quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Il Cavaliere? ... Humilhação Definitiva.



Berlusconi rendeu-se e mostrou que já não tem na mão a direita italiana

Fotografias do Guardian










Il Cavaliere anunciou à última hora voto de confiança no Governo que quatro dias antes quis derrubar. Moderados do PdL anunciam novo grupo parlamentar, mas Alfano ainda não terá decidido cisão
À última hora, quando a aritmética se tornou inegável e a derrota iminente, Silvio Berlusconi rendeu-se. Percebendo que o partido lhe fugia, o antigo primeiro-ministro protagonizou a mais espectacular reviravolta dos últimos anos na política italiana e anunciou - do lugar no Senado que está prestes a perder - que apoiaria a moção de confiança ao Governo de Enrico Letta, que quatro dias antes tinha guilhotinado. Com a "pirueta", evitou que o seu Povo da Liberdade (PdL) se partisse já ontem aos olhos de todos. Poderá não ter sido o seu fim político, como alguns auguram, mas a derrota provou que, aos 77 anos, Il Cavaliere não é já senhor omnipotente da direita italiana.
Letta deu o mote ao abrir o discurso no Senado, a primeira das câmaras a debater a moção e aquela onde tudo se jogava - o Partido Democrático (centro-esquerda) não tem ali a maioria e a sobrevivência do Governo estava dependente de uma cisão no voto do PdL. "O dia de hoje será uma jornada de consequências históricas e, em certos aspectos, dramáticas para a nossa democracia", disse Letta, chamado em Abril a liderar uma inédita coligação entre o PD e o PdL depois do impasse criado pelas legislativas de Fevereiro.
Na intervenção, de quase uma hora, avisou que a queda do executivo colocaria Itália perante "um risco que pode ser fatal". Novas eleições, além de adiarem reformas urgentes, abririam um ciclo de ingovernabilidade e deixariam o país "sentado no banco dos réus da Europa".
Apesar do tom, nos corredores e mesmo no hemiciclo existia já a certeza de que o Governo iria sobreviver. Isto porque, pela primeira vez desde a sua entrada na política, Berlusconi não conseguiu manter as suas tropas unidas. Os cinco ministros do PdL - que depois da obediente demissão não calaram o desacordo com Berlusconi - resistiram a todas as tentativas de conciliação e arrastaram consigo a ala moderada do partido.
Uma dissensão que Berlusconi começou a levar a sério quando domingo Angelino Alfano, secretário-geral do PdL e vice-primeiro-ministro, ousou pela primeira vez criticá-lo. Seguiram-se três dias de reuniões, durante os quais o antigo primeiro-ministro chegou a dar a revolta por terminada. Mas na terça-feira à tarde, o delfim carimbava a revolta contra o mentor: "Estou firmemente convencido de que todo o nosso partido deve votar a confiança em Letta."
Os indefectíveis de Berlusconi chamaram-lhe "Brutus", o que apunhala pelas costas aquele que foi durante anos o seu César. Irónico, o jornal Il Fatto Quotidiano (esquerda) escrevia que Itália assistia incrédula a uma sequela de "Spartacus e a revolta dos escravos".

Conjura no Senado
Mas a conjura de Alfano foi tudo menos secreta. Pouco antes da votação, o vice-primeiro-ministro era fotografado pelas teleobjectivas a mostrar a Letta uma folha de papel com os números da revolta: dos 81 senadores do PdL, "25 votam a moção de confiança". Carlo Giovanardi, um dos conjurados, ia mais longe, dizendo aos jornalistas que os rebeldes eram já 40 "mas poderiam ser 50".
Os olhos viravam-se para Berlusconi, que só entrou na sala já Letta discursava há 20 minutos. De rosto fechado, por vezes escondido atrás das palmas das mãos, conversou com os aliados mais próximos, fez contas numa folha de papel, sem esconder o cansaço. Anunciou então que seria ele a falar em nome do PdL e, no meio de um total silêncio, declarou: "Decidimos, não sem um intenso debate, votar a moção de confiança."
Os queixos só não caíram - Letta ainda murmurar um irónico "é grande!" - porque vários analistas tinham avisado que uma reviravolta de última hora seria sempre possível. Berlusconi, que justificara o fim da experiência governativa com a recusa de Letta em adiar a subida do IVA, disse ter ficado convencido com as promessas de baixar os impostos sobre o trabalho e reformar a justiça. "Entrámos neste Governo com a esperança de que pudesse mudar o clima do país e contribuir para uma pacificação", declarou. "Ainda conservamos essa esperança."
Pouco depois, Letta via a sua moção aprovada por 235 votos a favor e 70 contra. Os jornais italianos foram unânimes na sentença: "Berlusconi rende-se", escreveram Corriere della Sera (Milão), La Stampa (Turim) e La Repubblica (Roma) nas suas edições online. A bolsa milanesa, que tinha já aberto em alta na expectativa da aprovação da moção, disparou.
"Temos agora uma maioria política coesa, ainda que numericamente diferente da que votou a moção", diria Letta, horas mais tarde, na Câmara dos Representantes.
James Waltson, professor da Universidade Americana de Roma, disse à AFP que não restava ao antigo primeiro-ministro outra forma de "conservar a sua posição de influência no seio do Governo e do seu partido". Pablo Ordaz, correspondente em Roma do El País, fala também numa "derrota envolta num vistoso embrulho de habilidade política" que permite a Il Cavaliere continuar a manobrar no xadrez da coligação.
Mas os analistas italianos, ainda que evitando declarar uma vez mais a morte política de Berlusconi, vêem nesta revolta algo que nunca tinham visto antes. O antigo primeiro-ministro "é uma sombra daquilo que foi", escreveu Stefano Folli nas páginas do económico Sole 24 Ore, enquanto Gianni Riotta sublinhava no La Stampa que, "pela primeira vez, ele encontrou alguém que lhe disse não" e manteve a aguentou o bluff mais tempo do que ele.

