sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

“O PS tenta esconder das pessoas os seus verdadeiros compromissos”


“O PS tenta esconder das pessoas os seus verdadeiros compromissos”

João Oliveira O líder parlamentar do PCP considera que os socialistas defendem políticas austeritárias. Em contraponto, os comunistas querem perdão de parte da dívida canalizado para investimento

“Renegociação quer dizer discutirmos as condições de pagamento da dívida em relação aos montantes, juros e prazos. Incluindo [o perdão de parte] dos montantes [base]”

Maria Lopes / 28-2-2015 / PÚBLICO

 O PCP organiza hoje um encontro nacional em Loures onde são esperados cerca de 2000 comunistas para procurar “soluções para o país” e travar o “declínio nacional”. João Oliveira, líder da bancada parlamentar, antecipa algumas ideias do partido.
NUNO FERREIRA SANTOS
O encontro de hoje é o tiro de partida para as legislativas?
Este encontro tem uma perspectiva mais ampla e pretende reflectir sobre o caminho que Portugal tem seguido e aquele que é preciso seguir para lá das eleições. A batalha eleitoral é um momento muito importante nesse percurso, mas o caminho não começa nem acaba aí. Queremos reflectir de forma alargada sobre a situação que o país atravessa nas suas várias dimensões, económica, social e política, e afirmar linhas de solução para os problemas.
Que soluções são essas?
Uma política alternativa à executada há décadas, com eixos de natureza económica, social, questões relacionadas com a produção nacional, a recuperação dos sectores produtivos, a valorização de salários e de pensões, a defesa das funções públicas e sociais do Estado.
Esses argumentos não são novos no discurso do PCP. Vamos encontrar propostas concretas?
As propostas concretas surgirão no programa eleitoral, trabalho que vamos fazer de forma tão alargada quanto possível. Com todos os que não sendo comunistas, se afirmam numa perspectiva patriótica, de preocupação com o país e que estão disponíveis para as soluções que é preciso construir.
Isso é o PCP a abrir-se à sociedade?
Dificilmente se encontrará um partido que de forma tão aberta construa soluções políticas. O facto de integrarmos coligações eleitorais com outros partidos e muitos milhares de independentes é um exemplo da forma aberta como nos posicionamos.
Que condições é preciso então construir?
Renegociar a dívida, romper os condicionamentos que nos são impostos pela União Europeia de encontrar uma resposta para a situação económica que parta da criação de emprego e o controlo público dos sectores estratégicos são aspectos essenciais.
O PCP defende a saída do euro?
Nós defendemos que o país se deve preparar para isso. Defendemos que Portugal deve libertar-se dos condicionamentos do euro e preparar-se para a saída do euro.
Isso é defender a saída. Para a preparar terá que desenhar cenários. Quais são?
Temos que fazer o levantamento, estudar todos os cenários que se podem colocar. Um cenário em que sejamos empurrados, outro em que decidimos sair, ou até numa saída negociada.
A preparação e a saída seriam em que horizonte temporal?
Depende do estudo que for feito e dos cenários.
Voltávamos ao escudo?
Eu acrescento: que medidas se tomam sobre a circulação da moeda? Qual a moeda de referência para os depósitos bancários? E as taxas cambiais? É tudo isso que o PCP quer ver estudado.
Outros partidos defendem a finalização da construção da união monetária. Não receia assustar os seus eleitores?
Independentemente dos custos políticos ou eleitorais, um partido com verdadeira noção da responsabilidade e da urgência dos problemas que temos não pode deixar de levantar essas questões.
Os países mais fortes querem mesmo que alguém saia do euro? Tiveram uma oportunidade com a Grécia e não a deixaram cair…
Depende da situação em que se encontrarem alguns países da zona euro. A Alemanha e os mais poderosos podem chegar à conclusão de que, para defesa do seu interesse, devem sair da zona euro ou empurrar outros para fora.
Em que condições defende
a renegociação da dívida? Agrada-lhe o plano grego das obrigações perpétuas e indexar o pagamento ao crescimento?
Cada país deve encontrar as soluções para os seus problemas. Mas em relação a essa em concreto, nós apresentámo-la em Junho de 2011: a primeira proposta apresentada na AR para renegociação da dívida era do PCP, com um mecanismo semelhante, indexado ao valor das exportações. Temos vindo a evoluir nessa matéria e nas nossas propostas.
Renegociação ou reestruturação no sentido de não pagar uma parte da dívida?
A utilização dos termos tem sido variada. Renegociação quer dizer discutirmos as condições de pagamento da dívida em relação aos montantes, juros e prazos.
Isso implica o perdão de uma parte da dívida?
Implica todas estas dimensões, incluindo os montantes, sim. A dívida portuguesa cifra-se hoje à volta dos 210 mil milhões de euros. Esta situação não é sustentável durante muito mais tempo. Já não somos só nos que o dizemos, é o próprio FMI que diz. Mais cedo que tarde, vai tornar-se impagável. O que propomos é a renegociação para libertar recursos financeiros e canalizá-los para uma outra política económica que diversifique as fontes de financiamento e assegure o crescimento do país. Propomos a indexação do serviço da dívida ao valor das exportações.
