Hecatombe" no setor do turismo. Centenas de hotéis
podem ter de fechar portas
Hoteleiros preveem outono-inverno com taxas de ocupação
"baixíssimas" e pedem mais apoios do Estado.
Por Sara de Melo
Rocha com Rita Carvalho Pereira
11 Novembro, 2020
• 12:36
A Associação da
Hotelaria de Portugal (AHP) antecipa uma "hecatombe" no setor
hoteleiro. Centenas de hotéis podem ter de encerrar portas, tendo em contas as
previsões de ocupação nos meses de outono e inverno.
Em declarações à
TSF, a presidente da direção executiva da Associação da Hotelaria de Portugal,
Cristina Siza Vieira, revela que as taxas de ocupação previstas para os meses
de outubro a dezembro são "baixíssimas": 23% para a região Norte, 15%
para o Algarve e apenas 11% para Lisboa. Um cenário que tende a agravar-se se
tivermos em conta que estas previsões resultam de um inquérito feito
"ainda antes da declaração do estado de calamidade e do estado de
emergência".
Cristina Siza
Viera não tem dúvidas de que está em causa o "encerramento de centenas de
hotéis" e fala numa verdadeira "hecatombe".
"Não é para
nós surpresa os encerramentos no Porto e os que se vão seguir no resto do
país", afirma Cristina Siza Vieira, salientando que a situação dos hotéis
é particularmente aguda no Porto e em Lisboa, destinos turístico urbanos de
lazer muito associados ao "short break" e a "negócios e
feiras", que, neste momento, estao parados.
A Associação da
Hotelaria de Portugal defende que os apoios do Governo ao setor devem ser
alargados além das Pequenas e Médias Empresas (PMEs).
"Os apoios
não podem ficar restritos às pequenas e médias empresas - que são fundamentais,
obviamente, na economia turística e na hotelaria, mas também há grandes
empresas que são parte da estrutura vertebral do nosso país", insiste
Cristina Siza Vieira.
Falta de turistas fechou 20 hotéis da cidade do Porto em
dez dias
Encerramentos equivalem a 3200 camas vazias.
Por Lusa
10 Novembro, 2020
• 21:22
O presidente da
Turismo do Porto e Norte de Portugal (TPNP) avançou esta terça-feira que
fecharam 20 hotéis na cidade do Porto nos primeiros dez dias de novembro,
representando 3.200 camas vazias, e apela a medidas de apoio.
"Na cidade
do Porto, temos já cerca de duas dezenas de hotéis a encerrar, representando
mais de 3.200 camas", disse, em entrevista telefónica à Lusa, o presidente
da TPNP, Luís Pedro Martins.
O responsável fez
um apelo ao Governo para que reforce as medidas de apoio aos empresários do
setor da hotelaria e da restauração.
"Apelo ao
Governo para que não deixe de continuar a apoiar estas empresas e que vá
adaptando à medida que as circunstâncias também forem mudando. Isso é muito
importante. Sendo que o objetivo principal é mantê-las ativas ou preparadas
para entrarem em operação a qualquer momento e a outra é manter os postos de
trabalho".
Luís Pedro
Martins observou ser "necessário que existam medidas para que os
empresários consigam manter os postos os postos de trabalho e para que consigam
ter a sua atividade pronta a operar a partir do momento em que saiamos desta
situação [de pandemia]".
O presidente da
TPNP fez um segundo apelo, mas dirigido aos empresários e trabalhadores do
setor, para que continuem a "acreditar" no potencial da região e para
que continuem a recorrer aos "instrumentos de apoio para conseguir manter
a sua atividade".
Luís Pedro
Martins pediu ainda aos portugueses, aos "clientes nacionais", para
que possam dar um contributo ao setor da qual dependem mais de 400 mil pessoas
a nível nacional, para que utilizem os restaurantes, hotéis ou outros
equipamentos do setor hoteleiro e da restauração, porque são "lugares
muito seguros", mas "respeitando sempre as normas, porque é uma
questão saúde".
O Hotel Dom
Henrique, unidade de referência na Baixa da cidade do Porto, suspendeu
"temporariamente a atividade hoteleira desde 01 de novembro devido à falta
de turistas", confirmou hoje à Lusa o 'front-office' da estrutura.
Também o Hotel
Infante Sagres, na Praça Filipa de Lencastre, está "encerrado
temporariamente, devido ao contexto provocado pela pandemia Covid-19 e medidas
de prevenção da propagação do vírus", confirmou fonte oficial daquele
unidade hoteleira, referindo que os hotéis do grupo The Yeatman, em Vila Nova
de Gaia, e o Vintage House, no vale do rio Douro, no Pinhão, continuam a
"operar normalmente".
Na cadeia
hoteleira espanhola Eurostars, o Porto Douro, localizado na Avenida Gustavo
Eiffel, encerrou na segunda-feira e o Hotel Exe Almada Porto, na Rua do Almada,
fechou hoje, porque "não há turistas na cidade" devido à pandemia e
às novas restrições do Governo, disse à Lusa um dos funcionários da receção do
Eurostars Porto Centro Hotel, que ainda está aberto.
O Vila Galé
Porto, localizado junto à estação de metro Campo 24 de Agosto, o Hotel Teatro,
na rua Sá da Bandeira, o Hotel Inca, na Praça Coronel Pacheco, em Cedofeita,
são outras unidade que optaram por encerrar este mês na cidade do Porto.
O Governo
anunciou no fim de semana passado o recolher obrigatório entre as 23h00 e as
5h00 nos dias de semana, a partir do dia 09 de novembro e até 23 de novembro,
nos 121 municípios mais afetados pela pandemia, sendo que, durante os próximos
dois fins de semana, o recolher obrigatório se inicia a partir das 13h00 nos mesmos
121 concelhos.
Em 11 de outubro,
e com o aproximar da época baixa para o turismo, questionada pela Lusa, a
presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), Cristina Siza Vieira,
admitiu que havia alguns grupos hoteleiros que já tinham sinalizado a intenção
de fechar algumas unidades devido à falta de procura.
Segundo uma
estimativa rápida divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), em 29
de outubro, a atividade turística não terá recuperado em setembro, tendo
registado 1,4 milhões de hóspedes e 3,6 milhões de dormidas, o que corresponde
a quedas de 52,2% e 53,4%, respetivamente.
A pandemia de
Covid-19 provocou pelo menos 1.263.890 mortos em mais de 50,9 milhões de casos
de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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