terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Nova lei poderá levar um prato vegetariano a todas as cantinas públicas


Nova lei poderá levar um prato vegetariano a todas as cantinas públicas
O PAN, o BE e Os Verdes uniram-se para fazer uma lei que obriga as cantinas e refeitórios do Estado a ter opção para vegetarianos. Votação na especialidade é esta quarta-feira, na quinta-feira sabe-se se é aprovada. PAN está optimista que a lei passe. Ementas vão ser orientadas por técnicos.

JOANA GORJÃO HENRIQUES 27 de Fevereiro de 2017, 19:17

Como é que quem não come carne almoça na cantina da escola ou do hospital? Será que uma pessoa detida na prisão consegue sobreviver se não puder comer peixe ou carne?

Em breve, a opção de uma refeição vegetariana nestas circunstâncias deverá estar assegurada. Isto se o Parlamento aprovar, na sexta-feira, uma lei que define que em todos os menus de cantinas e refeitórios do Estado deve haver pelo menos um prato que não contenha quaisquer produtos de origem animal.

Há um ano, o partido PAN - Pessoas-Animais-Natureza apresentou um projecto de lei para a inclusão de uma opção vegetariana em todas as cantinas públicas de escolas e universidades, hospitais, estabelecimentos prisionais, lares, autarquias e serviços sociais da administração pública. Depois, acrescentaram-se propostas, no mesmo sentido, do Bloco de Esquerda e de Os Verdes. A discussão e votação na Comissão de Agricultura e Mar do projecto de lei que junta as três propostas é esta quarta-feira, e a votação global está marcada para sexta-feira. Falta saber como irão votar os outros partidos, mas o PAN está optimista já que, nas discussões anteriores, a maioria parlamentar “concordou com a liberdade de escolha na alimentação”. A proposta, a que o PÚBLICO teve acesso, não deverá ter grandes alterações, segundo André Silva, deputado do PAN.

Ementas orientadas por técnicos
A aprovação da lei, pedida em petição assinada por mais de 15 mil pessoas, significa o fim da discriminação de quem quer ser vegetariano, defende o PAN. Para garantir a diversidade e a presença de nutrientes que cumpram as regras de uma alimentação saudável e equilibrada, o projecto de lei especifica que as ementas vegetarianas vão ser orientadas por técnicos habilitados. Prevê-se, assim, que sejam elaboradas fichas técnicas das refeições, e capitações (distribuição de porções) das mesmas.

A aplicação da lei será “simples”, comenta André Silva, pois “qualquer cantina tem uma entidade gestora responsável, que [por sua vez] tem alguém da área da nutrição que faz as fichas técnicas e as capitações”. Não estão, assim, previstos custos adicionais, comenta, até porque as refeições vegetarianas são “mais baratas” que as outras, acrescenta, citando a Direcção-Geral de Saúde (DGS), que fez um manual para quem quer seguir uma dieta vegetariana de forma saudável.

PAN quer menu vegetariano em todas as cantinas públicas

“O documento da DGS afasta esses fantasmas de custos adicionais”, afirma. Segundo a DGS, a população adulta vegetariana na Europa é de entre 2 a 5%, números que estão a crescer e também em Portugal. A DGS afirma que as evidências sobre os benefícios da alimentação vegetariana são cada vez mais frequentes, e extensíveis a crianças e jovens – aconselha que numa refeição vegetariana se dê privilégio ao consumo de leguminosas (feijão, grão, ervilhas, lentilhas…), cereais integrais e hortícolas.

Porém, nos casos em que não exista procura suficiente de uma refeição vegetariana, a lei prevê que essa cantina seja dispensada deste cumprimento, mas em alternativa deve ter um regime de inscrição prévio.

Segundo o diploma, será a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica a assegurar a fiscalização do cumprimento da lei e à qual qualquer cidadão pode enviar uma queixa. Os deputados não sentiram necessidade de incluir uma sanção, acreditam que as cantinas e refeitórios vão cumprir a lei, indica o deputado do PAN. O período de aplicação previsto irá variar: nos casos de administração directa das cantinas ou refeitórios as entidades gestoras têm um máximo de seis meses a contar da entrada em vigor da lei; nos outros, a entidade gestora pode esperar até ao final do contrato que tem em vigor.

