quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Incêndios. Mais do que chamas, é preciso mostrar as consequências.

"No último ano, o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, Jaime Mota Soares, dizia que 85% dos incêndios tinha origem criminosa e que grande parte se devia a interesses económicos, apontando casos em que os incêndios deflagravam "às três ou quatro da manhã em zonas onde há melhor material lenhoso para se poder retirar". Os dados da Direcção-Geral dos Recursos Florestais (DGRF) em 2007 identificavam 46,5% dos fogos com origem criminosa, enquanto em 2011 e 2012 a DGRF tinha classificado 8851 incêndios com origem "negligente" e outros 3627 com origem intencional, num total de 30 701 ocorrências.


Este ano, a PJ já deteve 47 incendiários, dos quais apenas dois são mulheres. Cristina Soeiro explica que há três perfis de incendiários: os que têm historial clínico, muitos deles desempregados, com défice cognitivo, problemas alcoólicos ou depressões; os que agem por retaliação; e os que procuram obter algum benefício, sendo estes últimos residuais, com 1,8% dos casos."


Incêndios. Mais do que chamas, é preciso mostrar as consequências
Por Filipe Morais
publicado em 29 Ago 2013 in (jornal) i online
Não há provas sobre os efeitos de imagens de incêndios, mas especialistas dizem que é preciso mostrar as consequências dos fogos e as penas
O debate não é novo e a cada nova época de incêndios se fala no efeito que as imagens das chamas podem ter em possíveis incendiários e se as televisões deveriam evitar transmitir longos períodos de chamas em fogos florestais. Luís Marques, da SIC, confirmou ao i que desde 2008 não se fala num possível acordo entre as três estações de televisão de canal aberto para que haja moderação na escolha destas imagens e que "cada estação decide por si como deve tratar o tema".

Já em 2006, Luís Marinho, da RTP, defendia a necessidade de um acordo, admitindo que, nos anos anteriores, "se cometeram na RTP alguns excessos" na cobertura dos incêndios florestais, com a "excessiva repetição" de imagens de fogos, o que transmitia a mensagem de que "todo o país estava a arder". Ainda assim, o responsável sublinhava que "não noticiar ou informar pouco seria tão grave como o exagero".

No entanto, Cristina Soeiro, psicóloga criminal da PJ, sublinha ao i que mais que a moderação na escolha de imagens, é "preciso mostrar as consequências. Nunca se revela o que fica depois do incêndio apagado, com os terrenos queimados". Esta especialista refere que os incendiários que podem ser influenciados pelas imagens de fogos são os que têm historial clínico, sendo também os que não percebem as consequências dos seus crimes. "É preciso perceber que um incêndio é um crime sem vítima, estes incendiários têm uma percepção de que um fogo é um crime menor e muitas vezes dizem que não mataram ninguém. Depois, quem vive em meios rurais tem outra ligação à floresta e pensa que volta a crescer." Cristina Soeiro defende que se devem mostrar as imagens, mas "deve-se igualmente falar na pena, porque se trata de um crime".

Apesar de não existir nenhum estudo a comprovar que há um efeito das imagens televisivas sobre potenciais incendiários, a psicóloga da PJ recomenda moderação na escolha: "Já não há mapas com o país a arder e neste campo tem havido uma melhoria", reconhece.

Rui Abrunhosa Gonçalves, psicólogo especializado em comportamentos desviantes, acrescenta que "as pessoas violentas gostam de ver conteúdos violentos. O que sabemos nos fogos é que as imagens são excitantes para esses pirómanos e podem ser um reforço", mas "não há provas de que seja a visualização que os leve" a pegar fogos. Ainda assim, deixa o alerta: "As televisões passam demasiado tempo de antena com o tema e muitas vezes passam imagens de chamas para incêndios já extintos. A informação devia ser mais concisa."

No último ano, o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, Jaime Mota Soares, dizia que 85% dos incêndios tinha origem criminosa e que grande parte se devia a interesses económicos, apontando casos em que os incêndios deflagravam "às três ou quatro da manhã em zonas onde há melhor material lenhoso para se poder retirar". Os dados da Direcção-Geral dos Recursos Florestais (DGRF) em 2007 identificavam 46,5% dos fogos com origem criminosa, enquanto em 2011 e 2012 a DGRF tinha classificado 8851 incêndios com origem "negligente" e outros 3627 com origem intencional, num total de 30 701 ocorrências.


Este ano, a PJ já deteve 47 incendiários, dos quais apenas dois são mulheres. Cristina Soeiro explica que há três perfis de incendiários: os que têm historial clínico, muitos deles desempregados, com défice cognitivo, problemas alcoólicos ou depressões; os que agem por retaliação; e os que procuram obter algum benefício, sendo estes últimos residuais, com 1,8% dos casos.

Beethoven uma vida minada pelo álcool.

