Um mar de estufas: as impressionantes imagens de satélite
que revelam o estado da costa alentejana
Fotografias de satélite revelam grandes áreas cobertas
por estufas nesta área protegida. Uma área equivalente a cerca de 1600 campos
de futebol, que pode triplicar até 4800, diz o movimento Juntos pelo Sudoeste
AMBIENTE
27.01.2020 às
14h46
As imagens de
satélite conseguidas pela VISÃO são, no mínimo impressionantes: as áreas
cobertas por estufas no parque natural da costa alentejana são mesmo maiores do
que grandes praias ou localidades inteiras muito concorridas da região.
É por este motivo
que foi lançada uma petição pública para limitar o “avanço galopante e
descontrolado da indústria agrícola, nomeadamente as culturas cobertas por
quilómetros de plástico”, no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa
Vicentina (PNSACV). O abaixo-assinado é da responsabilidade de um novo
movimento de cidadãos de Odemira e Aljezur, o Juntos pelo Sudoeste.
“Numa faixa com
um comprimento de 40 km entre Vila Nova de Milfontes e Odeceixe”, explica Sara
Serrão, do movimento, “com uma largura de cerca de 5 a 10 km entre a estrada
N120 e as praias que se promovem como ‘As Melhores Praias de Portugal’,
estima-se haver uma área equivalente a cerca de 1600 campos de futebol, que
podem triplicar até 4800, sem que haja qualquer necessidade de estudos de
impacto ambiental ou social, nem qualquer autorização formal, a não ser, claro,
a aprovação dos muitos milhões de euros de fundos públicos que existem para
este setor.”
O cenário atual e o potencial de crescimento
sem controlo acontecem quando a região já está a rebentar pelas costuras
O alvo do
descontentamento é a Resolução de Conselho de Ministros 179/2019, que gere a
expansão agrícola no perímetro de rega do Mira. O documento, apesar de limitar
a produção a 40% da área abrangida (30% no caso de estufas), “permite triplicar
a área coberta de plástico que já existe no PNSACV e ainda por cima autorizar a
colocação de contentores dentro das explorações agrícolas para albergar
trabalhadores imigrantes até um valor que pode atingir cerca 36 000 pessoas,
numa região que tem uma população e está dimensionada para cerca de 26 000
habitantes”, acusa o movimento de cidadãos, em comunicado.
“O cenário atual
e o potencial de crescimento sem controlo acontecem quando a região já está a
rebentar pelas costuras, com total falência dos serviços públicos e manifesta
degradação paisagística e ambiental”, diz Sara Serrão. O Juntos pelo Sudoeste
quer chegar às 4 mil assinaturas, para que a petição seja debatida na
Assembleia da República. Ao fim da manhã de sábado, 25, havia cerca de 2600
assinaturas.
Uma composição de
fotos de satélite do Google Maps feita pela VISÃO mostra todas as zonas
cobertas por estufas, nesta área protegida.



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