terça-feira, 2 de julho de 2019

Miguel Sousa Tavares vive em Marte



Miguel Sousa Tavares vive em Marte

O grande problema de Miguel Sousa Tavares não está nos argumentos que usa – está na sua total desadequação ao contexto que os rodeiam. Infelizmente, não é caso único.

João Miguel Tavares
2 de Julho de 2019, 5:20

Na última edição do Expresso, Miguel Sousa Tavares – que partilha com Rui Rio a convicção de que o Ministério Público (MP) é uma organização extremamente corporativa, principal suspeito de todas as fugas ao segredo de Justiça, destruidor oficial de reputações e grande liquidador de vidas profissionais e familiares – decidiu declarar, preto no branco, “sem cerimónias nem paninhos quentes”, que é “contra a independência e mesmo contra a autonomia funcional do Ministério Público”. Portanto, no seu entender, o MP é um órgão da administração pública como qualquer outro, e deve estar subordinado ao poder político. (De caminho, Miguel Sousa Tavares resolveu promover-me a “justiceiro-mor e pregador moral do reino”, elogio que agradeço, mas hoje não quero falar sobre mim.)

O grande problema de Miguel Sousa Tavares (MST) não está nos argumentos que usa – está na sua total desadequação ao contexto que os rodeiam. Infelizmente, MST não é caso único. Temo bem, aliás, que seja praticante de uma das artes mais populares do colunismo português – a aplicação de magníficas terapêuticas a problemas irrelevantes, sabiamente conjugada com a mais absoluta indiferença quanto aos problemas fundamentais. Imagine, caro leitor, que está um senhor careca a esvair-se em sangue junto à estrada. Miguel Sousa Tavares pára de imediato o carro, corre para ele, e sugere-lhe um tratamento para a queda do cabelo.

A visão de Miguel Sousa Tavares sobre a justiça é essa – um medicamento contra a alopecia aplicada a um moribundo. Escreve ele no Expresso: “É certo que um MP sob a alçada do poder político é um risco sempre presente. Mas, apesar de tudo, é um risco controlado: pelos outros poderes, pela imprensa, pela própria dignidade dos magistrados do MP e da sua hierarquia.” Reparem: MST olha para o Portugal da última década – o Portugal de Sócrates, Salgado, Bava, Granadeiro, Vara, Berardo, Pinto Monteiro, Freeport, Face Oculta, da Operação Marquês, da Operação Furacão, da Operação Fizz – e o que é que ele conclui? Que o poder político talvez possa ter um vago desejo de controlar o MP, mas que esse desejo é, apesar de tudo, “um risco controlado”. Reparem outra vez: no mundo pós-Sócrates, pós-Lopes da Mota e pós-atentado ao Estado de direito, MST acha que o risco de o poder político querer meter a unha no MP deve ser desvalorizado.

Quem, pelo contrário, está descontrolado no desejo de controlar é, no seu entender, o Ministério Público. Pergunta MST enfaticamente: “Mas quem controla o risco da sua total independência, que, com o actual estatuto, equivale a total impunidade?”; “quem nos garante que quando investigam um político ou um empresário não é por razões políticas ou pessoais?”; “quem nos garante que quando não investigam não é por razões obscuras?”; e por aí fora. O que é que está errado neste raciocínio? Nada – excepto a realidade.

MST apresenta magníficas soluções para problemas que Portugal não tem. Ou, se os tem, são ridículos face a outros. Sim, todas as profissões são corporativas – os professores, os médicos, os jornalistas, os políticos e, com certeza, também os magistrados do Ministério Público. Mas pergunto: é esse o grande problema da Justiça portuguesa? No Portugal de 2019, será mais ameaçador o corporativismo do Ministério Público ou o desejo do poder político em limitar a sua autonomia? Qual dos problemas foi mais grave na última década? Lamento, caro MST: é mesmo preciso ser marciano para falhar a resposta a esta pergunta.

Jornalista

A Europa ainda existe?



A Europa ainda existe?

Há várias razões para o que aconteceu em Bruxelas, aliás relacionadas entre si. Talvez a mais profunda no seu significado e nas suas consequências esteja no vazio de liderança deixado pela chanceler alemã, provavelmente difícil de substituir.

1 de Julho de 2019, 17:15

Se alguém tivesse encomendado um guião para este encontro de lideres europeus destinado a para provar até que ponto a União Europeia está desunida, fragmentada e sem liderança, nem a mais fértil imaginação poderia conceber um cenário mais desastroso. O Conselho Europeu volta a reunir-se a partir das 11 horas (10h em Lisboa) de terça-feira, sem que haja a mínima expectativa de corrigir a imagem que deu de si próprio numa maratona negocial que começou na noite de domingo e que apenas terminou no dia seguinte sem qualquer acordo.