Beethoven uma vida minada pelo álcool

O autor da Nona Sinfonia e do Hino à Alegria tinha uma tendência imoderada para a bebida. Terá começado beber aos 17 anos para afogar a mágoa provocada pela morte da mãe. O resultado da autópsia não deixa margem para dúvidas: uma falha do fígado provocada por cirrose alcoólica
Ludwig van Beethoven: a sua obra musical imensa, a sua terrível surdez... e as discussões sem fim sobre as causas da sua morte e das suas doenças. Quase dois séculos depois do seu desaparecimento, a 27 de Março de 1827, aos 56 anos de idade, o caso médico do compositor alemão continua a intrigar médicos e investigadores. E é com alguma regularidade que novas teorias são publicadas em revistas médicas e científicas.
É certo que, neste domínio, o autor da Nona Sinfonia e do Hino à Alegria está longe de rivalizar com o seu compatriota Wolfgang Amadeus Mozart, que morreu algumas décadas antes dele (em 1791), aos 35 anos. Pelo menos 140 causas foram avançadas como estando na origem da morte do compositor de A Flauta Mágica e de Don Giovanni. Mas não faltou imaginação aos especialistas para tentarem explicar os sintomas crónicos - a começar pela surdez - de que sofria Beethoven e identificar a doença que provocou a sua morte.
Retrospectivamente, e tendo fé nas descrições do seu relatório de autópsia, da sua correspondência (excessiva), dos escritos dos seus amigos e dos seus médicos, o ilustre compositor padecia de sífilis, de uma doença inflamatória do intestino, de tuberculose, da doença de Paget (uma patologia de remodelagem dos ossos que pode levar à surdez) e de alcoolismo... É sobretudo a partir das cartas do músico e de documentos dos seus próximos que foi reconstituída, de forma bem precisa, a evolução da sua surdez, cujos primeiros sintomas começaram antes dos 30 anos, acabando por o atirar para o silêncio nos últimos anos da sua vida.
O alívio do álcool
Os escritos de Beethoven e dos seus médicos também se revelaram preciosos para documentar outros problemas de saúde (problemas digestivos e depressão, entre outros), e sobretudo a sua tendência imoderada para a bebida. A correspondência de Beethoven é rica em alusões ao prazer e o alívio que o álcool lhe proporciona, em particular o vinho. No leito da morte, numa altura em que se encontra num estado físico deplorável, com um quadro clínico que indica a falha das funções renais (dores abdominais, icterícia, ascite e edema dos membros), ele ainda quer mais um remédio. "Como poderei agradecer-vos por este excelente champagne, como ele me restaurou, como ele me vai restaurar ainda mais!", escreve o compositor ao barão Johan Pasqualati, naquela que será umas das suas últimas cartas, datada de Março de 1827 (extracto do livro Les Lettres de Beethoven, Actes Sud, 2010).
A autópsia realizada, ao que tudo indica a pedido do próprio, confirma que os seus órgãos estavam minados pelo álcool.
"A cavidade abdominal está cheia a quatro quartos de um líquido avermelhado e turvo. O tamanho do fígado está reduzido a metade. Está compacto e tem uma consistência enrugada, de cor verde azulado, e a sua superfície está coberta de nódulos do tamanho de feijões", está escrito no relatório da autópsia, traduzido do latim por François Martin Mai, cujo artigo foi publicado no Journal of the Royal College of Physicians of Edinburgh em 2006. O baço é descrito como muito inchado, bem como o pâncreas. Os rins estão muito danificados...
Mesmo na ausência de exames dermopatológicos (análise ao microscópio de tecidos), que não existiam na altura, o diagnóstico não deixa margem para dúvidas. Foi uma falha do fígado provocada por cirrose alcoólica, complicada por uma peritionite, que levou Beethoven à morte, concluiu François Martin Mai. A lesão do pâncreas também pode ser explicada pelo excesso de álcool. "Alguns autores sugeriram uma origem viral. Mas as hepatites B e C não eram conhecidas antes do século XX, e a hepatite A não se complica por causa da cirrose", sublinha este médico canadiano.
"Estas lesões apontam para uma fase terminal de cirrose hepática nodular, como aquela que é possível observar nos alcoólicos", confirma o médico Frédéric Maître, dermopatologista do Instituto de Medicina Legal de Paris. "A peritonite é uma complicação clássica nestes doentes, já que o líquido presente na cavidade abdominal infecta facilmente, a partir de uma infecção pulmonar, por exemplo."
Os médicos que realizaram a autópsia descrevem também, muito minuciosamente, a anatomia das partes externa, média e interna das orelhas do compositor surdo. "Não há argumento a favor de uma otosclerose, um diagnóstico em tempos evocado para Beethoven. A lesão principal é a degeneração dos nervos cocleares, que atrofiaram", resume Frédéric Maître. O especialista sublinha igualmente que a autópsia do compositor alemão foi a primeira efectuada por Karl von Rokitansky, que se irá tornar um famoso patologista e que estará na origem da criação de protocolos para estes exames post mortem.
De onde vem o chumbo?
Beethoven seria portanto um alcoólico que, como tantos outros, sucumbiu a uma cirrose? Não apenas. Os exames feitos ao longo da última década aos seus cabelos e mais recentemente a ossos do seu crânio estabeleceram que o compositor sofria também de saturnismo, ou seja, uma intoxicação crónica de chumbo. A história destas "relíquias" é ela própria edificante, como conta o médico de urgências Patrick Pelloux, no seu livro publicado em Março, On ne meurt qu"une fois mais c"est pour si longtemps.
As mechas de cabelo foram cortadas por um jovem admirador, que ajudou a preparar o corpo de Beethoven depois da sua morte. E, após um longo périplo, esses cabelos reapareceram num leilão da Sotheby"s. A origem dos fragmentos de crânio é bem mais sórdida. "Durante a autópsia, os médicos esconderam-se atrás das cortinas. Depois esmagaram o crânio e roubaram pedaços de ossos, como um bando de ladrões a pilharem um local histórico", escreve Pelloux.
Mas de onde vinha todo aquele chumbo e que sintomas pode ele explicar?
Em 2007, um médico austríaco, Christian Reiter, avançou com a hipótese que foram as compressas embebidas com chumbo aplicadas pelo seu médico, Andreas Wawruch, cada vez que fazia uma punção para retirar líquido da cavidade abdominal do doente.
A explicação é bem mais trivial, considera a equipa de Michael Stevens (universidade de Utah). "Embora o chumbo possa ser proveniente de numerosas fontes externas, como a louça, as garrafas de vinho, o cristal e a água das estações tremais, pensamos que, no caso de Beethoven, a fonte mais provável é o próprio vinho", escrevem eles num artigo publicado em Maio na The Laryngoscope, revista da Sociedade americana de Otorrinolaringologia. "É bem conhecido que naquela época o chumbo era acrescentado ilegalmente aos vinhos baratos para melhorar o seu sabor. Beethoven apreciava particularmente os vinhos adulterados da Hungria."
Para apoiar a sua teoria, estes autores americanos insistem no longo passado de consumidor de álcool de Beethoven, que terá começado a embebedar-se aos 17 anos para afogar a mágoa provocada pela morte da sua mãe. E sublinham também o caracter familiar deste vício, notando que o pai e a avó do músico também morreram de complicações ligadas ao álcool.
A intoxicação de chumbo, que começou bem cedo na vida de Beethoven, pode estar na origem das lesões dos nervos auditivos e, portanto, da sua surdez, considera a equipa de Stevens. E esse saturnismo poderá explicar um bom número de sintomas: as suas alterações de humor, a falência do fígado, dos rins... as suas crises de dores abdominais. Directa ou indirectamente, foi sem dúvida a sua queda para o vinho que matou Beethoven.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Colina de Sant"Ana: realidades e equívocos / A Colina da Discórdia.

