segunda-feira, 24 de junho de 2019

Boris Johnson row: top Tory party donor joins calls for explanation / VIDEO:Boris Johnson should answer questions about row with partner, Tory rival...




Boris Johnson row: top Tory party donor joins calls for explanation

Taxi tycoon John Griffin voices concerns about morality of leadership favourite

Rajeev Syal
Mon 24 Jun 2019 12.18 BST First published on Mon 24 Jun 2019 11.06 BST
https://www.theguardian.com/politics/2019/jun/24/top-tory-party-donor-joins-calls-for-boris-johnson-to-explain-row



of the Conservative party’s most generous donors has joined a growing chorus of demands for Boris Johnson to explain why police were called to his home after an altercation with his partner.

John Griffin, the taxi tycoon who has given £4m to the Tories over the last six years, has expressed concerns about the morality of the favourite to become prime minister and called on him to explain the circumstances of a furious row with his partner, Carrie Symonds.

His comments follow demands from Johnson’s leadership rival, Jeremy Hunt, fellow cabinet ministers and Tory backbenchers for the former London mayor to answer questions about his past behaviour amid growing concerns about his character.

Asked about Johnson’s responsibilities before the Conservative party chooses a new leader next month, Griffin, the Tories’ second biggest donor, told the Guardian he should explain exactly what had happened.

“We deserve an explanation about that row, and he has to handle it properly. He can’t assume that we are going to support him when he has not explained every detail,” he said.

“It is likely that he is going to become the PM and most members want to support him. But if I did anything wrong, I would need to explain. Because he hasn’t, it is a real worry.”

The story emerged after a neighbour told the Guardian he had been so concerned by a late-night altercation between Johnson and Symonds that he had felt obliged to call the police. Other neighbours confirmed the argument had taken place and said they had been concerned by its intensity.

Griffin, a Brexiter and founder of the cab firm Addison Lee, expressed concerns about Johnson’s morality and said he should also come clean about his previous behaviour, including his responsibilities to his children.

Johnson has four children by his former wife, Marina Wheeler, and a child with a woman with whom he had an affair. However, he has been dogged by unproven claims that he has at least one more child. Johnson has refused to comment.

Griffin, who stood down as chairman of Addison Lee in 2014, said: “Each of his children need his love and attention. But he needs to show that he has given it to them. He cannot say that it is irrelevant. It is highly relevant. It is one of the ways you measure a person.

“He may very well be the best father ever, but he needs to tell us about it. It is a fair question,” he said.

Griffin also called for Johnson to address allegations that he had had extramarital affairs and had mistreated women in those relationships.

“We need to know if he can be trusted because he will get even more attention from women if he becomes PM. I would be concerned if he went marauding around, taking advantage of women by using his position. It would not be right at all,” he said.

Griffin is the second major Conservative donor to demand that Johnson explain what happened on Friday in Camberwell, south London. Another, who has given the party more than £500,000, told the Guardian the issue around the row was damaging the party. “We are a laughing stock,” he said.

Griffin’s intervention comes as the party becomes increasingly dependent upon major donors.

The former mayor of London, who is widely expected to win the leadership race, is due to take part in a digital hustings with Tory party members on Monday.

Earlier on Monday, Hunt sidestepped questions about whether Johnson was a fit person to be prime minister, but emphasised that the runaway favourite among the party’s members needed to earn the trust of voters.

“The way to earn that trust with Conservative party members and with the country is to subject yourself to scrutiny to answer questions about what you actually want to do,” he told BBC Radio 4’s Today programme.

He said it was “incredibly disrespectful” of Johnson to refuse to take part in any head-to-head television debates until after ballot papers had gone out to party members, and warned that a Johnson-led government would rapidly collapse.

Tipos normais procuram ciclovias decentes para pedalar a sério / “Tem de se fazer com que o automóvel seja a opção mais estúpida dentro da cidade”



Tipos normais procuram ciclovias decentes para pedalar a sério

A rede de ciclovias de Lisboa está a crescer e a câmara quer que a bicicleta seja uma alternativa real ao automóvel. Quem as usa pede mais coragem política e aponta erros técnicos. Ainda assim, mesmo com defeitos, a capital posiciona-se à frente de grande parte do país, que avança, a diferentes velocidades, pelo mesmo caminho.

João Pedro Pincha e Abel Coentrão 24 de Junho de 2019, 7:25

Três amigos juntam-se à esquina da Praça Pasteur e começam a olhar para o chão. Desde há uns tempos que sobre o negro alcatrão da Avenida de Paris existe uma faixa verde para bicicletas. A novidade anima-lhes a conversa. Frederico, Pedro e Luís, vizinhos nesta simpática artéria do Areeiro, pedalam nas suas deslocações diárias e apresentam-se como “tipos normais que usam bicicleta”. Aquela ciclovia não lhes inspira grande confiança, uma sensação partilhada por muitos portugueses, noutras cidades, em que aos erros de concepção se junta um investimento que, até aqui, privilegiou o lazer em vez dos percursos quotidianos.

“Quando tens uma ciclovia que dá uma volta maior do que devia ou que é estreita, eu, enquanto ciclista, penso que isto não faz sentido”, comenta Frederico Duarte. Ali o problema que identificam é a estreiteza da faixa, pintada na estrada entre o passeio e uma fila de estacionamento automóvel.

A ciclovia da Avenida de Paris é a mais nova de Lisboa e surgiu no âmbito de uma empreitada que incluiu ainda a alteração dos sentidos de trânsito, a reordenação do estacionamento e o fim dos carros em segunda fila. “Era fácil fazer esta rua a 60 quilómetros à hora”, lembra Pedro Sadio, considerando que a obra trouxe vantagens. “Durante várias horas do dia havia carros estacionados quase em cima da passadeira, obviamente que era perigoso.”

Durante anos a Avenida de Paris foi usada pelos automobilistas para escaparem ao trânsito da Av. João XXI e fazerem mais rapidamente o percurso entre a Praça de Londres e a Almirante Reis. Agora já não é possível esse caminho porque em ambas as pontas há sentidos proibidos. O trânsito automóvel distribui-se a meio, na Rua Presidente Wilson, para um lado e para o outro, as vias são partilhadas por carros, bicicletas e trotinetes e a velocidade máxima é de 30 quilómetros por hora.

“Tens uma cidade que não foi pensada para outro meio de transporte que não o carro”, constata Luís Gregório. Qualquer mudança que contrarie esse paradigma é boa, defendem os três. Mas são críticos da forma como se está a caminhar. “Estamos a desenhar ciclovias para quê? Se é para serem uma alternativa de mobilidade viável, isto tem tudo de ser repensado”, opina Frederico. “Queremos usar as ciclovias como divertimento político ou como meio de transporte?”, questiona.

Num colete de forças
Inês Castro Henriques, chefe da Divisão de Estudos e Planeamento da Mobilidade (DEPM) da câmara de Lisboa, diz que a autarquia encara a bicicleta como mais uma forma de fazer deslocações urbanas e que a sua prioridade é criar condições para isso. Das intenções à realidade vai por vezes uma distância maior do que desejaria, admite a responsável, sobretudo porque o espaço não estica. “Estamos todos a aprender a gerir a cidade com todas as novas solicitações”, comenta.

A DEPM, criada no ano passado depois da última reorganização interna da câmara, é onde se desenha a rede ciclável de Lisboa. No site da autarquia está disponível há vários anos um mapa com as ciclovias previstas, que é a rede “nos seus traços gerais”, sujeita às alterações que cada local imponha, explica Inês Henriques.

O mapa tem mais amarelos do que verdes, o que significa que ainda se está longe de chegar aos 200 quilómetros de ciclovia que Fernando Medina definiu como objectivo para este mandato. Mas a rede tem crescido e nos próximos dois anos vai aumentar muito de tamanho. O próximo passo é a Praça de Londres e a Av. Manuel da Maia, seguindo-se a Av. da Índia. Para outras grandes avenidas – Gago Coutinho, Almirante Reis, Roma, Lusíadas, Combatentes, Defensores de Chaves, Ceuta – estão também prometidas ciclovias, ainda sem data.

“A nossa aposta neste momento é expandir a rede o mais possível cumprindo os requisitos mínimos de segurança”, afirma Inês Castro Henriques. Com a filosofia de que “faz-se rede ciclável e os ciclistas aparecem”, a câmara quer primeiro ter a infra-estrutura básica para depois pensar no “dimensionamento da rede”, que a chefe de divisão admite ser “uma preocupação futura”.

Na Avenida da República, por exemplo, a ciclovia construída há dois anos parece já não ser suficiente para a procura. Bernardo Campos Pereira, arquitecto que é consultor da câmara nestes projectos, faz contagens regulares de ciclistas nos principais eixos da cidade e diz que os saltos têm sido significativos. “Em 2009 havia 0% de mulheres a andar de bicicleta, hoje estamos nos 27%, 28%”, exemplifica. Na Duque de Ávila, uma das primeiras avenidas do centro que teve ciclovia, houve “quase 60 mil passagens no primeiro trimestre” deste ano.

Depois de um longo período em que a construção de ciclovias esteve no pelouro do Ambiente, “houve um momento em 2014 em que se percebeu que a estrutura ciclável tinha de saltar para a rede viária”, explica Inês Henriques, e foi aí que passou a ser competência da Direcção Municipal de Mobilidade, que desde há dois anos voltou a ter um vereador próprio.

