sábado, 26 de setembro de 2026

Meloni wages war on burqas, foreign student caps to protect Italian identity

 

Não são lojas, são barcos! / António Sérgio Rosa de Carvalho / 16 de Janeiro de 2024

 

OPINIÃO

They are not shops, they are boats!

"They're not shops, they're boats!" is the title of a well-known opinion article written by António Sérgio Rosa de Carvalho and published in the newspaper Público.

The text addresses a critical metaphor about the proliferation of certain convenience stores and trinkets in urban centers in Portugal. The author argues that many of these establishments do not strictly function as real businesses, but rather as a "façade" or "rotating platform" (hence the metaphor of "boats") for illegal immigration networks and schemes for the legalization of foreign nationals in the Schengen area.

Central points of the article's discussion:

  • Commercial Façade: Stores that remain open with almost no visible customers or sales, raising suspicions about their real financial sustainability.
  • Staff Turnover: Constant replacement of employees to generate short-term employment contracts, used in the instruction of regularization processes.
  • Criticism of the Authorities: I call for tighter supervision by the competent authorities to combat human trafficking networks and aid illegal immigration.


Não são lojas, são barcos!

 

Todos já concluíram, com excepção das autoridades, que muitas destas lojas de bugigangas constituirão uma fachada para máfias que as utilizam como plataforma rotativa para imigração ilegal.

 

António Sérgio Rosa de Carvalho

16 de Janeiro de 2024, 14:45

https://www.publico.pt/2024/01/16/opiniao/opiniao/nao-sao-lojas-sao-barcos-2076992

 

O encerramento da loja Vida Portuguesa marca, como sintoma irreversível, uma nova dimensão no desaparecimento no quotidiano das vivências portuguesas num originalmente centro histórico, agora reduzido a mero décor híbrido.

 

O encerramento da Livraria Ferin (1) e da Barbearia Campos (2) fazem parte deste diagnóstico, mas o caso específico da primeira loja de Catarina Portas, ultrapassa estes no plano simbólico, de forma sintomaticamente grave.

 

Catarina Portas pertence a uma geração, como muitos outros, que tentou habitar o centro histórico de Lisboa. Mas Catarina foi mais longe.

 

Demonstrando uma capacidade de empreendimento criativo, associada a uma visão cultural única, características raras numa sociedade de sonâmbulos entorpecidos, ela criou um projecto determinado por uma revisitação refrescante do artesanato português, colocando-o com grande sensibilidade estética em interiores de património arquitectónico ameaçado.

 

Assim, de forma dialéctica, ela conseguiu, de forma única, inverter o conceito de nostalgia passiva implícito no mito da Saudade, em algo activo, dinâmico e criativo.

 

O PÚBLICO publicou recentemente uma entrevista (3) com Catarina Portas.

 

Nela, ela exprime o seu espanto pela omnipresença na Baixa lisboeta e portuense de centenas de lojas de bugigangas asiáticas, que sobrevivem a todos sobressaltos, pagando acima de 10 mil euros de renda mensal sem uma dinâmica comercial que justifique tais investimentos.

 

Com relação a este mistério pronunciei-me já em Julho de 2017,(4) com perguntas directas e um apelo aos jornalistas. Este apelo foi seguido por Bárbara Reis, moradora da Baixa e ex-directora do PÚBLICO, que em Maio de 2021 publicou um artigo no qual explicitamente perguntava: "Que negócio há atrás das lojas de bugigangas para turistas?"(5)

 

Ora, todos já concluíram, com excepção das autoridades responsáveis, que muitas destas lojas constituirão uma fachada para máfias que as utilizam como plataforma rotativa para avalanches de imigração ilegal, a fim de, aproveitando-se da permissividade apática e de uma nova lei da imigração que concede a qualquer um seis meses para procurar trabalho, e através de um registo na Segurança Social, garantirem o direito a residir.