Cisão parlamentar
Concluída a votação, Roberto Formigoni, aliado de peso de Berlusconi durante anos, anunciava a criação de um novo grupo parlamentar dentro do PdL, juntando os que se opuseram a Berlusconi. "Somos já 25 na Câmara e 25 no Senado", dizia o senador, antes de acrescentar: "Não somos traidores, mas pioneiros que indicam a via a seguir pelo PdL."
Ontem, ao final do dia, não era, no entanto, garantido que os ministros rebeldes se juntassem à iniciativa e o próprio Alfano terá confidenciado aos seus aliados que "a fractura com Berlusconi era inevitável mas não é ainda irreparável", citava a La Reppublica, segundo o qual o vice-primeiro-ministro poderia encontrar-se durante a noite com o seu mentor.
Apesar de alinhado agora com Letta, Alfano sabe que deve toda a sua carreira política a Berlusconi e que não herdou dele o carisma. Sabe também que outras figuras antes dele, mais experientes, se distanciaram de Berlusconi para caírem rapidamente no esquecimento.
Os próximos dias serão decisivos para perceber os estragos da votação de ontem, a começar pela forma como Berlusconi vai reagir ao início do processo para a sua destituição no Senado. Mas se há um derrotado claro, há também um vencedor - Enrico Letta, um primeiro-ministro "com nervos de aço", nas palavras do jornal Le Monde, que terminou o dia dizendo aos deputados: "Itália não precisa de chantagens, do tipo "ou fazem isto ou cai o Governo", até porque mostrámos que o Governo não cai."

Silvio Berlusconi makes humiliating climbdown in Italian parliament
Prime minister Enrico Letta wins confidence vote after retreat by Il Cavaliere in face of MPs' rebellion

Lizzy Davies in Rome

Even before he'd started to speak, the signs were of a performance that lacked his usual panache. To begin with, the microphone that Silvio Berlusconi picked up to address the senate didn't work properly. Once it did, his speech was uncharacteristically flat. There were no histrionics or garrulous jokes – just a final sentence which, in a few rather sheepish words, spoke volumes.

The man who had dominated Italian politics for two decades had been forced into a humiliating climbdown by a rebel faction of his own MPs. Outfoxed, out of luck and abandoned as never before, he looked tired and downcast. But he brought a smile and incredulous chuckle to the face of Enrico Letta, the prime minister.

"Italy needs a government that can carry out structural and institutional reforms which the country needs to modernise," said Berlusconi, his hands clasped in front of him, an Italian flag pin on his lapel. "We have decided, not without internal strife, to vote in confidence."

There was a burst of applause. But Il Cavaliere, as the Italian media like to call the billionaire former prime minister and convicted tax fraudster, had nothing to cheer about.

In a fittingly dramatic denouement to a political saga that a former minister likened to a tragicomedy and an MP said was more like a farce, Italy's government crisis – a week of mounting dread and trembling markets that had risked scuppering the grand coalition and plunging the eurozone heavyweight into turmoil – was over, just like that.

Letta, the centre-left leader of a government which since its inception has been plagued with tensions and ideological splits, went on to win the senate confidence vote with a sweeping majority. Only 70 of 305 MPs voted against; 235 MPs voted for. Berlusconi – the man who triggered the crisis and spent days clamouring for the government's downfall – was one of them.

Later, in the lower house of parliament, a vindicated Letta said it was time to call a halt to the threats and ultimatums which had dominated the coalition since Berlusconi's first definitive criminal conviction on 1 August.

"Italy needs there to be no more blackmail of the 'do this or the government falls' sort," he said. "Italy doesn't need any old government, but a government at the height of its abilities with a clear majority supporting it."

The prospect of more stability was music to the markets' ears. The FTSE MIB was the best-performing stock market index in Europe, up 0.7%, while Italian debt strengthened in value, pushing down borrowing costs and sending the yield on Italy's 10-year bonds to 4.37% from as high as 4.74% on Monday morning. They were not the only ones to be relieved. Ever since ominous drumbeats started sounding last week, concern had grown not only among Berlusconi's opponents but large parts of Italian society about what lengths he was prepared to go to in order to – in Letta's words – "protect his personal interests".

Facing imminent expulsion from the senate and the enforcement of his commuted one-year sentence, the recently convicted People of Freedom (PdL) party chief had insisted that his motive for suddenly withdrawing his ministers from the government was a sales tax hike imposed by the coalition that he had vehemently opposed.

Even by Berlusconi's standards, however, this was hard for Italians to swallow – even, it transpired, for most of the very ministers he had ordered to resign. One by one, four of them lined up to voice their misgivings. Their exact status was unclear; La Repubblica, translating the uncertainty into punctuation, referred to one of them as an "ex(?) minister". By Tuesday night, however, in the latest step in an increasingly bizarre political dance, Letta made an announcement to the effect that the five could resign all they liked; he was not accepting their resignations.

In the senate on Wednesday, the stage was set not only for a showdown between Berlusconi and - as Il Sole 24 Ore wrote – "the whole world – Europe, the United States, the markets, the [semi-official Vatican newspaper] Osservatore Romano". It would also be a vital test of whether the leader of what has always been a personal party built around Berlusconi the man - his success, his power and his bravado - still called the shots.