O que representou a vitória do Syriza em Janeiro e o que representa agora depois do processo com o Eurogrupo?
O relevante é a afirmação que o povo grego fez de exigência de ruptura com as políticas seguidas no quadro da troika.
Achou que a Grécia iria esticar a corda até sair do euro?
O mais chocante é a atitude de ameaça e de chantagem da UE ao Governo grego. E num momento em que, para resolver os seus problemas, avançaram soluções no Eurogrupo, o Governo português, em vez de procurar encontrar as convergências possíveis, alinhou com a Alemanha, num quadro de chantagem, pressão e ameaça. Verdadeiramente inaceitável.
Voltemos a Portugal. Porque há tanta iniciativa política à esquerda e não se consegue mais entendimento?
Não há um problema com a fragmentação da posição política. O importante é discutir o que cada um quer do país, os compromissos que queremos assumir.
Não têm sido compromissos suficientemente flexíveis?
Não é um problema de flexibilidade ou de táctica. É um problema de substância, de estratégia, dos compromissos que cada um assume. Aquilo com que não nos podemos comprometer é com opções políticas que comprometam o povo português. Da nossa parte nunca tem havido problema. Em todas as eleições integramos uma coligação.
Mas sempre com os mesmos…
Na questão das coligações ou das convergências muitas vezes a soma dá menos que o resultado de cada uma das partes. Tivemos essa experiência nas presidenciais: Manuel Alegre teve menos votos quando foi apoiado pelo PS e BE do que quando concorreu sozinho. Portanto, a soma das partes por vezes acaba por ser menos.
Pelo que tem ouvido do Livre, das novas lideranças do BE e PS, vê o PCP num Governo de esquerda com esses partidos? Estamos disponíveis para assumir qualquer tipo de responsabilidade que o povo nos quiser atribuir, incluindo a governativa. Não estamos é dispostos a quebrar compromissos e a palavra dada apenas em troca de determinado número de lugares no Governo.
O que não aceitam do PS?
A questão deve ser ao contrário: com o que é que o PS está hoje comprometido? Continua comprometido com o PEC 4, com todas as medidas de corte de salários e pensões, na saúde, educação e segurança social? Com as privatizações? Porque sendo esses compromissos, antes de nós respondermos a essa pergunta, o povo português há-de responder negativamente ao PS. No que é que PCP e PS são absolutamente inconciliáveis?
Há um ponto óbvio: a clareza com que nós assumimos as nossas posições claramente contrasta com a ambiguidade em que o PS vai tentando esconder os seus compromissos. Nem é indefinição do PS. Tem mais a ver com a intenção de esconder das pessoas os seus verdadeiros compromissos com as opções à direita. António Costa, estando longe do debate parlamentar, tem mais tendência a esconder-se? Vai sendo apanhado à mesma nos bastidores. As declarações a propósito do investimento feito pelos chineses é exemplo disso. Quando um partido procura esconder os seus compromissos mas necessariamente vai tendo que dizer alguma coisa sobre a situação política, as contradições começam a tornar-se óbvias. Uma aproximação ao PS só será possível quando António Costa puser as cartas na mesa? Não, quando o PS decidir fazer uma política de esquerda — que é coisa que infelizmente até hoje não tivemos oportunidade de ver. Vê o PDR de Marinho e Pinto como um adversário à altura? Acho engraçado que, quando surge um movimento ou um partido novo, é concorrente do PCP. Tenho a memória ainda fresca dessa análise sobre o Bloco e afinal confirmou-se que o crescimento não foi feito à nossa custa, porque nós crescemos em todos os actos eleitorais desde que o Bloco existe. É preciso é que as pessoas tenham a noção exacta das soluções de cada um para resolver os problemas do país. E é bom que cada um se defina. Mais do que frases feitas ou um discurso mais ou menos populista, mais ou menos demagógico, é bom que para lá da espuma dos dias haja substância política nas propostas. A renovação da bancada fê-la bem mais jovem, saíram vozes de peso. Por vezes parece ter perdido algum fôlego. Acho exactamente o contrário. Este processo de renovação de organizações às vezes tem implicações que não são todas controláveis. Procurámos fazer a renovação de uma forma ordenada e sistematizada. Isso implica sempre sobressaltos no trabalho: há novas pessoas, períodos de adaptação, necessidade de integração de pessoas que não tinham experiência do trabalho parlamentar. Julgo que ainda assim tem sido feito um esforço que tem tido correspondência na manutenção do nível de trabalho e da nossa intervenção parlamentar.
Conseguem ainda ter capacidade de antecipação?
Sim. A questão da venda das casas em processos de execução, por exemplo. Esta semana foram discutidas duas propostas do BE e do PS e em Dezembro já tinha sido discutido um projecto de lei nosso. Temos um pioneirismo na defesa da renegociação da dívida e um nível de proposta que nenhum outro grupo parlamentar tem na AR. A proposta de comissão de inquérito ao BES foi nossa.
Pode esperar-se uma quarta moção de censura do PCP?