Até que ponto esta lei vai mudar a dinâmica das escolas? O pedido de refeições vegetarianas nas cantinas escolares “é muito residual”, afirma, por seu lado, Filinto Lima, presidente da Associação Nacional Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP). Mas não é por isso “que a lei, se for aprovada, não será cumprida”, comenta ao PÚBLICO. “Actualmente, as ementas não prevêem a opção de prato vegetariano, mas até admito que se um aluno disser na cantina que é vegetariano a cozinheira lhe confeccione” uma refeição, afirma.

As escolas vão ter que se preparar e isso não tem que ser complicado, defende. “Vai correr bem se as coisas forem feitas antecipadamente, com tempo para as escolas interiorizarem que têm de ter refeições vegetarianas e se as cozinheiras tiverem formação adequada para saberem confeccionar esse tipo de alimentos”, conclui.

De fora da lei ficou a inclusão de menus que respondam a restrições alimentares por razões de saúde (intolerância a glúten ou lactose) ou religiosos (em algumas religiões a carne de porco é proibida). "A prática é que sempre que alguém evoca restrições por causa da religião ou da saúde as cantinas respondem a esse pedido" positivamente, comenta André Silva.


A “gasosa” das elites portuguesas


A “gasosa” das elites portuguesas
Nós andámos décadas a alimentar a cleptocracia portuguesa sem que o povo tivesse sequer reparado.

JOÃO MIGUEL TAVARES
28 de Fevereiro de 2017, 7:29

Os angolanos chamam “gasosa” tanto às bebidas gaseificadas como aos subornos. Se um polícia o mandar parar em Luanda por qualquer razão, ainda que absurda, é quase certo que vai ter de pagar “gasosa”. Se precisar de um visto urgente, tem de pagar “gasosa”. E sempre que exista qualquer participação num negócio lucrativo, os angolanos, modo geral, querem “gasosa” pelo esforço. Claro que nós, portugueses impolutos, tendemos a olhar para isto muito sobranceiros, porque não temos de pagar “gasosa” à polícia nem aos funcionários das embaixadas. É verdade, e ainda bem – ao nível da pequena corrupção somos, de facto, um país muito mais sério e decente. Mas será que podemos dizer o mesmo da grande corrupção? Tenho cada vez mais dúvidas. Quando olho para as elites económicas e financeiras dos dois países, o que vejo é muita “gasosa” a borbulhar tanto em Angola como em Portugal.

Se há algum ponto em que me identifico com as queixas recorrentes de Luanda, sempre que um alto quadro seu é investigado em Portugal, é esse: também a mim me irrita a sobranceria de uma virtude inexistente. Perante as graves suspeitas que incidem sobre o vice-presidente Manuel Vicente lá tivemos de levar com os costumeiros protestos oficiosos e malcriados do regime, via Jornal de Angola. Estamos habituados. Contudo, estou convencido de que aquilo que está subjacente a tais insultos é a convicção por parte da elite angolana de que as práticas da elite portuguesa em nada diferem das suas – por cada tampa de "gasosa" que se abre em Luanda há uma garganta que se abre em Lisboa. A única verdadeira diferença é que nós somos mais dissimulados, e não chamamos “gasosa” à “gasosa”. A corrupção não está instituída em toda a sociedade. Está escondida no seu topo.

Basta olhar para a lista actualizada de arguidos da Operação Marquês. Há dez anos, aqueles eram os homens mais poderosos de Portugal. A nossa mais destacada elite económica. Os jornais faziam vénias à passagem de Zeinal Bava, de Henrique Granadeiro ou de Ricardo Salgado. Havia entrevistas, perfis de sucesso, conferências, influência e a habitual sabujice. Nós engolimos explicações que jamais deveriam ter sido aceites por uma sociedade saudável, atenta e minimamente exigente. Salgado recebia 14 milhões de um cliente do BES, chamava a isso uma “liberalidade”, juntava pareceres de iminentes professores catedráticos a justificar que uma “liberalidade” era coisa perfeitamente aceitável – e o pessoal encolhia os ombros. Bava recebia 18,5 milhões do saco azul do BES, só os devolvia depois de começar a ser investigado, de seguida argumentava tratar-se um valor que lhe havia sido “confiado a título fiduciário, consignado a uma finalidade legítima a concretizar em momento futuro” – e a pátria não queria saber. Enfiavam-nos dois garfos nos olhos, diziam que se tratava de uma operação às cataratas, e no fim ainda pagávamos a conta.