Como a própria autarquia reconheceu num relatório de 2017, as primeiras ciclovias de Lisboa, que essencialmente serviam para ligar espaços verdes, têm inúmeros erros de concepção e defeitos de construção. Outras mais recentes, como a da Av. 24 de Julho, são criticadas por terem ângulos apertados e várias zonas de conflito com os peões. “O ciclável é mais uma componente do espaço público. Temos de negociar tudo ao centímetro, vivemos num colete de forças”, admite Inês Castro Henriques.

Diálogo, diálogo, diálogo
Para Mário Alves, especialista em mobilidade e transportes, em Lisboa “as bicicletas têm andado um bocadinho aos trambolhões”, o que gera conflitos desnecessários. Segundo os responsáveis da câmara, a criação de ciclovias origina sempre duas reacções: os automobilistas queixam-se quando perdem estacionamento, os comerciantes protestam por temerem quebras de negócio. Mário Alves prefere falar de outros: os peões. “O espaço para bicicletas deve ser sempre conquistado aos automóveis e não aos peões. Mas os peões não têm peso político e, por isso, há sempre a tentação de dizer que o passeio é demasiado largo.”

Isto resolvia-se, acredita o especialista, com “um planeamento estratégico de longo prazo, com participação pública estruturada, para a mobilidade em Lisboa”. Porque “se for criado um plano de mobilidade tem de existir uma mesa onde tenham assento os ciclistas, o ACP, os peões, os utilizadores de transportes públicos…”

Mário Alves, que é de opinião que tem faltado coragem à câmara para dar passos mais largos – fechar a Baixa ao trânsito, por exemplo –, diz que “há muito trabalho a fazer a montante das ciclovias”. Lembrando uma hierarquia desenhada há uns anos pela MUBi (Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta), que põe as ciclovias no fim da lista das prioridades, Mário Alves diz que “ter mais bicicletas não pode ser um objectivo em si, será o resultado de ter uma cidade melhor para todos”.

Inês Castro Henriques diz que, actualmente, as intervenções são planeadas tendo em conta toda a envolvente: transportes públicos, estacionamento, tipo de passeios, perfil da via. “A rede ciclável é, em primeiro lugar, um factor de acalmia de tráfego”, diz a responsável camarária.

Mário Alves espera que já não se repitam “os exemplos medonhos” das ciclovias da Av. do Brasil ou da Av. Frei Miguel Contreiras, mas diz que dois problemas graves persistem na infra-estrutura: as ciclovias em cima do passeio e os cruzamentos, ainda muito perigosos. “Falta coordenação técnica e é preciso falar com mais gente”, diz, pondo a tónica na participação pública.

Disso também se queixam os três vizinhos da Av. de Paris. “Não tem havido aquela coisa de chegar a um bairro, abrir a planta, convidar as pessoas e perguntar-lhes: ‘Como é que podemos desenhar ciclovia aqui?’”, lamenta Frederico Duarte.

A chefe da DEPM reconhece que, para lá de reuniões com associações do sector, tem faltado uma discussão mais alargada e acredita que o momento certo poderá ser o lançamento do Plano de Mobilidade Sustentável, que está em preparação. Nele se tentará garantir, entre outras coisas, que a bicicleta seja alternativa de mobilidade dentro e fora de Lisboa. “Todos os nossos projectos vão ligar às fronteiras concelhias. Falta agora os outros chegarem-se à frente”, desafia Inês Henriques.

Lisboa invejada no Norte
Apesar das dores de crescimento da sua malha de ciclovias, Lisboa é já olhada com alguma admiração – suspiro talvez fosse melhor palavra – por quem tenta usar a sua bicicleta noutras grandes cidades do país, como Porto, ou Braga, e vê demorar o investimento em infra-estrutura. Com percentagens ínfimas – abaixo de 1%, ao nível de utilização deste modo de transporte para as deslocações diárias – uma e outra estão longe de pequenas urbes onde o modo ciclável tem um espaço – físico e simbólico – invejável, como a Murtosa, líder do Bike Friendly Index, e mesmo de outros concelhos da Ria de Aveiro.

Esta é uma região bem plana, já se sabe, mas isso é só uma desculpa, como diria o dinamarquês Mikael Colville-Andersen. Talvez seja preciso esperar pelo investimento para se perceber que os ciclistas existem, e que estão é escondidos entre o tráfego automóvel, ou nem sequer tiram a bicla da garagem com medo dos carros. Tal como eles, “as cidades estão a avançar, mas com receio”, assume Avelino Oliveira, arquitecto que tem participado na concepção de ciclovias em vários municípios, o último deles a Póvoa de Varzim. “Estamos a desenhar uma cidade em cima de uma cidade existente, e isso gera sempre conflitos”, acrescenta, acreditando que os investimentos que estão a ser feitos, apesar de alguns erros de aprendizagem, “vão deixar um lastro muito positivo”.

É por esse lastro, uma base que garanta a expansão deste modo de transporte, que o presidente da Braga Ciclável anseia há muito, até porque vive numa cidade cuja dependência funcional ao automóvel lhe granjeou má fama, em termos de sinistralidade rodoviária. Para Mário Meireles, defender a possibilidade de usar a bicicleta diariamente, e em segurança – há meses ele transportou a sua noiva numa bicla de carga, no dia do casamento – é indissociável de outra campanha que a sua associação iniciou entretanto, a Braga Zero Atropelamentos. É tudo uma questão de abrandar.

A Braga Ciclável anda a pregar pela mudança a todas as capelinhas políticas, e quando o actual presidente da Câmara, Ricardo Rio, chegou ao poder, em 2013, acompanhado de um vereador do urbanismo sensível a estas matérias do uso democrático do espaço urbano, ouviram uma campainha. Seria uma bicicleta? O vereador Miguel Bandeira ainda anunciou, logo em 2014, um plano para a construção de setenta quilómetros de vias cicláveis. Mas, dado o investimento necessário, o projecto não avançou – está a ser avaliado à luz do Plano de Mobilidade Urbana Sustentável, explicou ao PÚBLICO a arquitecta Fátima Pereira, que trabalha as questões da mobilidade no departamento do Urbanismo.

A aposta da autarquia, acrescentou, tem sido, com projectos vários, como o da criação de bairros de zona 30 km/h, a da melhoria das condições de circulação dos peões, as principais vítimas de décadas de planeamento centrado no automóvel. Para já, o município anunciou uma extensa reformulação da primeira ciclovia da cidade, a da encosta de Lamaçães, que terá, finalmente, uma ligação ao pólo de Gualtar da Universidade do Minho e, desta, à via também ciclável que atravessa boa parte da Rua Nova de Santa Cruz. Mas o grande desafio, alerta Meireles, é encontrar um desenho que permita ligar as várias “cidades” em que Braga se transformou, separadas por uma circular perigosa e nada “urbana”, apesar de atravessar áreas densamente povoadas.

Porto volta a dar ao pedal
Já no Porto, e depois de um período de relativo “adormecimento”, 2019 e 2020 prometem ser anos fortes de investimento na criação de algo a que se possa chamar uma “rede” de ciclovias. O município vai apresentar detalhe e cronograma de obras já no próximo mês, mas o arquitecto Manuel Paulo Teixeira, director Municipal de Mobilidade e Transportes, abre um pouco o jogo, e refere, por exemplo, que um dos projectos a avançar será o da ligação entre os pólos universitários da Asprela e do Campo Alegre, bem como a reconfiguração e expansão da ciclovia da Avenida da Boavista. Que levará a bicicleta para a rotunda mais famosa da cidade.

Depois de terem conseguido, em 2017, que o Porto passasse um ano inteiro sem uma morte nas suas ruas, o pelouro do Urbanismo, liderado por Cristina Pimentel, continua a trabalhar, garante o director municipal, para que essa boa notícia se repita em mais anos. E a bicicleta, mais do que um modo de transporte a incentivar, é vista como uma boa justificação para um redesenho do espaço urbano que retire protagonismo ao automóvel.

Essa é a principal ambição de Ricardo Cruz, representante da MUBI no Porto, que recorda o tempo – e ele só tem 46 anos – em que havia infra-estrutura dedicada para ciclistas em vias concorridas como a Avenida AEP ou a Ponte da Arrábida. Hoje, no Porto, só se pode falar numa rede ciclável dentro do Parque da Cidade. Fora dele, os 16 quilómetros existentes estão praticamente alheados de qualquer ideia de mobilidade.

Manuel Paulo Teixeira espera que o próximo ano e meio possa trazer novo alento a quem, apesar das dificuldades, insiste em pedalar no Porto e cruza esta nova aposta com todo o esforço de acalmia de tráfego que, insiste, a cidade está a levar a cabo, com o alargamento do estacionamento pago à superfície, a criação de zonas 30 e de zonas de tráfego partilhado com prioridade para o peão, em ruas mais estreitas em que os carros até poderão passar, mas a velocidades ainda mais reduzidas. Na rua da Constituição, exemplifica, depois de se ter começado a cobrar pelo estacionamento, este deixou de ter procura num troço que, agora, vai ser transformado em ciclovia, completando a que ali existe.