Essa possibilidade existe sempre. Não apresentamos uma moção de censura para queimar foguetes. A apresentação é sempre ponderada de forma muito profunda, depende da apreciação política que fazemos. Não é por isso que não vamos continuar a insistir que o Governo tem que ser derrotado.

É a soberania, idiota! / GUSTAVO CARDOSO


OPINIÃO
É a soberania, idiota!
GUSTAVO CARDOSO  27/02/2015 / PÚBLICO

( ... ) O que se passa na Europa é que as pessoas, os cidadãos, estão descontentes. E tanto estão descontentes nas eleições em Hamburgo quando votam no "Alternativa para a Alemanha" (AfD) e no seu programa anti-euro como quando votam no Syriza em Salónica.
Seja pelas boas ou más razões, o problema é que os cidadãos de todos os países da União estão cada vez mais descontentes com a expectativa futura de terem de alienar a sua soberania e, também, de já terem alienado demais.
Isso não é antagónico com estarem contentes com o euro, pois gostam do "seu euro", gostam dos seus euros portugueses, gregos, espanhóis, franceses ou alemães, mas não gostam do que o "euro dos outros" representa para a sua soberania.
Os partidos que estão a surgir à direita ou à esquerda e a capitalizar votos na Europa são todos, neste momento, ou nacionalistas ou soberanistas ou patrióticos. A Frente Nacional, em França, define-se como nacionalista, já o Podemos, em Espanha, define-se como patriótico, a AfD é soberanista e o Syriza também.
No entanto, os partidos em crescendo na Europa (e não aqueles que estão à defesa tentando não perder votos nas próximas eleições) também não são antieuropeus, apenas procuram outra Europa que lhes permita recuperar soberania.
É um paradoxo mas é compreensível, algo não está a funcionar na Europa e, por arrasto, também ao nível nacional e, por isso, algo de diferente se está a formar.
Mesmo em Portugal, onde as intenções de voto não mostram ainda (pelo menos nas próximas legislativas) um novo partido com um líder carismático que desafie a tradicional distribuição de votos, há múltiplos sinais de mudança.
Muito mudou desde a "tanga" e o "pântano" do início do novo século português, não é preciso procurar muito para perceber que algo mudou, está a mudar, mas ainda não ganhou forma definitiva em Portugal.
Para além do que podemos ler diariamente sobre o crescer das desigualdades em Portugal e da baixa dos juros da dívida portuguesa, há um vasto conjunto de mudanças que se estão a acumular e que, mais ou menos, lentamente virão à superfície sob uma forma diferente daquela que captamos na nossa análise das rotinas diárias.
Em conjunto com três colegas sociólogos, publicámos em 2015 um livro sobre as mudanças na sociedade portuguesa nos últimos dez anos, chamado A Sociedade em Rede em Portugal. Uma década em transição.
Nesse livro há múltiplos sinais que valerá a pena listar, mas bastarão apenas alguns para ilustrar o argumento de que os cidadãos percepcionam que há algo que já não funciona em Portugal e que, para o consertar, algo necessita de ser mudado no quadro do exercício da nossa soberania e cidadania.
Perto de 70% dos portugueses pensam que as pessoas podem influenciar os acontecimentos com mobilizações políticas e sociais. A concordância com esta ideia teve um aumento de 16% entre 2003 e 2013.