Há várias razões para o que aconteceu em Bruxelas, aliás relacionadas entre si. Talvez a mais profunda no seu significado e nas suas consequências esteja no vazio de liderança deixado pela chanceler alemã, provavelmente difícil de substituir. Merkel está a cumprir o tempo final do seu quarto mandato em Berlim. A coligação que lidera, entre a CDU/CSU e o SPD, perdeu peso eleitoral e força politica. A fragmentação partidária acentuou-se, incluindo a emergência de um partido de extrema-direita. A Alemanha entrou numa fase de paralisia e de indefinição sobre o seu papel na Europa e no mundo, que se repercute fortemente na Europa e na sua relação fundamental com a França.

O que aconteceu em Bruxelas foi o efeito imediato do seu ocaso político no PPE, o partido do centro-direita europeu no qual a CDU e a chanceler eram determinantes, que se rebelou contra ela, revelando-se uma manta de retalhos onde imperam os partidos populistas mais ou menos iliberais da Europa Central e de Leste e onde a velha coesão europeísta deixa muito a desejar.

Viktor Orban, que o PPE albergou porventura durante demasiado tempo, sentiu-se livre para pôr em pratica a sua velha (e confessada) ambição de dominar progressivamente os democratas-cristãos, conseguindo arrastar consigo os outros líderes do Grupo de Visegrado mas também alguns bálticos – que atravessam, quase todos, crises de identidade mais ou menos acentuadas e que alimentam algum rancor contra o “paternalismo” ocidental.

Aproveitando um aparente (mas ainda não comprovado) vazio de poder deixado pela chanceler, impediram que o PPE cumprisse a sua parte do acordo negociado entre liberais, socialistas e a chanceler para uma solução de consenso na distribuição dos cargos das principais instituições europeias.

Aliás, entre os partidos de Leste e alguns do Ocidente, pouca gente se coibiu de dizer que o tempo em que o PPE era igual à CDU tinha acabado. O PPE continua a ser o maior grupo político do PE, mas perdeu muitos lugares, tal como os socialistas. Qualquer decisão importante passou a ter de contar com a vontade conjugada dos três maiores grupos políticos, incluindo os liberais, agora reforçados com os eurodeputados de Macron.

A solução negociada durante largos meses por António Costa, Pedro Sánchez, Mark Rutte, o Presidente francês e a chanceler alemã acabou por ser, pura e simplesmente, dinamitada, num ato de rebeldia contra Merkel, que deixou vir ao de cima todas as incongruências e as fragilidades do centro-direita europeu.

Não foi possível superar a profunda divisão Leste-Oeste sobre a Europa e o seu futuro. Não foi possível compensar nem o ressentimento nem as fragilidades democráticas de alguns dos países que aderiram à União depois da queda do Muro, numa cimeira em que as divisões e as contradições se revelaram em toda a sua dimensão, dando da Europa uma paupérrima imagem de si própria.

Se era precisa uma derradeira prova da crise profunda que a Europa atravessa, ela ficou retratada sem disfarces nem contemplações esta segunda-feira.

O que vai fazer a chanceler, ainda é uma incógnita. Macron terá todas as razões e mais algumas para defender uma Europa de geometria variável e a sua ferrenha oposição a qualquer novo alargamento. O eixo Paris-Berlim será cada vez mais difícil de reconstituir.

tp.ocilbup@asuos.ed.aseret

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Não nos querem nas cidades: a história de um divórcio sem retorno



Não nos querem nas cidades: a história de um divórcio sem retorno

Já houve tempos em que nos mandaram emigrar porque não havia emprego, hoje obrigam-nos a deixar as cidades porque não temos rendimento para as habitar.

Sebastião Ferreira de Almeida

Sebastião é bolseiro de doutoramento em Arquitectura dos Territórios Metropolitanos Contemporâneos e investigador no DINAMIA’CET

12 de Junho de 2019, 8:07

É necessário começarmos a acreditar que somos cada vez mais um “obstáculo” para quem nos governa, e não um “fim”. Já houve tempos em que nos mandaram emigrar porque não havia emprego, hoje obrigam-nos a deixar as cidades porque não temos rendimento para as habitar.

O que interessa é atrair o investimento e manter o fluxo turístico a todo o custo, repelindo no caminho o que se atravessar à frente, normalmente as pessoas, as suas vidas e as suas mobilidades. O mercado sempre em primeiro lugar! E o que é o mercado em primeiro lugar?

É a aparente miopia dos nossos governantes em contraste com as dificuldades de quem todos os dias é expulso da sua casa muitas vezes de forma coerciva, é a perda de 14.791 eleitores em Lisboa e de 5543 no Porto entre 2013-2017, ao mesmo tempo que se permite que em certos bairros do centro histórico a ocupação em regime de Alojamento Local atinja os 40%. É a cidade-palco das mil e uma festas e multidões onde todas as licenças são permitidas, deixando os moradores em estado de sítio sem conseguirem descansar.