 

Este paradoxo, em total contraciclo com a Europa (ver as novas leis de imigração em França, Alemanha, Países Baixos, Escandinávia) transformou Portugal numa fábrica de legalizações e principal exportador de imigração ilegal para os Países de Schengen (ver também, da minha autoria, "Chega de dar razões ao Chega para ter razão"(6) e ainda "Um apelo à revisão da nova Lei da Imigração e à reposição do SEF").(7)

 

Os leitores já compreenderam. Este fenómeno, que constitui mistério apenas para aqueles que não querem ver aquilo que é evidente, forma a nossa versão dos barcos que tanto tumulto político têm provocado em Inglaterra e Itália.

 

Máfias organizadas(8) ganham fortunas com os sonhos de vítimas. Também as lojas são geridas por máfias internacionais onde “são os empregados que pagam aos patrões, não são os patrões que pagam aos empregados”.

 

Temos eleições brevemente, seguidas de eleições europeias. O tema da imigração vai dominar as eleições europeias.

 

E Portugal continua alheio a tudo quanto se passa à sua volta, numa apatia submissa e sonâmbula, sempre à espera que Tudo e Todos determinem o nosso futuro!

 

Historiador de Arquitectura

 

(1)https://www.publico.pt/2023/12/21/local/noticia/oficial-livraria-ferin-segunda-antiga-lisboa-fecha-2074472

 

(2) https://www.publico.pt/2023/12/22/local/noticia/contagem-continua-tambem-historica-barbearia-campos-chiado-fechou-2074651

 

(3) https://www.publico.pt/2023/12/24/local/entrevista/precisamos-dez-lojas-pasteis-nata-rua-2074612

 

(4) https://www.publico.pt/2017/07/12/local/opiniao/o-misterio-das-lojas-asiaticas-1778557

 

(5)https://www.publico.pt/2021/05/15/local/opiniao/negocio-ha-atras-lojas-bugigangas-turistas-1962506

 

(6) https://www.publico.pt/2023/04/04/opiniao/opiniao/chega-dar-razoes-chega-razao-2044760

 

(7) https://www.publico.pt/2021/05/25/opiniao/opiniao/apelo-revisao-nova-lei-imigracao-reposicao-sef-1963951


(8) https://www.publico.pt/2023/07/18/sociedade/noticia/rede-trazia-imigrantes-papeis-falsos-entrevistas-sef-2057231



 

Revise Zero Licensing to Protect Traditional Commerce / Rever o Licenciamento Zero para proteger o comércio tradicional

 


DN Opinion

Revise Zero Licensing to Protect Traditional Commerce

Nuno Piteira Lopes

Mayor of Cascais and vice-president of the National Association of Portuguese Municipalities

 

Published to:

22 Sep 2026, 01:01

https://www.dn.pt/opiniao-dn/rever-o-licenciamento-zero-para-proteger-o-comrcio-tradicional

 

In 2011, Portugal was under financial rescue from the Troika and urgently needed to boost the economy and reduce administrative costs. Bureaucracy was seen as one of the biggest obstacles to investment and the entry of new businesses. The answer was to change the State's strategy: instead of prior licensing, the entrepreneur's declaration was trusted, reinforcing subsequent inspection. Zero Licensing was born, in a context in which Portugal needed to simplify processes and create conditions for those who wanted to invest, create jobs and open a business.

 

But a rule designed to simplify cannot become a rule that prevents the municipality from responding to the transformation of the territory. Meanwhile, the reality has changed. The recession is over, unemployment has fallen and Portugal has seen a strong growth in tourism and real estate investment. A solution designed for a certain reality may, over time, reveal limitations in the face of a different reality.

 

Where there used to be a neighborhood grocery store, today there may be successive souvenir shops or similar convenience businesses, with five, six, seven or eight workers, selling the same products, such as cloths or roosters from Barcelos, and without customers for much of the day. The question is simple: how can these businesses support such high rents? It is a reality that can be seen, evidently, in Rua Direita de Cascais, which no longer has the same commercial identity it has always had. Traditional commerce faces difficulties to compete and the historic centers are beginning to lose part of their identity.