Colina de Sant"Ana: realidades e equívocos


1. O processo de desactivação de cinco hospitais na colina de Sant"Ana constitui um sério desafio para o centro histórico de Lisboa. Tenho acompanhado o problema, dando mesmo apoio consultivo sempre que me foi solicitado. Daí, não me pronuncio de momento sobre os projectos em discussão, mas tão-somente tentarei contribuir para uma reflexão fria sobre a dimensão da problemática urbana em causa.
Pela sua dimensão e em virtude do número de pessoas que giram em torno desses cinco hospitais - em especial São José, Capuchos e Santa Marta, os ainda activos - eles constituem âncoras essenciais à dinâmica da área em que estão implantados. Seja pela movimentação de funcionários, seja de visitantes, há um tecido social e económico envolvente que deles depende, pelo que o seu encerramento será uma machadada na sustentabilidade económica e social de toda a zona. Se não for equacionada a forma de minimizar o impacto do encerramento, corre-se o risco de nos encontrarmos a braços, mesmo no âmago histórico da cidade, com uma vasta zona-fantasma, exibindo os esqueletos de antigos hospitais e as ruínas do comércio local.
É indispensável, pois, pensar o destino desses estabelecimentos, o que deve ser potenciado em reutilizações e o acessório, cuja manutenção deixa de fazer sentido, de forma que esses conjuntos, alguns de primeira qualidade patrimonial, continuem a ser peças essenciais na máquina que sustenta a dinâmica urbana. Qualquer visão de mero conservadorismo das existências, sem discernimento entre o essencial e o acessório, terá consequências de monta no equilíbrio sustentável da cidade como um todo.
2. A decisão de encerrar os hospitais da colina de Sant"Ana, concentrando num único hospital em Chelas, denominado, em evocação saudosista, de Todos-os-Santos, coube ao Governo, através do Ministério da Saúde. Dado que todos se encontram instalados em conventos, com notáveis acervos patrimoniais, e, ao longo da sua vivência - São José, por exemplo, é hospital desde o século XVIII - neles se guarda a memória da evolução da medicina em Lisboa, seja material - aparelhos, equipamentos, arquivos, etc. -, seja imaterial. Com vista à preservação desse duplo legado, impunha-se, assim, que, em sintonia com os serviços de património, se processasse à partida ao levantamento patrimonial em causa e, inclusive, se destinasse a priori um dos edifícios (ou parte dele) para Museu da Medicina, que reunisse essa memória única. Se parte desse património móvel, como algum proveniente do Desterro, se encontra resguardado, bastará descer às caves dos Capuchos para se observar o material técnico caído em desuso, algum já centenário, empilhado ao deus-dará e entregue ao pó e à humidade.
No entanto, não foi esta a direcção dada ao assunto. Em vez de acautelar as eventuais consequências nefastas, emperrado pelas carências financeiras e pressionado com a despesa da construção do novo hospital, o Governo entregou todo o património à Estamo, empresa também do próprio Estado, com a indicação subentendida de desencadear as operações imobiliárias que melhor servissem para esticar as mais-valias para pôr de pé a obra de Chelas. A Estamo reuniu equipas de arquitectos, cada uma responsável por um conjunto, surgindo assim os projectos apresentados para discussão pública. Se em todos eles o património é valorizado, deve-se quer às recomendações da própria Estamo, que encomendou estudos específicos, quer dos responsáveis por cada uma das equipas, que nelas integraram especialistas, quer ainda às chamadas de atenção da câmara municipal. Aliás, a câmara solicitou à Estamo a realização de um estudo global da colina de Sant"Ana, no intuito de agilizar a integração no todo urbanístico das várias propostas, articuladas em confronto dinâmico. Quanto ao Estado, promotor por interposta Estamo, apreciou a posteriori através da Secretaria da Cultura, em especial quando se tratava de imóveis classificados (caso de São José ou Miguel Bombarda).
Quanto à preservação do património móvel algumas esperanças (como acusações) voltaram-se para a intervenção salvífica da câmara municipal. No entanto, a edilidade não tem a vocação, nem as disponibilidades materiais, nem a responsabilidade para acarretar com tal desiderato, até porque esse acervo patrimonial não lhe pertence.
3. Entre as unidades abrangidas a mais badalada tem sido o desactivado Hospital Miguel Bombarda, instalado no antigo convento de Rilhafoles. Por solicitação da Estamo, realizei um estudo histórico e patrimonial sobre este conjunto, com a indicação de emissão de um parecer sobre a parte "intocável", assim como as dependências que poderão ser sacrificadas para futuras funcionalidades. Realça-se que Rilhafoles ocupa todo o "cabeço" da colina de Sant"Ana, com uma posição central na articulação da área, até hoje prejudicada dada a afectação a tratamento de alienados, isolado face à cidade envolvente. Daí, a importância logística do Miguel Bombarda/Rilhafoles é descoberta recente, resultando a surpresa e o interesse que vai despertando. As conclusões centraram-se em três núcleos "intocáveis": a) o edifício central do convento, com as suas dependências - igreja, dormitórios, porta do carro e pátios, sala azulejada e escadaria oitocentista; b) os chamados banhos de D. Maria II, notável conjunto de tratamentos, de 1853; c) o pavilhão circular, dito o Panóptico, de 1896, desenho do arquitecto José Maria Nepomuceno, que constitui um exemplo pioneiro para a guarda de pacientes problemáticos. Quer os Banhos, quer o Panóptico já se encontravam classificados como Imóveis de Interesse Público.
Além destes três conjuntos, de preservação exequível, existem outros edifícios, ditados pelas necessidades de funcionamento hospitalar: enfermarias, cozinha ou um vasto telheiro. Estas construções têm um carácter utilitário, sem preocupações arquitectónicas, sendo por isso difícil o reaproveitamento para outras funcionalidades a que o conjunto se possa destinar. Por isso, batalhar, por impulsos emotivos ou afectivos, na sua preservação a todo o custo, pode significar que, na ausência de interessados em valorizar este conjunto nesses termos, daqui a uns anos Rilhafoles não seja mais que uma ruína abandonada. Então, quando a recuperação for inviável, lá avançará, sem dó nem piedade, o bulldozer dos "diabólicos" interesses imobiliários.
Bom senso e bom gosto recomendavam os "heréticos" da geração de 70, quando estes hospitais se encontravam em plena euforia expansionista. Talvez não seja má ideia repescar a receita quando se olha para o resultado desse processo e se procura encontrar a fórmula, quase diria mágica, para reinventar estes espaços como centros dinâmicos de uma cidade que, além de cuidar do seu passado, insiste com veemência em ter futuro.

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Facebook rejeita mais de metade dos pedidos de informação oficiais portugueses.


Facebook rejeita mais de metade dos pedidos de informação oficiais portugueses

Em apenas seis meses, as autoridades de 74 países pediram acesso a dados de cerca de 38 mil utilizadores da rede social. A “grande maioria” diz respeito a investigações criminais.

Quase três meses depois de se ter visto publicamente envolvido no polémico programa de espionagem da Agência de Segurança Nacional norte-americana, o Facebook revelou pela primeira vez o número de pedidos de informação sobre os seus utilizadores que recebe de autoridades de todo o mundo.
O “relatório global sobre pedidos governamentais”, divulgado nesta terça-feira, dá conta de cerca de 26 mil pedidos provenientes de 74 países, visando cerca de 38 mil utilizadores daquela rede social. Apesar do título – “relatório global” –, o documento não inclui todos os pedidos endereçados à empresa, mas apenas os registados no primeiro semestre de 2013.
A empresa norte-americana revela os países que efectuaram pedidos de dados, quantos pedidos foram feitos por cada um, a quantos utilizadores e contas diziam respeito esses pedidos e a percentagem de pedidos em que o Facebook concordou em partilhar algum tipo de informação dos seus utilizadores.
Portugal está na lista, com 177 pedidos, para um universo de 213 utilizadores ou contas. É o 14.º com mais pedidos, mas com números muito abaixo dos países que ocupam o topo da tabela – EUA (11 mil a 12 mil), Índia (3245), Reino Unido (1975), Alemanha (1886), Itália (1705) e França (1547). No número de utilizadores ou contas a que se referem os pedidos, a ordenação é idêntica: Alemanha e Itália trocam de posições, Portugal passa para 15.º.
Aos números absolutos, o Facebook junta no relatório a percentagem de pedidos em que passou dados às autoridades dos diferentes países. Não refere, no entanto, quais as razões específicas que levam a que as solicitações sejam concedidas ou recusadas. Portugal tem uma taxa de aprovação de 42% – ou seja, a empresa norte-americana forneceu algum tipo de dados às autoridades portuguesas sobre 89 utilizadores. A dos EUA é de 79%. A da Índia de 50%.
Parco em informação que permita tirar quaisquer conclusões de fundo, o relatório possibilita ainda olhar para a estatística de países onde houve recentemente protestos nos quais as redes sociais tenham desempenhado um papel importante de organização e divulgação. São os casos do Brasil e da Turquia. O primeiro está entre os principais requisitantes de informação – fez 715 pedidos sobre 857 utilizadores ou contas, com uma taxa de sucesso de 33%.
Em relação à Turquia – onde o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan afirmou que “as redes sociais são a maior ameaça à sociedade” –, o Facebook tinha negado ter passado informação às autoridades turcas durante as manifestações de Maio e Junho naquele país. O relatório mostra, contudo, que foram concedidos dados sobre 47% dos 170 utilizadores sobre os quais a Turquia pediu informação. Mas não é público se são ou não anteriores aos protestos.
Primeiro não será o último
“Transparência e confiança são valores centrais no Facebook”, afirma o consultor-geral da empresa, no texto de introdução do documento, apesar das zonas cinzentas do relatório. Colin Stretch diz querer que os utilizadores daquela rede social compreendam “a natureza e a quantidade de pedidos” recebidos, mas remete esclarecimentos adicionais para a página relativa a “informação para autoridades responsáveis pela aplicação da lei”.
Stretch sublinha que a empresa tem “processos rigorosos para dar resposta a todos os pedidos de dados”. “Analisamos minuciosamente todos os pedidos para verificar que são juridicamente válidos ao abrigo dos nossos termos e do rigor da letra da lei”, continua. “Contestamos muitos destes pedidos, rejeitando-os quando encontramos irregularidades jurídicas e reduzindo o âmbito de pedidos excessivamente latos ou vagos. Quando somos obrigados a responder perante um pedido específico, normalmente só partilhamos informações básicas sobre o utilizador, como o nome.”
É essa informação detalhada e discriminada por país e por pedido de dados que falta a este primeiro relatório, que Colin Stretch garante que “não vai ser o último”. “Em relatórios futuros, esperamos poder fornecer ainda mais informação”, diz. No conjunto de perguntas e respostas que finaliza o documento, o Facebook adianta que a “grande maioria destes pedidos está relacionada com casos criminais, como roubo ou rapto”, admitindo casos relacionados com questões de segurança nacional.

