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Atenção: terrorista português faz-se passar por
jornalista
Na redacção de um jornal português, há um terrorista
ligado “às pessoas mais perigosas da Europa”. Não sabia?!
Bárbara Reis
3 de Setembro de
2022, 7:12
Em nome da
verdade, venho alertar para uma informação secreta que tem vindo a ser
denunciada por pessoas que não se vergam ao sistema: há em Portugal um
terrorista que se faz passar por jornalista.
Em Outubro de
2020, um jornal digital ibérico fez a primeira denúncia: é uma mulher
portuguesa e está “referenciada em relatórios de agências de intelligence
internacionais” porque tem “ligações com organizações terroristas, desde
pessoas próximas do Hamas a proxies do Irão”.
A seguir, em
Abril de 2021, outro jornal digital fez um follow up. Num esforço meritório, o
texto foi publicado não em português, mas em inglês, de modo a chegar a uma
audiência mundial.
Aí, lê-se que a
falsa jornalista “está no banco de dados de várias agências de inteligência e
segurança em todo o mundo” e que dossiers com o seu nome foram abertos quando
as secretas descobriram que ela tinha tido um “papel na promoção de acções
desestabilizadoras após a Guerra do Iraque contra os EUA e Israel”.
Este segundo
texto revela ainda que a pseudojornalista “incitou, organizou e promoveu
operações de inteligência destinadas a minar os interesses vitais dos Estados
Unidos e de Israel”.
Mais: a falsa
jornalista “está ligada às pessoas mais perigosas da Europa” e, “nas sombras,
manobra todas as iniciativas de extrema-esquerda, anti-América e anti-Israel em
Portugal”.
Foi também ela
que “desempenhou um papel fundamental nos protestos frente à Embaixada dos EUA
em Lisboa”. Como prémio, foi montada uma “operação de inteligência” que teve a
mão do Presidente da República e de diplomatas anti-Israel e cujo resultado foi
a sua promoção no jornal onde trabalha.
Esta notícia
estranhamente pouco divulgada revela também que a falsa jornalista “está a ser
usada pelos serviços de inteligência portugueses e cubanos” — “ao mesmo tempo”,
que fique claro. Ela é uma agente dupla. O que, nota o texto, “aumenta a
necessidade” de “as autoridades portuguesas” esclarecerem se estão do lado da
“democracia” ou da “coerção”.
Não é por isso de
espantar que a célebre Black Cube, a agência privada de intelligence israelita,
esteja “na posse de variadas informações” sobre a agente dupla portuguesa. A
Black Cube é a empresa que a equipa de Donald Trump contratou para fazer
conteúdos “sujos” contra os diplomatas da Administração Obama que negociaram o
acordo nuclear com o Irão e que Harvey Weinstein contratou para espiar as
mulheres que o acusaram de violência sexual e os jornalistas que escreveram
sobre o caso. A Black Cube descreve-se como “um selecto grupo de veteranos das
unidades de elite da intelligence de Israel especializados em soluções feitas à
medida para negócios complexos e desafios de contencioso legal”.
Que fique claro:
“Todos os caminhos [desta falsa jornalista portuguesa] levam ao movimento
terrorista BDS”. Ela “está ligada e dá protecção” — lê-se no artigo — a aliados
do regime iraniano, “entre os quais um comentador português que está a ser
investigado internacionalmente por suspeita de crime por causa das suas
ligações ao terrorismo da Catalunha e da Frente Polisário, e por lavagem de
dinheiro nas capitais da Líbia e do Irão”. Mas ela não só “apoia o terrorismo
internacional”, como foi “corrupta em Angola”. Tudo isto são “informações
exclusivas”, diz o jornal.
Como o caso é
sério, fiquei contente quando, passados uns dias, foi publicado um texto
parecido em espanhol. São raros os casos em que embustes deste calibre são
denunciados em três das línguas mais falados do planeta.
O terceiro texto
avança ainda mais e revela a associação desta falsa jornalista ao regime
chinês. “Um dos textos mais lidos por membros do partido comunista da China” é
de sua autoria e, por isso, ela foi “algumas vezes” a Macau em “viagens não
pagas por ela”. Para retribuir os favores, a falsa jornalista “escreve press
releases da Fundação Oriente sem assinar”.
Para meu espanto,
foram precisos nove meses para sabermos mais sobre este caso. Em Janeiro — numa
sequência de três artigos — uma agência de notícias internacional revelou que a
“jornalista” recebe “rascunhos” do que publica. São os políticos e os
banqueiros que lhe dizem “sobre o que escrever, como escrever” e “qual o
ângulo”. Não são coisas vagas, pelo contrário: ela recebeu instruções do chefe
de gabinete do primeiro-ministro para “matar socialmente” um juiz e o esquema
foi “programado em casa” do próprio chefe de governo.
Caro leitor,
felizmente os textos que citei identificam o nome da perigosa “terrorista”
disfarçada de jornalista: chama-se Bárbara Reis. Eu.
São fake
news “made in Portugal”. Os
“jornais” não são jornais e a “agência de notícias” não é uma agência de
notícias. Todas têm um nome em comum: o jurista João Lemos Esteves.
Redactora principal


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