Não admira que os angolanos, que conhecem tão bem o senhor Bataglia, o senhor Salgado ou o senhor Sócrates arranquem os cabelos de raiva quando assistem à velha pátria lusitana de dedinho em riste, a perorar sobre a lastimável cleptocracia angolana. Não é que ela não seja lastimável – com certeza que é. Mas nós andámos décadas a alimentar a cleptocracia portuguesa sem que o povo tivesse sequer reparado. Não somos melhores. Somos apenas mais hipócritas e mais reservados. A “gasosa” é a bebida favorita das nossas elites – só que é preciso chegar lá para nos abrirem a porta do bar.

Fisco: O advogado Paulo Núncio desmente o secretário de Estado Paulo Núncio


Fisco: O advogado Paulo Núncio desmente o secretário de Estado Paulo Núncio
JOÃO RAMOS DE ALMEIDA 14 de Agosto de 2012, 18:26

A 3.ª versão em sete anos do regime de regularização de capitais ilegalmente saídos do país deu "protecção" a 3,4 mil milhões de euros.

Em Janeiro de 2010, o então advogado Paulo Núncio, do escritório Garrigues & Associados, divulgou aos seus clientes o regime excepcional de regularização tributária (RERT) para os capitais saídos ilicitamente do país e chamou-lhe "amnistia fiscal". Mas desde que é secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Núncio tem querido que essa designação não seja usada na comunicação social.

O PÚBLICO tentou obter do Ministério das Finanças uma explicação para esta discrepância de opiniões de Paulo Núncio. Em vão.

O RERT, nas suas três versões de 2005, 2010 e 2011, constitui um regime para contribuintes singulares que, irregularmente, tenham posto capitais fora do país, ainda sem processos a correr contra si. Isso inclui depósitos, valores mobiliários e instrumentos financeiros, como apólices de seguro do ramo vida ligados a fundos de investimento.

Para isso, só têm de pagar uma taxa. No RERT I e II, era de 5% sobre esses valores. No RERT I, a taxa desceu para 2,5% se fossem títulos de dívida pública portuguesa. Mas a Comissão Europeia viu nisso uma violação à livre circulação de capitais e o Governo retirou o desconto, passando - desde Abril de 2010 - o repatriamento a ser obrigatório. No RERT III, a taxa subiu para 7,5%, embora sem repatriamento.

O pagamento extingue a responsabilidade das infracções fiscais de "conduta ilícita (...) por ocultação ou alteração de factos ou valores" . O contribuinte deixa de ter de justificar a origem dos capitais para efeito de sinais exteriores de riqueza.

A elaboração da legislação das três versões do RERT esteve - como garantiu o Expresso em Maio passado - a cargo também de técnicos de consultoras multinacionais, como a KPMG. Firmas que, tal como os escritórios de advogados, têm o seu papel em esquemas que visam reduzir os rendimentos tributáveis.

Estes regimes não são pacíficos: são uma forma rápida de receita fiscal, mas correspondem a amnistias ou perdões. Assim o considerou a Comissão Europeia na nota que emitiu a 16 de Maio de 2007 quando divulgou a sua posição sobre o RERT I. "A amnistia fiscal portuguesa de 2005 não respeita o livre movimento de capitais", refere-se.

Um "escudo protector"
Foi da mesma forma que Paulo Núncio e Tiago Cassiano Neves qualificaram este regime numa nota divulgada a clientes e potenciais clientes do seu escritório. Ao resumir em Janeiro de 2010 as medidas do Orçamento do Estado desse ano, os dois juristas informavam sobre o RERT II do Governo Sócrates e sublinhavam que "o novo programa de amnistia fiscal (RERT II)" já não requeria a transferência física (repatriação) do capital e activos para Portugal.

Caso regularizassem a sua situação, os contribuintes beneficiariam de "um escudo protector (relativamente aos valores declarados) de todas as obrigações fiscais e mesmo de todas as infracções cometidas" até no prazo fixado na lei. "As sanções criminais que não tenham uma natureza fiscal (incluindo, por exemplo, as sanções por lavagem de dinheiro) mantêm-se aplicáveis."