Apenas 8% considera que o sistema económico português tem sido justo para si.
Cerca de 60% dos portugueses considera que o sistema económico actual afecta negativamente a sua vida pessoal.
Segundo a percepção de 83% dos portugueses, a distribuição de rendimentos em Portugal e´ mais desigual do que na maioria dos países da Europa.
No que respeita a indicadores de atitudes face a` mudança, 85% dos portugueses consideram que precisamos de novas políticas com ideias novas.
No conjunto da população portuguesa, 45% dos indivíduos acham que podem contribuir para uma mudança social positiva.
Um terço dos portugueses (33%) considera como principal responsável pela crise económica actual os governos portugueses, 19% os líderes políticos portugueses em geral, 8% os bancos portugueses, e 25% culpam todo um conjunto de instituições, pessoas e contextos por igual.
Mais de 70% dos portugueses mostraram a sua inquietação com escândalos como o caso BPN ou o caso dos submarinos.
Cerca de 85% dos portugueses pensa que, de uma forma geral, devia haver mais fiscalização por parte do governo em relação às instituições financeiras, como bancos e empresas de crédito.
O aumento da taxa de desemprego para uma das mais elevadas da Europa, a redução do poder de compra da população e a falta de recuperação económica preocupam cerca de 90% dos portugueses.
Sobre a escolha entre austeridade ou estímulo económico como forma de superar a crise, 50% dos portugueses acha que devia haver um equilíbrio entre medidas de austeridade e medidas de estímulo ao crescimento e 31% pensa que devia ser dada preponderância a estas últimas.
Para além de um ambiente que oscila entre a vontade de romper com o que está e o não vislumbrar ainda como tal poderá acontecer, o que os dados nos mostram é a percepção de que, se não houver um reequilíbrio da soberania no quadro Europeu, os problemas que hoje identificamos continuarão por tempo indeterminado.
Isto diz-nos que, se a Europa não mudar (Europa aqui definida como o conjunto de cidadãos eleitos em diferentes países e tecnocratas, também eles cidadãos de países europeus, que se encontram regularmente em reuniões da União Europeia), a actual crise não poderá ser resolvida, estará apenas a metamorfosear-se, de novo, noutra coisa.
Na metamorfose actual, depois de já ter sido financeira, económica, fiscal e política, está agora a evoluir para uma crise de soberania europeia e a deixar de ser, apenas, uma crise da dívida soberana europeia.

Professor do ISCTE-IUL, em Lisboa, e investigador do College d'Études Mondiales na FMSH, em Paris

Governo acusa Bruxelas de "hipocrisia institucional" /Governo lamenta a “hipocrisia” da Comissão Europeia nas apreciações sobre a fraca cobertura do subsídio de desemprego.

Ai ... as “mãozinhas” sempre submissas de Passos Coelho ...
Afinal tal Subserviência não serviu de nada ...
OVOODOCORVO

Governo acusa Bruxelas de "hipocrisia institucional"
Técnicos de Bruxelas criticam em relatório a ausência de medidas de resposta ao desemprego e ao aumento da pobreza. Governo lamenta a “hipocrisia” da Comissão Europeia nas apreciações sobre a fraca cobertura do subsídio de desemprego.