As it turned out, he did not – not, at least, in the way he once would have done. With his family newspaper condemning the flabbergasting "patricide" of Angelino Alfano, the PdL secretary widely seen as Berlusconi's heir who emerged as leader of the rebels, the 77-year-old arrived at the senate around 25 minutes into Letta's make-or-break speech

"Italy is running a risk that is potentially fatal, without remedy," the prime minister told MPs, warning them of the damage to the country's economy and image that a government collapse and eventual fresh elections would inflict. "Thwarting this risk, to seize or not seize the moment, depends on the choices we will make in this chamber. It depends on a 'yes' or 'no'."As he sat in Palazzo Madama, his expression grim, Berlusconi, the longest-ruling prime minister Italy has known since the second world war, was greeted by a succession of supporters, many of them among the so-called PdL "hawks". One of them, a former MP named Daniela Santanchè, a loyalist so fierce she is known as "the pythoness", was reported to have offered on Sunday to give Alfano her "head on a platter" if it helped her boss.

But as the day wore on it became clear that a significant portion of Berlusconi's party was going to defy his wishes and vote for the government to continue. Arithmetic on a scribbled piece of paper that Alfano displayed had 32 senators voting with their leader, 24 absenting themselves, and 25 against him. With such numbers, Letta was home and dry. And Berlusconi, not long after the party line was voted and confirmed to be for the "sfudicia", then got up in parliament and performed a screeching U-turn.

The prime minister, perhaps, could be forgiven a small smile. Later, the editor of La Stampa, tweeted him reminding him that, on Sunday, Letta had likened Italian politics to Groundhog Day, the film in which every day turns out the same. After all that, Mario Calabresi seemed to suggest, Italy had ended up with exactly the same government, with the same problems, as before.

But, said Vincenzo Scarpetta, an analyst at Open Europe, it would be a mistake to think that Wednesday's vote changed nothing. On the one hand, the set-up that Letta has been left with is still far from ideal and "there are still doubts about this government's ability to push forward with painful, unpopular measures," he said. Many suggested Letta would have preferred to have kept Berlusconi out of the majority altogether, thus giving himself a more unified government.


On the other, Scarpetta said, Berlusconi's ability to pull strings and dictate events had definitely been compromised. "He clearly comes out weaker from this. The initial situation when they formed the government was that he would be able to pull the plug on it whenever he wanted, because the government depended on his support. But now, that's exactly what he tried to do … and it didn't work," he said. Analysts said that what happens to the centre-right now will be key in determining whether this is the beginning of the end for Berlusconi, or just a major setback. On Wednesday night, in the lower house, a group of 26 PdL deputies had reportedly signed up to a new centre-right group led by Alfano. Berlusconi loyalists were expected to stay with him under the relaunched Forza Italia party name. "Of course, he remains the leader of the party," said Scarpetta. "We will just have to see what happens to the party."

O Tea Party, os republicanos, ou a ânsia de destruir a presidência de Obama. Shutdown hypocrisy: Republicans show disdain for their beloved constitution.




O Tea Party, os republicanos, ou a ânsia de destruir a presidência de Obama


Quando se fala no universo paralelo em que supostamente vivem os políticos de Washington, é disto que se fala: ontem, todos os agentes e intervenientes que forçaram a suspensão do funcionamento de parte dos serviços do Governo federal dos Estados Unidos criticaram e lamentaram o impasse político no Congresso, mas não tomaram nenhuma medida nem revelaram a mínima iniciativa para remediar a situação - com tudo a perder, todos acreditam que ainda podem ganhar.
Como explicava ontem o veterano jornalista político de Washington, James Fallows, nas páginas da revista The Atlantic, se o speaker do Congresso John Boehner quisesse acabar com o braço de ferro com a Casa Branca, acabava. "Se a Câmara de Representantes votasse hoje uma proposta de orçamento "limpa" - isto é, uma lei que permitisse a reabertura dos serviços governamentais sem exigir como contrapartida o fim do financiamento do programa de saúde do Presidente Obama - essa proposta seria aprovada", observava Fallows, pouco depois de 16 congressistas conservadores terem indicado disponibilidade para rever a sua posição.
No entanto, o afável líder dos republicanos, famoso pela sua bonomia, tem os movimentos tolhidos pela indisciplina e rebelião da facção fiel aos princípios do movimento anti-governo Tea Party - e poderá estar genuinamente convencido que a estratégia obstrucionista garantirá maiores dividendos políticos e eleitorais do que um compromisso com o Presidente.
A sua premissa é a seguinte: quando os norte-americanos começarem a sentir os efeitos nefastos do encerramento do Governo e da falta de serviços públicos, começarão a exigir que os democratas no Senado e a Casa Branca aceitem negociar o adiamento de uma lei que, mostram as sondagens, lhes merece muitas reservas.
O problema da sua lógica é que, pelo menos para já, a opinião pública e publicada atribui a "culpa" pela situação quase exclusivamente aos republicanos. Alinhando pelo mesmo diapasão do Presidente Barack Obama, os comentadores acusam os conservadores, e em particular o chamado caucus do Tea Party (que representa menos de 20% da bancada), de usar o Governo federal como refém das suas lutas intestinas.
"O encerramento parcial do Governo federal resulta de uma luta de facções entre os republicanos da Câmara de Representantes: a minoria ultra-conservadora do Tea Party contra a maioria que só é muito conservadora", resumia a The Economist. É o "colapso do poder institucional dentro da bancada republicana", referia Robert Costa, editor da conservadora National Review.
"Já não estamos a falar numa revolta contra a liderança republicana ou sequer contra o establishment do partido: esta é uma revolta contra quem está disposto a aceitar os constrangimentos da realidade política", escrevia Michael Gerson, o speechwriter do Presidente George W. Bush que tem uma coluna no The Washington Post.
As palavras do igualmente conservador Andrew Sullivan, que dirige o The Daily Dish, um dos sites políticos mais populares dos EUA, são ainda mais duras. O autor equipara a estratégia política dos republicanos no Congresso à "vandalização da Constituição que dizem celebrar e à sabotagem da democracia constitucional". Num artigo intitulado "o Partido do Nihilismo", Sullivan argumenta que o objectivo dos conservadores já deixou de ser apenas o de acabar com o chamado "Obamacare" - o pacote legislativo para o alargamento quase universal do acesso a cuidados de saúde. "O que os republicanos pretendem é anular a presidência", considera, sublinhando que por essa razão Obama deve manter-se "absolutamente firme. Não pode haver compromisso porque os republicanos não aceitam o compromisso". Como lembrava o analista do Washington Post Ezra Klein, ainda antes do shutdown estar confirmado, o Partido Republicano está disposto a fechar o Governo e colocar o país na bancarrota para "acabar com uma lei que aumenta os impostos dos mais ricos e reduz os subsídios às seguradoras privadas, para facilitar a compra de seguros de saúde pelos americanos de rendimentos mais baixos. É disto que se trata".
O teste para os republicanos será perceber se a oposição ao "Obamacare" é suficiente para anular o descontentamento com a paralisação da actividade das agências e departamentos públicos: ontem, uma sondagem CNN/ORC International mostrava que 56% dos americanos achava que era mais importante manter o Governo a funcionar do que desmantelar a reforma do sistema de saúde.
Para os democratas, que têm a maioria no Senado, e mais crucialmente para a Casa Branca, a situação actual pode não ser muito desejável, mas no campo da luta política, é a mais favorável. No arranque das negociações para a aprovação do orçamento, a posição dos liberais era tão irredutível quanto a dos conservadores - as propostas de cada lado excluíam-se mutuamente - mas os seus argumentos em defesa da manutenção da lei de Obama eram mais poderosos: a lei foi aprovada nas duas câmaras do Congresso e ratificada pelo Supremo Tribunal. E nas últimas eleições presidenciais, os americanos reelegeram o seu autor com uma votação expressiva.