Mas já o secretário de Estado tem dito a jornalistas ser incorrecto usar a expressão "amnistia". Na sua última edição, a quem Paulo Núncio deu uma entrevista, o Expresso refere que "o Governo rejeita expressões como "amnistia fiscal"ou "perdão fiscal"".

Com este regime, em 2005, houve uma receita de 43,4 milhões de euros e regularizou 820 milhões de capitais. O RERT II deu uma receita de 82,8 milhões de euros e regularizou 1660 milhões. Já o RERT III que funcionou até Julho passado, arrecadou - como noticiou o Expresso de sábado passado - a receita de 258,4 milhões de euros e protegeu 3,4 mil milhões de capitais fraudulentamente saídos do país.


A subida da receita é atribuída por Paulo Núncio ao agravamento das penas por ocultação de depósitos no estrangeiro (de cinco para oito anos) e da interposição de sociedades em paraísos fiscais para ocultar rendimentos. Por outro lado, ao alargamento do prazo de caducidade e de prescrição das dívidas fiscais entre 12 e 15 anos (antes de quatro a oito anos) e do maior número de acordos de troca de informação com diversas praças financeiras, como da Suíça.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

“Eu estou aqui!”


Eu estou aqui!”
POR O CORVO • 27 FEVEREIRO, 2017

Crónica

A Rua da Escola Politécnica, onde uma multidão de gente circula dia e noite, a pé e de automóvel, atraída pelas novas lojas, cada vez mais sofisticadas, que abrem todos os dias, e pelos restaurantes de “chefs” conhecidos ou de gastronomias exóticas que, a preços algo exorbitantes, vieram substituir velhas tascas tradicionais, está a ser abandonada por muitos dos antigos moradores.

Pressionados pelos senhorios, ansiosos pela oportunidade de negócio que lhes é proporcionada pelo extraordinário aumento de preços dos seus andares – nesta zona da cidade, o metro quadrado atinge os cinco mil euros, os preços mais altos de Lisboa, segundo a Remax -, idosos de saúde frágil abandonam as suas casas, aliciados às vezes pelas somas que lhes são oferecidas, muito baixas mas avultadas, para quem vive de reformas mínimas.

Foi o que aconteceu a uma mulher de noventa anos, a quem todos conhecem no bairro por “Avó Maria”, a cujo drama fui assistindo, relatado por ela, na cabeleireira de bairro que ambas frequentamos. O final não foi feliz.

A filha da Avó Maria, que depois de alguns desaires familiares, decidira voltar a viver com ela, acabou por convencer a mãe a aceitar os vinte e cinco mil euros que o senhorio lhe oferecia, se aceitasse sair da sua casa. A velha senhora resistiu quanto pôde, e chegou a pedir à cabeleireira para lhe arranjar um advogado que a ajudasse a opôr-se ao exílio forçado. Mas as circunstâncias estavam contra ela: já não conseguia viver sozinha, precisava do apoio da filha, e se o desejo desta era aceitar a oferta do senhorio, resignou-se a mudar para uma casa de renda barata, em Benfica.

Todos os meses, a Avó Maria, que continua muito lúcida, se mete num transporte público e ruma ao cabeleireiro, na Rua da Escola Politécnica, para arranjar o cabelo, carpir as suas mágoas e matar saudades da rua onde sempre viveu: “Aquilo lá é uma tristeza, não conheço ninguém e só vejo cimento à minha volta. Aqui, via o Tejo da minha cozinha. Tenho muitas saudades do rio, dos vizinhos, da minha casinha”, confidencia ela à cabeleireira que lhe penteia os caracóis brancos.

As histórias de gente expulsa de sua casa nesta zona da cidade multiplicam-se, ao ritmo dos prédios em obras, do avolumar do trânsito, da proliferação de novos comércios. Mas há quem não tenha abandonado o bairro. Um deles é um sem abrigo, que há vários anos passa o seu tempo na mesma soleira de porta. Louro, de olhos claros e estatura muito elevada, sem parecer fisicamente degradado, o homem poderia passar por um turista nórdico, um dos muitos que se passeiam agora pela Rua da Escola Politécnica, se não fosse usar o mesmo anorak castanho informe no Verão ou no Inverno, façam trinta graus ou menos cinco.

No chão, ao seu lado, um velho boné voltado ao contrário recolhe as moedas dos passantes, que ele não se dá sequer ao trabalho de interpelar, uma vez que passa o tempo deitado a olhar para o ar, por vezes entregue a um solilóquio incompreensível, entredentes.