O planeamento está feito e, com vontade de avançar depressa, o Porto, promete, tentará cometer menos erros de concepção. “Já há muita e boa literatura sobre o tema”, nota, considerando, contudo, que é preciso verificar a aplicabilidade das soluções testadas lá fora aos espaços específicos de cada cidade. Avançando as obras, o Porto vai finalmente ter mais canal para ciclistas, semaforização específica, nalguns pontos, mais bicicletários e, nota o director municipal, um novo PDM cujos princípios regulamentares fixem um lugar para este modo de transporte na cidade do futuro.




“Tem de se fazer com que o automóvel seja a opção mais estúpida dentro da cidade”

João Pedro Pincha e Abel Coentrão 24 de Junho de 2019, 7:25

Quando Mikael Colville-Andersen esteve em Lisboa, há cerca de dois anos, só deu um conselho a Fernando Medina: “Construam! Têm de começar a construir. As pessoas não vão aparecer até que haja infra-estrutura para bicicletas protegida, que esteja fisicamente separada dos carros e dos peões.”

Designer e urbanista canadiano-dinamarquês, Collvile-Andersen é uma das vozes mais influentes e irreverentes da actualidade sobre a mobilidade nas nossas cidades. Em conversa com o PÚBLICO, defende que investir em ciclovias é investir em saúde pública, mas alerta que é preciso ter cuidado no planeamento. “Há imensas cidades em que o presidente da câmara só quer mostrar que é moderno e fantástico porque tem lá uma ciclovia. É uma treta. Se não vai para lado nenhum, se não estiver planeada para quem de facto a usa, é inútil. Muitas vezes é show-off.”

Em paralelo a uma defesa das vantagens do uso da bicicleta em espaço urbano, Mikael Colville-Andersen gasta umas quantas páginas do seu último livro, Copenhagenize – um “guia definitivo” para um urbanismo global virado para a bicicleta, como lhe chama –, a tentar convencer-nos de que o carro é, por vários motivos, um problema para as cidades, e que a sua transição para o modo eléctrico apenas resolverá a questão das emissões no local de circulação, mantendo, contudo, a pressão sobre o espaço público.

“Nas cidades europeias passámos os últimos 70 anos a dar as estradas aos carros e mais nada. As estradas estavam só a ser desenhadas para os carros e agora começamos a ver por todo o mundo um desenho mais democrático”, afirma, por telefone.

Considerando os riscos que andar de carro comporta a título individual e colectivo, e desde logo pelo impacto da circulação automóvel na sinistralidade rodoviária, e nas doenças associadas ao sedentarismo, o autor de outro blogue famoso, o Cicle Chic chega a defender que esta dependência do carro deveria ter, por parte das autoridades, uma abordagem semelhante à que foi adoptada para o tabaco.

Em jeito de provocação, mostra no seu livro, editado no ano passado, imagens de um veículo com mensagens garrafais do tipo: “Conduzir provoca malefícios a si e aos outros”, ou “conduzir este carro pode provocar uma morte lenta e dolorosa”. A ideia seria, assume, acabar com o status, o glamour, associado à posse deste objecto. Afinal, alguém compraria um bólide se tivesse de escolher umas mensagens destas, ou outras, para colar na carroçaria, à saída do stand?

Como parece altamente improvável que tais mensagens venham a existir um dia, o designer aposta no redesenho das cidades. “Não gosto de usar a expressão ‘roubar espaço aos carros’, prefiro ‘reorganizar o espaço’”, sublinha, acrescentando que não se pode tentar mudar os automobilistas à força. “Os motoristas são os últimos a mudar. Não começamos por aí, é o pior começo. Planear não tem só a ver com bicicletas, mas também com os transportes públicos e andar a pé – é combinar estas três formas de locomoção e planeá-las para as pessoas. E depois, mais tarde, os motoristas começam a perceber qual é a forma mais rápida de se deslocarem dentro da cidade.”

“Tem de se fazer com que a condução automóvel seja a opção mais estúpida dentro da cidade. Mostrar aos condutores que ir de carro do ponto A ao B é mais demorado leva-os automaticamente a procurar alternativas mais rápidas”, explica Colville-Andersen. Ou seja: “Não se pode simplesmente dizer às pessoas ‘ande de bicicleta, é bom para si’. Não, é preciso que elas sintam vantagens no tempo que demoram, na flexibilidade.”

Colville-Andersen defende que o espaço urbano deve ser usado a baixas velocidades – por todos os veículos – e, citando estudos internacionais, refere que isso garante uma maior capacidade de percepção de tudo o que está na envolvente, reduzindo drasticamente o risco de acidentes. É por isso também que critica movimentos de ciclistas que lutam pelo espaço urbano apenas pela possibilidade de o usarem também a grande velocidade.

O pior promotor do uso da bicicleta por novos e velhos, homens e mulheres, é o ciclista equipadíssimo com a sua roupa de licra e que sabe de cor o peso da sua bicla, alerta Colville. O melhor promotor, escreve, é aquela pessoa que lhe saiba dizer que compras consegue carregar num cesto ou num alforge. Se a ideia é democratizar o espaço público, a comunicação, assinala, não deve estar entregue a uma ou outra subcultura, mas a pessoas comuns.

É por isso também que Colville-Andersen pede que se ponham de lado os argumentos ambientais. Para ele, o ambientalismo – tema importantíssimo – é um flop de marketing, pois anda há 40 anos a alertar para o desastre e ainda não conseguiu convencer o número necessário de pessoas a fazer o que é preciso.

Na sua perspectiva, e seguindo os dados dos inquéritos de Copenhaga, o incremento do uso da bicicleta deve apoiar-se na satisfação de necessidades pessoais – rapidez, poupança, conforto, sociabilidade – e menos nas colectivas. “A câmara de Copenhaga nunca fez comunicação das ciclovias. Não se fala de andar de bicicleta, apenas se planeia a cidade para isso”, diz ao PÚBLICO.

Aconselha, por isso, Lisboa a fazer o mesmo e está convencido de que a capital portuguesa pode ter sucesso, desde que planeie bem. “85% de Lisboa tem menos de 5% de inclinação. E ninguém quer andar de bicicleta em Alfama, que ainda por cima está calcetada com paralelepípedos, é um inferno. Lisboa talvez não chegue ao nível de Copenhaga, em que 63% das deslocações são em bicicleta, mas pode facilmente chegar aos 40% dentro de cinco anos”, afirma.

E alerta: “Há cidades que começam a fazer ciclovias nos bairros ricos, quando há gente que precisa mais delas e precisa mais rapidamente. A infra-estrutura ciclável não quer saber quem a usa, é transporte e toda a gente precisa de transporte. Tem de se olhar para as zonas e pensar: aqui vive muita gente, há escolas, há emprego. Tem de se pensar em planear nas áreas mais óbvias, não interessa se são ricas ou pobres.”

Em Copenhagenize – obra essencial para autarcas que pretendem mexer nas suas cidades – Colville chama a atenção para a necessidade de planear com recurso a informação – ele ajuda, rebatendo alguns mitos sobre as dificuldades que o clima e a geografia e outras questões colocam à mobilidade ciclável. Defende a recolha de dados sobre a utilização da via pública e, quando estas existam, a observação sobre a forma como são usadas as ciclovias.

Muitas vezes, vinca, se uma pista ciclável é pouco usada, o problema pode não ser de falta de procura, mas de erro na sua concepção. E, quanto a exemplos, bons e maus – incluindo, nestes, alguns casos naquela é considerada a melhor cidade para se pedalar, Copenhaga – o livro é um repositório interessante, para técnicos e decisores envolvidos neste movimento de transformação que, mais do que uma nova cultura de mobilidade, procura dar à bicicleta um espaço que ela já teve em muitas das nossas cidades.

tp.ocilbup@ahcnip.oaoj tp.ocilbup@oartneoca

The Guardian view on Boris Johnson: a question of character / More Boris Johnson neighbours confirm 'tear-up' with partner



The Guardian view on Boris Johnson: a question of character

Editorial
Conservative members will choose the next prime minister. The rest of us need to know whom they are picking
Sun 23 Jun 2019 18.41 BST Last modified on Sun 23 Jun 2019 19.13 BST

Who trusts Boris Johnson? Not, apparently, his team. The paradox of the race to lead the Conservative party, and therefore Britain, is that those convinced that Mr Johnson is an irresistible, unstoppable electoral force at the same time appear terrified that he may encounter meaningful scrutiny. His conversations in Westminster are reportedly shadowed by an MP acting as minder. The televised debates to which he has agreed will take place only after members have received their ballot papers: “If you want the job, you have to turn up for the interviews,” goaded Jeremy Hunt, adding later that his rival “needs to show he can answer difficult questions”.

Perhaps Mr Johnson will formulate answers soon. But at the hustings in Birmingham he was evasive when pressed repeatedly about why police were called in the early hours of Friday to the flat he shares with his partner Carrie Symonds. The man who says the public want straight-talking politicians tried to dismiss and then dodge the question, with a long digression about Routemaster buses and other defensive, rambling evasions.

