Deputado do PS recebe ordem de detenção da polícia junto
ao parlamento
Troca de insultos entre Ascenso Simões e polícia envolveu
vizinhos na rua de São Bento, em Lisboa. PSP nega versão do parlamentar.
Alfredo
Leite(alfredoleite@cmjornal.pt) e Daniela Vilar
Santos(danielasantos@cmjornal.pt)
16 de Setembro de
2020 às 18:34
O incidente,
confirmado ao CM pelo deputado, surgiu depois de Ascenso Simões ter sido mandar
parar junto a umas obras a decorrer naquela artéria. "[O polícia] disse-me
que estava detido", revelou Ascenso Simões. Ao CM, as relações públicas da
PSP esclareceram que "não foi dada qualquer ordem de detenção a qualquer
cidadão na situação em apreço".
A troca de
argumentos verificou-se quando o deputado pretendeu estacionar no parque do
parlamento enquanto o agente terá pedido para estacionar no exterior. "O
agente que me havia interpelado veio ao meu encontro e, sem modos, pediu-me a
identificação por eu estar a implicar com a autoridade", justifica Ascenso
Simões.
Uma testemunha
ocular confirmou ao CM que existiu uma troca de insultos entre o deputado e os
polícias que acabaria por envolver também vizinhos. "Um cidadão vestido de
negro resolveu insultar-me ao que respondi que se tratava de um comportamento
fascista, salazarista", disse o deputado. Um vídeo gravado por uma
testemunha dá conta da exaltação do deputado que em plena rua tira satisfações
com um morador.
Esta não é a
primeira vez que Ascenso Simões se envolve em polémicas. No ano passado, o
deputado enviou para uma funcionária da Assembleia da República intervenções
dos parlamentares socialistas eleitos pelo círculo de Vila Real.
Conta a revista
Sábado que a funcionária pediu para não receber mails com tal teor, ao que o
deputado ripostou: "é lamentável que os funcionários, que só existem
porque há deputados e porque há democracia, tenham que aceitar estes e aturar
aquela". O sindicato dos funcionários parlamentares queixou-se ao
presidente do parlamento, Ferro Rodrigues, acusando Ascenso de "manifestamente
atentatória da honra e dignidade" dos visados.
Deputado do PS defende demolição do Padrão dos
Descobrimentos
Deputado defende que as "revoluções servem para
fazer cortes" e sugere que "devia ter havido sangue" no 25 de
abril. Não é literal, diz ao Observador. Mas demolição do Padrão dos
Descobrimentos sim.
Rita Dinis
Texto
19 fev 2021,
21:21 573
Quando, esta
semana, o Parlamento aprovou um voto de pesar pela morte do tenente-coronel
Marcelino da Mata, Ascenso Simões (e outros dois deputados do PS) votou contra,
contrariando o sentido de voto indicado pela sua bancada. Um dia depois, num
artigo publicado no jornal Público, defendeu que “o país esquece rápido o seu
passado” e que, nesse sentido, o Padrão dos Descobrimentos “devia ter
sido destruído”. Mais: no 25 de Abril “devia ter havido sangue, devia ter
havido mortos”.
Ao Observador, o
deputado socialista explica que não foi literal quando escreveu que “devia ter
havido mortos” no 25 de Abril, mas sim “simbólico”. “Não se trata de mortos
físicos nem de sangue derramado nas ruas, mas de cortes epistemológicos. Cortes
verdadeiros do ponto de vista da política, da transformação da sociedade”, diz.
Quanto ao Padrão dos Descobrimentos, mantém o que disse: da mesma forma que
estátuas foram derrubadas e que a ponte Salazar mudou de nome para ponte 25 de
Abril, também o Padrão devia ser destruído enquanto “monumento do regime
ditatorial” que é.
“Quando não temos
leitura da história achamos que a normalidade é passar por um qualquer momento
sem nos questionarmos. Mas se nos questionássemos, enquanto sociedade,
perguntaríamos porque é que não derrubamos aquele que é um dos grandes
monumentos do regime ditatorial”, diz em declarações ao Observador, afirmando
que as revoluções servem para “fazer cortes” e que, nesse sentido, o 25 de
Abril não “fez os cortes suficientes para limpar da nossa memória elementos que
são danosos da construção de uma democracia plena”.
No artigo
publicado no jornal Público, Ascenso Simões afirma que, “em Portugal, o
salazarismo foi muito eficaz na construção de uma história privativa,
garantindo, até hoje, a perenidade dos mitos do desígnio português, dos
descobrimentos, ou do império”. Mas, no entender do deputado socialista, não
existiu império nenhum. Esse império foi apenas uma construção do salazarismo
e, mantendo de pé monumentos como o Padrão dos Descobrimentos, faz com que essa
construção permaneça viva.
“Falta o
conhecimento da história. Falta perceber verdadeiramente que não tivemos império
nenhum. Que os tempos que vivemos desde o século XV até ao 25 e Abril foram
tempos de grande instabilidade que nunca consolidaram império nenhum, mas esse
império que está na nossa cabeça é o império salazarista. É uma construção
simbólica do império salazarista”, diz o deputado ao Observador, sublinhando
que ao fim de 40 anos de democracia ainda “não nos queremos confrontar com o
passado” e que a primeira vez que a Constituição da República Portuguesa fala
de império é a Constituição de 1933, a “Constituição Salazarista”.
Sobre a morte de
Marcelino da Mata, o deputado socialista — que se opôs a que o PS votasse a
favor de um voto de pesar — afirma que as condecorações de Marcelino da Mata
que “serviram para aprovar um voto de pesar pela sua morte” não são mais do que
“cruzes de ferro da nossa doméstica vida das décadas de 1960 e 1970”. “O ser
humano, todo ele, merece o maior respeito na morte. Porém, são os que se
aproveitaram e aproveitam de Mata, do seu passado e das suas medalhas
fascistas, quem o desrespeita, quem lhe nega a paz eterna como salvação do seu
passado abusador”, afirma.


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