Caso dos brasões. Há acordo entre Câmara de Lisboa e
peticionários
Os peticionários contra o fim dos brasões florais na
Praça do Império vão apresentar uma proposta à Câmara para preservar aquela
memória, depois de terem reunidos com Fernando Medina e Sá Fernandes.
Paula Sá
23 Fevereiro 2021
— 17:15
Os proponentes da
petição contra o fim dos brasões florais na Praça do Império estiveram esta
terça-feira reunidos com o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, e
com o vereador José Sá Fernandes, e chegaram a acordo para que aquela memória
seja preservada na futura requalificação da praça.
"Foi uma
reunião muito longa, de mais de duas horas e meia, com muita troca de pontos de
vista e muito construtiva", garantiu ao DN o primeiro proponente da
petição, Rafael Pinto Borges, líder do Movimento Nova Portugalidade.
Rafael Pinto
Borges diz que obteve por parte dos responsáveis da autarquia a garantia de que
"não há má vontade contra os brasões" e da parte dos peticionários -
que conseguiram reunir cerca de 14 mil assinaturas contra a remoção dos mesmos
- também foi afirmado que nada os move contra a Câmara de Lisboa, "há
apenas uma discordância de cidadania".
Ficou acordado
que os proponentes da petição irão apresentar ao executivo camarário uma
proposta para preservar os brasões, "mesmo que não seja em formato de
buxo" como são agora.
Ao DN, em plena
Praça do Império, José Sá Fernandes já tinha garantido ao DN estar aberto a
soluções para preservar os brasões florais das capitais de distrito, das ilhas
e ex-colónias portuguesas, plantados em 1961.
"Deixem-me
arranjar a Praça e depois logo se vê", diz Sá Fernandes
Na altura, o
vereador com o pelouro do Ambiente e Espaços Verdes na Câmara Municipal de
Lisboa tentou desconstruir a ideia de que a requalificação daquele espaço e o
fim dos tais arbustos nada têm a ver com a aversão à história do colonialismo
português.
"Não tenho
preconceito ideológico, nem nada, quero é arranjar isto! Deixem-me arranjar a
Praça e depois se logo vê", disse José Sá Fernandes.
Isto num dia em que
tinha entrado na Assembleia Municipal de Lisboa uma petição com cerca de 14 mil
assinaturas contra o fim dos brasões e com acusações de "perseguição ao
passado".
Os brasões foram
colocados em 1961, por ocasião da XI Exposição Nacional de Floricultura, tendo
sido comemorados os cinco séculos da morte do infante D. Henrique no ano
anterior e não faziam parte da configuração inicial da Praça, desenhada por
Cottinelli Telmo, em 1940.
As sugestões para
a preservação da memória daqueles brasões partiu de Gonçalo Matos, fundador e
coordenador do grupo de vizinhos de Belém que, em conversa com o DN, lembrou as
propostas que têm sido debatidas na comunidade para que se integrem estes
brasões na pedra da calçada ou sejam integrados num empedrado no relvado, ou então
sejam reproduzidos em placas evocativas, colocadas no local onde existiam em
flor.
A Praça do
Império foi criada para a Exposição do Mundo Português, em 1940, que comemorou
o duplo centenário da Independência de Portugal (1140) e da Restauração (1640).
Foi projetada por
Cottinelli Telmo, que além de arquiteto foi também cineasta. Sofreu alterações
em 1961, por ocasião dos 500 anos da morte do infante D. Henrique e no âmbito
da Exposição Nacional de Floricultura, em que foram projetados os brasões
florais. Aquela zona junto ao Mosteiro dos Jerónimos também sofreu fortes
transformações, sobretudo com a construção do Centro Cultural de Belém ou do
novo Museu dos Coches.

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