TAP vai cortar massa salarial em 250 a 300 milhões ao ano
A administração da companhia espera benefícios de 1,3 mil
milhões de euros com a renegociação de leasings de aeronaves e de 200 a 225
milhões por ano com mais de mil fornecedores, mas avisa que não chegam.
Maria João Babo
Maria João Babo
mbabo@negocios.pt
09 de Dezembro de
2020 às 12:25
A administração
da TAP salientou esta quarta-feira aos trabalhadores da companhia que sem um
ajuste dos custos laborais a transportadora não conseguirá cumprir os
requisitos da Comissão Europeia e não sobreviverá.
O Negócios sabe
que Miguel Frasquilho e Ramiro Sequeira, "chairman" e CEO da TAP,
respetivamente, adiantaram numa apresentação das principais linhas do plano de
reestruturação aos trabalhadores que é necessário um ajuste da massa salarial
de 250 a 300 milhões de euros ao ano.
Em 2019 a massa
salarial da TAP foi de 743 milhões de euros, valor que em 2020 irá descer para
505 milhões. Para cumprir o plano que será entregue esta quinta-feira a
Bruxelas os responsáveis consideram que há necessidade de que essa redução seja
em 2021 de 230 milhões de euros, em 2022 de 300 milhões, em 2022 de 325
milhões, em 2024 de 300 milhões e 2025 de 230 milhões de euros.
Tendo a conta a
projeção de receitas e custos para os próximos anos, os gestores consideram que
sem esse ajuste a TAP apresentaria um resultado operacional negativo de 750
milhões em 2021 e de 340 milhões em 2022, chegando a 2023 sem um resultado
operacional equilibrado e em 2025 sem conseguir gerar caixa para começar a
pagar dívida.
Segundo disse a
administração da companhia aos trabalhadores, tendo em conta o atual cenário a procura
será quase 50% menor em 2021 e só voltará aos níveis de 2019 depois de 2025.
A companhia vai
ainda reduzir a frota para 88 aeronaves de passageiros em 2021, mantendo três
aviões de carga. As receitas em 2021 serão similares aos níveis de 2006-2007 e
as horas de voo aos níveis de 2020-2011.
As negociações
com os "lessors" e outros fornecedores vão trazer benefícios
financeiros com a frota de cerca de 1,3 mil milhões de euros, enquanto a
renegociação com mais de 1.000 fornecedores e a otimização de diferentes
categorias como o fuel permitirá um benefício de 200 a 225 milhões por
ano.
Com o plano, que
prevê a saída de 2.000 trabalhadores e ainda uma redução da retribuição da
ordem dos 25%, a companhia acredita conseguir chegar a 2025 a um resultado
operacional de 200 a 250 milhões de euros.
Nesse ano, e face
a 2019, estima que o número de passageiros seja inferior em 6% e as receitas em
5%.

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