Shutdown hypocrisy: Republicans show disdain for their beloved constitution
Maybe those of us who were sickened over the Iraq war and the the Bush/Cheney administration should have been more unruly

Laura Vecsey

To think that some of us Americans waited painfully and patiently for the George W Bush/Dick Cheney error to end, and now this: a government shutdown because of the zealot-like righteousness of a few religiously-inspired martyrs in Congress who allege that they are champions of the US constitution.

That's the biggest thing that galls me – and makes me scared that we aren't far from lawlessness and mayhem, especially when you add in the voting rights setbacks that threaten future elections, local and national.

A few members of the US Congress (and one nutcase senator) jump the shark over President Barack Obama's signature healthcare reform law and we all have to sip the blood.

People joke about the Panda Cam at the National Zoo in Washington going dark, but what about the Federal Trade Commission investigators who aren't hunting down Russian hackers this week, courtesy of Senator Ted Cruz and House Speaker John Boehner's shutdown?

The practical mess of the shutdown is not funny, pandas and all. But what's really not funny is the perilous fight we have on our hands. Can we restore any integrity and faith in our own government? How can we, especially since Fox News has so successfully enlisted average Americans to rage against Barack Obama and the Affordable Care Act as if they were fighting the Nazis.

How did this become progressives' war?

We could have tolerated conservatism's debate on smaller government. We get it. Government is a beast. It needs to be checked. A social safety net can create bloat and abuses. Let's debate each other about where to draw the line. Or, in the case of the Affordable Care Act, figure out what's working and what's not and fix it, constructively, so that health care safety and costs can be attained and leveled.

But to deliberately smash government, to vilify it and persecute it and kick it to the curb like one of those welfare takers Mitt Romney was never going to win over during his failed presidential run? That's another story. That's a rabid faction of Congress that can't be brought back to the fold. That's a faction of Congress that has teetered outside the bounds of rational discourse, fueled, likely, by copious amounts of booze and backslapping and safe pockets of gerrymandering that have created two Americas, one red and mostly Caucasian, the other blue and colorful, diverse.

What's hard for most of us to understand is this: Barack Obama rode to the presidency in large part because of the backlash against Iraq war and the neo-con lies perpetrated by the Bush/Cheney administration. A terrorist attack on US soil had fed an unchecked frenzy for an unlawful and unfunded war, yet by 2004, when evidence was in about the lies and abuse of power by the Bush administration, many of us were weathering a sense of almost unfathomable betrayal.

You would have imagined that under those circumstances, the seeds were sewn for lawless uprisings; for discontent (and worse) to have undermined our sense of allegiance to our country 'tis of thee. Grieving as some US citizens were during this time, we still found a way to use our democratic process to restore our ideals, to make change, but to do so within the context and confines of our constitutional system.

For those of us who opposed the war in Iraq; who grew disgusted with the cronyism and incompetence of the Bush administration (Hurricane Katrina response; Wall Street's implosion; the bank bailout), we waited out the policymakers who we thought were steering us in the wrong direction. We amassed the votes necessary to make a change.

Maybe those of us who were sickened over the Iraq war and the bleeding of money to Halliburton and the faux conservatism of the Bush/Cheney administration should have been more unruly. Now a US law rightfully enacted and justly upheld by the Supreme Court is being held hostage for renegotiation by obstructionists as if the Affordable Care Act was just an idea, a bill, and not a law.

In this instance, we are sure that something has gone very wrong inside our own elected government. Some of us are very alarmed, although maybe not surprised. This is what you get in an America where congressional districts are drawn in configurations meant largely to protect Republicans. This is what you get when the Citizens United Supreme Court ruling allows unlimited mystery money to flow into political action committees to elect candidates who are unanswerable to constituents but owned by corporations.

But there's a major difference between those who voted for Obama and "Obamacare" and those who have shutdown the federal government: while we licked our wounds, and watched as Supreme-Court-ordered loser Al Gore grew that beard and gut, we may have despaired, but we also figured that our way out of the mess was to work the system we have.