Contrary to some of this weekend’s commentary, what happens behind closed doors should not always stay there. When a woman screams at her partner to “get off me” and “get out of my flat”, calling the police is a responsible thing to do. The neighbour who did so says he was frightened and concerned for those involved; another neighbour also considered dialling 999. When police say no offences or concerns are apparent and no further action is needed, as on this occasion, the matter would in normal circumstances end there. But running for prime minister is not, by definition, a normal circumstance.

Mr Johnson’s personality has always been both a political strength and weakness: for all his popularity, doubts over his temperament and judgment have long dogged him. Those questions are rightly becoming more pointed as he approaches No 10.

One answer, from his former editor Max Hastings, is that “I’m not sure he’s capable of caring for any human being other than himself.” His record in office, too, is one of carelessness and self-promotion. As mayor, he was careless with public money, backing the doomed garden bridge which cost taxpayers £43m. As foreign secretary, he was careless with Nazanin Zaghari-Ratcliffe’s fate; Iran used his remarks to haul her back to court. Again and again – as a journalist, MP and Brexit’s cheerleader – he was and seems utterly careless about the truth, appearing committed only to whatever advances his prospects.

Tory members, and voters generally, may have priced his character in. Previous trespasses have been forgiven. Yet in polls before and after the Guardian broke news of the incident, his lead as the man judged best to be prime minister by voters slid from 27 points to 11. His eight-point lead over Mr Hunt among all voters became a three-point deficit. What some find amusing in an MP or mayor, and tolerable in a foreign secretary, may look less funny in a potential PM.

Mr Johnson’s political success has rested on his persona of plain-speaking affability and charm, and latterly his hard-Brexit credentials. Under the lens, even the latter are looking fuzzier, as he tells MPs of various persuasions what they want to hear.

The Tory membership will decide whether Mr Johnson reaches Downing Street. Their judgment is not a representative one and may not be a good one, but should be an informed one. The public, denied the right to choose our leader, have at least a right to know who is being imposed upon us. Scrutiny is not only appropriate. It is necessary.


More Boris Johnson neighbours confirm 'tear-up' with partner

Two others back up Tom Penn’s account, one of whom ‘thought someone was being murdered’

Simon Murphy
Sun 23 Jun 2019 12.46 BST Last modified on Mon 24 Jun 2019 08.38 BST

Neighbours of the man who overheard a row between Boris Johnson and his partner Carrie Symonds, prompting a late-night police callout, have corroborated his account of the incident with one saying the “tear-up” led him to believe that someone was being murdered.

Tom Penn went public on Saturday as the neighbour who had recorded the argument in the early hours of Friday morning. He said he had dialled 999 because he had been “frightened and concerned for the welfare of those involved”.

Penn, who has lived in his south London flat with his wife for just over a year, said he contacted the police only as a last resort after knocking three times at the couple’s front door.

The Guardian’s revelation that police were called to the flat following the altercation have has shaken Johnson’s Tory leadership campaign. The frontrunner repeatedly dodged questions about the incident during a televised hustings on Saturday.

Symonds can be heard on Penn’s recording telling Johnson, 55, to “get off me” and “get out of my flat”.

Another neighbour who heard the row, Earl McDermott, was reported as saying: “It was a proper tear-up. Glasses being smashed, screaming and a lot of arguing. I thought someone was being murdered.”

Nursery worker Fatimah, also a neighbour, backed up Penn’s account. “There was a lot of shouting, a lady was screaming and I could hear glasses or plates being thrown quite a few times,” she said. “The man was shouting back. I could hear it through my walls. It was obvious the lady was angry. She was screaming hysterically.”

Fatimah had earlier told another newspaper she had considered calling the police herself before officers arrived at the scene. Her husband, Imran, added that his wife had been frightened by the incident.

The Times reported that Johnson’s 1995 Toyota Previa people carrier, which had three parking tickets and a mocking flyer on its windscreen, had been parked outside the flat before being driven away. Another neighbour told the newspaper: “It’s got loads of parking tickets on it. He just leaves it here. He doesn’t care.”

Some Sunday newspapers have sought to paint Penn and his wife as “leftwing neighbours”. The Mail on Sunday highlighted the £720,000 cost of the “remain-backing” couple’s “luxurious” flat.

In a statement released on Saturday night, Penn explained the extent of his involvement in politics was voting remain in the EU referendum, and that he had acted out of concern for “the welfare and safety of our neighbours”.

Penn said: “Once clear that no one was harmed, I contacted the Guardian, as I felt it was of important public interest. I believe it is reasonable for someone who is likely to become our next prime minister to be held accountable for all of their words, actions and behaviours.

“I, along with a lot of my neighbours all across London, voted to remain within the EU. That is the extent of my involvement in politics.

“The unpleasant things being said about myself and my partner, and some quite frankly bizarre and fictitious allegations, have been upsetting for not only us, but also for family, friends and fellow Camberwell neighbours, who are being harangued by the media. I would ask that you leave private citizens alone and focus instead on those who have chosen to run for power within the public eye.

“The attempts from some areas of the press to instead focus their stories on us, and in particular my wife, have been eye-opening, and very alarming. I would encourage anyone to record any instances where they feel concerned for another person’s safety.”

Penn also explained that he had overheard the row when he took delivery of a takeaway at his flat. “On the way back into my flat, it became clear that the shouting was coming from a neighbour’s flat. It was loud enough and angry enough that I felt frightened and concerned for the welfare of those involved, so I went inside my own home, closed the door, and pressed record on the voice memos app on my phone.

“After a loud scream and banging, followed by silence, I ran upstairs, and with my wife agreed that we should check on our neighbours. I knocked three times at their front door, but there was no response. I went back upstairs into my flat, and we agreed that we should call the police.”

Scotland Yard said in a statement: “At 00.24 on Friday 21 June, police responded to a call from a local resident in [south London]. The caller was concerned for the welfare of a female neighbour.

“Police attended and spoke to all occupants of the address, who were all safe and well. There were no offences or concerns apparent to the officers and there was no cause for police action.”

Ministra da Cultura: "Não é por falta de dinheiro que não se resolve o problema do São Carlos"



Ministra da Cultura: "Não é por falta de dinheiro que não se resolve o problema do São Carlos"

No meio da discussão com os sindicatos e trabalhadores artísticos do São Carlos, da Companhia Nacional de Bailado e da Orquestra Sinfónica Portuguesa, a ministra da Cultura, Graça Fonseca, garante que o problema dos salários desiguais está em resolução. E fala dos planos para a coleção do Estado - da qual estão mais de cem obras com paradeiro incerto.

Catarina Carvalho e Arsénio Reis/TSF
23 Junho 2019 — 00:43

Reuniu-se nesta semana com o sindicato que representa os trabalhadores da OPArt, também com membros do corpo artístico das três entidades que fazem esta grande entidade que é a Companhia Nacional de Bailado, o Teatro Nacional de São Carlos e a Orquestra Sinfónica Portuguesa e o coro do Teatro Nacional de São Carlos. Que resultados saíram desta reunião?
Reunimo-nos, de facto, com o sindicato, com o CENA e também houve reuniões com os corpos artísticos das estruturas artísticas que compõem o OPArt. Talvez só um breve enquadramento para se perceber porque é que a reunião de hoje foi importante. Quando, em março deste ano, há um pré-aviso de greve, foi feita uma reunião, comigo e com o sindicato - na altura, a proposta que fiz ao sindicato foi de trabalharmos para procurar soluções duradouras e estruturais para problemas que há muito tempo, na verdade, se arrastam no OPArt. Não procurámos apenas uma solução de circunstância. O que estava em discussão, e continua a estar, é uma questão de harmonização salarial, que tem origem numa deliberação de 2017.

Esses problemas, só para dar algum contexto, tinham que ver também com a junção de todas estas entidades numa entidade e, portanto, com as divergências quer salariais quer em termos de trabalho, etc., que isso provocou. Só para nos situarmos.
Certo. Há duas dimensões, digamos assim, de problemas estruturais. O OPArt é uma entidade empresarial pública que é constituída juntando três estruturas artísticas. Três estruturas artísticas essas que, sendo autónomas, tinham uma multiplicidade de regimes, desde logo laborais, diferentes na sua origem. Portanto, quando é criado o OPArt, desde 2007 até hoje, não é criado nenhum instrumento interno, nomeadamente não há um regulamento interno aprovado, nem nunca foi feita uma tabela salarial que agregasse, digamos assim, estes diferentes corpos. E, portanto, foi-se mantendo, ao longo destes 13 anos, estas, se quiser...

Discrepâncias...
Peças, são peças que não encaixam. Há técnicos de som que vêm com a Companhia Nacional de Bailado e técnicos de som que vêm com o Teatro Nacional de São Carlos, o corpo. Ou seja,... e esta desarmonização é algo que subsiste desde 2007. Nessa primeira reunião em março apontámos que este seria um caminho que interessava a todos. Procurar de uma vez fazer isto. E é isso que temos estado a fazer. E há toda uma outra dimensão que também é importante - que tem que ver com a programação. Com o que é oferecido ao público, com a forma como os próprios corpos artísticos se reveem ou não na programação e como é que três estruturas com direções artísticas diferentes devem projetar-se no futuro, se calhar, de uma forma diferente. Voltando ao problema de 2017. Para haver harmonização salarial havia diferentes horários de trabalho. 35 horas ou 40 horas. Porque a harmonização salarial é obtida através do valor/hora. Quando se decidiu, o governo, que o regime-regra deveria ser o das 35 horas, o conselho de administração da OPArt decidiu colocar todos os trabalhadores do OPArt no regime das 35 horas.

