ECONOMIA
Portugal volta a divergir da Europa na pior altura de
sempre
Os líderes grego,
Kyriakos Mitsotakis, espanhol, Pedro Sanchez, romeno, Klaus Werner Iohannis e
alemã, Angela Merkel com António Costa em Bruxelas. EPA/STEPHANIE LECOCQ / POOL
Luís Reis Ribeiro 15.08.2020 / 07:01
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Economia
portuguesa afunda 16,3% no segundo trimestre e interrompe ciclo de convergência
com a zona euro que durava há mais de quatro anos.
O produto
interno bruto (PIB) de Portugal voltou a divergir da Europa e da zona euro no
segundo trimestre deste ano, indicam dados do Instituto Nacional de Estatística
(INE) e do Eurostat. A diferença entre taxas de variação homólogas (comparação
face ao segundo trimestre de 2019) é agora a mais desfavorável desde o início
de 2013, quando o País estava sob o programa de austeridade da troika e do
governo do PSD-CDS. Isto significa que os restantes países da moeda única estão
a empobrecer, mas também que Portugal está a ficar pobre mais rapidamente, em
termos reais (já descontando a inflação). Segundo informou ontem o Eurostat, a
generalidade dos países da União Europeia entrou em recessão profunda na
sequência da pandemia e das medidas de confinamento decretadas pelos vários
governos, mas o caso de Portugal é dos piores, pelo que o País se afasta assim
ainda mais da média dos parceiros no pior momento possível. Uma das principais
explicações é de que os países mais dependentes do turismo estão a ser os mais
penalizados pelas barreiras à mobilidade que ainda existem e pela falta de
confiança que entretanto se instalou entre os consumidores. Segundo o INE, que
ontem também divulgou a sua segunda estimativa preliminar para a evolução do
PIB, a economia portuguesa afundou 16,3% no segundo trimestre face a igual
período do ano passado, o pior valor de que há registo. Ainda assim, este
valor, sendo muito negativo, é menos mau do que a primeira estimativa avançada
pelo INE há 15 dias (-16,5%). Fonte: INE Na zona euro como um todo, a situação
também é das piores de sempre, mas o recuo foi de 15%. Isto faz com que
Portugal volte a divergir em termos reais da média da moeda única, o que não
acontecia desde meados de 2016. A desvantagem da variação do PIB de Portugal é
agora de 1,3 pontos percentuais, naquele que é o diferencial mais negativo em
sete anos (face à zona euro). Em relação à União Europeia, acontece a mesma
coisa, sendo a divergência de 2,2 pontos percentuais a desfavor de Portugal,
segundo cálculos do Dinheiro Vivo a partir dos dados do Eurostat. Na Europa,
Portugal aparece agora com o quarto pior desempenho económico, atrás de Espanha
(quebra de 22,1% no segundo trimestre), França (-19%) e Itália (17,3%). Ainda
não existem dados disponíveis para a Grécia. O INE veio também confirmar que o
país entrou oficialmente em recessão técnica, acumulando já dois trimestres
consecutivos de recuo do PIB (em cadeia). A descida trimestral face aos
primeiros três meses deste ano é de 13,9%. No primeiro trimestre, a economia já
tinha recuado 2,3% uma vez que as medidas de confinamento começaram a ser
aplicadas em meados de março. O INE explica que estes números refletem “em
larga medida” o contributo muito negativo da procura interna para a variação
homóloga do PIB e que este até foi “consideravelmente mais acentuado que o
observado no trimestre anterior”. O instituto fala de uma “contração
expressiva” do consumo das
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