É ser possível “perdoar”, em nosso nome, milhões de euros de impostos a fundos imobiliários e alienar património público quando 25.762 famílias estão sinalizadas como estando em situação habitacional claramente insatisfatória, 74% destas concentradas nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto, conforme identificado no Levantamento Nacional das Necessidades de Realojamento Habitacional.

"Este programa não espelha um Estado preocupado em encontrar soluções para os problemas da cidade, mas sim em comparticipar, financiar e validar um projecto urbano onde o mercado (global) é o seu anfitrião principal."
O mercado em primeiro lugar é também ser legítimo limitar o acesso aos espaços públicos (praças e miradouros) ao mesmo tempo que se entrega de bandeja a sua exploração a grandes grupos privados. É obrigar a que aceitemos uma cidade onde os projectos urbanos são apresentados como factos consumados, é permitir a desregulação nos novos meios de mobilidade (Uber, trotinetes, bicicletas e tuk tuks), ao mesmo tempo que nos deixam apinhados (ou apeados) no trânsito ou num sistema de transporte público, mais barato é certo, mas que está longe de responder ao aumento da procura.

É consentir que se iniciem processos de demolição de bairros, de barracas ou de construções ilegais, em prol “da boa imagem dos concelhos metropolitanos”, sem assegurar a habitação condigna a todos os seus moradores. É, no fundo, esta festa de divórcio para a qual não queríamos ser convidados, mas em que fomos obrigados a participar. É o oposto da igualdade e inclusão que deveriam ser promovidos nas cidades.

Não interessa, pois, que esta “cativação urbana”, em prol do crescimento económico, arruíne o tecido social do território e comprometa os diferentes acessos capazes de lhe conferir diversidade e vitalidade. Não interessa que sem eleitores não haja votos e, por conseguinte, necessidade de representação – até a democracia pode submergir um pouco, para manter à tona o mercado. Este, sempre em posição de destaque, é o verdadeiro arquitecto das políticas urbanas, definindo quem tem “direito à cidade”, quem a pode aceder.

Um exemplo mais recente desta tendência é o novo Programa de Arrendamento Acessível, já aprovado pelo Governo, e que pode ser consultado nesta portaria, publicada em Diário da República. O programa estabelece um apoio aos proprietários, sob a forma de benefícios fiscais (que recaem sobre o IRS e IRC) em troca de uma redução do valor das rendas praticadas. Desta forma procura facilitar o acesso à habitação por parte da classe média. Mas será mesmo uma medida destinada à classe média?

No âmbito do mesmo programa foram estabelecidos os tectos máximos de renda para Lisboa (e para todos concelhos do país). Vejamos os valores considerados para a capital: TO, 600 euros; T1, 900 euros; T2, 1150 euros. A fórmula utilizada para os estimar baseou-se valor do mercado de rendas praticado, considerando a sua redução em 20%. Se a intenção que este programa proclama fosse honesta, a fórmula para estimar os limites do valor da renda teria sido calculada de forma inversa, partindo do rendimento médio dos trabalhadores portugueses, de forma a estimar os tectos de renda máxima. Mas a fórmula parte do valor de mercado, e este, como sabemos, não reflecte de todo a realidade laboral do país.

Um casal que ganhe o salário médio (887 euros segundo o INE) não poderá pagar mais do que 532,2 euros de renda, uma vez que o programa limita a taxa de esforço a 35%. Para pagar um T1 a 900 euros teriam que ganhar cada um quase 1300 euros, longe dos 887 euros do rendimento médio. Isto não espelha um Estado preocupado em encontrar soluções para os problemas da cidade, mas sim em comparticipar, financiar e validar um projecto urbano onde o mercado (global) é o seu anfitrião principal. Não nos deixemos, por isso, enganar com medidas que mais não são do que um analgésico social, fabricadas para maquilhar o tal divórcio sem retorno.

Aquilo que é teu é meu, ou a “treta” da assim chamada economia de partilha




Aquilo que é teu é meu, ou a “treta” da assim chamada economia de partilha

As cidades europeias têm o direito e o dever natural de serem mestras dos seus destinos e senhoras da sua gestão.

António Sérgio Rosa de Carvalho
28 de Junho de 2019, 18:35

No período em que as novas regras do Alojamento Local estão em discussão pública, faz todo o sentido referir que no passado dia 20/6 foi noticiado que dez cidades europeias fizeram um forte apelo à UE de ajuda e apoio ao seu urgente esforço de impor exigentes regras, forte fiscalização e pesadas sanções à Airbnb e outras plataformas de aluguer turístico, classificadas como Alojamento Local.

Isto, em reacção a um parecer jurídico não vinculativo emitido em Abril por um advogado ligado ao Tribunal Europeu, em que este, reagindo a uma queixa francesa, definia a Airbnb como uma plataforma digital intermediária de informação e não uma tradicional agência Imobiliária.