O que agravou a harmonização salarial.
Ora bem. Incluindo os que estavam com 40 horas. Portanto, ao voltar às 35 horas, este universo de cerca de 83 trabalhadores passaram...

A estar desiguais...
A estar desiguais face aos que já tinham, de origem, 35 horas. E esta questão de 2017 tem a particularidade de ter sido uma deliberação que foi tomada sem fundamento legal. E foi isso que hoje na conversa com o sindicato foi debatido. Esta deliberação só poderia ter sido tomada ou: 1) existindo um regulamento interno, que é aquilo que nós agora estamos a discutir, que tem de ser aprovado, um regulamento interno que previsse essa possibilidade; 2) não existindo regulamento interno, ter existido uma autorização prévia do governo, das tutelas, porque, segundo a lei do Orçamento do Estado, esta decisão tendo impacto financeiro.

Mas qual é o impacto? São os tais 60 mil euros que o sindicato diz serem?
Sim, mas o problema não é esse impacto. O problema é que temos uma decisão que foi tomada sem fundamento legal. Ou seja...

Decisão essa tomada pela direção da OPArt.
Isso é muito importante, essa questão que coloca. Porque eu tenho ouvido as pessoas questionarem-se "bem, mas se há três milhões para as obras porque é que não há...

Esse é um dos argumentos do sindicato, aliás.
Que hoje percebeu. Por isso, a questão já não surgiu no comunicado. Porque o problema aqui não é, evidentemente, o problema dos 50 mil euros, como é evidente. Se nós conseguimos, entre as duas tutelas, encontrar, ao final de 20 anos, um reforço orçamental de três milhões de euros para intervir no São Carlos, naturalmente não há problema em dotar, até não seria necessário, na verdade, 50 mil euros. A questão é que é uma decisão que foi tomada sem fundamento legal. O que coloca um problema, de que, naturalmente, os trabalhadores não têm culpa, mas que também nós herdámos, e que temos de resolver. A questão não é falta de verba. A questão é: há uma decisão que não poderia ter sido tomada. E, portanto, contaminou, de alguma forma, a discussão.

Acha que faz uma leitura partidária ou política de greves como esta?
Não, não faço. Vamos ver. Acho que... hoje em conversa com, fundamentalmente, com as estruturas, com os corpos artísticos...

O sindicato é o da CGTP...
Sim, mas vamos ver. Quer com o sindicato quer com as estruturas artísticas há um enorme descontentamento, também do lado dos corpos artísticos, de demasiados anos com assuntos por resolver. E, acima de tudo, há a necessidade, sentida do lado também dos artistas e dos próprios técnicos, de haver uma orientação diferente e ter alguns projetos diferentes, que o OPArt já teve. Só para lhe dar dois exemplos do que hoje falámos. Por um lado, uma maior descentralização da programação.

Fora de Lisboa?
Fora de Lisboa. A própria orquestra já fez muito mais programação fora de Lisboa, o próprio São Carlos já teve mais programação com públicos fora de Lisboa.

Vou só dizer os nomes: Companhia Nacional de Bailado, Teatro Nacional de São Carlos, Orquestra Sinfónica Portuguesa. Portanto, os nomes indicariam que não seriam coisas de Lisboa.
Isso mesmo. A história do OPArt e das estruturas artísticas tem mais essa dimensão no passado. Como tem, por exemplo, uma dimensão que é muito importante para nós, que é a parte dos projetos educativos. Todos já tiveram no passado, e bem, projetos educativos para trabalhar com públicos mais novos. Para os levar lá. Para ir às escolas. E isso tem de ser reativado e tem de ser construído.

Ou seja, o que está a fazer, no fundo, é também um mea culpa, certo?
Sim. Estou a fazer em relação a todos os governos. Da mesma maneira que não faço leituras partidárias das greves, também não quero dizer que a culpa é toda do lado B ou do lado A. Quando nós temos problemas que existem há 20, 30, 40 anos, quer dizer, na verdade é culpa de todos um pouco.

Ninguém liga nenhuma à cultura. Isso tem um bocadinho um lugar-comum, mas...
Eu não sei se é por isso. Acho que há um conjunto de situações que são, de facto, difíceis de resolver. E nem sempre, no fundo, se enfrentam as dificuldades da mesma forma. E, por exemplo, o facto de estar em diálogo com os próprios corpos artísticos, não só com o sindicato, é também uma forma de dizer que... é difícil de resolver, sim, mas há uma coisa com que todos temos de concordar: o facto de as estruturas artísticas estarem numa situação como estiveram, de greve, uma temporada, tem um impacto enorme do ponto de vista da sua relação com o público. Da mesma maneira que eu, em nome do governo, não quero que esse impacto se prolongue para a próxima temporada, os próprios artistas e os técnicos também não querem.

As greves estão desmarcadas?
Não, as greves não estão desmarcadas. Da reunião com o sindicato o que resultou foi, no fundo, isolar a questão, esta questão de 2017, para a harmonização salarial, da discussão que irá prosseguir, do regulamento interno, e sobre a tabela salarial. Será uma negociação feita diretamente com o governo, através da secretária de Estado da Cultura, e prosseguiremos a negociação do regulamento interno e da estrutura salarial, e, agora também, com um diálogo com os corpos artísticos relativamente ao que são os regulamentos específicos de cada uma destas estruturas e aquilo que podem ser projetos comuns.

Tem prazo para a solução?
Tem, até ao final do mês de julho. É o nosso compromisso, para esta parte de ter proposta de regulamento, proposta de tabela. E, naturalmente, esta questão da desarmonização salarial ser o mais breve possível. A solução que vier a ser encontrada para a desarmonização salarial de 2017 terá de constar do regulamento interno. Ou seja, é algo que tem de ficar estruturado para o futuro. Temos de encontrar uma solução. E encontrar uma solução implica uma negociação focada neste problema. A solução que vier a ser encontrada neste problema, como também vai ter repercussões, naturalmente, para o futuro, estará espelhada no regulamento interno. Portanto, até ao final do mês de julho vamos procurar ter o regulamento interno pronto. Enfim, uma base comum e uma tabela salarial.

Apesar desse acordo, não foram levantados os pré-avisos de greve.
Não. Não, porque naturalmente o sindicato tem - e nós percebemos, como é óbvio - também um ponto a perceber aqui, o que está em negociação com a senhora secretária de Estado.

"Quando tomei posse havia alguma tensão em setores da cultura. No dia antes de tomar posse sai uma notícia cujo título era: "Um buraco na cultura".


Não estava nos seus planos ser ministra da Cultura. Qual é o balanço que vai fazer desta sua passagem pelo ministério?
Não estava nos meus planos, é verdade. O balanço que faço... Eu tenho, ao longo destes 20 anos, tentado sempre ter uma postura mais ou menos nesta dimensão. Por um lado, procurar resolver problemas que existam por resolver - é algo que eu gosto de fazer. E, por outro lado, procurar criar soluções e, enfim, tentar inovar e criar algo de novo para o setor, procurando sempre fazê-lo com as pessoas e de uma forma participada, em diálogo, etc. Isso foi o que nós tentámos fazer aqui. Não só eu mas toda a equipa. Por um lado, identificar quais os principais problemas que estavam por resolver. E quando tomei posse havia, enfim, alguma tensão nalguns setores da cultura. Era o caso dos museus, como era o caso da discussão que existia no cinema. No dia antes de eu tomar posse sai uma grande notícia num jornal cujo título era "Um buraco na cultura". Era o buraco do Espaço do Tempo, onde está o Rui Horta, em Montemor, que, por causa do temporal, tinha cedido. E eu não me esquecerei desse artigo, porque das primeiras coisas que precisamente fiz foi resolver essa questão também prioritária. Portanto, hoje em dia o convento já está em obras. O Rui Horta já está num espaço provisório para depois poder voltar para lá. E, portanto, há esta dimensão de procurar encontrar soluções para problemas, como digo, alguns dos quais se arrastam há bastante tempo.

Um dos temas mais prementes, não só em Portugal, mas no mundo, é a crise da comunicação social e do jornalismo. Esse é um dos temas em que não interveio... Está a ser preparada alguma coisa? Ou há um grande prurido em intervir nesta matéria em Portugal?
Se eu dissesse que intervinha na comunicação social, toda a comunicação social a seguir ia escrever muitos editoriais sobre mim durante muito tempo.

Não necessariamente. Nos Estados Unidos está a debater-se o tema...
Iria, iria.

Estão a debater-se estas questões. Está a lembrar a sua declaração sobre o consumo de jornais, com certeza?
Entre outras.

Foi a única declaração que fez sobre jornais, a não ser as que fez também sobre a Lusa.
Por acaso, não é a única declaração que fiz sobre jornais. O que estou a dizer é: juntar intervir, governo e comunicação social na mesma frase, em Portugal, não costuma dar bom resultado.

