quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Hecatombe" no setor do turismo. Centenas de hotéis podem ter de fechar portas // Falta de turistas fechou 20 hotéis da cidade do Porto em dez dias

 


Hecatombe" no setor do turismo. Centenas de hotéis podem ter de fechar portas

 

Hoteleiros preveem outono-inverno com taxas de ocupação "baixíssimas" e pedem mais apoios do Estado.

 

Por Sara de Melo Rocha com Rita Carvalho Pereira

11 Novembro, 2020 • 12:36

https://www.tsf.pt/portugal/economia/hecatombe-no-setor-do-turismo-centenas-de-hoteis-podem-ter-de-fechar-portas-13023141.html?fbclid=IwAR0YPtWvK1fRloX9f4Yy9HEkEve5Ip99FKRO9lHNTKjEzhURB-_WuVvYKRo

 

A Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) antecipa uma "hecatombe" no setor hoteleiro. Centenas de hotéis podem ter de encerrar portas, tendo em contas as previsões de ocupação nos meses de outono e inverno.

 

Em declarações à TSF, a presidente da direção executiva da Associação da Hotelaria de Portugal, Cristina Siza Vieira, revela que as taxas de ocupação previstas para os meses de outubro a dezembro são "baixíssimas": 23% para a região Norte, 15% para o Algarve e apenas 11% para Lisboa. Um cenário que tende a agravar-se se tivermos em conta que estas previsões resultam de um inquérito feito "ainda antes da declaração do estado de calamidade e do estado de emergência".

 

Cristina Siza Viera não tem dúvidas de que está em causa o "encerramento de centenas de hotéis" e fala numa verdadeira "hecatombe".

 

"Não é para nós surpresa os encerramentos no Porto e os que se vão seguir no resto do país", afirma Cristina Siza Vieira, salientando que a situação dos hotéis é particularmente aguda no Porto e em Lisboa, destinos turístico urbanos de lazer muito associados ao "short break" e a "negócios e feiras", que, neste momento, estao parados.

 

A Associação da Hotelaria de Portugal defende que os apoios do Governo ao setor devem ser alargados além das Pequenas e Médias Empresas (PMEs).

 

"Os apoios não podem ficar restritos às pequenas e médias empresas - que são fundamentais, obviamente, na economia turística e na hotelaria, mas também há grandes empresas que são parte da estrutura vertebral do nosso país", insiste Cristina Siza Vieira.

 

Falta de turistas fechou 20 hotéis da cidade do Porto em dez dias

 

Encerramentos equivalem a 3200 camas vazias.

 

Por Lusa

10 Novembro, 2020 • 21:22

https://www.tsf.pt/portugal/economia/falta-de-turistas-fechou-20-hoteis-da-cidade-do-porto-em-dez-dias-13021090.html

 

O presidente da Turismo do Porto e Norte de Portugal (TPNP) avançou esta terça-feira que fecharam 20 hotéis na cidade do Porto nos primeiros dez dias de novembro, representando 3.200 camas vazias, e apela a medidas de apoio.

 

"Na cidade do Porto, temos já cerca de duas dezenas de hotéis a encerrar, representando mais de 3.200 camas", disse, em entrevista telefónica à Lusa, o presidente da TPNP, Luís Pedro Martins.

 

O responsável fez um apelo ao Governo para que reforce as medidas de apoio aos empresários do setor da hotelaria e da restauração.

 

"Apelo ao Governo para que não deixe de continuar a apoiar estas empresas e que vá adaptando à medida que as circunstâncias também forem mudando. Isso é muito importante. Sendo que o objetivo principal é mantê-las ativas ou preparadas para entrarem em operação a qualquer momento e a outra é manter os postos de trabalho".

 

Luís Pedro Martins observou ser "necessário que existam medidas para que os empresários consigam manter os postos os postos de trabalho e para que consigam ter a sua atividade pronta a operar a partir do momento em que saiamos desta situação [de pandemia]".

 

O presidente da TPNP fez um segundo apelo, mas dirigido aos empresários e trabalhadores do setor, para que continuem a "acreditar" no potencial da região e para que continuem a recorrer aos "instrumentos de apoio para conseguir manter a sua atividade".

 

 

Luís Pedro Martins pediu ainda aos portugueses, aos "clientes nacionais", para que possam dar um contributo ao setor da qual dependem mais de 400 mil pessoas a nível nacional, para que utilizem os restaurantes, hotéis ou outros equipamentos do setor hoteleiro e da restauração, porque são "lugares muito seguros", mas "respeitando sempre as normas, porque é uma questão saúde".

 

O Hotel Dom Henrique, unidade de referência na Baixa da cidade do Porto, suspendeu "temporariamente a atividade hoteleira desde 01 de novembro devido à falta de turistas", confirmou hoje à Lusa o 'front-office' da estrutura.

 

Também o Hotel Infante Sagres, na Praça Filipa de Lencastre, está "encerrado temporariamente, devido ao contexto provocado pela pandemia Covid-19 e medidas de prevenção da propagação do vírus", confirmou fonte oficial daquele unidade hoteleira, referindo que os hotéis do grupo The Yeatman, em Vila Nova de Gaia, e o Vintage House, no vale do rio Douro, no Pinhão, continuam a "operar normalmente".

 

Na cadeia hoteleira espanhola Eurostars, o Porto Douro, localizado na Avenida Gustavo Eiffel, encerrou na segunda-feira e o Hotel Exe Almada Porto, na Rua do Almada, fechou hoje, porque "não há turistas na cidade" devido à pandemia e às novas restrições do Governo, disse à Lusa um dos funcionários da receção do Eurostars Porto Centro Hotel, que ainda está aberto.

 

O Vila Galé Porto, localizado junto à estação de metro Campo 24 de Agosto, o Hotel Teatro, na rua Sá da Bandeira, o Hotel Inca, na Praça Coronel Pacheco, em Cedofeita, são outras unidade que optaram por encerrar este mês na cidade do Porto.

 

O Governo anunciou no fim de semana passado o recolher obrigatório entre as 23h00 e as 5h00 nos dias de semana, a partir do dia 09 de novembro e até 23 de novembro, nos 121 municípios mais afetados pela pandemia, sendo que, durante os próximos dois fins de semana, o recolher obrigatório se inicia a partir das 13h00 nos mesmos 121 concelhos.

 

Em 11 de outubro, e com o aproximar da época baixa para o turismo, questionada pela Lusa, a presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), Cristina Siza Vieira, admitiu que havia alguns grupos hoteleiros que já tinham sinalizado a intenção de fechar algumas unidades devido à falta de procura.

 

Segundo uma estimativa rápida divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), em 29 de outubro, a atividade turística não terá recuperado em setembro, tendo registado 1,4 milhões de hóspedes e 3,6 milhões de dormidas, o que corresponde a quedas de 52,2% e 53,4%, respetivamente.

 

A pandemia de Covid-19 provocou pelo menos 1.263.890 mortos em mais de 50,9 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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