Ora, este confronto revela de imediato a perversidade enganadora da zona intermediária onde a Airbnb​ conscientemente funciona e opera, onde esta se define meramente como um serviço de informações, cobrando por eles 30% dos lucros e desresponsabilizando-se permanentemente dos nocivos e erosivos efeitos da sua actividade nas cidades e na destruição dos equilíbrios de direitos e deveres da habitação para os habitantes locais.

De resto, a primeira parte do título deste texto não fui que a inventei, mas constitui o título de um livro, reconhecido internacionalmente: “What’s Yours Is Mine: Against the Sharing Economy”, da autoria de Tom Slee, onde este denuncia que por detrás da máscara burlesca da partilha se escondem multinacionais apologistas da mais selvagem postura da ‘free entreprise’ dirigidas apenas ao lucro e utilizando a farsa da economia colaboracionista e comunitária, precisamente, para destruir comunidades inteiras, o respectivo tecido social das mesmas e transformar, conjuntamente com o turismo de massas tornado possível com o ‘low cost flying’, cidades ancestrais em parques de diversões monofuncionais e em meras e áridas plataformas híbridas, esvaziadas dos seus habitantes locais, e ‘sugadas’ da sua autenticidade e identidade.

Assim, este apelo dos autarcas destas dez cidades reflecte o clamor dos seus habitantes e do consciente e assumido sentido de missão dos seus eleitos representantes, ou seja, as cidades europeias têm o direito e o dever natural de serem mestras dos seus destinos e senhoras da sua gestão. Neste sentido, elas movimentam-se em direcção ao retorno do princípio europeu da Unidade em Diversidade, e reagem fortemente à ‘sopa’ indistinta e ao ‘caldo’ globalizador.

Lisboa e o Porto não se encontram entre os signatários. Apesar da urgente e insustentável situação do acesso à habitação nestas cidades.

João Miguel Tavares marcou as comemorações do Dia de Portugal (sim, apesar de tudo, e em profunda crise existencial de valores e demografia, Portugal ainda existe! ) com um apelo directo: “Dêem-nos alguma coisa em que acreditar”.

Este apelo já teve uma resposta de Sebastião Ferreira de Almeida: “Não nos querem nas cidades.” “Já houve tempos em que nos mandaram emigrar porque não havia emprego, hoje obrigam-nos a deixar as cidades porque não temos rendimento para as habitar.”

Historiador de Arquitectura

Trotinetes e bicicletas no passeio pagam multa a partir de hoje



Apoio incondicional a esta medida urgentemente necessária. Em contraste com a CML, sempre atrasada e atrás dos acontecimentos . Bah, vereador da mobilidade ... Bah, Medina ...
OVOODOCORVO

Trotinetes e bicicletas no passeio pagam multa a partir de hoje
Junta de freguesia vai aplicar coimas de 60 a 300 euros, mais uma taxa de 31,90 euros por cada veículo removido.

Susete Francisco
01 Julho 2019 — 07:31

O estacionamento indevido de trotinetes, bicicletas ou segways nos passeios, em bairros como Alfama, Mouraria ou Castelo, vai sair caro às entidades detentoras destes veículos. A partir de hoje, a freguesia de Santa Maria Maior passa a remover e multar os equipamentos que estejam estacionados no passeio a impedir a circulação pedonal. A coima vai dos 60 aos 300 euros, mas o custo não se fica por aí: a junta prepara-se para cobrar 31,90 euros por cada veículo mal estacionado, a título de taxa de remoção, transporte e armazenagem até 30 dias. A partir deste período é cobrado um montante adicional de 67 cêntimos por cada dia que permaneçam nos armazéns da junta, de acordo com o regulamento de taxas que já foi aprovado e publicado.

A remoção de trotinetes do espaço público, quando constituam um "impedimento ou perigo óbvio" à circulação dos peões, já começou a ser feita durante o mês de junho pelos serviços da junta, mas ainda sem dar lugar à aplicação de multas, dado que o regulamento que o permite ainda não estava a vigor. Passa a vigorar a partir desta segunda-feira, mantendo-se até 2021.

"Compete à Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, sem prejuízo das demais entidades, a fiscalização das regras estabelecidas no regulamento, podendo remover, transportar e armazenar os equipamentos, sendo os encargos suportados pela entidade responsável", anunciou a junta, em comunicado, há pouco mais de uma semana.

A medida não foi bem recebida pela Câmara de Lisboa que, pela voz do vereador da mobilidade, veio defender que a junta não tem competências para assumir esta medida. "As entidades competentes para fiscalizar o Código da Estrada são a Câmara Municipal de Lisboa e as forças de autoridade: Polícia Municipal, PSP e EMEL, que tem essa competência delegada", afirmou à Lusa Miguel Gaspar.

Mas o desagrado da autarquia não desarma o presidente de Santa Maria Maior, o socialista Miguel Coelho. "Isto não conflitua com o Código da Estrada, é espaço pedonal, não é espaço rodoviário", disse ao DN fonte oficial da junta. A mesma fonte sublinha que a remoção dos veículos se aplicará àqueles que manifestamente estiverem a impedir a circulação pedonal, ou que representem perigo para as pessoas. Uma trotinete ou bicicleta que esteja estacionada no passeio, mas encostada num espaço que não incomode, não será removida.