 

Cascais has a duty to protect its territory, its identity and its community. It is necessary to give municipalities the ability to have prior control over certain economic activities, to stop the uncontrolled proliferation of façade shops that de-characterize historic centers.

 

It is not a question of being against commerce, investment or new businesses. It is a question of asking whether all streets, all areas and all territories should be subject to exactly the same rules. A historic centre subject to strong tourist pressure does not necessarily face the same problems as a business or residential area. The local reality matters and the answers must also be able to be local.

 

Cascais was one of the drivers of this debate, through the public petition launched by the Parish Council of Cascais and Estoril, of which I was the first signatory, which gathered more than 11,000 signatures and took this issue to the Assembly of the Republic. In September 2026, we again signaled this need to the Government. It is therefore important that the Government now moves forward with a legislative amendment that creates exceptions to Zero Licensing, allowing for better protection of traditional commerce and giving municipalities tools to respond to the reality of their territories.

 

Licensing less can be important. But deciding better is essential.


Opinião DN

Rever o Licenciamento Zero para proteger o comércio tradicional

Nuno Piteira Lopes

Presidente da Câmara Municipal de Cascais e vice-presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses

 

Publicado a:

22 Set 2026, 01:01

https://www.dn.pt/opiniao-dn/rever-o-licenciamento-zero-para-proteger-o-comrcio-tradicional

 

Em 2011, Portugal estava sob resgate financeiro da Troika e precisava urgentemente de dinamizar a economia e reduzir custos administrativos. A burocracia era vista como um dos maiores travões ao investimento e à entrada de novos negócios. A resposta passou por mudar a estratégia do Estado: em vez do licenciamento prévio, passou-se a confiar na declaração do empresário, reforçando a fiscalização posterior. Nascia o Licenciamento Zero, num contexto em que Portugal precisava de simplificar processos e criar condições para quem queria investir, criar emprego e abrir um negócio.

 

Mas uma regra pensada para simplificar não pode tornar-se numa regra que impede o município de responder à transformação do território. Entretanto, a realidade mudou. A recessão acabou, o desemprego caiu e Portugal assistiu a um forte crescimento do turismo e do investimento imobiliário. Uma solução desenhada para uma determinada realidade pode, com o tempo, revelar limitações perante uma realidade diferente.

 

Onde antes existia uma mercearia de bairro, podem hoje surgir sucessivas lojas de souvenirs ou negócios de conveniência semelhantes, com cinco, seis, sete ou oito trabalhadores, a vender os mesmos produtos, como panos ou galos de Barcelos, e sem clientes durante grande parte do dia. A questão é simples: como conseguem estes negócios suportar rendas tão elevadas? É uma realidade que se vê, de forma evidente, na Rua Direita de Cascais, que já não tem a mesma identidade comercial que sempre teve. O comércio tradicional enfrenta dificuldades para competir e os centros históricos começam a perder parte da sua identidade.

 

Cascais tem o dever de proteger o seu território, a sua identidade e a sua comunidade. É necessário dar às autarquias capacidade de controlo prévio sobre determinadas atividades económicas, para travar a proliferação descontrolada de lojas de fachada que descaracterizam os centros históricos.

 

Não se trata de ser contra o comércio, o investimento ou os novos negócios. Trata-se de perguntar se todas as ruas, todas as zonas e todos os territórios devem estar sujeitos exatamente às mesmas regras. Um centro histórico sujeito a forte pressão turística não enfrenta necessariamente os mesmos problemas que uma zona empresarial ou residencial. A realidade local importa e as respostas também devem poder ser locais.