Habituei-me a apreciar a postura discreta deste homem, que se limita a estar no mesmo sítio ano após ano, não pedindo nada, não tendo comportamentos excêntricos, nem acumulando sujidades à sua volta. Mas, há pouco tempo, o seu comportamento mudou. Continua indiferente ao fluxo interminável de trânsito humano e automóvel, continua deitado no mesmo sítio, mas o silêncio discreto em que se mantinha começou agora a ser interrompido de vez em quando, por um grito: “Eu estou aqui”.

Parei na rua, da primeira vez que o ouvi, sentindo o coração apertado, com pena do homem. Atravessei a rua para lhe dar uma moeda, que ele agradeceu com um discreto aceno de cabeça, continuei a andar e, ainda ouvi outra vez o seu grito vibrante: “Eu estou aqui!”

Não será aquele grito o protesto de quem não se resigna a que o ignorem, a que passem por ele como se ele não tivesse existência, como acontece cada vez mais, numa rua onde o anonimato substituiu as solidariedades de vizinhança? Pareceu-me que sim, e também que nessa afirmação da sua pessoa, o sem abrigo mostra mais orgulho próprio e capacidade de resistência do que muitos dos velhos habitantes da Rua da Escola Politécnica, incapazes de gritar aos ouvidos dos senhorios: “Eu estou aqui”. Mesmo que tenham nascido ali, como a Avó Maria, há noventa anos.


Texto: Isabel Braga Imagens: Selima

Todos iguais


Todos iguais
26 DE FEVEREIRO DE 2017
António Barreto

Já se percebeu: cada vez que um escândalo, processo, aldrabice ou caso de favoritismo está a ser investigado, logo outro surge, equivalente, com visados de outros grupos económicos, partidos ou governos... Às vezes há pontos de contacto. Noutras não. Agora, são os offshores que retiram casos das primeiras páginas. Mas, previsivelmente, vão bater às mesmas portas de sempre... Caixa, PT, BES...

Um processo aqui, um caso de corrupção ali, uns empréstimos sem retorno, uns favores a amigos, uns assaltos a empresas, algumas manipulações do mercado, umas transferências para offshores, muita mentira e uma prodigiosa incompetência fizeram da "jóia da coroa" o que ela parece hoje e que faz com que os políticos tenham receio do pântano. Fica-se cada vez mais com a impressão de que o caso da Caixa é o caso do regime: tudo anda ligado, da política à banca, da PT aos telemóveis, das águas aos petróleos, da electricidade à celulose, do BES ao Banif, do BPN ao BCP... Podem fazer-se todos os inquéritos imagináveis, ficará sempre algo de fora, aparecerá sempre, à última hora, novo facto inesperado que permita negociação futura e ocultação passada. Debaixo de cada pedra há lacrau ou veneno. E muitos parecem interessados em esconder e esquecer. Mas acrescentam sempre qualquer coisa.

A algazarra com a Caixa não deixa ninguém tranquilo. O esteio, o alicerce do sistema bancário português não é mais do que uma organização de mistérios e trapalhadas, sob influência directa dos governos, dos ministros e dos partidos. Serviu para obras públicas, parcerias duvidosas, empréstimos especulativos, favores aos amigos, negócios estranhos, demagogia política e empregos de conforto. Há alarido porque todos têm medo, de um partido, do outro e de outro ainda. Muitos receiam que se fale ou que se descubra. A barafunda actual é tanta, que se pode imaginar que nunca se saberá o que se deve saber, nunca se castigará quem o deve ser. Dirigentes do PS, do PSD e do CDS tiveram responsabilidades na necessidade de quatro ou cinco mil milhões, a recapitalização. Os governos de Sócrates, Passos Coelho e Costa têm todos responsabilidades no desastre e nas imparidades (eufemismo para designar, entre outras habilidades, trafulhices e favores).

"Eles são todos iguais!" é uma das mais detestáveis e inúteis frases que se ouve frequentemente por aí. Geralmente sobre a política. Frase e pensamento, ou falta dele, sem seriedade nem inteligência. Ideia sem verdade. Ideia errada e enganadora. Mas não se resiste. Não só se ouve cada vez mais, hoje, em tempos de crise, como já quase não há argumentos para contrariar.