E é por isso que não há nenhuma declaração nesta matéria?
E eu sou muito respeitadora daquilo que é a sociologia do território onde vivemos. Vamos por partes. Primeiro, a comunicação social é um setor, na minha perspetiva e na perspetiva do que tenho defendido, fundamental para o bom funcionamento da democracia. Não tenho dúvidas nenhumas. Primeiro pressuposto do quadro de que sempre parti. Segundo pressuposto do qual sempre parti, já o disse várias vezes, os países que mantiverem uma agência de notícias predominantemente ou totalmente pública e um grupo de comunicação social público serão, na minha perspetiva, os que estarão mais bem preparados para enfrentar o que vai ser o crescendo com as redes sociais e com a desinformação e com a utilização cada vez mais regular de outras fontes de informação que não, digamos assim, a comunicação social estruturada e regulada. E para mim estes são três pressupostos que já afirmei publicamente por diversas vezes, e no que diz respeito à dimensão pública da comunicação social - Lusa e RTP. O trabalho que temos desenvolvido é um trabalho, por um lado, com a Lusa e com a RTP, de desenvolver mecanismos internos - principalmente no que diz respeito à Lusa, como é que a Lusa pode contribuir para neutralizar e diminuir o que é o risco da desinformação e da ausência de controlo sobre a informação que é transmitida. Está um projeto em curso, com a Lusa, um pouco semelhante, se quiser, ao que também existe na France-Presse e que alguns países e algumas agências noticiosas vão desenvolvendo. Isto é uma dimensão na qual nós - governo - podemos intervir, colaborando com a Lusa. No que diz respeito à RTP, é sempre a articulação, no âmbito do que é o contrato de concessão de serviço público e a dimensão que tem sido mais noticiada, na relação com os trabalhadores e com os processos em curso.

"Os países que mantiverem uma agência de notícias predominantemente pública e um grupo de comunicação social público serão os que estarão melhores preparados para enfrentar o que vai ser o crescendo com as redes sociais e desinformação."

E a comunicação social privada?
No que diz respeito à comunicação social privada, o Estado tem o papel de regulador. Como aliás cada vez mais tem a União Europeia. Isso também é outro pressuposto do qual eu tenho sempre partido. Esta área, fundamentalmente, tem de ser regulada no espaço europeu. Não pode ser regulada no espaço de cada Estado membro. Por isso é que as diretivas que foram muito discutidas, nomeadamente esta última sobre a questão dos direitos de autor, são diretivas importantes em matéria de regulação dos direitos do setor privado. Agora, respondendo à sua pergunta. Em matéria de política pública de comunicação social, na minha leitura, o papel do governo - para não dizer do Estado - não pode ir muito além disto.

Obviamente, não estamos a falar de intervenção direta, de todo, nem era esta a intenção da pergunta. Nos Estados Unidos e na Europa debatem-se apoios. Apoios à inovação, apoios à reestruturação...
Nos Estados Unidos, não na Europa. A Europa tem um problema. No âmbito da União Europeia, tirando o Reino Unido, isso seria considerado apoios de Estado. Aliás, só para lhe dar um exemplo: ontem tive cá o meu homólogo espanhol, e eles estão com um problema em Espanha por uma multa pesadíssima da Comissão Europeia, precisamente por ser considerado apoios de Estado. Ou seja, é importante esclarecer isto.

Mesmo política fiscal seria considerada um apoio do Estado?
Pode ser. Esta dimensão de qual é o papel das entidades públicas nesta matéria tem de ter também atenção à relação no espaço europeu. Por isso é que eu dizia que uma das grandes questões que estamos neste momento a discutir a nível, por exemplo, de ministros da Cultura, da União Europeia - e foi, aliás, matéria da última reunião -, é precisamente qual é a dimensão das ajudas de Estado. Ou seja: não faria sentido diminuir a rigidez de considerar uma ajuda de Estado precisamente para poder ter mais instrumentos para intervir? Mas é uma discussão.

Partindo do pressuposto de que a comunicação social a preocupa, o que é que defende como possíveis soluções?
Eu acho que há duas dimensões. Há uma dimensão de relação do Estado enquanto regulador: a dimensão da publicidade, a dimensão do apoio, do financiamento que vai para a entidade pública através da taxa, enfim. Há uma série de questões que, como sabe, têm sido muito discutidas.

Por exemplo, a noção de serviço público, que tem de se discutir sempre.
De acordo. E acho que é uma discussão necessária. Agora, na minha perspetiva, e tenho dito muitas vezes, nós temos o nosso papel. De acordo. E aquilo que eu tentei enquadrar é: no que diz respeito ao público há uma concertação diferente daquela que diz respeito ao privado. A questão da regulação. E aqui a questão da regulação, hoje em dia, é muito situada ao nível europeu. E, por exemplo, o trabalho que agora temos de fazer para a transposição da diretiva, que tem impacto direto sobre a comunicação social... Ou tentar neutralizar mais o impacto do crescimento das redes sociais, de media, face àquilo que é a comunicação social regulada, se quiser, com o Código Deontológico que toda a gente conhece. Mas depois há outra dimensão que eu devo dizer que é muito importante. Eu tenho dito muitas vezes e vou aproveitar aqui para dizer. Esta questão da desinformação é fundamental para os media. Eu gostaria muito de ver mais iniciativas ou mais projetos ou mais medidas da parte das próprias empresas que gerem a comunicação social no sentido de adotar medidas sobre isso. Porque, repare, não há nada que o impeça.

O Diário de Notícias fez um grande projeto de investigação sistemática sobre desinformação.
Eu sei. Eu conheço o trabalho e é um ótimo trabalho. Mas eu não estou a falar de trabalho jornalístico, estou a falar de trabalho empresarial. São coisas diferentes. Ou seja, uma coisa é, e bem, o papel do jornalismo de investigação sobre o fenómeno, as origens, o que está a acontecer, explicar. Esse trabalho é extraordinariamente necessário e foi feito, de facto, pelo DN. Mas há uma outra dimensão. Da mesma maneira como o Estado enquanto acionista da Lusa pode concertar e construir com a Lusa um projeto para contribuir para combater a desinformação e ter um conjunto de medidas para o fazer, qualquer empresa que detenha um órgão de comunicação social também o pode fazer.

É verdade. Se calhar as condições é que não o permitem, não é?
Não sei. As condições do Estado também não são maravilhosas. Repare, isto tudo, como na vida, é uma questão de prioridades. E onde nós queremos investir e não.

"O Mosteiro dos Jerónimos tem 10 vezes mais de visitantes que o Museu Nacional de Arte Antiga. Tenho imensa dificuldade em perceber esta abordagem. Porque nós temos 23 museus e monumentos nacionais."


O diretor do Museu Nacional de Arte Antiga, António Filipe Pimentel, tinha um projeto para o museu e disse que saiu com antipatia do governo. Que antipatia era essa? E quem é que foi antipático com quem?

Sabe que o caso António Filipe Pimentel é, para mim, algo relativamente demonstrativo ou ilustrativo de como muitas vezes estamos a olhar apenas para uma parte e falamos pouco do todo. E isso é algo que eu tentei colmatar ao longo deste tempo, com algum equilíbrio. Não por causa do António Filipe Pimentel, mas por causa do Museu Nacional de Arte Antiga. No dia em que nós confundimos pessoas com instituições, nesse dia matamos as instituições. Eu sou ministra agora, não serei daqui a uns tempos. Não sei quanto. Mas eu nunca vou confundir-me com o Ministério da Cultura. A questão dos museus pode contar-se da seguinte forma. Quando eu tomei posse havia um projeto, um projeto de novo diploma para os museus, que não tinha sido discutido com nenhum diretor de museu em Portugal. E que tinha um conjunto de medidas que não eram conhecidas nem tinham sido discutidas com os diretores de museus e monumentos nacionais. E, nessa proposta, havia duas ou três reivindicações mais conhecidas do António Filipe Pimentel, mas, na verdade, de todos os diretores. É o caso do NIF - número de identificação fiscal -, é a questão da autonomia e não ter um fundo de maneio, é o não ter possibilidade de fazer determinado tipo de despesas ou investimentos. O que nós fizemos foi trabalhar sob uma base que existia, introduzindo, nessa proposta de diploma, todas estes pontos que eram reivindicados. Ainda acrescentámos alguns, conseguimos algo muito importante, pelo menos na minha perspetiva: que os diretores dos museus passem a ter um estatuto diferente de tudo o que tem sido até hoje. São chamados diretores de departamento, portanto, são unidades integradas numa direção-geral. E, com o diploma que foi recentemente aprovado e promulgado, os diretores dos museus passam a ter um estatuto autónomo e a contratação, ou seja, os concursos para novos diretores, não tem de ser feita dentro da administração do Estado. Isso foi um trabalho que nós fizemos, entre outubro e janeiro. Estamos a falar de dois meses. Em janeiro o que é acontece? Agendei uma reunião com todos os diretores dos museus e monumentos nacionais. São 23. Mais os dos museus regionais. Nunca nenhum ministro tinha falado com eles. E, portanto, o que eu fiz sempre foi falar com todos. Porque isto é uma transformação que afeta estes 23 museus e monumentos nacionais. Não afeta só um.

Mas, dito dessa forma, não haveria nenhum motivo para o António Filipe Pimentel decidir sair.
​​​​​​​Eu até hoje não fiz nunca apreciações qualitativas sobre a posição do António Filipe Pimentel.