 

Cascais foi um dos motores deste debate, através da petição pública lançada pela Junta de Freguesia de Cascais e Estoril, da qual fui o primeiro subscritor, que reuniu mais de 11.000 assinaturas e levou esta questão à Assembleia da República. Em setembro de 2026, voltámos a sinalizar ao Governo esta necessidade. É por isso importante que o Governo avance agora com uma alteração legislativa que cria exceções ao Licenciamento Zero, permitindo proteger melhor o comércio tradicional e dar às autarquias instrumentos para responder à realidade dos seus territórios.

 

Licenciar menos pode ser importante. Mas decidir melhor é essencial.

As lojas tradicionais da Baixa: desafios presentes e futuros ANTÓNIO SÉRGIO ROSA DE CARVALHO 25/06/2015 – PÚBLICO


As lojas tradicionais da Baixa: desafios presentes e futuros

Finalmente, os proprietários das Lojas Tradicionais encontraram-se em Lisboa, e estabeleceram contacto através de uma plataforma de “cidadania”.

Este é o exacto título de um artigo da minha autoria, inserido no volume intitulado “Reabilitação Urbana: bases para uma intervenção de salvaguarda” (https://www.academia.edu/3876080/Baixa_Pombalina_bases_para_uma_interven%C3%A7%C3%A3o_de_salvaguarda_Baixa_Pombalina_Bases_for_Intervention_and_Preservation)
, publicado em Junho de 2005 pela CML, com a coordenaçào editorial de João Mascarenhas Mateus, exemplo de um completo estudo de conteúdo, no contexto preparatório da classificação da Baixa a Património Mundial.

Isto é relevante, agora que a CML anunciou a sua intenção de reactivar a ideia da Classificação, estendendo-a aos bairros históricos e simultaneamente voltar a repetir a ideia/intenção, tantas vezes repetida, de promover o programa “Lojas com História”, onde se pretende simultaneamente defender as características culturais/patrimoniais dos estabelecimentos históricos e promover o comércio tradicional.

Ora, precisamente no artigo acima referido e também em artigo publicado no PÚBLICO em 16/07/2006 Made in Portugal, eu descrevo as experiências que tive oportunidade de desenvolver em lojas tradicionais com interiores de valor histórico, em permanente colaboração com a Unidade de Projecto Baixa-Chiado e o então IPPAR.

Assim, na antiga alfaitaria Rosado Pires, na Rua Augusta, conseguiu-se convencer o novo proprietário a manter todo o interior intacto, utilizando a sua autenticidade como uma mais valia. Pena que, com o tempo, uma parte do mobiliário original tenha desaparecido e o interior tenha sido “funcionalizado”. O mesmo foi conseguido na Perfumaria Pompadour, com projecto de interiores de Raúl Lino (agora Swarovski /Rua Garret ) assim como na farmácia Normal na Rua da Prata.

Isto serve apenas para ilustrar que, embora estes processos tenham conhecido avanços e recuos paradoxais e inexplicáveis, existe uma base de conhecimento já considerável e aproveitável.

Um bom exemplo destes paradoxos constitui a recusa de classificação, por parte do IPPAR neste período, da Ourivesaria Aliança, juntamente com outros importantes estabelecimentos que constavam nos dossiers completos desenvolvidos pelo Núcleo dos Estudos do Património da CML.

No entanto, posteriormente, sobre a pressão da Opinião Pública e Comunicação Social, Manuel Salgado exigiu e garantiu a preservação deste notável e insubstituível estabelecimento.

A vigilância e o contacto entre os interessados é portanto fundamental.

Mas, e aqui chego ao objectivo deste artigo, há que manter objectividade e pragmatismo nos objectivos imediatos.

O acontecimento mais importante no que respeita a salvaguarda concreta perante a ameaça progressiva que constitui a Lei das Rendas, tomou lugar no Porto no Hotel Intercontinental, numa conferência intitulada Reabilitar para Revitalizar (PÚBLICO 20/09/2014) onde Rui Moreira exprimiu as suas preocupações de forma confrontadora perante uma assembleia de empreendedores e proprietários, ameaçando chegar ao ponto de expropriar edifícios, caso os insubstituíveis estabelecimentos históricos instalados no mesmos fossem ameaçados e consequentemente extintos, pelo aumentos das rendas.