O Google e a Microsoft também publicam regularmente relatórios com o número de pedidos oficiais que lhes são endereçados com o intuito de obter acesso a dados dos seus utilizadores.

Um ataque para punir Assad, forçar o regime a negociar e avisar Teerão / U.S. intelligence has established timeline of Syrian chemical attack, officials say/ Washington Post / MPs and Syria: in the shadow of Iraq / Editorial Guardian.



Um ataque para punir Assad, forçar o regime a negociar e avisar Teerão


Uma operação cirúrgica para mostrar a sírios e iranianos que os EUA falam a sério quando impõem "linhas vermelhas" pode não mudar o curso da guerra. Um guião para o que se desenha
Os cenários estão preparados e já há alguns porta-aviões no lugar. Barack Obama já terá decidido que vai dar a ordem, mas não necessariamente qual das opções escolherá.
Os riscos de agir não desapareceram - o Presidente recordou sexta-feira que os Estados Unidos "não podem resolver o que é um complexo problema sectário na Síria". Mas, de repente, os riscos de não intervir parecem maiores. O uso de armas químicas em grande escala vem somar-se ao envolvimento do Irão (e do Hezbollah) na guerra. "Pela primeira vez, em mais de dois anos, a urgência não se sente só na Síria, chegou a Washington, Londres e Paris", escreve na Foreign Policy Gayle Tzemach Lemmon.
A opção mais provável, avança o jornal Washington Post citando "altos responsáveis da Administração", passa por "um ataque militar limitado no âmbito e na duração", pensado para funcionar "como punição pelo uso de armas químicas pela Síria e como dissuasor, evitando que os Estados Unidos se envolvam mais profundamente na guerra civil do país".
O que Obama está a considerar, resume o New York Times, é "uma lista de acções para "travar e minar" a capacidade de Assad lançar armas químicas".
Limitar riscos e custos, baixar as expectativas em relação aos objectivos, parece ser a mensagem. Já se sabia que o envio de soldados para o terreno não se colocava; Washington e Londres garantem que provocar uma mudança de regime também não está em discussão.
Para os EUA - e ao contrário do que aconteceu na Líbia, desta vez os primeiros disparos serão norte-americanos - três factores vão determinar o calendário desse ataque: as provas da culpabilidade de Assad na morte de centenas de sírios têm de ser reunidas; as consultas com os aliados e com o Congresso terão de ser concluídas, e é preciso determinar uma justificação à luz da lei internacional.

As provas
Ninguém nega que foram usadas armas químicas contra várias localidades nos arredores de Damasco. Organizações internacionais confirmaram que gases tóxicos afectaram 3600 pessoas (Médicos Sem Fronteiras), matando centenas.
Norte-americanos, britânicos, franceses, turcos e a Liga Árabe, todos já disseram que é o regime de Bashar al-Assad que está por trás dos ataques. O seu arsenal químico é real e significativo - nem o regime o esconde - e grandes quantidades destes agentes estão numa forma militarizada, prontos a serem usados em bombas lançadas de aviões ou ogivas colocadas em mísseis.
Como é que se sabe que foi Assad a usá-los? A resposta pode ser mais simples do que parece: todos os serviços secretos activos na região vigiam de perto essas armas, que permanecem sob controlo do Governo. O regime, ao contrário dos rebeldes, tem os meios para as lançar. Saber é diferente de provar, o escrutínio será grande e reunir provas suficientes talvez demore uns dias. Os inspectores da ONU continuam hoje as suas visitas aos locais atingidos, mas como sublinhou o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, a investigação vai permitir saber o que foi usado - não quem usou.

A legalidade
Britânicos e turcos já disseram que terá de ser encontrada uma solução à margem do Conselho de Segurança, onde se sabe que a Rússia (e provavelmente a China) usará o seu direito de veto. Na Líbia, russos e chineses abstiveram-se, abrindo caminho à autorização da ONU para uma intervenção que, no papel, visava proteger Bengasi e, na prática, serviu para derrubar Muammar Khadafi.
A Administração Obama está à procura de precedentes no Kosovo de 1999, quando Bill Clinton usou o apoio da NATO e a necessidade de proteger um grande número de civis para lançar ataques contra a Sérvia. Entretanto, a ONU aprovou a "responsabilidade para proteger" (François Hollande admite que pode ser usada na Síria). Foi esta norma que serviu como justificação para a operação na Líbia.
Cada vez mais peritos em conflitos e lei internacional estão convencidos que será invocada a violação da Convenção das Armas Químicas por parte de Assad. A Síria não é signatária, mas isso não será um obstáculo. "Quando um princípio é geralmente aceite, torna-se parte do que chamamos lei consuetudinária internacional, que vincula tanto os estados como um tratado", diz ao Guardian Mark Reiff, perito em ética dos conflitos. Se em causa, como parece, estiver um cenário de "retaliação", David Bosco, da Universidade Americana de Washington, defende que a "doutrina permite que uma parte viole a lei internacional em resposta à clara violação da lei internacional cometida pela outra parte".

Operação cirúrgica
Um "ataque punitivo", escreve Bosco no blogue Multilateralist da revista Foreign Policy, "não implica um compromisso para derrotar o regime [de Assad], não sugere um desejo de apoiar os opositores, não compromete os governos ocidentais com o fim de todos os abusos no conflito sírio nem com a reconstrução do Estado pós-conflito". O tal ataque muito limitado descrito pelo Washington Post, que reduz os riscos e os custos para os envolvidos, pode ser também mais fácil de justificar do ponto de vista da lei, sustenta Bosco. "A mensagem para o regime é simples, directa e limitada, se usas estas armas terríveis pagas um preço". "Esta norma internacional não pode ser violada sem consequências", disse Kerry na segunda-feira. "Penso que deve ser cirúrgico. Deve ser uma resposta ao que aconteceu com os químicos", defendeu à NBC Bob Corker, o mais importante republicano no Comité de Relações Externas do Senado.