We waited and organized and were ready to show that the country was comprised of a more diverse population; that we did not want wars of choice; that we needed to get back to the business of reinventing our economy, including the biggest drain on our fiscal well-being: sky-rocketing healthcare costs.


We got change by using the system as it was intended. We waited and amassed the votes for change, which wound up being in the form of Barack Obama. Like a mirror, it is said, Obama reflects whatever anyone who's looking at him wants to see. For us, he was change. For the government shutdowners who have sprayed the stink of anarchy on us all, Obama is the illegitimate son of big government and a panderer to all the takers and all the food stamp users and all the uninsured who put him in the White House. Twice.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

"Revisitando" as Necessidades da Tapada.


As promessas formuladas anteriormente pelo assessor dos Espaços Verdes no que se refere a conservação e restauro do edifício da Estufa Circular, do muro da Alameda e da Casa do Fresco estão a ser cumpridas e os resultados são visíveis.  Também, tudo indica, brevemente no Largo Circular. Entretanto mantém-se a questão do concurso para a exploração do Restaurante e o grande desafio do Restauro de todo o conjunto Patrimonial de grande interesse constituido por diversos pavilhões e interessantes gradeamentos que constituíam a antiga Ménagerie/Zoológica,  e  ainda a questão irreversível da grave intervenção por arquitecto da antiga DGEMN datada de 2005/2006 com gravíssimas consequências para a integridade Patrimonial do antigo Pavilhão de Recreio, e desenvolvida pela DGEMN quando da instalação do gabinete do Ex Presidente da República, Jorge Sampaio,  na Casa do Regalo. (ver em baixo).
O fluxo de visitantes e merendeiros aumentou nítidamente assim como o interesse por parte do público pelas visitas guiadas.
António Sérgio Rosa de Carvalho





"A curto prazo", refere o assessor do vereador dos Espaços Verdes, a autarquia vai lançar outros concursos públicos, para a conservação e restauro do edifício da Estufa Circular, do muro da alameda e da Casa do Fresco, bem como do Largo Circular. Enquanto isso não acontece, foi já concretizada a primeira fase da recuperação dos caminhos e da rede de drenagem. E estão também a ser feitos estudos para a recuperação do antigo moinho e dos edifícios encostados à Rua do Borja.
João Pinto Soares, do Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades, reconhece que há melhorias visíveis no espaço e diz que ultimamente há "muito mais gente" a calcorrear o jardim. O próprio grupo e a Junta de Freguesia dos Prazeres têm dinamizado uma série de actividades, como visitas guiadas no primeiro domingo do mês, comemorações dos dias da criança e da árvore, piqueniques e aulas de tai chi chuan para crianças.
Ao fim da manhã de quinta-feira, uma família preparava-se para almoçar no espaço e por lá também passeavam um casal de idosos e dois jovens espanhóis. Pinto Soares garante que as visitas guiadas têm estado cheias e que ao fim-de-semana "a miudagem" enche o grande relvado existente. "E há festas e tudo", diz, feliz por ver que há cada vez mais gente a render-se aos encantos da Tapada das Necessidades."
Ines Boaventura in Publico, 30 de Julho de 2011





"Esta semana a câmara lançou um concurso público para a exploração de um restaurante na Tapada das Necessidades, um jardim com dez hectares ao qual se acede através do largo com o mesmo nome ou do recém-aberto portão na Rua do Borja. O estabelecimento, que a autarquia pretende que tenha um "nível de exigência superior", irá funcionar num conjunto de edifícios onde chegou a haver um jardim zoológico.
Aí, em seis torreões rodeados por gradeamentos de ferro, eram albergados animais, como aves raras e macacos, "mandados vir de diversos lugares propositadamente para este local por D. Fernando II, para desenvolvimento dos conhecimentos sobre fauna dos príncipes D. Pedro e D. Luís". A explicação é de uma nota camarária, que sublinha a "enorme importância histórica" de que este conjunto, erguido entre 1848 e 1856, se reveste.
Cinco desses torreões, e um edifício construído mais recentemente no meio deles, vão ser concessionados a um privado, que terá de realizar os trabalhos de reabilitação e reconversão. E uma visita à Tapada das Necessidades é suficiente para perceber a dimensão da empreitada: a degradação do património edificado é evidente e o recinto do antigo zoológico está repleto de ervas daninhas e de entulho.
A câmara, que assumiu a gestão deste jardim há menos de três anos (no âmbito de um protocolo com o Ministério da Agricultura), ficará com o sexto torreão, para instalar "um espaço de exposição permanente dedicado à Tapada das Necessidades e à sua história e/ou para prestação de informações sobre assuntos relacionados com agricultura".

Ines Boaventura in Publico, 30 de Julho de 2011




(...)tendo-se solicitado à DGEMN um estudo e projecto de reabilitação da Casa do Regalo, dada a necessidade de se proceder a obras de conservação e restauro do edifício (as últimas tinham sido feitas em finais da década de ’60 e em 1991-93)."

"Em Maio de 2005, a Direcção-Geral do Património afectou a Casa do Regalo à Secretaria-Geral da Presidência da República para nela se vir a instalar o gabinete do ex-Presidente da República Dr. Jorge Sampaio, tendo-se solicitado à DGEMN um estudo e projecto de reabilitação da Casa do Regalo, dada a necessidade de se proceder a obras de conservação e restauro do edifício (as últimas tinham sido feitas em finais da década de ’60 e em 1991-93).

Com base nesse estudo, e no projecto elaborado pelo Arquitecto Pedro Vaz da DGEMN, foi adjudicada, em Junho de 2005, a empreitada respectiva, mediante prévio concurso público, tendo as obras de intervenção sido concluídas em finais de Maio/Junho de 2006.

