A Primavera quente e seca é para continuar, prevê o IPMA
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) prevê,
para os próximos meses, continuação de temperaturas elevadas, ausência de
precipitação e perigo de incêndio muito elevado.
Lusa e PÚBLICO
2 de Maio de
2023, 12:21
https://www.publico.pt/2023/05/02/azul/noticia/primavera-quente-seca-continuar-preve-ipma-2048116
A Primavera
quente, que trouxe temperaturas extremas na semana passada, não tem fim à
vista. O Instituto Português do Mar e das Atmosfera (IPMA) prevê, para os
próximos meses, continuação de temperaturas elevadas, ausência de precipitação
e perigo de incêndio muito elevado.
O presidente do
IPMA, Miguel Miranda, adiantou, no final de uma reunião em que estiveram
presentes os ministros do Ambiente, Administração Interna e Agricultura, que o
objectivo não é ser alarmista, mas realista e agir preventivamente.
“A situação não é
de dramatismo, temos de ver as coisas com serenidade, mas com antecipação.
Desde Fevereiro que temos pouca precipitação. A probabilidade de precipitação
daqui até ao Verão é baixa e, portanto, vamos ter tensão em muitas áreas, no
ambiente, no abastecimento, nas barragens, nos fogos. É muito importante que se
compreenda agora que vamos ter uma maratona e não uma corrida de 100 metros
para chegarmos a Setembro, Outubro melhor do que no ano passado”, disse Miguel
Miranda.
É muito importante que se compreenda agora que vamos ter
uma maratona e não uma corrida de 100 metros para chegarmos a Setembro, Outubro
melhor do que no ano passado.
Miguel Miranda, presidente do IPMA
Miguel Miranda
salientou que o perigo de incêndio vai ter valores elevados, destacando que
todos têm de se preparar para o Verão e equilibrar economia com o bem-estar dos
cidadãos. “Tem de se avançar com medidas estruturais. Não podemos deixar para o
fim para implementar medidas que envolvem políticas, mas também
[comportamentos] dos cidadãos”, disse.
Seca e quebra de recordes
Dia 27 de Abril,
a estação meteorológica de Mora, no Alentejo, assinalou um novo valor máximo
absoluto de temperatura do ar para o mês em Portugal continental: 36,9 graus
Celsius. Este registo veio quebrar um recorde com 78 anos, uma vez que a
temperatura máxima registada até então para o período era de 36 graus, tendo
sido verificada em Pinhão, em Alijó, no dia 20 de Abril de 1945. No mesmo dia,
outras cinco localidades registaram temperaturas acima dos 36 graus: Amareleja
(36,7 graus Celsius), Neves Corvo (36,5 graus), Alcácer do Sal (36,3 graus),
Alvalade/Sado (36,2 graus) e Portel (36,1 graus).
Esta Primavera
destaca-se não só pelas altas temperaturas mas também pela falta de chuva. O
boletim climatológico do IPMA mais recente referia que, a 31 de Março, 48% do
território português encontrava-se em estado de seca hidrológica, sendo os
distritos de Setúbal e Beja os mais afectados, classificados como numa situação
“severa”. E esta situação de seca vê-se do espaço.
O problema não é
apenas português, os solos europeus estão também desprovidos da humidade ideal.
Dados do Observatório Europeu da Seca (EDO, na sigla em inglês) revelam que
mais de 28% do território analisado — ou seja, a Europa até à Turquia e ao
Cáucaso, bem como a costa do Magrebe — encontrava-se em estado de seca de 1 de
Abril a 10 de Abril passado.
Samantha Burgess,
subdirectora do serviço Copérnico para as alterações climáticas Copérnico, já
havia alertado para este problema durante a apresentação do relatório anual
daquele programa europeu de observação terrestre. Nessa ocasião, a responsável
avisou que os países mediterrânicos – Portugal incluído – “tendem a continuar a
enfrentar condições de seca esta Primavera e no Verão também”. “Os solos nos
países mediterrânicos estão incrivelmente secos”, afirmou a cientista, “muito
provavelmente, vamos ter uma colheita agrícola reduzida este ano”.

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