Preto e branco



Preto e branco

A insistência na separação das origens raciais aumenta as potencialidades de racismo na sociedade. Desperta preconceitos. Conduz a classificações indevidas, com categorias que se sobrepõem à de cidadão.

António Barreto
30 de Junho de 2019, 7:22

A decisão das autoridades estatísticas nacionais, a começar pelo INE, de não incluir, no Censo de 2021, perguntas, mesmo de resposta facultativa, sobre as origens étnicas ou “raciais”, parece justa. Não são conhecidos os fundamentos da decisão, mas a conclusão é a mais sensata.

A inclusão destas questões chegou a parecer interessante. Talvez os resultados ajudassem a reflectir e a conhecermo-nos melhor, o que é uma vantagem. Se a finalidade fosse só a de conhecer, até poderiam ser incluídas perguntas de carácter fiscal, alimentar, sexual, sanitário, cultural e desportivo. A informação e o conhecimento são inesgotáveis de interesse e curiosidade.

O problema começa com a privacidade e a dignidade pessoal, valores muito evocados, mas com frequência ignorados. Por que razão desejará alguém revelar, mesmo sob a aparência do anonimato, dados sobre a sua vida, as suas crenças e os seus hábitos? Por que razão quer o Estado saber isso de alguém, pessoas ou comunidades? Em tempos de devassa e de exibicionismo, tudo parece legítimo, mas é bom marcar fronteiras e traçar limites.

Depois, temos o problema, aparentemente técnico, das perguntas facultativas, solução defendida por alguns e já adoptada para a religião. Essas perguntas fazem pensar na famosa frase de Clinton, “fumei, mas não engoli”. Ou numa das frases mais repetida em Portugal, “sou católico, mas não praticante”. Nem sim, nem não. Sendo facultativas e não sabendo quem não responde, qualquer conclusão é puramente especulativa.

Difícil é o problema da nomenclatura. Que categorias devem ser adoptadas? As quatro, branco, negro, cigano e asiático, como defendem uns? Mas onde estão os mestiços, fazem parte dos brancos escuros ou dos negros claros? E é possível colocar no mesmo plano “brancos” e “asiáticos”? Ou “negros” e “ciganos”? Ora, branco e negro é cor, asiático é continente, cigano é etnia. Um branco ruivo com sardas e um norte-africano ruivo com sardas são diferentes? O “asiático” não inclui dezenas de etnias diferentes? Nomes recentes como luso-descendente, afro-descendente e luso-africano designam exactamente o quê? O que é um afro-descendente? Pode ser branco, negro ou mestiço? Ou só negro? Porquê? E um brasileiro, naturalizado português, filho de pai japonês e mãe mulata brasileira é o quê?

A questão dos mestiços é particularmente interessante. Não há só mestiços de branco e negro. Há também de branco e chinês, ou indiano, ou índio, ou cigano, ou mouro, ou árabe… Como classificar? E se usarmos os mestiços de qualquer das variedades acima, como por exemplo chinês e árabe? Meio negro, meio cigano, é o quê? Só mestiço? Igual a meio branco, meio japonês? E os filhos de brancos e de goeses de Moçambique?

A mistura de conceitos é flagrante. Cor, continente e etnia são coisas diferentes. Há negros asiáticos, australianos, africanos, europeus e americanos. Como há brancos europeus, asiáticos, africanos, australianos e americanos. As misturas de cores e de etnias evocam a religião, a história e a política. Como classificar um persa, um curdo, um arménio, um pársi, um hebreu ou um ismaelita? Um berbere ou um núbio? Um cristão branco do Líbano e um branco de Moçambique? Um banto ou um zulu? Os caucasianos do Norte de África são o quê? E os palestinianos, os saarauis e os chaouis?

Se africano quer dizer nascido em África, teremos de admitir que há africanos negros, mestiços, árabes, brancos, egípcios, berberes, núbios e muitos outros, não há apenas africanos negros. Se europeu quer dizer nascido na Europa, então há europeus persas, chineses, árabes, curdos, turcos, negros, brancos e indianos, não só brancos.

As confusões entre povo, religião, etnia e comunidade são numerosas, sem esquecer que há ainda quem pense que há diversas espécies humanas e várias raças. Africano, europeu, asiático e americano são origens geográficas, não são raças. Branco, negro e amarelo são cores, não são etnias. Branco é cor, cor não é só negro. Pessoa de cor é toda a gente, branca, amarela e negra. Judeu, ismaelita, curdo, arménio, berbere, muçulmano, aborígene australiano, maori e muitas outras designações afins introduzem confusões e misturas entre origem geográfica, religião, etnia e cultura, o que só complica as coisas. Colocar no mesmo saco vietnamitas, chineses, japoneses, coreanos, cambojanos e tailandeses é absolutamente errado.