A partir dessa data instalou-se o gabinete do ex-Presidente da República Dr. Jorge Sampaio que vem exercendo as funções de Alto Representante da ONU para a Aliança das Civilizações e de Enviado Especial do Secretário-geral da ONU para a Luta Contra a Tuberculose."


Conservação e Restauro ?!? … Primeiro que tudo … Aquilo que é denominado como “Casa do Regalo”… constitui um conjunto de um “Pavillon de Plaisance”, com uma importância perfeitamente reconhecivel em parâmetros Internacionais, e a respectiva envolvente, parte indivísivel do Projecto original da Casa Real.
Ou melhor dito … constituía … pois olhando para a imagem que se segue , vemos o resultado da intervenção da DGEMN e respectivo arquitecto no edificio e a sua unidade …
Aquele chocante volume não é um contentor … não … é um novo “Pavilhão-Acrescento” Monolítico , bem ilustrativo de como as Instituições Estatais e responsáveis pela Defesa do Património intervêm e procedem à “Conservação e Restauro” …
Agora que a DGEMN ja foi extinta … para quando a extinção definitiva da Farsa do IGESPAR? … Pseudo Instituição, onde todos os válidos “pareceres”de alguma gente que lá anda e que ainda se tenta “atravessar”… são imediatamente neutralizados pelas Chefias nomeadas pelos Ciclos Políticos … Quem defende o Património de Portugal ? Para que serve o IGESPAR?

António Sérgio Rosa de Carvalho

in  "Recordando" ... As Necessidades ... da Tapada ... por António Sérgio Rosa de Carvalho.21/12/2012  /http://ovoodocorvo.blogspot.nl/2013/02/recordando-as-necessidades-da-tapada.html

Letra Livre. A última livraria da cidade


Letra Livre. A última livraria da cidade

Por Diogo Vaz Pinto
publicado em 30 Set 2013 / in (jornal) i online

É uma das poucas forças que resistem ainda no labirinto de sombras e espelhos em que se transformou o mercado livreiro e editorial português. Diogo Vaz Pinto conversou com Eduardo Sousa, um dos três responsáveis pela aventura que há seis anos se projectou num dos mais ameaçados terrenos da cultura

É cada vez maior a massa confusa de gente que habita ou, num registo pendular, entope a doce trama de ruas da capital lusa. Um fluxo feroz que transita com uma vontade férrea, sem se perder nem ganhar o pulso a esta cidade com o seu acordar mais tarde do que as outras. Numa Lisboa cujo “coração tem que pulsar através da vigília e do sono” e que é cada vez mais estrangeira à massa que nela se embate, faz sentido que comecemos por oferecer umas coordenadas: se vem do Largo Camões pela Rua do Loreto e pela Calçada do Calhariz, ou então da Calçada da Estrela, passando pela Rua dos Poiais de S. Bento, à esquerda de quem desce e à direita para quem sobe, mais ou menos a meio da Calçada do Combro, no número 139, fica a Livraria Letra Livre.
“Os livros impossíveis.” É com esta frase que se sublinha um dos mais íntegros projectos livreiros que resistem entre o mirabolante concurso de stands editoriais a abundar hoje em Lisboa, já empurradas para a falência ou assimiladas a maioria das casas livreiras que serviam o hábito mais civilizador que o homem alguma vez adquiriu.
Para já ninguém ainda discute que a leitura está na base da formação dos nossos melhores espíritos, mas os números são claros: se cada vez são mais os que lêem, também se lê cada vez mais do mesmo. E como nos explica Eduardo Sousa, um dos três sócios da Letra Livre, cada vez mais os responsáveis pelos conteúdos que vão atolando diariamente os espaços do comércio livreiro são agentes do lucro, funcionários da canseira mercantil que gerem editoras como se se tratasse de “salsicharias”. Ou seja, casas que precisam de se desfazer da sua produção enquanto esta ainda está bem fresca e o seu cheiro não chega a feder denunciando a sua verdadeira natureza.


Já com uma vida dedicada ao subtil cheiro dos livros, o casal Eugénia e Eduardo conheceu Carlos quando trabalhavam os três numa outra livraria, a Ler Devagar – no Bairro Alto,  Rua de São Boaventura, 115. Espaço amplo que, contando com uma galeria de exposições, paralelamente à venda dos livros apostava numa programação cultural alternativa, com leituras, debates, lançamentos de livros, etc. Quando esta fechou, em 2007, os três livreiros viram-se no desemprego. Foi então que arrendaram o número 139 da Calçada, que conta há muito com uma tradição de prestígio no que toca ao comércio dos livros.


Na pequena loja ergueram estantes até ao tecto, ocupando o espaço entre elas com duas ilhas, numa apertada composição com um peso sóbrio, hoje raro, destoando das iluminadas larguezas das superfícies comerciais modernas, com a sua elegância de aeroporto, entre partidas e chegadas de uma cultura cada vez mais internacional e exilar.
A Letra Livre distingue-se, sem ficar por cima nem por baixo, de outros projectos livreiros que tentam combater as facilidades oferecidas pelas grandes cadeias mantendo uma programação cultural, não indo por aí. Sem oferecer circo ou pão, aqui o que há são livros. Usados sobretudo, muitos esgotados, tantos fora de circulação, raros, preciosos, impossíveis ou quase. É um conceito tão simples que parece radical, uma proposta tão clara que não parece deste tempo.


