quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Bruxelas alerta para “potencial sobreavaliação” dos preços das casas em Portugal

 


IMOBILIÁRIO

Bruxelas alerta para “potencial sobreavaliação” dos preços das casas em Portugal

 

Portugal mantém-se, por causa do seu nível de endividamento, entre os doze países que a Comissão Europeia coloca em “vigilância reforçada” no âmbito do mecanismo de alerta por desequilíbrios macroeconómicos

 

Sérgio Aníbal

24 de Novembro de 2021, 21:30

https://www.publico.pt/2021/11/24/economia/noticia/bruxelas-alerta-potencial-sobreavaliacao-precos-casas-portugal-1986205

 

Existem em Portugal “sinais de potencial sobreavaliação” dos preços das casas, alerta a Comissão Europeia, que continua ainda preocupada com os níveis do endividamento privado, público e externo acumulado pelo país.

 

Sem surpresa, Portugal volta a estar no grupo de 12 países onde a Comissão Europeia detecta desequilíbrios macroeconómicos importantes e que vão exigir nos próximos “vigilância reforçada” no âmbito do mecanismo de alerta por desequilíbrios macroeconómico.

 

No relatório publicado esta quarta-feira, algumas das fragilidades da economia portuguesa, como o elevado nível de endividamento público, privado e externo, voltam, como tem vindo a acontecer há já vários anos, a ser notadas, sendo destacado o efeito negativo produzido pela crise económica provocada pela pandemia. E a forma como os preços das casas continuam a crescer faz também de Portugal um dos países da UE onde Bruxelas detecta maiores riscos de uma futura correcção abrupta no mercado imobiliário.

 

“Portugal entrou na crise da covid-19 com vulnerabilidades associadas aos elevados níveis de dívida externa, privada e pública, num contexto de baixo crescimento da produtividade. Com a crise, os rácios de dívida aumentaram ainda mais”, assinala a análise publicada esta quarta-feira pela Comissão Europeia, que por isso considera necessário “realizar novos exames à persistência dos desequilíbrios”.

 

Um dos desequilíbrios vigiados pela Comissão onde Portugal assume um maior destaque a nível europeu é na evolução dos preços do imobiliário. Bruxelas alerta para um cenário de possível sobreaquecimento dos preços em muitos dos países da União Europeia e Portugal é um dos casos em que esse risco parece ser mais claro.

 

“Uma comparação dos índices dos preços das casas com indicadores que consideram o impacto de motores naturais dos preços como a evolução demográfica e dos rendimentos revelam sinais generalizados de sobreavaliação. Este é particularmente o caso da Áustria, Bélgica, República Checa, Dinamarca, França, Alemanha, Hungria, Luxemburgo, Países Baixos, Portugal, Eslováquia e Suécia”, afirma a Comissão Europeia, salientando que, nestes países, a diferença entre os preços praticados e o nível que seria normal tendo em conta outro indicadores económicos é “significativa”.

 

Portugal é, de acordo com as contas da Comissão, o quarto país da UE onde os preços reais das casas mais cresceram desde 2013 (atrás da Hungria, Irlanda e Luxemburgo), destacando ainda que Portugal “registou aumentos acima de 6% em todos os anos desde 2016”.

 

É por isso que a Comissão Europeia, na sua análise específica sobre Portugal, diz que “os preços das casas dão sinais de potencial sobreavaliação”. Ainda assim, Bruxelas deixa também uma nota de esperança numa correcção mais moderada no mercados, registando o facto de, este ano, se estar a registar um “abrandamento” nos preços num cenário de “aumento dos volumes de construção e de moderação da procura em alguns segmentos do mercado”.  

 

 No que diz respeito ao endividamento externo, a elevada exposição da economia portuguesa ao sector do turismo faz do país um dos que sofreu, durante a crise, uma maior deterioração da sua balança de transacções correntes, a par de Chipre, Grécia, Croácia e Espanha. Ainda assim, Bruxelas assinala a recuperação que entretanto se tem vindo a registar e confiança que a posição líquida de investimento internacional de Portugal “melhore gradualmente” nos próximos dois anos.

 

Relativamente ao endividamento privado, que inclui as dívidas das famílias e das empresas, a crise conduziu a um agravamento de 14 pontos no rácio face ao PIB, que passou a situar-se em 164%. Também aqui, Bruxelas espera uma redução do desequilíbrio nos próximos anos e assinala o facto de as moratórias terem permitido manter o crédito malparado numa trajectória descendente. A Comissão alerta, no entanto, que será agora “importante monitorizar atentamente o efeito da retirada das medidas de apoio públicas, nomeadamente as moratórias e as garantias”. 

 

Em relação ao aumento da dívida pública (em 19 pontos percentuais do PIB), a Comissão aponta para um recuo deste indicador nos próximos anos, mas avisa que se “manterá acima do nível pré-pandémico durante alguns anos”.

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