domingo, 21 de fevereiro de 2021

Deputado do PS Ascenso Simões ( este é o deputado que pretende demolir o Padrão dos Descobrimentos e que afirma: no 25 de Abril “devia ter havido sangue, devia ter havido mortos”.) recebe ordem de detenção da polícia junto ao Parlamento.


Deputado do PS recebe ordem de detenção da polícia junto ao parlamento

 

Troca de insultos entre Ascenso Simões e polícia envolveu vizinhos na rua de São Bento, em Lisboa. PSP nega versão do parlamentar.

 

Alfredo Leite(alfredoleite@cmjornal.pt) e Daniela Vilar Santos(danielasantos@cmjornal.pt)

16 de Setembro de 2020 às 18:34

https://www.cmjornal.pt/politica/detalhe/video--deputado-do-ps-recebe-ordem-de-detencao-da-psp-junto-ao-parlamento-vejas-as-imagens?fbclid=IwAR2BzXJwhJA8tn7FSlnVqLdAKa6311n2QBucg3jNAAdONGty_1512-LxaSU

 

O incidente, confirmado ao CM pelo deputado, surgiu depois de Ascenso Simões ter sido mandar parar junto a umas obras a decorrer naquela artéria. "[O polícia] disse-me que estava detido", revelou Ascenso Simões. Ao CM, as relações públicas da PSP esclareceram que "não foi dada qualquer ordem de detenção a qualquer cidadão na situação em apreço".

 

A troca de argumentos verificou-se quando o deputado pretendeu estacionar no parque do parlamento enquanto o agente terá pedido para estacionar no exterior. "O agente que me havia interpelado veio ao meu encontro e, sem modos, pediu-me a identificação por eu estar a implicar com a autoridade", justifica Ascenso Simões.

 

Uma testemunha ocular confirmou ao CM que existiu uma troca de insultos entre o deputado e os polícias que acabaria por envolver também vizinhos. "Um cidadão vestido de negro resolveu insultar-me ao que respondi que se tratava de um comportamento fascista, salazarista", disse o deputado. Um vídeo gravado por uma testemunha dá conta da exaltação do deputado que em plena rua tira satisfações com um morador.

 

Esta não é a primeira vez que Ascenso Simões se envolve em polémicas. No ano passado, o deputado enviou para uma funcionária da Assembleia da República intervenções dos parlamentares socialistas eleitos pelo círculo de Vila Real.

 

Conta a revista Sábado que a funcionária pediu para não receber mails com tal teor, ao que o deputado ripostou: "é lamentável que os funcionários, que só existem porque há deputados e porque há democracia, tenham que aceitar estes e aturar aquela". O sindicato dos funcionários parlamentares queixou-se ao presidente do parlamento, Ferro Rodrigues, acusando Ascenso de "manifestamente atentatória da honra e dignidade" dos visados.



Deputado do PS defende demolição do Padrão dos Descobrimentos

 

Deputado defende que as "revoluções servem para fazer cortes" e sugere que "devia ter havido sangue" no 25 de abril. Não é literal, diz ao Observador. Mas demolição do Padrão dos Descobrimentos sim.

 


Rita Dinis

Texto

19 fev 2021, 21:21 573

       https://observador.pt/2021/02/19/deputado-do-ps-defende-demolicao-do-padrao-dos-descobrimentos/


Quando, esta semana, o Parlamento aprovou um voto de pesar pela morte do tenente-coronel Marcelino da Mata, Ascenso Simões (e outros dois deputados do PS) votou contra, contrariando o sentido de voto indicado pela sua bancada. Um dia depois, num artigo publicado no jornal Público, defendeu que “o país esquece rápido o seu passado” e que, nesse sentido, o Padrão dos Descobrimentos “devia ter sido destruído”. Mais: no 25 de Abril “devia ter havido sangue, devia ter havido mortos”.

 

Ao Observador, o deputado socialista explica que não foi literal quando escreveu que “devia ter havido mortos” no 25 de Abril, mas sim “simbólico”. “Não se trata de mortos físicos nem de sangue derramado nas ruas, mas de cortes epistemológicos. Cortes verdadeiros do ponto de vista da política, da transformação da sociedade”, diz. Quanto ao Padrão dos Descobrimentos, mantém o que disse: da mesma forma que estátuas foram derrubadas e que a ponte Salazar mudou de nome para ponte 25 de Abril, também o Padrão devia ser destruído enquanto “monumento do regime ditatorial” que é.

 

“Quando não temos leitura da história achamos que a normalidade é passar por um qualquer momento sem nos questionarmos. Mas se nos questionássemos, enquanto sociedade, perguntaríamos porque é que não derrubamos aquele que é um dos grandes monumentos do regime ditatorial”, diz em declarações ao Observador, afirmando que as revoluções servem para “fazer cortes” e que, nesse sentido, o 25 de Abril não “fez os cortes suficientes para limpar da nossa memória elementos que são danosos da construção de uma democracia plena”.

 

No artigo publicado no jornal Público, Ascenso Simões afirma que, “em Portugal, o salazarismo foi muito eficaz na construção de uma história privativa, garantindo, até hoje, a perenidade dos mitos do desígnio português, dos descobrimentos, ou do império”. Mas, no entender do deputado socialista, não existiu império nenhum. Esse império foi apenas uma construção do salazarismo e, mantendo de pé monumentos como o Padrão dos Descobrimentos, faz com que essa construção permaneça viva.

 

“Falta o conhecimento da história. Falta perceber verdadeiramente que não tivemos império nenhum. Que os tempos que vivemos desde o século XV até ao 25 e Abril foram tempos de grande instabilidade que nunca consolidaram império nenhum, mas esse império que está na nossa cabeça é o império salazarista. É uma construção simbólica do império salazarista”, diz o deputado ao Observador, sublinhando que ao fim de 40 anos de democracia ainda “não nos queremos confrontar com o passado” e que a primeira vez que a Constituição da República Portuguesa fala de império é a Constituição de 1933, a “Constituição Salazarista”.

 

Sobre a morte de Marcelino da Mata, o deputado socialista — que se opôs a que o PS votasse a favor de um voto de pesar — afirma que as condecorações de Marcelino da Mata que “serviram para aprovar um voto de pesar pela sua morte” não são mais do que “cruzes de ferro da nossa doméstica vida das décadas de 1960 e 1970”. “O ser humano, todo ele, merece o maior respeito na morte. Porém, são os que se aproveitaram e aproveitam de Mata, do seu passado e das suas medalhas fascistas, quem o desrespeita, quem lhe nega a paz eterna como salvação do seu passado abusador”, afirma.


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