De porta entreaberta para o velho assobio dos eléctricos, um gosto bom e popular na música que sempre se ouve aqui acostumou já quem vem e volta, mas são os livros na sua imensidade que põem uma selva a cantar nesta belíssima gaiola. De fora, basta olhar a montra para começar a receber lições.
Outro livreiro ilustre disse-me certa vez que “a tipografia é uma arte que nasceu velha, ensinada”. Mestre Luís Gomes, que por estes dias se despede com uma compungente tristeza da sua Artes & Letras – uma das livrarias alfarrabistas mais garbosas de Lisboa (Largo Trindade Coelho, 3) –, e que merecia desta cidade uma sincera homenagem.
Ora sem ser grande a montra da Letra Livre é das mais vaidosas, alinhando edições de clássicos nossos ou firmes sugestões da casa, livrinhos que não se deixam ler sem um certo respeito, um deslumbre com papéis que já não se usam e onde a tinta se afundava como se as palavras tivessem outra certeza. Quem partilha a paixão pelos livros saberá quanto estes detalhes estimam a atenção dos leitores. Mas avancemos.


Eduardo, Eugénia e Carlos não são apenas os compositores desta harmoniosa livraria, como são exemplares executantes de uma música antiga. A ideia de serviço, de uma atenção que não se fica pelos trejeitos da mais inócua simpatia, o esforço cuidadoso para responder aos pedidos e às urgências dos clientes para lá das facilidades que a tecnologia assegura, é esse conhecimento e experiência que acima de tudo nos obriga a reconhecer o talento deste trio. Não é apenas o gosto e a enorme familiaridade com os textos, com as edições e os autores, é também uma visão dos livros como elementos-chave da cultura, a sua importância enquanto legado inestimável e acessível.


Passados seis anos, a Letra Livre é hoje também um dos projectos editoriais mais notáveis entre aqueles que se têm afirmado como independentes num período especialmente complicado para quem não encara a edição como uma forma de fazer dinheiro. Sem especial jeito para o negócio, um catálogo que conta com apenas 22 edições (estando já no prelo outras duas) desenha um dos horizontes mais largos no campo editorial português. Com preferência pelos géneros arriscados, do ensaio à poesia, entre os autores publicados pela Letra Livre contam-se Miguel Unamuno, E. M. Cioran, Herbert Marcuse, Elizabeth Bishop, Orlando Ribeiro e Rui Caeiro (poeta nosso que, com uma obra de algumas dezenas de títulos em tiragens reduzidas, permanece praticamente desconhecido, talvez por ser um dos poucos poetas portugueses contemporâneos cuja qualidade supera claramente o que de melhor sobre ele se escreveu).


Eduardo explica que desde o início foi intenção dos três serem simultaneamente livreiros e editores, retomando uma firme tradição de um passado ainda recente, anterior à tendência para a especialização, que viu “aparecerem editores que nunca foram livreiros e livreiros sem qualquer pretensão de editar”. Isto conduziu, diz, a um certo desfasamento entre a perspectiva e o interesses do editor e do livreiro. Mas as alterações substanciais a que foi submetido o pequeno mercado dos livros em Portugal, sobretudo a partir da viragem do milénio, com a concentração livreira e editorial em grandes grupos, foi o que não só condenou grande parte das livrarias de referência de pequena e média dimensão, como produziu “um nivelamento do tipo de oferta que passou a ser feito neste mercado”. Porque “apesar de estas cadeias serem concorrentes, não pertencendo ao mesmo capital, a lógica gestionária que seguem é a mesma: trabalhar com novidades, basicamente ficção e best-sellers; manter uma alta rotatividade de livros; não possuir fundos nas livrarias (ou seja, não constituir boas secções temáticas com livros que foram editados ao longo dos anos); oferecer títulos que saíram nas últimas semanas e que vão ter uma breve passagem pelas livrarias, excepção feita àqueles que se mostrarem altamente lucrativos”. Tudo o resto, e mesmo a literatura chamada “light”, passa por um processo de reciclagem permanente. A maioria dos títulos editados, após um breve desfile pelas livrarias volta assim bem depressa aos armazéns dos editores e chegam a ser dados como esgotados quando na verdade são apenas livros que se perdem algures quando não são destinados a vendas de saldos ou, no caso dos grandes grupos editoriais, são simplesmente destruídos, servindo o fabrico de nova pasta de papel para dar seguimento a este ciclo industrial de morte antecipada.


Questionado quanto a se há alguma racionalidade que justifique este modelo, Eduardo diz que lhe parece irracional aplicado ao mercado dos livros como a tantos outros. Afinal o que se pode esperar da “produção sistemática de bens – uma das lógicas na base da sociedade de consumo – com os bens transformados em produtos que são destruídos e substituídos em função de campanhas de marketing e de modas?” Um regime que se torna contraditório e que ofende qualquer entendimento que ainda atribua valor ao livro como suporte privilegiado no espaço cada vez mais ameaçado da cultura.
“No entanto, como muito boa gente diz por aí, e principalmente os gestores dos grandes grupos editoriais, o livro é um produto comercial, sujeito portanto a todas estas regras e a este modelo. Modelo que foi importado, depois de se generalizar por todo o mundo, como, aliás, está bem descrito no último livro que editámos [”O Negócio dos Livros. Como os Grandes Grupos Económicos Decidem o Que Lemos”, de André Schiffrin], onde se mostra como, com a chegada destes paradigmas económicos à realidade editorial e livreira, o livro foi reduzido a essa condição, um produto comercial com um prazo de validade limitado”, desabafa Eduardo, acrescentando: “Ninguém já equaciona que um livro possa ser editado para se vender ao longo de décadas nem, muito menos, ao longo de séculos. Não obstante, nós sabemos que é assim que se vende um livro. Não nos passaria pela cabeça que um grande autor, seja ele um Shakespeare seja um Alexandre Herculano, tenha uma obra sua editada ou reeditada hoje e que venda milhares e milhares de exemplares em dois ou três meses. Sobretudo num contexto adverso, e ainda mais num mercado relativamente pequeno como o português.”
Ao sair da Letra Livre, subindo a calçada para me ver desaguar no mar ressacado dos vendilhões do Chiado, segue uns passos à minha frente a convicção de que, se esta não é a única livraria da cidade, é certamente a última, pois nenhuma outra está tão firme no presente nem mantém acesa a memória de um tempo em que as livrarias eram os recantos onde ganhava forças o sangue antigo de Lisboa.

