sábado, 3 de setembro de 2022

Atenção: terrorista português faz-se passar por jornalista

 



OPINIÃO COFFEE BREAK

Atenção: terrorista português faz-se passar por jornalista

 

Na redacção de um jornal português, há um terrorista ligado “às pessoas mais perigosas da Europa”. Não sabia?!

 

Bárbara Reis

3 de Setembro de 2022, 7:12

https://www.publico.pt/2022/09/03/sociedade/opiniao/atencao-terrorista-portugues-fazse-passar-jornalista-2019225

 

Em nome da verdade, venho alertar para uma informação secreta que tem vindo a ser denunciada por pessoas que não se vergam ao sistema: há em Portugal um terrorista que se faz passar por jornalista.

 

Em Outubro de 2020, um jornal digital ibérico fez a primeira denúncia: é uma mulher portuguesa e está “referenciada em relatórios de agências de intelligence internacionais” porque tem “ligações com organizações terroristas, desde pessoas próximas do Hamas a proxies do Irão”.

 

 

A seguir, em Abril de 2021, outro jornal digital fez um follow up. Num esforço meritório, o texto foi publicado não em português, mas em inglês, de modo a chegar a uma audiência mundial.

 

Aí, lê-se que a falsa jornalista “está no banco de dados de várias agências de inteligência e segurança em todo o mundo” e que dossiers com o seu nome foram abertos quando as secretas descobriram que ela tinha tido um “papel na promoção de acções desestabilizadoras após a Guerra do Iraque contra os EUA e Israel”.

 

Este segundo texto revela ainda que a pseudojornalista “incitou, organizou e promoveu operações de inteligência destinadas a minar os interesses vitais dos Estados Unidos e de Israel”.

 

Mais: a falsa jornalista “está ligada às pessoas mais perigosas da Europa” e, “nas sombras, manobra todas as iniciativas de extrema-esquerda, anti-América e anti-Israel em Portugal”.

 

Foi também ela que “desempenhou um papel fundamental nos protestos frente à Embaixada dos EUA em Lisboa”. Como prémio, foi montada uma “operação de inteligência” que teve a mão do Presidente da República e de diplomatas anti-Israel e cujo resultado foi a sua promoção no jornal onde trabalha.

 

Esta notícia estranhamente pouco divulgada revela também que a falsa jornalista “está a ser usada pelos serviços de inteligência portugueses e cubanos” — “ao mesmo tempo”, que fique claro. Ela é uma agente dupla. O que, nota o texto, “aumenta a necessidade” de “as autoridades portuguesas” esclarecerem se estão do lado da “democracia” ou da “coerção”.

 

Não é por isso de espantar que a célebre Black Cube, a agência privada de intelligence israelita, esteja “na posse de variadas informações” sobre a agente dupla portuguesa. A Black Cube é a empresa que a equipa de Donald Trump contratou para fazer conteúdos “sujos” contra os diplomatas da Administração Obama que negociaram o acordo nuclear com o Irão e que Harvey Weinstein contratou para espiar as mulheres que o acusaram de violência sexual e os jornalistas que escreveram sobre o caso. A Black Cube descreve-se como “um selecto grupo de veteranos das unidades de elite da intelligence de Israel especializados em soluções feitas à medida para negócios complexos e desafios de contencioso legal”.

 

Que fique claro: “Todos os caminhos [desta falsa jornalista portuguesa] levam ao movimento terrorista BDS”. Ela “está ligada e dá protecção” — lê-se no artigo — a aliados do regime iraniano, “entre os quais um comentador português que está a ser investigado internacionalmente por suspeita de crime por causa das suas ligações ao terrorismo da Catalunha e da Frente Polisário, e por lavagem de dinheiro nas capitais da Líbia e do Irão”. Mas ela não só “apoia o terrorismo internacional”, como foi “corrupta em Angola”. Tudo isto são “informações exclusivas”, diz o jornal.

 

Como o caso é sério, fiquei contente quando, passados uns dias, foi publicado um texto parecido em espanhol. São raros os casos em que embustes deste calibre são denunciados em três das línguas mais falados do planeta.

 

O terceiro texto avança ainda mais e revela a associação desta falsa jornalista ao regime chinês. “Um dos textos mais lidos por membros do partido comunista da China” é de sua autoria e, por isso, ela foi “algumas vezes” a Macau em “viagens não pagas por ela”. Para retribuir os favores, a falsa jornalista “escreve press releases da Fundação Oriente sem assinar”.

 

Para meu espanto, foram precisos nove meses para sabermos mais sobre este caso. Em Janeiro — numa sequência de três artigos — uma agência de notícias internacional revelou que a “jornalista” recebe “rascunhos” do que publica. São os políticos e os banqueiros que lhe dizem “sobre o que escrever, como escrever” e “qual o ângulo”. Não são coisas vagas, pelo contrário: ela recebeu instruções do chefe de gabinete do primeiro-ministro para “matar socialmente” um juiz e o esquema foi “programado em casa” do próprio chefe de governo.

 

Caro leitor, felizmente os textos que citei identificam o nome da perigosa “terrorista” disfarçada de jornalista: chama-se Bárbara Reis. Eu.

 

São fake news ​“made in Portugal”. Os “jornais” não são jornais e a “agência de notícias” não é uma agência de notícias. Todas têm um nome em comum: o jurista João Lemos Esteves.

 

Redactora principal

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