Os alvos
Tanto o Post como o New York Times escrevem que os alvos mais prováveis deste ataque cirúrgico não são os locais onde estão armazenadas as armas químicas, muitos e dispersos (Damasco, Palmira, Goms, Alepo, Latakia, Masyat...). Em vez disso, explicaram ao Times responsáveis do Pentágono, os alvos serão as unidades militares que estarão por trás dos ataques químicos, os mísseis e a artilharia que serviu para os lançar e os quartéis que supervisionaram a operação. Os alvos iniciais estão a ser escolhidos a partir de uma lista de menos de 50.
Em Istambul, o líder da Coligação Nacional Síria, Ahmad Jarba, entregou ontem aos enviados dos "Amigos da Síria", uma lista de dez propostas de alvo, incluindo o Aeroporto Militar de Mezze, nos subúrbios ocidentais de Damasco, a base de Qutaifa (usada para lançamento de mísseis), no norte da capital, e o complexo que abriga a 4ª Divisão Mecanizada, a unidade de elite lidera por Maher al-Assad, irmão de Bashar, e formada quase só por alauitas (o ramo do xiismo da família no poder). A oposição responsabiliza a 155ª brigada desta divisão pelo ataque em Ghutta.

Mais ataques limitados
Uma primeira vaga de ataques deverá ser seguida por uma pausa para avaliar os danos infligidos e a resposta do regime. A Síria tem defesas anti-aéreas respeitáveis, pelo que os alvos dos ataques terão de ser inspeccionados por satélites ou por aparelhos de vigilância aérea.
Enfraquecer o regime sem o derrubar é o objectivo dos que, dentro da Administração, defendem várias vagas de ataques e não apenas um "ataque punitivo" que não duraria mais de dois dias. Neste caso, os ataques visariam mais capacidades militares (Força Aérea) e unidades das Shabiha, a temida milícia do regime, acusada de abusos dos direitos humanos, e até palácios presidenciais.

Os meios
Em qualquer das opções em cima da mesa, os ataques seriam lançados a partir de navios de guerra norte-americanos ou de aviões que não entrariam no espaço aéreo sírio. Neste momento, os EUA têm quatro contratorpedeiros (USS Mahan, USS Barry, USS Gravely, USS Ramage) que transportam mísseis de cruzeiro no Mediterrâneo - entre eles, levam mísseis 430 Tomahawks com um alcance de até 2400 quilómetros.
O porta-aviões USS Harry S Truman deixou o Mediterrâneo no dia 18 e está no Mar Vermelho. A Força Aérea dos EUA também pode recorrer aos bombardeiros B-2 estacionados no Missouri, que podem atacar alvos no Médio Oriente com apenas uma paragem para reabastecer, e ainda a vários a F-16 espalhados em bases da região (na Jordânia, por exemplo).
Os britânicos mantêm um submarino de ataque no Mediterrâneo, enquanto o porta-aviões francês Charles de Gaulle está de novo operacional, e a três dias de distância da Síria. Os franceses também têm aviões Rafale e Mirage nos Emirados Árabes Unidos.
As bases dos EUA na Turquia (Incirlik e Esmirna) e a base da Força Aérea britânica em Chipre (Akrotiri) são os pontos de lançamento mais prováveis para uma ofensiva.

Os objectivos
Num cenário mais restrito, o objectivo será impedir Assad de voltar a usar armas químicas contra os sírios. Alguns na Casa Branca defendem que é inútil lançar uma intervenção se esta não visar dobrar o regime ao ponto de o convencer a negociar (deixando cair Assad).
Ao mesmo tempo, uma acção serviria para assinalar aos iranianos (e às suas ambições nucleares) que as "linhas vermelhas" traçadas em Washington são para levar a sério. "Se alegados ataques [com armas de destruição maciça] são permitidos até em grande escala, a credibilidade de Washington vai sofrer", escreve Gayle Tzemach Lemmon, do think tank Council on Foreign Relations.
Ontem, a oposição fez saber que recebeu um aviso em duas partes: o ataque vai acontecer daqui a dias; preparem-se para negociar a paz e entrar num governo de transição logo depois. "Se a Rússia acreditar que pode ser evitado um vazio de poder, vai mostrar mais interesse em conversar sobre a paz", diz a analista do Council. "Como a Casa Branca repetiu na segunda-feira, o conflito só vai acabar com uma solução política."


Reino Unido "não procura derrubar Assad", diz vice-primeiro-ministro britânico
Por Agência Lusa
publicado em 27 Ago 2013 in (jornal) i online
O Reino Unido está a preparar-se para uma possível ação militar, em resposta à utilização de armas químicas na Síria, declarou hoje um porta-voz do primeiro-ministro britânico, David Cameron
O Reino Unido está a ponderar uma "resposta séria" ao uso de armas químicas na Síria, mas "não procura derrubar" o regime de Bashar al-Assad, afirmou hoje o vice-primeiro-ministro britânico, Nick Clegg.
 "Se não fizermos nada (...) os ditadores e os chefes de Estado violentos terão o sentimento de sair impunemente da utilização de armas químicas a uma escala cada vez maior no futuro. O que estamos a ponderar é uma resposta a isso e não uma mudança de regime", disse Clegg à BBC e Sky News.
 O vice-primeiro-ministro britânico disse ainda que não está a ser considerada "uma intervenção militar terrestre com duração indeterminada” como aconteceu no Iraque.
 "Fui contra essa intervenção no Iraque (...) A situação é muito diferente", afirmou o líder do Partido Liberal-Democrata, parceiro de coligação dos conservadores no Governo britânico.
 Clegg insistiu que o Reino Unido vai agir num quadro "legal" e com medidas proporcionais e específicas para (...) enviar uma mensagem clara segundo a qual a utilização de armas químicas nos nossos dias é intolerável".
 O Reino Unido está a preparar-se para uma possível ação militar, em resposta à utilização de armas químicas na Síria, declarou hoje um porta-voz do primeiro-ministro britânico, David Cameron.
 Cameron convocou uma sessão especial do Parlamento britânico para quinta-feira.


U.S. intelligence has established timeline of Syrian chemical attack, officials say


The Obama administration believes that U.S. intelligence has established how Syrian government forces stored, assembled and launched the chemical weapons allegedly used in last week’s attack outside Damascus, according to U.S. officials.

The administration is planning to release evidence, possibly as soon as Thursday, that it will say proves that Syrian President Bashar al-Assad bears responsibility for what U.S. officials have called an “undeniable” chemical attack that killed hundreds on the outskirts of the Syrian capital.

The report, being compiled by the Office of the Director of National Intelligence, is one of the final steps that the administration is taking before President Obama makes a decision on a U.S. military strike against Syria, which now appears all but inevitable,

“We are prepared,” Defense Secretary Chuck Hagel told the BBC on Tuesday. “We have moved assets in place to be able to fulfill and comply with whatever option the president wishes to take. We are ready to go.” The assets include four cruise-missile-armed destroyers in the Mediterranean.

