IMOBILIÁRIO
Bruxelas alerta para “potencial sobreavaliação” dos
preços das casas em Portugal
Portugal mantém-se, por causa do seu nível de
endividamento, entre os doze países que a Comissão Europeia coloca em
“vigilância reforçada” no âmbito do mecanismo de alerta por desequilíbrios
macroeconómicos
Sérgio Aníbal
24 de Novembro de
2021, 21:30
Existem em
Portugal “sinais de potencial sobreavaliação” dos preços das casas, alerta a
Comissão Europeia, que continua ainda preocupada com os níveis do endividamento
privado, público e externo acumulado pelo país.
Sem surpresa,
Portugal volta a estar no grupo de 12 países onde a Comissão Europeia detecta
desequilíbrios macroeconómicos importantes e que vão exigir nos
próximos “vigilância reforçada” no âmbito do mecanismo de alerta por
desequilíbrios macroeconómico.
No relatório
publicado esta quarta-feira, algumas das fragilidades da economia portuguesa,
como o elevado nível de endividamento público, privado e externo, voltam, como
tem vindo a acontecer há já vários anos, a ser notadas, sendo destacado o
efeito negativo produzido pela crise económica provocada pela pandemia. E a
forma como os preços das casas continuam a crescer faz também de Portugal um
dos países da UE onde Bruxelas detecta maiores riscos de uma futura correcção
abrupta no mercado imobiliário.
“Portugal entrou
na crise da covid-19 com vulnerabilidades associadas aos elevados níveis de
dívida externa, privada e pública, num contexto de baixo crescimento da
produtividade. Com a crise, os rácios de dívida aumentaram ainda mais”,
assinala a análise publicada esta quarta-feira pela Comissão Europeia, que por
isso considera necessário “realizar novos exames à persistência dos
desequilíbrios”.
Um dos
desequilíbrios vigiados pela Comissão onde Portugal assume um maior destaque a
nível europeu é na evolução dos preços do imobiliário. Bruxelas alerta para um
cenário de possível sobreaquecimento dos preços em muitos dos países da União
Europeia e Portugal é um dos casos em que esse risco parece ser mais claro.
“Uma comparação
dos índices dos preços das casas com indicadores que consideram o impacto de
motores naturais dos preços como a evolução demográfica e dos rendimentos
revelam sinais generalizados de sobreavaliação. Este é particularmente o caso
da Áustria, Bélgica, República Checa, Dinamarca, França, Alemanha, Hungria,
Luxemburgo, Países Baixos, Portugal, Eslováquia e Suécia”, afirma a Comissão
Europeia, salientando que, nestes países, a diferença entre os preços
praticados e o nível que seria normal tendo em conta outro indicadores
económicos é “significativa”.
Portugal é, de
acordo com as contas da Comissão, o quarto país da UE onde os preços reais das
casas mais cresceram desde 2013 (atrás da Hungria, Irlanda e Luxemburgo),
destacando ainda que Portugal “registou aumentos acima de 6% em todos os anos
desde 2016”.
É por isso que a
Comissão Europeia, na sua análise específica sobre Portugal, diz que “os preços
das casas dão sinais de potencial sobreavaliação”. Ainda assim, Bruxelas deixa
também uma nota de esperança numa correcção mais moderada no mercados,
registando o facto de, este ano, se estar a registar um “abrandamento” nos
preços num cenário de “aumento dos volumes de construção e de moderação da
procura em alguns segmentos do mercado”.
Relativamente ao
endividamento privado, que inclui as dívidas das famílias e das empresas, a crise
conduziu a um agravamento de 14 pontos no rácio face ao PIB, que passou a
situar-se em 164%. Também aqui, Bruxelas espera uma redução do desequilíbrio
nos próximos anos e assinala o facto de as moratórias terem permitido manter o
crédito malparado numa trajectória descendente. A Comissão alerta, no entanto,
que será agora “importante monitorizar atentamente o efeito da retirada das
medidas de apoio públicas, nomeadamente as moratórias e as garantias”.
Em relação ao
aumento da dívida pública (em 19 pontos percentuais do PIB), a Comissão aponta
para um recuo deste indicador nos próximos anos, mas avisa que se “manterá
acima do nível pré-pandémico durante alguns anos”.
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