Mas faz uma avaliação positiva do trabalho dele?
Faço.

Do museu ou não?
Como diretor de museu, sim.

Não consegue é explicar a saída.
​​​​​​​Eu consigo. Ele demitiu-se. E evocou razões concretas que nunca se verificaram. O António Filipe Pimentel, em janeiro, durante a reunião que eu estava a ter com todos os diretores dos museus e monumentos nacionais, comunica a sua demissão. Não para mim, mas publicamente. E diz que não tem a intenção de, em junho, voltar a ser renomeado. Portanto, a partir de janeiro, o António Filipe Pimentel apresentou a sua demissão. Dizendo que aquilo que era o trabalho que o governo estava a fazer basicamente não ia resolver nada. Eu prossegui com todos os diretores, aliás, ele próprio foi à segunda reunião que fiz com todos os diretores de museus e monumentos nacionais e prosseguiu o trabalho. E a verdade é que, chegados aqui, não há um aspeto que tenha sido solicitado pelos diretores que não esteja no diploma. Está lá o fundo de maneio, a consignação de receitas para atividades do museu, está lá o número de identificação fiscal e aquilo que não existia e que, insisto, foi extinto em 2013, com a reforma orgânica - e eu nunca vi ninguém manifestar-se tanto como agora se manifestou quando tentámos reverter a situação -, está lá a delegação para poderem ter despesas e investimentos até cem mil euros, está o Conselho Geral dos Museus, que é, pela primeira vez, a possibilidade de existir um órgão só dos diretores dos museus, sem nenhuma intervenção da tutela, para se coordenarem e concertarem, precisamente porque os diretores dos museus avaliaram como positivo terem tido duas reuniões, entre todos. Repare, alguns estão há mais de 20 anos e nunca tinham estado numa reunião juntos.

Nunca houve nenhuma tentativa da sua parte de também lhe sugerir que ele tivesse alguma continuidade no cargo?
​​​​​​​Mas porque é que eu deveria fazer isso?

Não sei. Se faz uma avaliação positiva, eu julgaria isso... razoavelmente normal.
​​​​​​​Desculpe lá, vamos lá ver. Porquê? Eu tenho 23...

É a minha opinião. Não estou aqui para a dar, mas é uma opinião em forma de pergunta. Ou seja, se a avaliação que faz do cargo é positiva ao ponto de ter introduzido alterações que ele próprio sugeriu...

Não é ele próprio. Vocês estão a discutir na base de uma pessoa.

Ele e os restantes diretores.
Mas é que os restantes são importantes. Vamos lá ver. O Mosteiro dos Jerónimos tem dez vezes mais visitantes do que o Museu Nacional de Arte Antiga. Tenho imensa dificuldade em perceber esta abordagem. Porque nós temos 23 museus e monumentos nacionais. Alguns extraordinários. Com uma capacidade incrível de atrair nacionais, estrangeiros, de projetar o país. Há poucas imagens do país como aquelas que há dos Jerónimos e da Torre de Belém. E nós estamos, há meses, a falar de uma pessoa em concreto e de um museu que é extraordinariamente importante, mas que é importante per se. Não é importante pela pessoa que está lá à frente no ano X ou no ano Y. Portanto, o que eu estou a dizer é o seguinte: eu faço uma apreciação qualitativa e positiva do papel que teve no MNAA. De acordo. Mas a opção de não renovar não foi minha. A opção de não manter não foi minha. Eu nunca tomei essa decisão nem o governo alguma vez colocou essa decisão em cima da mesa. A decisão foi-me comunicada através dos jornais. E, portanto, a partir desse momento, o que eu sei é que há uma pessoa que se demite e não quer continuar. Eu, naturalmente, com todos, prossegui o trabalho para chegar aqui. E, aqui chegados, não há nada que não tenha sido aprovado.

"Até ao final deste ano o que a Direção Geral vai fazer é concluir aquilo que se chama a conferência de inventário da coleção do estado. Precisamente para dar resposta à pergunta: onde estão as obras do Estado."

Soube-se nos jornais que... recentemente, é a última polémica depois das várias outras anteriores, algumas das quais de que já falámos aqui, que haveria 170 obras de arte do Estado que estariam em local desconhecido. Já se sabe onde estão? Ou isto foi tudo um mal-entendido?

Começando pelo princípio, mais uma vez. É muito importante a história. A coleção do Estado começa em 1976. Aliás, é notável que seja das primeiras medidas de política pública depois do 25 de Abril. E esta coleção, ao longo destes 43 anos, teve inúmeros modelos gestionários e inúmeras formas de inventário. No fundo, é o resultado de um acumular de alterações orgânicas, de transferências de uma entidade para outra, de políticas de empréstimo, etc. E, portanto, ao longo destes 43 anos, mais uma vez voltamos à questão do OPArt, como há pouco falávamos, a minha avaliação é que nunca houve nenhuma política estruturada de gestão de uma coleção do Estado. E aquilo que aconteceu em 2017, antes de mim - também nessa dimensão estou à vontade -, em 2017 o que o governo decide fazer é dar à Direção-Geral de Património Cultural a gestão centralizada da coleção, com uma missão muito clara. De pegar no único inventário conhecido até hoje, provisório, que é de 2011 - que é um inventário que, em 2011, identificava que a coleção tinha 1367 obras, das quais 170 apareciam com a identificação "local não identificado", creio que era assim que aparecia em 2011. E, portanto, o trabalho que a DGPC tem feito desde 2017 é baseado nesse provisório de 2011, com novo inventário, conferência do inventário, etc. Ao longo deste tempo, por exemplo, dessas 170, só para dar um exemplo, há 42 que foram retiradas da coleção. Porquê? Precisamente pelo trabalho que a direção-geral fez desde 2017, recolha de documentação, etc., chegou à conclusão de que essas 42 não eram da coleção do Estado, eram de artistas. Foram bienais de final dos anos 80-90 que foram, na altura, devolvidas aos respetivos artistas. Só para dar um exemplo.

Estavam contabilizadas na...

Sim. Ou seja, o que quero aqui realçar e que me parece importante, independentemente de qualquer polémica, é que nós temos, de uma vez por todas, mais uma vez, de arrumar esta casa. Porque esta casa exige duas ou três coisas. Fiz hoje um despacho para a direção-geral para uma nova fase daquele que tem sido o trabalho desde 2017. Para perceber, 80% da coleção está em depósito de longo prazo em quatro instituições: Serralves, Centro Cultural de Belém, Câmara Municipal de Aveiro e Direção-Geral da Biblioteca e do Livro, porque tem a parte da coleção de fotografia. 80% está aqui. Depois há 20% que está em diferentes instituições. São 10/11 instituições onde estão os restantes 20%. E o que a direção-geral hoje em dia sabe é, no fundo, o historial. E agora vai fazer algo muito importante, que é a chamada conferência de inventário. Ou seja, vai perceber se estas, nomeadamente estas...

Não desapareceram...
​​​​​​​Exatamente. Que estão por localizar, onde é que estão. Só para dar um exemplo. Há duas, também dessas 170, que estavam por localizar e que com este trabalho da direção-geral foram localizadas em Serralves.

Então neste momento quantas estão efetivamente por localizar?
Esse é o ponto que vou agora avançar e que acho que é importante. O que nós determinámos hoje, com a direção-geral... o trabalho que vai ser feito a partir de agora é o seguinte: até ao final deste ano o que a direção-geral vai fazer é, por um lado, concluir aquilo que se chama a conferência de inventário. Precisamente para dar resposta a essa sua pergunta.

Que não tem, neste momento, resposta.

Não está concluída. Porque Serralves diz qual é o inventário que está em Serralves e agora é preciso ir lá conferir, ver o estado das obras, ver onde é que elas estão, etc., etc. A conferência de inventário, fundamentalmente destas quatro instituições que têm depósitos a longo prazo, vai ser feita até ao final do ano. E essa foi das primeiras prioridades que eu dei à direção-geral a partir de agora. Segundo, é muito importante a direção-geral, também até ao final do ano, apresentar uma proposta de programação desta coleção. Porque quase 100% desta coleção nunca teve programação. Ou seja, eu sei, por exemplo, que Serralves, e bem, faz exposições com a coleção que tem em depósito. Eu fui, por exemplo, a uma em Braga. Grande parte da coleção foi exposta em Braga. Portanto, nós sabemos que existe programação, mas é muito importante que haja uma linha plurianual de programação para a coleção.

Como se fôssemos muito ricos e pudéssemos desperdiçar um tesouro que temos cá em casa.
Terceiro. E muito importante também. Que esta programação e a gestão racional, espero, da coleção do Estado seja feita também em articulação com a Comissão de Aquisições. E este ponto é importante. Porque um dos aspetos da coleção do Estado é que há muitos anos que não tem aquisições. E, portanto, nós neste momento já temos a trabalhar a Comissão de Aquisições para a aquisição dos 300 mil euros que foram determinados. A comissão vai apresentar uma proposta até setembro. Mas este trabalho tem de ser articulado. A proposta do trabalho é esta programação plurianual da coleção do Estado ser feita em articulação com a Comissão de Aquisições, com as novas aquisições e com a programação das novas aquisições. E depois há aqui duas dimensões muito importantes, só para terminar este aspeto da coleção. Por um lado, a questão da identidade. Nós queremos muito mudar a identidade da coleção. A coleção precisa de uma marca, precisa de uma comunicação, precisa de respirar algo diferente. E, por outro lado, a dimensão base de dados e online. Porque há aqui uma dimensão muito importante que é: faz todo o sentido que as pessoas conheçam as obras. Saibam onde é que elas estão. Tenham acesso à digitalização das obras. E, portanto, essa dimensão também tem de ser desenvolvida a partir de agora.

