MUNDO
Líder do PP vence as eleições em Madrid mas vai precisar
do apoio do Vox
António Freitas
de Sousa 04 Maio 2021, 19:50
Com uma câmara
onde a maioria absoluta é atingida com 69 lugares, a direita deverá conseguir
entre 74 e 79 assentos. A esquerda perde, mas o Cuidadanos perde ainda mais:
deverá deixar de ter qualquer lugar na assembleia regional.
Tal como previam
todos os analistas e todas as sondagens, a candidata do PP nas eleições
regionais deste 4 de maio em Madrid, Isabel Díaz Ayuso, ganhou as eleições,
segundo as pesquisas elaboradas à boca das urnas. Com entre 62 e 65 deputados,
Isabel Díaz Ayuso vence as eleições para a Comunidade de Madrid, mas precisará
do apoio da extrema-direita do Vox (que terá entre 12 e 14 lugares).
Com a maioria
absoluta a ser de 69 deputados, o bloco de direita alcançará em princípio entre
74 e 79 lugares, contra 56-63 do bloco de esquerda (25-28 do PSOE, 21-24 do Más
Madrid e 10-11 do Unidas Podemos), segundo a mesma sondagem, que está a ser
difundida pela TVE.
Este resultado
permite ao PP manter a liderança de uma região que governa ininterruptamente há
mais de um quarto de século, e torna a arriscada decisão de avançar para
eleições numa vitória política que terá um peso importante no futuro de Ayuso
dentro do próprio partido: se os resultados se confirmarem, a popular
multiplica por dois os resultados de há dois anos (30 lugares). Ayuso governará
até 2023, quando houver novamente eleições em Madrid, desta vez para ‘acertar’
o calendário.
O grande
derrotado, como também era esperado, é o Ciudadanos, que arrisca ficar fora da
assembleia regional, não tendo atingido os 5% de votos que constituem o mínimo
para entrar na câmara. O partido que em Madrid é liderado por Edmundo Bal perde
os 26 deputados que tinha desde 2019 e sai da coligação com o PP pela porta dos
fundos. Inés Arrimadas, líder nacional, pode ter os dias contados à frente da formação,
uma vez que as eleições gerais de 2019 lhe correram também de forma muito
negativa.
À esquerda, os
resultados sublinham o fim da viagem do socialista Ángel Gabilondo na política
regional, já que a sua terceira candidatura à presidência deverá registar os
piores resultados de sempre – em 2019 obteve 37 lugares e 27,3 % dos votos, mas
não conseguiu vencer a coligação do PP com a Cuidadanos.
Para Más Madrid,
o ato eleitoral confirma, segundo os analistas, que há espaço para um partido
de esquerda com matizes regionalistas e ambientalistas na Comunidade, já que
Mónica García, a candidata-revelação da campanha, melhorou o resultado obtido
por Íñigo Errejón em 2019.
Pablo Iglesias,
líder do Unidas Podemos – que trocou a vice-presidência do governo central para
se candidatar – alcança em princípio os objetivos mínimos mas perde em toda a
linha uma vez que o objetivo político era impedir a formação de uma maioria de
direita. O seu futuro político está também em questões.
Segundo os
jornais espanhóis, a Assembleia de Madrid será constituída a 8 de Junho e, no
máximo 15 dias depois, deverá ser proposto um nome para ocupar a presidência.
Se o candidato não obtivesse a confiança da câmara, terá início uma contagem
regressiva de dois meses, a partir da qual será obrigatória a convocação de
novas eleições caso ninguém obtivesse a concordância da câmara para formar
governo.

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