The timing of such a military response is being dictated by the need not only to assemble incontrovertible evidence against Assad — an important prerequisite for the administration, and the country, given the recent memories of a war based on false claims of weapons of mass destruction — but also to allow consultation with Congress and international partners.

Britain, France and Turkey have indicated willingness to contribute to military action. The administration is weighing the importance of direct international participation in an effort that U.S. forces are prepared to undertake themselves.

The safety of United Nations experts who are in Syria investigating the chemical weapons allegations is also an issue, said a senior administration official who spoke about internal deliberations on the condition of anonymity.

The U.N. experts, who on Monday conducted the first of what was to be four days of on-site inspections, postponed their Tuesday visit because of security concerns. Reports of the Aug. 21 attack in the Ghouta area outside Damascus derailed their original plans to visit three other sites in western Syria where chemical strikes allegedly occurred earlier, and the permission granted by the government for a two-week stay expires Sunday.

“We are concerned about the possibility that the Syrian government would seek to delay access and negotiate so as to seek to keep this [inspection] process going and avert the consequences,” the administration official said. Ongoing government shelling of Ghouta and surrounding areas, the official said, “is creating more time and space for them to seek to cover things up and delay.”

One question that is unlikely to be addressed in the intelligence report is why Assad would launch such a massive chemical strike in the face of a near-certain international response. It is a question that Russia, Assad’s principal international backer, has raised repeatedly in suggesting that Syrian rebels arranged the attack to implicate the government.

In a telephone call Tuesday with British Prime Minister David Cameron, Russian President Vladimir Putin said his government “did not have evidence of whether a chemical weapons attack had taken place, or who was responsible,” a statement on Cameron’s official Web site said.

The Obama administration has rejected the possibility of rebel culpability, asserting that only the government has possession of the weapons and the rockets to deliver them. But others have speculated that the lack of an international response to the earlier, much smaller alleged chemical attacks may have emboldened Assad; that government forces last week may have mistakenly mixed the chemicals to a higher concentration than intended; or that areas with a high density of civilians may have been mistakenly targeted.

As it continued to consult with other countries, the administration earned key support from the Arab League. In an emergency meeting in Cairo, the influential organization blamed Assad for last week’s alleged attack and called for the perpetrators to be brought to international justice.

The 22 league members stopped well short of endorsing outside military action, but they urged the U.N. Security Council to agree on “deterrent” measures.

Saudi Arabia’s longtime foreign minister added that a “decisive and serious” international stand is required against Syria.

Syrian Foreign Minister Walid al-Moualem said Tuesday that charges of chemical weapons use by the government are “categorically baseless,” according to the state-run Syrian Arab News Agency, and that Syria was committed to facilitating the U.N. inspection.

“We all hear the drums of war around us,” Moualem said. “If they want to attack Syria, I think that using the lie of chemical weapons is fake and not accurate, and I challenge them to show evidence.”

He said the idea of a Western military strike to change the balance of power in Syria, which has been embroiled in a vicious conflict for more than two years, is “delusional and not at all possible.”

U.S. officials have said that any strike would be limited in scope and duration and would be intended as both punishment for the use of chemical weapons and as a deterrent. Options under consideration would target military installations, avoiding Syria’s numerous and widely dispersed chemical storage sites, many of which are in civilian areas.

The administration remains reluctant to intervene directly in Syria’s civil war, raising questions about its next step after a retaliatory strike against the regime.

“The conventional wisdom is that they will launch some Tomahawks [cruise missiles] from destroyers in the eastern Mediterranean. That’s not going to dramatically change the course of events in Syria,” said Ryan C. Crocker, a retired senior U.S. diplomat and former ambassador to Syria and Iraq.

To avenge what they called the “massacre” in the Damascus suburbs, al-Qaeda-linked Islamist extremists among the rebels said Tuesday that they would strike Assad’s security branches and infrastructure, according to a statement signed by the Islamic State of Iraq and the Levant, the Ahar al-Sham rebel group and seven other factions.

The White House began contacting leading lawmakers for briefings that congressional officials said were to inform rather than seek permission. With Congress out of session, reaction to the crisis has been relatively muted, though a small group of House members planned to deliver a letter to Obama on Wednesday saying that Congress would reconvene, if necessary, to consider a strike beforehand.

Polls taken before last week’s alleged chemical attack consistently showed Americans opposed to U.S. intervention in Syria. Complicating the political task for Obama is that any military action, even if brief, calls into question his long-standing opposition to a new Mideast war and could anger some liberal supporters.

Preparations for military action were clear among U.S. allies. Cameron cut short a vacation to return to London and announced that he would recall Parliament on Thursday to discuss the issue. The prime minister’s office said British forces were drawing up contingency plans for a “proportionate” response.

In a televised address, French President François Hollande said it was the world’s responsibility to take action. “France is ready to punish those who took the decision to gas the innocent,” Hollande said.



Ernesto Londoño in Washington, Colum Lynch at the United Nations, Loveday Morris and Ahmed Ramadan in Beirut and Anthony Faiola and Karla Adam in London contributed to this report.



MPs and Syria: in the shadow of Iraq
As the Iraq crisis showed, wars of choice are politically unrealistic without parliamentary authorisation
Editorial

"I may not have succeeded in halting the war, but I did secure the right of parliament to decide on war." The words are inscribed on the Edinburgh gravestone of the late Robin Cook, the most senior minister to resign over the war against Iraq in 2003. Yet Mr Cook now has a living epitaph too. NeitherThursday's recall of parliament to debate the crisis in Syria, nor the vote on a government motion that will take place at the debate's end, would be happening without Iraq and its enduring legacy. In the 21st century, as the Iraq crisis showed, wars of choice are politically unrealistic without parliamentary authorisation. This is a kind of progress – and Mr Cook had a big hand in it – even though the precedent has been unevenly followed since 2003.

Iraq overshadows this week's developments at Westminster at every turn. Accountability of this kind improves our democracy, our politics and our system of government. Nevertheless, neither the parliamentary recall nor the MPs' vote is enough on its own. Both are welcome but not sufficient. For one thing, although politicians of all parties have often talked since 2003 about reforming Britain's antiquated prerogative war powers, nothing has actually been done. The Syrian crisis means ministers should return to that task as a priority. Yet what ultimately matters is not the involvement of MPs, important though that is, but the decision that they actually take.

Here again, the shadow of Iraq over our politics looms large. There can be no disputing the seriousness of any use of heinous and internationally outlawed chemical weapons. Yet tomorrow's debate will only even begin to carry public credibility if it is based on clear and persuasive information about their alleged use by the Syrian government. That information may well exist – much of the evidence points in that direction. Yet the case has not yet been made authoritatively to the public.

This explains, in part, why the public remains so strongly opposed to British intervention or military aid to the Syrian rebels, even after the chemical attacks in Damascus. Ten years on from Iraq, the public is rightly sceptical. David Cameron began making his case for targeted retaliatory and deterrent action last night. But he should be under no illusions that a post-Iraq public will be easily persuaded that another UK military engagement in the Middle East is necessary.

The prime minister also needs to explain – and MPs should make sure to tax him over this – why any such action needs to be taken now, without pause or delay. This is especially needful because no equivalent urgency has been displayed, for a range of good and bad reasons, during the past two years of deepening civil war. Moreover, the UN's weapons inspection team in Damascus has scarcely been able to conduct a thorough investigation, let alone to draw up a measured indictment against those who should be held responsible. This is another loud echo of 2003.