Depois de colocar Portugal sob vigilância por causa de excessivos desequilíbrios macroeconómicos, a Comissão Europeia veio esta quinta-feira advertir o país para o risco de uma estabilização do desemprego em níveis elevados e estimar que o sistema de proteção social não tem sido capaz de responder à pobreza.

Embora Portugal registe desde a primavera de 2013 “sinais de melhorias” no mercado de trabalho, “o declínio do desemprego atingiu um ponto de paragem”. E a taxa apresenta-se estável desde outubro do ano passado, com uma evidente “redução do emprego”. É o que conclui o último relatório de Bruxelas sobre Portugal, conhecido na sequência do mecanismo de alerta para desequilíbrios macroeconómicos.
A Comissão Europeia decidiu colocar cinco países-membros, entre os quais Portugal, debaixo de “monitorização específica”, na sequência de um primeiro relatório do mecanismo de alerta divulgado em novembro de 2014.
“Concluímos que cinco países, França, Itália, Croácia, Bulgária e Portugal apresentam desequilíbrios excessivos que exigem ação política decidida e monitorização específica”, anunciava na quarta-feira o comissário dos Assuntos Económicos. "Em Portugal, apesar de progressos consideráveis durante a implementação do programa, subsistem riscos importantes ligados aos níveis elevados de dívida, tanto interna como externamente, e alto desemprego”, explicou Pierre Moscovici.
Ao longo do último ano, sinalizam os relatores, a pulverização de postos de trabalho regrediu a um ritmo mais elevado do que o crescimento da economia: “A queda da taxa de desemprego foi muito mais pronunciada do que o expectável, tendo em conta a relação histórica entre desemprego e PIB”.
A Comissão entende que há “fatores específicos” na raiz deste comportamento. Desde logo a quebra da população ativa e o impacto das medidas implementadas no mercado laboral. Nomeadamente “substanciais ajustamentos nos salários reais” e “o avanço nas políticas ativas de emprego”.
A perspetivar o futuro imediato, porém, os autores do relatório preveem que a criação de postos de trabalho desacelere. Ou seja, que “o crescimento do emprego deverá ficar mais alinhado com o crescimento” do Produto Interno Bruto.
“A taxa de emprego está muito abaixo do pico de 2008 e há um risco de o desemprego estabilizar em níveis elevados”, adverte assim Bruxelas, tomando por base a débil recuperação da economia portuguesa e o que considera ser o alargamento do fosso entre as competências dos trabalhadores e aquelas que os empregadores procuram.
A Comissão Juncker lembra, no mesmo relatório, que o emprego total sofreu uma queda de aproximadamente 14,5 por cento – o equivalente a 730 mil postos de trabalho – do segundo trimestre de 2008 para o primeiro de 2013, com mais 525 mil pessoas a serem atiradas para o desemprego.
É neste ponto que o Executivo comunitário situa um dos desafios de maior peso para a recuperação da economia: “Absorver o amplo conjunto de desempregados”.
“Sistema não foi capaz de lidar com a pobreza”
Outra das conclusões dos técnicos de Bruxelas é a de que, nos anos da troika, o sistema de proteção social do país revelou incapacidade para responder ao agravamento dos índices de pobreza.
“O impacto das transferências sociais (excluindo as pensões) na redução da pobreza diminuiu de 29,2 por cento em 2012 para 26,7 por cento em 2013, o que sugere que o sistema de proteção social não foi capaz de lidar com o aumento repentino do desemprego e com o consequente aumento da pobreza”, censura a Comissão.As recomendações da Comissão deverão ser submetidas em março ao Ecofin – o grupo de ministros das Finanças da União Europeia. Bruxelas apresentará em maio novo pacote de recomendações.
As críticas do relatório recaem sobre medidas do Governo de PSD e CDS-PP como os cortes em apoios sociais, que “tiveram um impacto negativo no rendimento disponível” e atingiram “desproporcionalmente os mais pobres” e “crianças com menos de dez anos”.
Há dois anos, recorda Bruxelas, o risco de exclusão social eram particularmente agudo para as crianças - 31,6 por cento contra 27,4 por cento da restante população do país. Neste contexto, entre outubro de 2010 e agosto de 2014, foram quase 592 mil os beneficiários que ficaram sem apoios sociais à infância.
“O aumento dos níveis de pobreza e de exclusão social foram afetados pelo aumento do desemprego até 2013. A forte subida do desemprego e do desemprego de longo prazo traduziu-se no deteriorar dos indicadores de pobreza”, avalia o relatório.
Ainda que tenham sido adotadas medidas destinadas aos mais desfavorecidos, a Comissão Europeia nota que ficaram por decidir “medidas-chave para garantir uma cobertura adequada da assistência social”.