E esse trabalho todo estará concluído quando?
Até ao final deste ano.

sábado, 22 de junho de 2019

Boris Johnson refuses to answer questions about police visit to his home / Boris Johnson under fire over row with partner as top Tories raise fears




Boris Johnson refuses to answer questions about police visit

The frontrunner in the race to be UK prime minister said the audience wanted to hear about his policies.

By          THIBAULT LARGER AND JAMES RANDERSON       6/22/19, 7:36 PM CET Updated 6/22/19, 7:40 PM CET

Conservative MP Boris Johnson gestures as he answers questions from journalist Iain Dale as he takes part in a Conservative Party leadership hustings event in Birmingham, central England on June 22, 2019 | Oli Scarff/AFP via Getty Images

Boris Johnson refused multiple times to answer questions at a Tory leadership hustings about why the police were called to his girlfriend's house in the early hours of Friday morning following a domestic disturbance.

The topic dominated the first five minutes of the hustings in Birmingham which involved both of the final two candidates — Johnson and Jeremy Hunt — in the contest to be leader of the Conservative party and the next prime minister of the United Kingdom. It was the first of 16 regional hustings.

The Guardian reported on Friday that the police were called to the house of Carrie Symonds, Johnson’s girlfriend, in South London, shortly after midnight on Friday morning after reports from a neighbor of a domestic dispute between the couple.

Asked by host Iain Dale, a LBC radio presenter and himself a former Tory parliamentary candidate, why the police were called, Johnson said: "I don't think they want to hear about that kind of thing, unless I am wrong. I think what they want to hear is what my plans are for the country and our party."

Dale persisted, asking, “if the police are called to your home, it makes it everyone’s business. You are running for the office of not just leader of the Conservative party but prime minister. Therefore a lot of people who do admire your politics do call into question your character and I do think it is incumbent on you to answer that question.”

Conservative MP Boris Johnson speaks to the audience as he takes part in a Conservative Party leadership hustings event in Birmingham, central England on June 22, 2019 | Oli Scarff/AFP via Getty Images

Johnson responded: "People are entitled to ask about me and my determination, my character and what I want to do for the country." But the former foreign secretary then embarked on a tangent about his achievements as London mayor and the redesign of London's iconic Routemaster bus.

At one point, the audience barracked the presenter for his attempts to get an answer from Johnson, who has refused almost all interviews and faced little media scrutiny during the campaign. In response, Johnson held up his arms and said, "don't boo the great man."

After multiple attempts Dale asked whether he would not get "any comment at all about what happened last night," to which Johnson replied: "I think it's pretty obvious from the foregoing."

The exchange set a bad-tempered tone for the back and forth between the two and then for a series of questions selected by Dale from the audience of Tory members. At one point, Johnson complained of "hostile bowling" from the members' questions and asked how long the session had left to run.


Britain's Foreign Secretary Jeremy Hunt speaks to the audience as he takes part in a Conservative Party leadership hustings event in Birmingham, central England on June 22, 2019 | Oli Scarf/AFP via Getty Images

One questioner asked why he had said "f**k business" last year at a dinner over objections from firms to the government's plans for Brexit. Johnson said he "bitterly" resented the way the "stray remark" to the Belgian ambassador had been used to cast doubt on what he called his "pretty extraordinary record of sticking up for business."

"I was referring to very powerful lobby groups that wanted to have a particular type of exit from the European Union — or non-exit from the European Union — that would not actually achieve the result that we want," he added. This is presumably a reference to the Confederation of British Industry that represents 190,000 businesses and has warned the government consistently about the economic danger posed by a no-deal scenario.

On Brexit, he repeated his assertion that "we have to come out by October 31." And he said he would use the U.K.'s financial leverage in the negotiations. "I think as the UK’s negotiators we should retain some creative ambiguity [on the question of money]," he said.

Asked what that would say about the country, if it did not live up to its financial obligations, Johnson said: "I think what it says is, this is a country that is determined to conduct itself in the tradition of EU negotiations."

In his half of the proceedings, Hunt agreed that it was essential to execute Brexit and promised not to call a general election until he had. "We are in a very serious situation. Get this wrong and there will be no Conservative government, maybe no Conservative party," he said.

And he aimed some jibes at his opponent. "If we send the wrong person [to Brussels] catastrophe awaits," he said. "If we send the wrong person there’s going to be no negotiation, no trust, no deal. And if parliament stops that, maybe no Brexit."

Hunt used a reference to opposition leader Jeremy Corbyn to aim another shot at Johnson. "Faced with a hard-left populist we could choose our own populist or we could choose our own Jeremy."

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Boris Johnson under fire over row with partner as top Tories raise fears

Leadership campaign falters as he refuses to respond to questions at hustings about late-night argument with Carrie Symonds

Video reveals Steve Bannon links to Boris Johnson
Michael Savage, Toby Helm and Simon Murphy

Sat 22 Jun 2019 21.00 BST Last modified on Sun 23 Jun 2019 00.04 BST


Boris Johnson was struggling to keep his campaign to become prime minister on course on Saturday night as he repeatedly refused to explain why police had been called to his home after a loud, late-night altercation with his partner.

Senior Tories were quick to raise fresh concerns over the former foreign secretary’s suitablity for No 10 as the favourite to succeed Theresa May stonewalled question after question about the incident at the first hustings of the leadership contest in front of party members.

Asked about the story, revealed on Friday evening by the Guardian, Johnson told the Birmingham audience that people did not “want to hear about that kind of thing”. When pressed on whether understanding his character was important in the battle to replace Theresa May, Johnson insisted he would only talk about his plans “for the country and our party”.

Radio presenter Iain Dale, a former Tory candidate who hosted the hustings, accused Johnson of “completely avoiding” questions about the argument with Carrie Symonds, a former Conservative party head of press, at their home in the early hours of Friday morning. “People are entitled to ask about me and my determination, my character and what I want to do for the country,” Johnson said. “Let me just tell you that when I make a promise in politics, about what I’m going to do, I keep that promise and I deliver.”

The police confirmed they were called to the couple’s south London flat after an argument was heard by neighbours. They said they heard slamming and banging, adding that at one point Symonds could be heard telling Johnson to “get off me” and “get out of my flat”.

Foreign office minister Alan Duncan, who worked under Johnson said his former boss now had a “big question mark over his head” adding that he had shown a “lack of discipline” throughout his career.

A poll conducted yesterday showed support for Johnson had fallen sharply following the incident. His eight-point lead for the Tory crown earlier in the week had fallen to three points behind rival Jeremy Hunt by yesterday morning. Among Tory voters, when asked who would make the best prime minister, Johnson’s lead had slumped from 27% to 11% in the same period, according to Survation, who carried out the polls for the Mail on Sunday.

Last night the neighbour who contacted the police, Tom Penn, 30, a playwright, issued a statement saying he wanted to put the record straight on his reasons for recording the row and calling 999.

Penn said he only acted as a last resort and that he was speaking out as he was concerned by the “bizarre and fictitious allegations” made about him and his wife, Eve Leigh, 34, a fellow playwright.

Penn said: “In the early hours of Friday morning, I answered a phone call from a take-away food delivery driver. At the same time, I heard what sounded like shouting coming from the street. I went downstairs, on the phone to the driver, and collected my food. On the way back into my flat, it became clear that the shouting was coming from a neighbour’s flat. It was loud enough and angry enough that I felt frightened and concerned for the welfare of those involved, so I went inside my own home, closed the door, and pressed record on the voice memos app on my phone.

“After a loud scream and banging, followed by silence, I ran upstairs, and with my wife agreed we should check on our neighbours. I knocked three times at their front door, but there was no response. I went back upstairs into my flat, and we agreed that we should call the police.”

Another neighbour, a nursery teacher who lives with her husband and four-year-old son in the top flat next door, told the Times that she could hear “shouting and screaming”.

Fatimah, 32, said: “It was really loud, loud enough to make me turn down the TV and see what was going on. I could hear shouting and screaming from a lady, she sounded really angry. There was a man’s voice too, but he was much calmer and he was telling her to calm down but she was still chucking things about,” she said. “It went on for about 10 minutes. I’ve never heard anything like it. I was considering calling the police but then a [police] van and car came.”

The incident has enouraged those backing Jeremy Hunt, Johnson’s opponent for PM. With Johnson having positioned himself as the candidate in favour of a hard Brexit, Hunt used the hustings to harden his position on no-deal saying he would “100%” leave the EU at the end of October with no deal if he believed the EU was not willing to compromise.

Today Johnson is expected to come under further pressure over his Brexit policy when Liam Fox, the international trade secretary will call into doubt his claim that the UK would be not be hit automatically by tariffs on EU exports in the event of a no-deal outcome.