Ora, finalmente, os proprietários das Lojas Tradicionais encontraram-se em Lisboa, e estabeleceram contacto através de uma plataforma de “cidadania”.

Se isto fizer algum sentido será, não apenas na troca de informações e de postais “culturais”, ficando “entretidos” num circulo inefectivo, enquanto a espada ameaçadora da Lei das Rendas continua a descer sobre as suas cabeças, mas precisamente numa acção coordenada e sistemática de forma a levarem Medina e Salgado a tomarem uma posição explícita e pública de compromisso na defesa das Lojas Tradicionais, perante a ameaça crescente para a sua existência e sobrevivência, que a Lei das Rendas constitui.


Historiador de Arquitectura

Lisbon. Rossio's historic jewellery gets protection in court, but is still not free from eviction / Lisboa. Joalharia histórica do Rossio ganha proteção em tribunal, mas ainda não está livre de despejo

 


Society

Lisbon. Rossio's historic jewellery gets protection in court, but is still not free from eviction

 

One hundred years ago in Rossio, Ferreira Marques Jewellery has seen its status as a Shop with History recognized. It will continue to have its doors open, although without definitive certainties about the future.

 

Sónia Santos Pereira

Published to:

25 Sep 2026, 20:57

Updated to:

25 Sep 2026, 20:57

https://www.dn.pt/sociedade/lisboa-joalharia-histrica-do-rossio-ganha-proteo-em-tribunal-mas-ainda-no-est-livre-de-despejo#goog_rewarded

 

Joalharia Ferreira Marques has won a first court battle against the real estate company that has owned the property where it has been installed for more than 100 years. The Rossio store, in Lisbon, saw the Judicial Court of the District of Lisbon grant it legal protection under the Shop with History statute, after the owner of the space tried to submit the contract to the NRAU (New Urban Lease Regime) before the expected legal term. The court decision has not yet become final. The jewelry store admits that the owner will appeal.

 

The transition to the NRAU lease regime of a contract prior to 1990 would allow the owner to gradually update the rent value. After five years (transition period), the contract could assume the rules of the free market. A situation that, in the limit, could lead to the eviction of the jewellery store in the near future. As a Shop with History, it is protected and the rules for renewing the lease are those stipulated in the original contract.

 

With an Art Nouveau style façade, the store has been associated over the years with cultural moments in the city and others that go beyond the doors of Lisbon. As Paula Gião, director of the space, said, it is at Joalharia Ferreira Marques that James Bond, in the 1962 film "On Her Majesty's Service" (the second in the series), buys an engagement ring. It is also the setting for "Singularities of a Blonde Girl", by Manoel de Oliveira.

 

"Recognizing a Shop with History must also mean protecting it. It is not about calling into question the right to property, but about ensuring that the recognition of an establishment as a Shop with History is not reduced to a merely symbolic distinction and has concrete consequences, under the terms provided for by law", defends Sandra Condesso, vice-president of the Union of Commerce and Services Associations (UACS).

 

For this official, "the sentence now known is particularly important" because it recognizes the protection provided for and "considers that the landlord's initiative could not determine the submission of the contract to the NRAU before the legally established deadline". In the opinion of UACS, "lease protection is a fundamental dimension to ensure the continuity of these stores and preserve part of the commercial identity of our cities".

 

"Shops like ours are closing every month", laments Paula Gião, who argues that the city "cannot live off tourism if it has nothing characteristic to give". She recalls that "it is not intended that tourists come once and not come back. Tourists are tired of this turmoil, of the same things everywhere. It's just food and drinks in Baixa".

