PSD
Cavaco Silva arrasa Governo e projecta um futuro com
Montenegro
A jogar em casa, ex-Presidente da República passou em
revista a governação socialista e não deixou pedra sobre pedra. Governo é
“especialista em mentira”, Montenegro é “alternativa sólida”.
Mariana Marques
Tiago
20 de Maio de
2023, 18:26 actualizado a 20 de Maio de 2023, 22:53
"O PSD é,
inequivocamente, a única verdadeira alternativa" ao actual Governo, disse
Cavaco Silva
Um Governo
incompetente e mentiroso, desarticulado e desnorteado, sem rumo nem estratégia.
Um primeiro-ministro que perdeu a autoridade e que num “rebate de consciência”
devia ponderar demitir-se, tal como aconteceu em 2011 com outro governante
socialista, José Sócrates. À direita, um PSD a crescer e que cada vez mais se
afirma como "alternativa sólida" de governo, chefiado por um líder
mais preparado do que o próprio estava quando ascendeu a primeiro-ministro,
corria o longínquo ano de 1985.
A jogar em casa,
no encerramento do Encontro Nacional de Autarcas do PSD que decorreu em Lisboa,
Aníbal Cavaco Silva desferiu este sábado uma das mais contundentes críticas ao
Governo socialista que se lhe conhecem, passando em revista os últimos casos
que culminaram numa crise institucional com Belém mas pondo sobretudo em
perspectiva uma governação que, no seu entender, está à deriva e deixará o país
em pior estado do que estava quando o PS regressou ao poder.
“Estou seriamente
preocupado com as consequências, para o país, da governação do Partido
Socialista. Muito especialmente para o futuro dos mais jovens", criticou o
ex-Presidente da República no seu longo discurso de 40 minutos que a plateia
que enchia o Hotel Epic Sana Marquês aplaudia com renovado entusiasmo a cada
nova passagem.
Cavaco acusou
"o Partido Socialista e o seu Governo" de colocarem "o país na
trajectória de empobrecimento e profunda degradação da política nacional".
"É no Governo socialista que o PSD deve centrar a sua atenção",
alertou.
"O PSD é,
inequivocamente, a única verdadeira alternativa credível ao poder
socialista", disse. E continuou: os salários baixos e as pensões de reforma
"que não permitem uma vida digna, o empobrecimento da classe média e a má
qualidade dos serviços públicos são o resultado das políticas erradas do
Governo, da sua desarticulação e desnorte, da falta de rumo e da falta de visão
estratégica. São o resultado de um primeiro-ministro que perdeu a
autoridade".
Na sua
declaração, além de tecer fortes críticas ao Governo de António Costa, Aníbal
Cavaco Silva respondeu ainda ao actual Presidente da República: "O PSD tem
vindo a apresentar alternativas e a defender causas que permitem inverter o
declínio político e social em que o país se encontra. É totalmente falsa a
afirmação de que o PSD não tem apresentado políticas alternativas ao poder
socialista", disse.
"Alternativa
sólida"
Para o
ex-Presidente da República, "o PSD é a única opção de voto credível"
para quem quer "libertar Portugal do Governo socialista e de uma
oligarquia que se considera dona do Estado. O PSD e o seu líder estão a
trabalhar para ganhar as próximas eleições", disse, elogiando o rumo seguido
pela actual liderança.
"Luís
Montenegro tem mais experiência política do que eu tinha quando subi a
primeiro-ministro e está tão ou mais preparado do que eu estava", apontou
Cavaco Silva. A frase gerou sorrisos e aplausos entre os presentes na sala, incluindo
um sonoro "muito bem" do autarca de Lisboa, Carlos Moedas, sentado ao
lado de Montenegro e que interviera numa sessão anterior em que participaram
também os autarcas do Porto, Rui Moreira, e de Oeiras, Isaltino Morais.
"Em
princípio, a actual legislatura termina em 2026 – prosseguiu Cavaco –, mas às
vezes os primeiros-ministros, em resultado de uma reflexão sobre a situação do
país, decidem apresentar a sua demissão e têm lugar eleições antecipadas...
Nunca imaginei que a incompetência do Governo socialista atingisse uma tal
dimensão", referiu.
"Há duas
áreas em que o Governo socialista é especialista: em mentira e na propaganda e
truques. Durante praticamente um mês não houve um dia em que, na imprensa, não
fosse feita a demonstração de que o Governo mente", constatou Cavaco
Silva, acrescentando que o objectivo do Governo é "desinformar,
condicionar jornalistas e iludir cidadãos".
Prevendo o
futuro, quando António Costa deixar o poder, o próximo Governo irá receber
"uma herança extremamente pesada", com um "stock de capital
fraco", uma juventude em fuga para o estrangeiro, uma produtividade baixa
e impostos demasiado elevados. "Por tudo isto, é fundamental olhar o
futuro: o país precisa de saber que há uma alternativa sólida e serena, um
Governo social-democrata presidido por Luís Montenegro", concluiu.
Recados para dentro
Aníbal Cavaco
Silva aproveitou a intervenção para deixar duas sugestões ao PSD e ao seu
líder. "O PSD não deve ir a reboque de moções de censura apresentadas por
outros partidos mais preocupados em ser notícia", disse, referindo-se em
particular ao Chega. E continuou: estas moções "servem os interesses do
Governo e desviam as atenções dos erros da sua governação", quando o
fundamental é "resgatar o debate político".
Depois, numa
referência directa a uma possível coligação entre o PSD e o Chega ou a
Iniciativa Liberal, e perante a pressão a que Montenegro tem sido sujeito
quanto à política de alianças do partido, Cavaco deixou clara a sua opinião:
"O PSD não deve pré-anunciar qualquer política de coligações tendo em
vista as próximas eleições legislativas. Se o PS, que está em queda [nas
sondagens], não o faz, porque é que o PSD, que está a subir, deve
fazê-lo?", questionou.
Já em Abril,
Cavaco Silva disse considerar que a situação política em Portugal estava muito
perigosa. "De então para cá, deteriorou-se muito mais do que aquilo que eu
então antecipava", apontou.
Há quase três
décadas que o ex-Presidente da República não comparecia em iniciativas
partidárias, algo que praticamente deixou de fazer desde que deixou o cargo de
primeiro-ministro, com raras excepções (como a participação na Universidade de
Verão da JSD, em 2017).
O PS não tardou a
reagir a este discurso, com o líder parlamentar socialista a considerar que
Cavaco Silva "adoptou uma linguagem ofensiva e antidemocrática".
"A degradação da política é isto", escreveu Eurico Brilhante Dias no
Facebook. O socialista acrescentou que foram proferidas palavras "sem
respeito por um partido com 50 anos, com milhares de militantes, e que há quase
oito anos, com bons resultados, lidera o país em contextos muito
desafiantes".
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