Na questão religiosa, já contemplada com uma pergunta facultativa, o que se fica a saber é nada. Três espécies de cristãos, uma de judeus e uma de muçulmanos não resumem nem definem. As chamadas “seitas”, com centenas de milhares de seguidores, não se distinguem. Jeová, maná, mórmones, sikhs, hindus, budistas, adventistas, IURD e tantos outros não se destacam. Não se sabe o que representam os que responderam, muito menos os que não responderam.

A insistência na separação das origens raciais aumenta as potencialidades de racismo na sociedade. Desperta preconceitos. Conduz a classificações indevidas, com categorias que se sobrepõem à de cidadão. Tentar combater o racismo com a oficialização das categorias raciais é absurdo. Reforçar a designação oficial de raça e etnia vai dar razão aos que nunca se esquecem de dizer que “negro matou”, “cigano roubou” ou “chinês violou”, sem tal referir quando se trata de um branco.

Fica-se com a sensação de que há várias espécies de motivações para incluir e tornar oficiais estas designações. Uma será a de reduzir a duas grandes categorias, os brancos e os negros, para alimentar as lutas raciais. Outra, a de eliminar as misturas, os mestiços, a fim de definir dois campos em confronto. Uma outra será consequência de uma ilusão, a de que devemos e podemos saber tudo, para tudo planear e de tudo fazer uma política.

A recolha de dados raciais não serve para combater o racismo. Pelo contrário, pode contribuir para o desenvolver, através do reforço de demarcação e pelo incentivo à fragmentação social e racial. As identidades étnicas e comunitárias parecem hoje mais perigosas para os direitos dos cidadãos e para a liberdade do que as identidades nacionais plurais. Uma coisa parece certa: há em Portugal grupos de várias etnias, incluindo brancos e negros, apostados, por razões políticas, em aprofundar as clivagens étnicas entre residentes em Portugal. Por isto, o debate sobre o Censo foi útil.

Sociólogo

No flights, a four-day week and living off-grid: what climate scientists do at home to save the planet



‘It’s all about the big three: flying, driving and eating meat’

No flights, a four-day week and living off-grid: what climate scientists do at home to save the planet
What changes have the experts made to their own lives to tackle the climate emergency?

Daniel Masoliver
Sat 29 Jun 2019 10.00 BST Last modified on Sat 29 Jun 2019 18.27 BST

‘As a rule of thumb, a vegetarian meal is going to have a substantially lower carbon footprint than a meat one.’ Illustration: Steve Caplin/The Guardian
The researcher planning a four-day working week
‘We need to reduce our capacity and urge to consume’

Month after month, there is research showing that climate change is happening faster than we thought. We’re in a car hurtling towards the edge of a cliff, we’ve got our foot on the accelerator, and we’re just talking to each other, faffing about. If anything, some of us are even putting the foot further down. What we need to do is stop the car and get out. That has become increasingly clear to me in the last couple of years, which is why I’ve made changes to my own lifestyle.

These all come from the research we’ve been doing at my work, and it’s all based on climate science. The first – and the hardest for many people – is flying. The evidence is clear that, as far as the climate is concerned, we should keep to one return short-haul flight every two to three years. So it’s not that I can’t see the world – I could still go abroad at least another 10 times in my life – it’s just that I can’t go to Istanbul for the weekend.

I’ve been vegetarian since I was about 15, and pretty much vegan for a year. It’s important that everybody goes close to vegetarian, and ideally vegan. Not just that: it’s also important that we stop eating so much. The average European eats 3,500 calories a day, which is too much. The planet has had to provide all those unnecessary calories. It’s not just about climate change: if you look at land use change, biodiversity loss, fertilisers in the ocean creating dead zones, the massive extinction and loss of insects due to pesticides – these problems are all driven by food.

I’ve also reduced the volume of new clothing that I buy. The average European buys 24 new items every year. That needs to come down – based on my team’s research, I’m aiming for three. I can still keep my wardrobe alive through secondhand, recycled, upgraded, swapped or rented clothes.

C40 is a network bringing together the world’s biggest cities, helping them do the best they can on climate. About a year ago, we conducted some research looking at the impact of consumption. Our ever-growing economy in turn requires never-ending growth in consumption. One of the best things you can do to address climate change is go down to a four-day working week. This would take some of the heat out of our ever-expanding economies, reduce our capacity and urge to consume, and create space to live a more balanced life. I plan to do this in the near future. If it means I’m earning a bit less and spending a bit less, but I’ve got a bit more time on my hands, then that’s great.

The massive caveat is that many people in Britain and around the world don’t have enough; but those of us with high consumption lifestyles need to balance it out. The main responsibility will always be with large business and governments to fix the mess we’re in, but we’re now at a point where it’s so late that we need action from everyone. You’re not disempowered just because you’re small, and politicians won’t move until we do. Each person can make change happen, so why not do it?