"Eles" são diferentes. Defendem políticas diferentes. Estão ao serviço de interesses e ideias diferentes. Pertencem a classes sociais e a grupos diferentes. Têm programas e doutrinas diferentes. Há os honestos e os bandidos. Os sérios e os aldrabões. Os rigorosos e os demagogos. Os honrados e os corruptos. Os íntegros e os oportunistas. Os democratas e os déspotas. Mas deve reconhecer-se que "eles" fazem um esforço por se parecer cada vez mais. O que tem péssimos resultados: não nos ajuda a perceber. Sabemos ainda que há bandidos à esquerda e à direita. Honestos também. O que também não ajuda a compreender.


É fina a fronteira entre um caso de política e um caso de polícia. É curta a distância que vai da incompetência à corrupção. Da demagogia à venalidade, o tempo e o espaço são reduzidos. Se a democracia portuguesa não consegue apurar responsabilidades, julgar culpados, castigar "nepotes" e afilhados e refazer um banco seguro e honesto, se a democracia portuguesa tal não conseguir, condena-se a si própria. O processo da Caixa corre o risco de vir a ser o processo do regime

La La Land mistakenly named best picture – video



Moonlight has won best picture at the Academy Awards in a historic Oscar upset that saw Faye Dunaway and Warren Beatty reading out the wrong winner. Shock and chaos spread through the Dolby Theatre when producers of La La Land were stopped in the middle of their acceptance speeches to be informed that Moonlight was the correct winner.

Jimmy Kimmel sticks it to Donald Trump in Oscars opening monologue




Jimmy Kimmel sticks it to Donald Trump in Oscars opening monologue
Kimmel opens the Academy Awards show with digs at the president and the political division in the US – as well as his comedy nemesis, Matt Damon

Lanre Bakare
Monday 27 February 2017 02.14 GMT

Monday 27 February 2017 02.14 GMT Last modified on Monday 27 February 2017 04.09 GMT
Jimmy Kimmel skewered Donald Trump and the Academy’s record on diversity in his opening monologue for the Oscars, thanking the president and saying: “Remember last year when it seemed like the Oscars was racist?”

In a self-effacing and sarcasm-laden speech, Kimmel, who was hosting the ceremony for the first time, started by saying how he’d been told he needed to deliver a message of unity. “This broadcast is being watched live by millions of Americans and around the world in more than 225 countries that now hate us,” he said.

“The country is divided right now. People have been telling me I need to say something to unite us. I’m not the man to unite this country,” he added, before delivering the only serious part of his monologue.

From the announcement cock-up to Jimmy Kimmel’s Trump trolling and Gary from Chicago – follow the latest Academy Awards news, with updates, analysis of the awards, announcements and the best films, actors and actresses

After his opening monologue, Kimmel continued to jab at Trump and his administration throughout the ceremony. He referred to Ben Carson, Trump’s pick as secretary of housing and urban development, as Doctor Strange; he referenced the president’s obsession with “fake news” and joked that it was nice to have a president who believes in the arts and sciences while introducing Cheryl Boone Isaacs, president of the Academy of Motion Picture Arts and Sciences. Kimmel encouraged speeches that Trump “will tweet about in all caps during his 5am bowel movement tomorrow”.

The host also reignited his long-running fake feud with Matt Damon, which began with his exchanging of parody songs with the actor and Kimmel’s then girlfriend, Sarah Silverman, in the early noughties.

Kimmel mocked Damon’s decision to give the lead role in Kenneth Lonergan’s Oscar-nominated Manchester By The Sea to Casey Affleck. “He gave that role to his childhood friend Casey Affleck. He handed what turned out to be an Oscar calibre role over to his friend and made a Chinese ponytail movie instead, and that movie, The Great Wall, went on to lose $80m.”

Kimmel also dedicated a section to Meryl Streep, calling her overrated and mimicking Donald Trump’s criticism after the actor used a speech at the SAG awards in January to address the president.

Kimmel introduced several gimmicks throughout the evening such as showering sweets from the rafters of the Dolby Theater, and also brought in unsuspecting tourists who’d been on a Hollywood bus tour.


The host recently suggested he was considering stepping back from his long running late-night show on ABC. He told Variety that he was definitely carrying on for the next three years but after that would consider doing something else. “I want to go out on my own terms. If I ever feel like we’re repeating ourselves, I think it’s a good indication that it’s time.”