Yet if Mr Cameron is going to shift the UK domestic debate in favour of military action of any kind in Syria he will need to win other arguments that have so far defeated him. He needs to come up with a clear statement of how military action in Syria will be proportionate, legally sound and, above all, foreseeably finite. Tony Blair may have persuaded parliament to go to war in 2003, but he later lost parliament's confidence because, in the end, things went so much worse than had been foreseen. Mr Blair's legacy to Mr Cameron is that his successor can expect no benefit of the doubt.


British politics was dreadfully damaged by the Iraq war, in spite of Mr Cook's heroic efforts and example. Ten years on, our politicians and our parliamentary institutions are objects of wide contempt, a process that can be said to have begun with Iraq. By venturing back on to this territory, Mr Cameron is taking an immense risk, not just with his own standing but with the reputation of politics more generally. The consequences will be felt most in already suffering Syria. But they may also be truly daunting for Britain itself.

Scuticídio


  1. Scuticídio
    Só a nacionalização das PPP rodoviárias pelo seu justo valor evitará o total descalabro das finanças públicas
    Por:Paulo Morais in CM online

    As parcerias público-privadas (PPP) rodoviárias custaram até hoje largos milhares de milhões, acarretam compromissos anuais incomportáveis e configuram o suicídio, a prazo, das finanças públicas nacionais.

    Tornaram-se um investimento calamitoso porque, para além do enorme esforço que representam para o país, são agora inúteis..., estão vazias. Face ao elevado custo das suas portagens, tornaram-se inacessíveis aos cidadãos e às empresas. Já não cumprem minimamente os objetivos que levaram à sua construção: aproximar a periferia das áreas metropolitanas e disseminar investimentos produtivos pelo território.

    Os terrenos disponibilizados para a construção das autoestradas representaram um custo muito significativo, tendo sido bem mais caros do que inicialmente previsto. Porque em muitos casos, e de forma criminosa, autarcas atribuíram capacidade construtiva aos terrenos, concedendo mais-valias milionárias aos seus proprietários, imediatamente antes de estes serem expropriados.

    Acresce que estas operações mafiosas provocaram enormes atrasos na entrega dos terrenos aos consórcios construtores e até alterações no traçado das vias, levando ao pagamento de indemnizações de milhares de milhões de euros. Só em 2011 (últimas contas conhecidas) foram seiscentos milhões de euros!

    Desde que entraram em funcionamento as ex-SCUT, os seus custos de exploração têm vindo a agravar-se exponencialmente.

    O modelo de negócio é ruinoso: o volume das rendas a pagar anualmente pelo estado é independente do tráfego e os concessionários têm garantidas rentabilidades superiores a vinte por cento, a troco de um risco… zero. A estas rendas ainda se somam anualmente escandalosos prémios pela redução de sinistralidade.

    Quando esta diminui, as compensações são gigantescas, apesar de as multas aplicadas ao aumento de acidentes serem ridiculamente baixas.

    Aqui chegados, só a nacionalização das PPP rodoviárias pelo seu justo valor evitará o total descalabro das finanças públicas. E só a eliminação das portagens dará sentido à existência destas autoestradas, que hoje mais parecem desertos.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Um clamor justo mas ineficaz contra o fogo. Ardeu mais floresta neste Agosto do que em todo o ano de 2007 ou de 2008.

Um clamor justo mas ineficaz contra o fogo

Editorial/Público
Enquanto os bombeiros tiverem mais protagonismo do que os silvicultores, nada travará os fogos
O aumento da temperatura nas zonas onde se encontram os principais espaços florestais acentuou o sentimento de impotência com que o país assiste à devastação dos incêndios. Quando, num único dia, como no domingo passado, se registam 362 incêndios, não há dispositivo de combate capaz de os enfrentar. Quando há fogos que duram dias seguidos e se estendem por vastas áreas acidentadas, não há meios humanos, viaturas ou aviões capazes de os conter. Sempre que o efeito climático gerou situações de descontrolo e de impotência como as que se viveram nos últimos dias, sobrou sempre oportunidade para a crítica à estratégia de combate, para se reclamar a intervenção do exército ou para se agravarem as penas aos pirómanos. Esse clamor dos cidadãos que exprime indignação, desespero e solidariedade é natural e compreensível. Mas não será com gestos emotivos e circunstanciais que se termina o flagelo dos incêndios. De uma vez por todas, é importante que os bombeiros cedam o seu protagonismo aos silvicultores e aos especialistas em política florestal. Enquanto se gastar quatro vezes mais dinheiro no combate do que na prevenção e gestão florestal, o país continuará condenado ao drama estival de sempre. O que se exige é uma tarefa ciclópica, que passa pela reconstrução dos serviços florestais dizimados pelo voluntarismo ou pela incúria de sucessivos governos, pelo avanço de um cadastro florestal que determine quem é o dono de facto de cerca de um terço da floresta e por uma política fiscal que penalize duramente quem deixar a floresta ao abandono. Mesmo assim, não se acredite que, face às características da floresta nacional, haverá um dia verões sem fogos. Mas se o país for capaz de evitar que, num único mês, ardam 40 mil hectares, terá então ganho a primeira batalha para preservar um dos seus mais valiosos recursos ambientais e económicos. 

O risco máximo de incêndio agrava-se hoje e amanhã e os bombeiros avisam que o cansaço é neste momento o seu maior inimigo