• Tom Bailey, head of sustainable consumption at C40 Cities Climate Leadership Group

The academic who doesn’t fly
‘It would be hypocritical for me to carry on flying to conferences’

I’ve worked on climate change for nearly 25 years. My first degree was in marine biology and I went on to study warming in the Southern (Antarctic) Ocean, simulating future climates. Now my specialism is land use, agriculture and climate change – not just in terms of emissions from the food that’s produced, but also the impact of climate change on our food system, and the uptake of carbon from the atmosphere by soils, trees and vegetation. But it was when I started doing a lot of research on household emissions and individual action that I began to make changes on a personal level.

 Our holidays now tend to be in Scotland and northern England. We went to Amsterdam, travelling by train and ferry
I gave up flying in 2004. I’d just published a paper looking at the carbon emissions that come from climate scientists like me attending conferences, which academics do a lot. It would have been hypocritical for me to flag up flying as the major part of my carbon footprint, and then carry on doing it.

I have two children. Our holidays now tend to be in Scotland and northern England. We went to Amsterdam the year before last, travelling by train and ferry, and the kids have enjoyed those longer trips. Maybe they’ll gripe at me when I’m in my rocking chair, saying, “Dad, you never took us to Disney World, Florida and I’m in counselling for it now”, but I suspect they won’t.

My youngest, Molly, who is 12, has been involved in the school climate strikes. She was proud to go on the march. For a lot of kids these days, you stand out if you’re not taking action. As a family, we’ve been vegetarian for about six months. We’d already been cutting down on meat, but Molly was the one who pushed it further – she’s pretty much vegan. Of course, some vegetarian food has high food miles, but as a rule of thumb, a vegetarian meal is going to have a substantially lower carbon footprint than a meat one.

I’ve never said “never” to flying. If I get an email from Donald Trump’s office saying that if I fly over and talk to him, he’ll be convinced to take action against climate change, then I’ll be straight on that flight. So it’s always about weighing up the cost-benefit. For me, nothing in the last 15 years has justified flying.

• Prof Dave Reay, chair in carbon management and education at the University of Edinburgh

‘The science shows that societal collapse could be triggered by any one of a number of things, and once triggered, it could happen quite quickly.’ Illustration: Steve Caplin/The Guardian
The vice-chancellor who quit her job to live off-grid

‘Societal collapse could happen quite quickly’

I was a cognitive psychologist, an academic happily ascending the career ladder. I knew about climate change, and I knew that things were looking a bit gloomy, but I hadn’t really acquainted myself with the facts. The alarm bells weren’t ringing. People tend to have faith that those in high places know what they’re doing when it comes to climate change. It’s a trap I fell into myself.

I moved into academic management and got what was effectively my dream job: pro-vice chancellor at Arden University, a campus and distance-learning university based in Coventry. In July 2018, I came across Prof Jem Bendell’s Deep Adaptation paper, which was going viral online. Here was someone with credibility and a good track record who, having studied the science, was saying that we’re no longer looking at mitigation, we’re looking at adaptation; that societal collapse is inevitable.

 Being a vice-chancellor no longer meant anything to me. I gave up my career, and I’m so much happier as a result
People are starting to talk about the kind of spiritual awakening you get in these situations: an “ecophany”. I concluded that banging on about climate change on social media was not enough, and became involved with grassroots activism. Being a vice-chancellor no longer meant anything to me. I gave up my career, and I’m so much happier as a result. Now I talk at conferences and events about the need for urgent action and I have taken part in direct actions with Extinction Rebellion, including the closing of five London bridges last November and speaking in Parliament Square during the April rebellion.

The science shows that societal collapse could be triggered by any one of a number of things, and once triggered, it could happen quite quickly. I suppose I’m being protective towards my four children, aged between 16 and 24, but in the event, I feel I need to be somewhere where I’m growing my own food, living in an eco-house, trying to live off-grid. It would give me some security; I don’t feel secure where I live in Cambridge at the moment – I’m concerned by thoughts like, “What would happen if I turned the tap on and there was no water?”. On our current trajectory, cities will not necessarily be safe places in the future – possibly within my own lifetime, certainly within my children’s.

I am putting my house on the market. My aim is to move to north Wales or Scotland and get a smallholding. I’ve had to think differently when house-hunting: is it energy-efficient? Does it have access to water? Is it above sea level by a certain amount? Where’s the slope facing, so I can grow food. I need to get solar panels up, and a friend has offered some help with a wind turbine. It’s a way of life that’s always appealed to me; now it seems really urgent.

I’m very aware that I’m privileged in being able to do this. It’s frightening to think about homeless people, people who are in rented accommodation. Who will look out for them?

