática “tirar cópias, muitas, e impressões” a
altas horas da noite no ministério. Galamba refere-se a esse comportamento como
algo suspeito.
Notícia actualizada
com informação do final da audição do ministro das Infra-Estruturas de que João
Galamba contactou o chefe do Governo à uma da manhã para lhe contar o que se
passou

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