 

Paula Gião urges the people of Lisbon to intervene, to travel to Baixa. "We won the process and it was very good", but "civil society has to be called to responsibility".

 

Joalharia Ferreira Marques is a family business that is already in its fourth generation. It celebrated 100 years in July. With six employees, it creates, sells and repairs jewellery.


Sociedade

Lisboa. Joalharia histórica do Rossio ganha proteção em tribunal, mas ainda não está livre de despejo

 

Há cem anos no Rossio, a Joalharia Ferreira Marques viu reconhecido o estatuto de Loja com História. Vai continuar de portas abertas, embora sem certezas definitivas quanto ao futuro.

 

Sónia Santos Pereira

Publicado a:

25 Set 2026, 20:57

Atualizado a:

25 Set 2026, 20:57

https://www.dn.pt/sociedade/lisboa-joalharia-histrica-do-rossio-ganha-proteo-em-tribunal-mas-ainda-no-est-livre-de-despejo#goog_rewarded

 

A Joalharia Ferreira Marques ganhou uma primeira batalha em tribunal contra a empresa imobiliária que detém o imóvel onde está instalada há mais de 100 anos. A loja do Rossio, em Lisboa, viu o Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa conferir-lhe proteção legal ao abrigo do estatuto Loja com História, depois da proprietária do espaço ter tentado submeter o contrato ao NRAU (Novo Regime do Arrendamento Urbano) antes do termo legal previsto. A decisão judicial ainda não transitou em julgado. A joalharia admite que a proprietária vá recorrer.

 

A passagem para o regime de arrendamento NRAU de um contrato anterior a 1990 permitiria à proprietária atualizar gradualmente o valor da renda. Ao fim de cinco anos (período de transição), o contrato poderia assumir as regras do mercado livre. Uma situação que, no limite, poderia levar ao despejo da joalharia num futuro breve. Como Loja com História, está protegida e as regras de renovação do arrendamento são as estipuladas no contrato original.

 

Com uma fachada ao estilo Arte Nova, a loja tem-se associado ao longo dos anos a momentos culturais da cidade e outros que extravasam as portas de Lisboa. Como contou Paula Gião, diretora do espaço, é na Joalharia Ferreira Marques que James Bond, no filme "Ao serviço de Sua Majestade", de 1962 (o segundo da série), compra um anel de noivado. É também cenário de "Singularidades de uma Rapariga Loura", de Manoel de Oliveira.

 

“Reconhecer uma Loja com História tem de significar também protegê-la. Não se trata de colocar em causa o direito de propriedade, mas de garantir que o reconhecimento de um estabelecimento como Loja com História não fica reduzido a uma distinção meramente simbólica e tem consequências concretas, nos termos previstos na lei", defende Sandra Condesso, vice-presidente da União das Associações de Comércio e Serviços (UACS).

 

Para esta responsável, "a sentença agora conhecida é particularmente importante" porque reconhece a proteção prevista e "considera que a iniciativa do senhorio não poderia determinar a submissão do contrato ao NRAU antes do prazo legalmente previsto". Na opinião da UACS, "a proteção do arrendamento é uma dimensão fundamental para garantir a continuidade destas lojas e preservar uma parte da identidade comercial das nossas cidades”.

 

"Lojas como a nossa estão a fechar todos os meses", lamenta Paula Gião, que defende que a cidade "não pode viver do turismo se não tiver nada de característico para dar". Lembra que "não se pretende que os turistas venham uma vez e não voltem. Os turistas estão cansados deste tumulto, de coisas iguais em todo o lado. É só comes e bebes na Baixa".

 

Paula Gião insta os lisboetas a intervir, a deslocar-se à Baixa. "Ganhámos o processo e foi muitíssimo bom", mas "a sociedade civil tem que ser chamada à responsabilidade".

 

A Joalharia Ferreira Marques é uma empresa familiar que já vai na quarta geração. Celebrou 100 anos em julho. Com seis colaboradores, cria, vende e repara joias.

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