LISBOA
Bar Americano ficará intacto no futuro hotel
Intervenção arquitectónica no quarteirão do Cais do Sodré
prevê a manutenção integral do histórico espaço. Se o negócio se mantém é
questão ainda sem resposta.
João Pedro Pincha
5 de Janeiro de
2021, 20:59
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O Bar Americano
fechou portas, mas o seu interior e exterior vão manter-se intactos. O projecto
do hotel que ocupará o edifício onde o bar funcionava não prevê qualquer
alteração ao espaço, deixando assim aberta a possibilidade de o negócio ser
retomado no futuro.
O encerramento do
centenário bar do Cais do Sodré, noticiado pelo PÚBLICO na semana passada, foi
confirmado pela empresa proprietária do edifício, a Patrizia, que contudo não
esclareceu qual o destino pensado para o local.
“O pequeno espaço comercial vazio a que se refere vai ser ocupado
novamente no futuro por um pequeno negócio local, plenamente alinhado com a
história deste edifício emblemático”, referiu um porta-voz.
A Câmara de
Lisboa facultou entretanto ao PÚBLICO a memória descritiva do projecto
hoteleiro, assinado pelo arquitecto Frederico Valsassina, da qual consta a
manutenção integral do espaço do bar. “Para que o conceito permaneça, a
proposta não apresenta qualquer alteração, quer ao nível interior da loja, quer
ao nível da fachada deste estabelecimento, preservando o espaço e conceito como
existe actualmente”, pode ler-se.
O painel de
azulejos que anuncia o bar à Rua Bernardino Costa, ao mesmo tempo que promove
uma marca de vinho do Porto, vai assim manter-se naquela parede, permanecendo
igualmente as portas tipo saloon, o balcão e as paredes de madeira, as
prateleiras que eram poiso de antiquíssimas garrafas.
Classificado como
Loja com História em 2017 pela autarquia, o bar poderá continuar com essa
distinção se se mantiverem preservados os critérios que levaram à sua
classificação, como a longevidade e o património artístico, cultural e
histórico. No entanto, basta haver mudança no ramo de negócio para que o título
lhe seja retirado. Foi isso que aconteceu, por exemplo, com uma joalharia da
Rua das Portas de Santo Antão que se tornou loja de recordações turísticas.
A inclusão de um
estabelecimento neste programa municipal de apoio ao comércio mais antigo e
emblemático da cidade também confere aos empresários a possibilidade de
prolongarem os contratos de arrendamento automaticamente, mesmo contra a
vontade do senhorio, mas esse mecanismo não foi accionado no caso do Americano.
O bar já esteve fechado ao público em mais do que um momento ao longo dos seus
100 anos, mas desta vez o proprietário optou por abdicar do espaço.
De acordo com a
memória descritiva, o futuro hotel terá 108 quartos, restaurante, bar e
ginásio. Não se prevê a ampliação do edifício, apenas a sua adaptação interior
ao novo uso, uma vez que actualmente é um imóvel maioritariamente ocupado por
escritórios.

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