c/ Lusa

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Zeinal Bava recusa responder na Comissão de Inquérito / Os deputados perderam a paciência numa "frustrante" audição a Zeinal Bava.

Mais um exemplo da classe de “gestores” “que não guardam memória” mas guardavam milhões em prémios e “bónus” ... Para tanta “falha de memória” só se encontram duas explicações possíveis / MENTIRA pura e simples / ou / UMA COLOSSAL INCOMPETÊNCIA e IRRESPONSABILIDADE.
  Zeinal pode estar de “orgulho beliscado” mas está concerteza míope para um país onde actualmente, 24,4% dos portugueses vivem em risco de pobreza ou exclusão social, facto incontornável divulgado esta terça-feira pelo Eurostat (organismo estatístico da União Europeia)
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OVOODOCORVO

Os deputados perderam a paciência numa "frustrante" audição a Zeinal Bava
CRISTINA FERREIRA e PAULO PENA 26/02/2015 - PÚBLICO

“Eu não guardo memória”, foi a forma como o ex-gestor da PT respondeu a quase todas as perguntas difíceis. Aquele que já foi considerado o “melhor CEO” veio ao Parlamento com o orgulho beliscado, mas não se desviou um milímetro do guião evasivo que trazia.

Zeinal Bava não se recorda de quem aprovou na PT a compra de 500 milhões de euros da Espírito Santo Internacional (ESI). “Não vou dizer que foi fulano, sicrano ou beltrano, porque não me recordo”, disse nesta quinta-feira, em resposta a Mariana Mortágua, do BE. Já não era a primeira vez. O deputado comunista Bruno Dias ouvira uns quantos “não guardo na memória” minutos antes. Mortágua deixou escapar o primeiro sinal de impaciência: “Era um bocado amadorismo para quem ganhou tantos prémios de CEO do ano, não?” Outras se seguiriam.

Bava vinha preparado para a acutilância das perguntas. Os deputados vinham preparados para a mais dura audição, até agora, nesta Comissão de Inquérito à gestão do BES e do GES.

Pedro Nuno Santos, do PS, perguntou: “O BES tinha uma influência significativa na vida da PT?”. O ex-gestor divagou, sem responder. O deputado repetiu a pergunta. Uma, duas, três vezes. E recordou, no fim: “Estamos numa comissão de inquérito”.

Cecília Meireles, do CDS, passou pelo mesmo. Fez a pergunta, não teve a resposta. Repetiu. E desabafou: “Sou eu que sou de compreensão lenta. Sou eu que sou pouco inteligente.” Os deputados suspiravam, exibiam sorrisos amarelos e iam endurecendo o tom. Duarte Marques, PSD: “Percebo a sua afirmação, e é das poucas que faz sentido.”

A audição começou, ainda assim, num tom mais pacato, com Bava a assegurar: “Não acredito que pudéssemos ter feito alguma coisa que contrariasse os interesses da PT.” Mas seguiram-se as provas que desafiavam essa afirmação. Os investimentos, quase exclusivos, da PT no GES, que chegaram a totalizar 91% da tesouraria da empresa. A compra de dívida da ESI e da Rioforte, mil milhões de euros só nesta última. Os encontros com Ricardo Salgado. O papel do BES na condução da PT. E o fim da sua carreira na empresa, após o fim da fusão com a brasileira Oi.