• Dr Alison Green, national director (UK) at awareness charity Scientists Warning and former pro vice-chancellor, Arden University

The sustainability expert who has gone plastic-free
‘All those shampoo bottles can’t be recycled’

I am the carbon specialist on the HS2-enabling works from Euston to the M25, looking at ways to reduce the carbon impact of the project, but I used to work for Unilever in Dubai. I looked after environment and sustainability, and set the blueprint for waste reduction strategies for Unilever across the Middle East. I’d studied sustainability and carbon management, but it was only when we were setting up a second factory, looking into the waste output that would come from the manufacturing process, that it hit home: all those shampoo bottles can’t actually be recycled. And then you think about how long you’ve been on this planet, how many bottles you’ve used – it makes you step back and reflect.

Your average soap bottle has about five different types of plastic, and unless each bit is dismantled, it’s not completely recyclable. The little pump is made from one type of plastic, the pipe is made from another, and then you’ve got the spring. We’ve got so used to going into the supermarket, putting something into our baskets and coming home, but we haven’t considered what happens at the end of its life.

At the start of this year, I decided to go plastic-free in the bathroom. I switched to a bamboo toothbrush, which turned out to be a lot better and more durable than my plastic one. The handle is made from bamboo, and the bristles on the replaceable head are biodegradable. And, at the end of its life, I can use the handle as a garden marker. Growing up in India, from a very early age we were taught not to waste – it has always been part of how I was brought up.

I bought some blocks of handmade eco-friendly soaps, and a chemical-free toothpaste in a glass jar that I can reuse when it’s empty. There is an additional cost to many eco choices, which makes it an elitist thing. You’re doing it because you can afford to. In an ideal world, I would like to see it being mainstream, rather than thinking, “If I buy this, do I have to compromise on something else on my shopping list?”.

I’m a vegetarian, and I don’t drive – I can frequently be seen walking the streets of Maidenhead carrying bags of recycling – but I do still fly. It weighs on my conscience; can you imagine studying carbon management and flying home to Dubai for Christmas? I can remember coming back in January and feeling 30 pairs of eyes turn on me when they found out. But I was like, “I miss my mum!”. I’ve been recording all of my flights, and am saving up to offset the carbon footprint, through organisations like My Climate or WWF. Again, it just goes back to the financial cost of trying to do the right thing by the environment.

We’re on track for a global warming of three to four degrees. We’re seeing whales being washed up with 40kg of plastic in their bellies. It’s tempting to think, what difference is my plastic-free bathroom going to make? But several billion people thinking that way is what got us to where we are.

• Siobhán Pereira, carbon specialist at construction and engineering firm Costain Group

The associate professor who cut her emissions in half

‘It’s all about the big three: flying, driving and eating meat’

I grew up in the countryside and loved spending time outside, first in California and later Alaska. I now study ways to keep carbon out of the atmosphere; how to reduce our climate pollution quickly and fairly.

Individual choices matter: 72% of global greenhouse gas emissions come from household decisions, including mobility (especially using cars and planes), diet (especially meat and dairy consumption), and housing (heating and cooling, and electricity consumption).

The largest share of climate pollution comes from the 10% of the global population lucky enough to live on $23 (£18) per day or more, a group that includes most people in rich countries like the UK. (The poor cause very little climate pollution, so there’s not a lot of room for them to reduce their emissions.)

To limit warming to 1.5C, our generation must stop adding greenhouse gases to the atmosphere. The next decade is critical; emissions need to start plummeting towards zero today. We can get started by very quickly cutting today’s emissions in half.

I’ve already cut mine in half, based on how excessively I was polluting the climate before, by focusing on high-impact personal climate actions. When I was in graduate school in California, I had two cars. I was driving up to four hours a day. I now live a 15-minute walk from work and no longer own a car. I stopped flying within Europe in 2012, and cut my flying back by 80% – the only flights I take are back to North America, to see my family. I stopped eating meat and milk several years ago.

The climate impact of bringing a child into the world is something my husband and I have talked about. Essentially, burning fossil fuels and eating meat are the things that are driving climate change – the more people we have doing those things, the higher those emissions are. That is one factor among many that will inform our decision over whether we start a family. A different but related question is: what kind of world would a child born today grow up in?

What matters for climate change is how much greenhouse gases we emit to the atmosphere. A lot of people have started to use keep-cups and reusable water bottles. These choices reduce waste, but are not high-impact climate actions – they have a much smaller effect compared with the big three: flying, driving and eating meat.

For example, eating a plant-based diet for one year saves over 150 times more greenhouse gases compared with a year of using a reusable shopping bag. And you would have to recycle everything in your household comprehensively for almost eight years to equal the greenhouse gas emissions saved by skipping just one round-trip flight from London to New York.

Those of us who happen to be alive today are determining the future of humanity. We have to be serious about our responsibility. Individual actions reinforce and support politicians in making the bold choices necessary to tackle the problem on the scale that’s needed. We’ve got to act fast.

• Dr Kimberly Nicholas, associate professor of sustainability science at Lund University, Sweden

You can check your own carbon footprint using carbon calculators such as Berkeley’s peer-reviewed CoolClimate and the WWF’s tool.

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