Ardeu mais floresta neste Agosto do que em todo o ano de 2007 ou de 2008

Dados do Sistema Europeu de Informação mostram que este mês já arderam mais de 40 mil hectares de floresta. Dispositivo de combate no limite
Só no mês de Agosto já arderam mais de 40 mil hectares de floresta, segundo os dados do Sistema Europeu de Informação de Fogos Florestais (conhecido pela sigla EFFIS), que, através de imagens de satélite, contabiliza quase em tempo real a área ardida. O valor é superior ao total destruído em 2007 e também em 2008. A sucessão e a duração dos incêndios dos últimos dias estão a deixar os combatentes exaustos e os responsáveis da Associação Portuguesa de Bombeiros Voluntários (APBV) afirmam que o dispositivo de combate está no limite.
Prova disso foi o dia de anteontem, que registou o mais elevado número de ignições de Agosto, 362 ocorrências, que foram resolvidas por quase 7500 combatentes, um número não muito distante dos 9.337 elementos disponíveis na fase mais crítica dos fogos. Isto tendo em conta a necessidade de rotação dos operacionais.
Ontem, o cenário continuava complicado. Às 20h, a página da Autoridade Nacional da Protecção Civil (ANPC) dava conta de um cenário preocupante (ver texto na página 5). Face a esta vaga de fogos, o Ministério da Administração Interna anunciou ontem um reforço dos meios financeiros para que a ANPC pague urgentemente às corporações despesas com combustível e com a alimentação dos bombeiros.
Mais calor
O tempo ainda não parece querer dar tréguas. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera dá conta que o risco máximo de incêndio se vai alargar de 11 para 20 concelhos de ontem para hoje, nas regiões Norte e Centro. Amanhã, a situação ainda se vai agravar, subindo para 28 o número de concelhos a atingir o nível mais elevado de risco. A meteorologista Cristina Simões afirma que o risco se manterá alto no Norte, onde o céu se vai manter limpo esta semana. "Na Zona Norte, irão persistir as temperaturas elevadas e os ventos de leste, quentes e secos", refere. No Centro e no Sul, há possibilidade de chuva entre amanhã e quinta-feira, o que poderá tranquilizar as equipas de combate.
O presidente da APBV garante que tem havido muitas falhas na rendição dos bombeiros e na sua alimentação e sugere que as Forças Armadas sejam chamadas a intervir na logística do combate. "As pessoas estão cansadas, não dormem, não comem e não são rendidas. O cansaço neste momento é o nosso pior inimigo", sublinha Rui Moreira da Silva. O dirigente lamenta que ainda sejam as populações a alimentar os bombeiros, que, muitas vezes, são obrigados a descansar em cima das viaturas. "Devíamos ter vergonha por ainda não termos resolvido os problemas de logística", realça. As Forças Armadas, precisa, poderiam montar cozinhas e tendas de campanha, além de corredores de chuveiros. "O Exército tem a máquina pronta e oleada. Isso permitiria ter uma zona de reserva onde os operacionais comeriam, podiam tomar um banho e descansar. Depois voltariam ao combate", defende Rui Moreira da Silva.
Por vezes não faltam meios no combate, mas há quem se queixe da descoordenação no terreno. Neste caso, o protesto chega em forma de desabafo, no blogue Diário de um Bombeiro. Daniel Pedro, dos Bombeiros Municipais da Lousã, conta que chegou sábado às 20h30 a Tondela, para ajudar a combater o fogo na serra do Caramulo, integrado no Grupo de Reforço para Incêndios Florestais (GRIF) do distrito de Coimbra. Mas ajuda, diz, deu pouca. Primeiro ficaram à espera na estrada. "Às 00h00, todo o GRIF foi levado para o parque industrial, onde permanecemos até às oito e tal, 9h. Em seguida, fomos para o campo de futebol, onde estivemos até às 12h sem fazer nada", relata o bombeiro.
Daniel Pedro conta que estavam há mais de quinze horas em Tondela, quando surgiu uma comunicação do posto de comando a referir que, caso as equipas de duas viaturas ligeiras estivessem cansadas, "estavam a chegar outras viaturas ligeiras ao teatro de operações que poderiam ir fazer o serviço". Foram fazer o rescaldo e pelas 16h já estavam a almoçar, para seguirem de regresso. O bombeiro da Lousã sublinha, contudo, que nem todos tiveram a mesma "sorte", dando como exemplo o grupo de reforço de Leiria. "Posso dizer que comi muito bem, mas trabalho não apareceu, e não foi por não o haver!", conclui Daniel Pedro.
O presidente da APBV lamenta estas situações e mostra-se preocupado com as deslocações dos grupos de reforço. "Não podemos ter bombeiros que estiveram dois a três dias a combater e depois têm de fazer viagens de 300 a 400 quilómetros", critica. Por isso, insiste que, com os combatentes, deve ir um motorista que apenas conduz a viatura.
O presidente da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais, Fernando Curto, defende que, nesta fase, a estratégia de combate deveria mudar. "Os comandantes têm que começar a fazer um combate mais defensivo. Devem derrubar-se árvores, abrir clareiras e colocar os bombeiros a combater com mais segurança", sustenta. O dirigente teme que morram mais operacionais se se mantiver o ritmo dos últimos dias. "Não podemos continuar a arriscar a vida dos bombeiros", afirma. "Com a intensidade que temos visto nos fogos", continua, "os bombeiros não podem estar mais de quatro horas seguidas a combater".
O EFFIS regista fogos com áreas ardidas superiores a 20 hectares e mostra que desde o início de Agosto já ocorreram em Portugal 12 incêndios com mais de mil hectares cada. Desde o início do ano, o EFFIS contabiliza mais de 61 mil hectares ardidos em Portugal. Até 15 de Agosto, o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas somava apenas 31 mil hectares ardidos.


Bombeiros lutam contra 250 fogos

A Autoridade Nacional de Protecção Civil registava às 20h00 dez incêndios de grande dimensão activos, com particular incidência no Norte do país. Como já tinha acontecido no domingo, as autoridades tinham contabilizado um elevado número de ignições motivado pelas temperaturas elevadas que se fizeram sentir no interior. Até às 20h00, tinham sido registadas no comando nacional da protecção Civil 263 ocorrências - no domingo tinham-se verificado 362.
A meio da tarde, mais de 750 bombeiros apoiados por quase 200 veículos combatiam quatro incêndios de grandes proporções, de acordo com a informação disponível no site da Autoridade Nacional de Protecção Civil. O maior incêndio, com quatro frentes activas, começou no domingo de manhã e lavrava numa zona no distrito de Viseu, concelho de Oliveira de Frades, entre Feitalinho e Arcozelo das Maias (ver texto na página ao lado). À hora do fecho desta edição as chamas tinham-se aproximado da A25 e ameaçavam a segurança da circulação rodoviária.
Outra região muito afectada pelos fogos foi o distrito de Vila Real, onde a meio tarde lavravam dois incêndios de grandes dimensões. No concelho da Régua as chamas acabariam por ser controladas a meio da tarde. O incêndio que mais preocupação tinha causado aos bombeiros, o que desde sábado estava activo no concelho de Valpaços, também acabaria por ser dominado.
Para lá do fogo de Oliveira de Frades, os bombeiros concentravam as suas principais preocupações e meios em incêndios nos concelhos de Monção, Amarante, Resende, Cabeceiras de Basto, Vila Nova de Cerveira e Arcos de Valdevez.

Formação

Falta reciclar conhecimentos
T odos os bombeiros que vão para os fogos têm pelo menos 250 horas de formação inicial, das quais 50 dizem respeito exclusivamente a incêndios florestais. Ao longo do tempo, vão acumulando experiência e horas de instrução nos quartéis. No entanto, "há uma reciclagem de conhecimentos que não está a ser feita", denuncia o presidente da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais, Fernando Curto. Para este responsável, a falha verifica-se sobretudo com os voluntários (cerca de 22 mil), que não podem frequentar os cursos da Escola Nacional de Bombeiros (ENB) em horário laboral.

"A ENB não dá resposta, não satisfaz a quantidade de formação necessária", critica Curto, recordando o que Domingos Xavier Viegas, responsável pelo Laboratório de Estudos sobre Incêndios Florestais da Universidade de Coimbra, disse há dias ao Diário de Notícias: há três anos a escola ministrava 20 a 30 cursos de especialização em incêndios florestais, agora são "quatro ou cinco". O presidente da ENB, José Ferreira, em declarações recentes à RTP, reconheceu que a formação não é perfeita, mas preferiu pôr a tónica na falta de planeamento, no abandono da floresta e na desertificação do interior do país. Curto insiste na necessidade de reforçar o treino prático e aponta lacunas ao nível do equipamento de protecção individual dos bombeiros. "Todos deviam ter um equipamento igual ao da Força Especial de Bombeiros", afirma, sublinhando o risco de vida que os operacionais correm no terreno. Este equipamento é mais resistente às chamas e mais leve, e permite, por exemplo, que o bombeiro seja içado por helicóptero em caso de acidente. M.S.