Para tudo isto, Bava trazia uma resposta padronizada, que repetiu, exaustivamente. As suas conversas com Ricardo salgado eram, sempre, “genéricas”.  E, depois, “ninguém pensava que o BES podia falir. Do ponto de vista da PT, a responsabilidade final era do banco”. “A partir do momento em que fui nomeado presidente da Oi, eu não sabia nem devia saber das aplicações da PT, pois existia conflito de interesses.”

O gestor, que se manteve quase sempre sorridente, assegurou que até à sua saída da liderança da PT SGPS tudo estava bem. Ou quase. “Não me recordo de um único reparo até ao dia 4 de Junho de 2013”, a data da sua mudança para a Oi.  A partir de então, “dedicava 85% do tempo à Oi, sempre no Brasil, focado.” Tanto que passou a integrar expressões de português do Brasil nas suas respostas: “de jeito nenhum” ou “esse caixa”.

O problema é que, já antes disso, a PT entregara, entre depósitos e investimentos, 12 mil milhões ao grupo liderado por Ricardo Salgado, ou seja, 79,9% da tesouraria da PT. Esse valor subiu para 15 mil milhões no ano seguinte. Como recordou Mariana Mortágua, “a PT endividou-se a 4,6% para comprar dívida da ESI que pagava 4,05%”. Bava não negou, mas elogiou “a taxa que se conseguiu” pela dívida da ESI. De uma forma ainda mais contra-intuitiva: “A PT não aumentou a sua dívida, aumentou a sua flexibilidade financeira.”

Em todo o caso, mesmo quando os deputados apontavam a necessidade de ser do conhecimento do gestor determinada operação entre a PT e o BES, Bava tinha uma resposta: “Não guardo memória.” “Em sã consciência eu não sabia.” Fossem 500 milhões investidos numa empresa como a ESI, onde “ninguém mais queria investir”, como sublinharam os deputados. Fosse o fundo de pensões dos trabalhadores que ia parar à Espírito Santo Activos Financeiros, do GES, em nome do Benfica Stars Fund, por via da Ongoing.

Desta vez, ao contrário das anteriores, Bava não usou uma miríade de termos em inglês. Falou várias vezes de “cash pulling”, trouxe para o léxico parlamentar a expressão “tableaux de board” (espécie de gráficos que iam a despacho na administração, onde constavam os investimentos).

À defesa, com pouca memória e muitos circunlóquios, Zeinal Bava decidiu não partir para o ataque. Recusou-se, apesar de instado por Duarte Marques, a “desmentir” as afirmações de Henrique Granadeiro. “Se o dr. Henrique Granadeiro vem cá, penso que é a pessoa certa para lhe fazerem as perguntas.” Bava fez finca-pé e sublinhou que a partir do momento em que saiu da PT SGPS, em Junho de 2013, “não tinha de saber” o que se passava na PT SGPS. Aí mandava Henrique Granadeiro. Quando saiu da PT, em Agosto, Granadeiro disse conviver bem com os seus actos, “mas não com os encargos e responsabilidades de outros”. Já na recta final da venda da PT Portugal à Altice (numa carta enviada à CMVM no momento da primeira assembleia geral da PT SGPS convocada para aprovar o negócio), o gestor criticou a fusão com a Oi, voltou a assumir parte das responsabilidades pelos prejuízos na Rioforte, mas, desta vez, foi directo nas acusações a Bava. O cerne da discussão entre os dois antigos responsáveis da PT anda em torno de quem na empresa fazia a gestão de tesouraria e decidia onde aplicar os excedentes.

Segundo Granadeiro, foi a PT Portugal (à data ainda sobre a gestão de Bava) a responsável por uma tranche de mais de 600 milhões do investimento total na Rioforte. Bava garante que a gestão de tesouraria da PT Portugal só passou para a Oi em Maio (depois de liquidado o aumento de capital em que os activos da PT passaram para a empresa brasileira) e assegura que “anda por aí uma confusão de conceitos” sobre o que é a gestão de tesouraria.

Já passavam mais de quatro horas da audição quando Bava reconheceu, por fim, um erro. Uma informação ao mercado que garantia que a PT diversificava os seus investimentos, quando na realidade os concentrava no GES.

À sua frente, o gestor tinha algumas notas e um smartphone. Não veio acompanhado por nenhum advogado, nem quis usar a prerrogativa de uma intervenção inicial. Cauteloso, Bava ainda não concluiu a sua história na PT/Oi. Neste momento ainda discute, discretamente, nos bastidores, com a Oi e a PT SGPS, o pagamento das parcelas de remunerações variáveis que reclama, relativas a 2011. A PT SGPS já comunicou que não vai pagar os prémios que estão a ser reclamados, nem a Bava, nem a Pacheco de Melo, o ex-responsável financeiro da PT, elogiado ao longo de toda a audição pelo ex-CEO da operadora. Em causa estão alguns milhões de euros.
Na quarta-feira será a vez de Granadeiro ser ouvido no Parlamento
A parceria estratégica que arrastou a PT
Ana Brito / 27-2-2015 / PÚBLICO
Os brasileiros da Oi aproveitaram a deixa (ou o “calote”, como disse o ministro das Comunicações do Brasil) para forçar a negociação dos termos da fusão com a PT, reduzindo a posição com que os accionistas da PT SGPS deveriam ficar na nova empresa, de 37% para 25,6%. Asseguram ainda que os títulos ruinosos da Rioforte seriam totalmente transferidos para a holding portuguesa, livrando-se os investidores brasileiros de qualquer exposição a esse investimento.
O default da Rioforte e o consequente rombo na Oi foi, de resto, uma das razões apontadas pelos brasileiros para venderem a PT Portugal , num processo do qual a francesa Altice saiu vencedora. A operação de venda (que foi notificada pela Altice na quarta-feira às autoridades europeias da Concorrência) ficou decidida em assembleia geral da PT SGPS em Janeiro e nas assembleias gerais de obrigacionistas da Oi em Fevereiro. Pelo meio, houve renúncias, auditorias e trocas de acusações. Granadeiro foi o primeiro a deixar a PT, em Agosto, renunciando ao cargo de presidente do conselho de administração da PT e de presidente da comissão executiva, ainda antes da assembleia geral de accionistas em que os novos termos da fusão foram aprovados.
Na carta de renúncia, o gestor disse conviver bem com os seus actos, “mas não com os encargos e responsabilidades de outros”. Já na recta final da venda da PT Portugal à Altice (numa carta enviada à CMVM no momento da primeira assembleia geral da PT SGPS convocada para aprovar o negócio), o gestor criticou a fusão com a Oi, voltou a assumir parte das responsabilidades pelos prejuízos na Rioforte, mas, desta vez, foi directo nas acusações ao expresidente da PT Portugal, que era simultaneamente presidente da Oi - Zeinal Bava. E na próxima quartafeira será a vez de Granadeiro contar a sua versão dos factos aos deputados da comissão de inquérito (na quinta-feira será a vez de Luís Pacheco de Melo, o ex-administrador financeiro do grupo).
Zeinal Bava acumulou a função de presidente da PT Portugal com a da Oi até Agosto, deixando o cargo na empresa portuguesa em plena crise dos investimentos na Rioforte. Na ocasião, a justificação foi a de que a fusão PT/Oi requeria toda a sua atenção. A Oi disse publicamente que Bava nada sabia sobre os investimentos na Rioforte. Porém, sem qualquer explicação, no início de Outubro (depois dos novos termos da fusão terem sido aprovados em Portugal) o gestor deixou a empresa, tendo-se mantido em silêncio sobre o tema até ontem.

Zeinal Bava recusa responder na Comissão de Inquérito

o portuguesing do Zeinal

Fugiu-lhe a boca para a verdade ? Verdade do seu contorcionismo politiqueiro ? António Costa como candidato matreiro, mas amador.

“António Costa já é não apenas ministro ou número 2 do PS. António Costa já não é só presidente da Câmara de Lisboa. É líder dos socialistas e vai candidatar-se às eleições para ser primeiro-ministro.
(...)  Mas, politicamente, a imagem que passa é a de um Costa que diz uma coisa aos chineses e outra aos portugueses. E por causa desta falta de habilidade política a oposição já não lhe dará tréguas até às eleições. Foi o seu momento de candidato-amador.”