Government Shutdown. Uma cruzada ideológica? Perguntas e respostas


Uma situação caricata. O Governo da maior economia do mundo fechou portas por não ter dinheiro
Foi o shutdown dos serviços públicos nos EUA. O prazo final para a aprovação era a meia-noite de segunda-feira, mas democratas e republicanos não chegaram a acordo. Por falta de cabimento orçamental, oitocentos mil funcionários foram mandados para casa. O "apagão" implicou que apenas os serviços considerados essenciais continuassem de portas abertas. Até a recolha de lixo em Washington estava em risco.
Esta não é a primeira vez que a Casa Branca enfrenta um shutdown. Clinton também teve de lidar com um "apagão" de 28 dias e, já na altura, o que separava democratas e republicanos era o dinheiro canalizado para o Medicare.
Desta vez, os republicanos, que têm maioria na Câmara dos Representantes, recusaram dar luz verde à autorização de gastos do Governo, impondo duas condições: adiar por um ano a entrada em vigor da lei de assistência à saúde de Obama e eliminar um imposto criado para financiar a cobertura de pessoas sem plano de saúde.
Obama fala "numa cruzada ideológica". Que os conservadores ainda lidam mal como o Obamacare até pode ser compreensível. Bastava ter ouvido Ted Cruz, o senador do ultraconservador Tea Party, que esteve 21 horas seguidas a discursar no Senado contra o Obamacare. Mas "sabotar", passados três anos, e pela via orçamental, uma lei que foi aprovada de uma forma democrática no Congresso e que até já recebeu a luz verde do Supremo Tribunal é questionável.

E se este braço-de-ferro continuar, nas próximas duas semanas, republicanos e democratas também não estarão em condições de aprovar o aumento do tecto do endividamento, o que pode deixar os EUA tecnicamente em default, ou seja, sem reembolsar a dívida. Um cenário com consequências catastróficas para a economia mundial.
Editorial / Público



Por que é que acontece esta paralisação do Governo federal nos EUA?
Os orçamentos federais nos Estados Unidos são feitos para o chamado ano financeiro, que começa a 1 de Outubro de um ano e termina a 30 de Setembro do ano seguinte. O Congresso, por desentendimento entre republicanos e democratas, não conseguiu aprovar na noite de segunda-feira um novo orçamento a tempo, ficando o Governo forçado a "fechar" por falta de verba orçamentada. Na prática, nem todos os serviços fecham, já que são implementadas disposições extraordinárias para as despesas mais importantes. Foram congeladas, no entanto, todas as despesas consideradas não-essenciais.

O que é que está parado?
Foram definidas quais as despesas e serviços não-essenciais, com os funcionários do Governo federal a eles afectos (e que serão cerca de 800 mil de um total de 2,1 milhões) a serem informados que não podem vir trabalhar e que perdem direito ao vencimento correspondente. Serviços de finanças, parques federais, museus e edifícios históricos ficaram fechados. Pensões e salários dos militares foram garantidos, enquanto escolas e serviços de saúde, por estarem na generalidade dos casos sob administração dos Estados, não são afectados.

É um acontecimento inédito?
Não, mas já não acontecia desde 1995/96, quando Bill Clinton era Presidente dos EUA e entrou em conflito com o líder republicano do Congresso, Newt Gingrich. Nos anos 80, com Reagan, este tipo de problemas foi frequente, mas as paralisações não duraram, por vezes, mais de meio dia.

Isto poderia acontecer em Portugal?
Em Portugal, já por diversas ocasiões houve atrasos na aprovação de orçamentos, que não entraram em vigor no dia 1 de Janeiro do respectivo ano. No entanto, a lei prevê que nessa eventualidade aplica-se o denominado regime de duodécimos, que permite que se façam a cada mês as despesas equivalentes a um duodécimo do Orçamento do ano anterior. Apesar de novas políticas ficarem congeladas, uma paralisação do Governo ou o não-pagamento de salários aos funcionários não acontece.

Os EUA podem entrar em default nos mercados?
Não por causa deste impasse na aprovação do orçamento federal. A amortização dos títulos de dívida é considerada uma despesa essencial. Aquilo que pode vir a conduzir a um default é um novo desentendimento entre republicanos e democratas em relação ao alargamento do limite de dívida pública que o país pode ter, que é actualmente de 16,7 biliões de dólares e que deverá ser ultrapassado dentro de aproximadamente duas semanas.

Qual foi a reacção dos mercados neste primeiro dia?
Até agora, muito moderada ou mesmo imperceptível, uma vez que este impasse já era antecipado e, espera-se, pode vir a ser resolvido de forma rápida sem custos elevados. A Bolsa de Nova Iorque registou uma ligeira subida de 0,41%, os juros da dívida subiram ligeiramente e o dólar perdeu algum (pouco) terreno face ao euro. Espera-se que a tensão aumente, no entanto, com a aproximação da data prevista para a ultrapassagem do limite da dívida pública.

Qual o impacto na economia?
Depende essencialmente da duração da paralisação, mas é previsível, em todos os casos, um efeito negativo na actividade económica. O simples facto de haver cerca de 800 mil funcionários que entraram em lay-off deve levar a uma redução do consumo privado. De acordo com os cálculos da agência de rating Moody"s, uma paralisação de uma semana pode custar 0,3% ao PIB norte-americano, enquanto uma paragem de um mês teria um impacto de 1,4%.
in Público

Ribeiro e Castro acusa Portas de o ter mandado silenciar.


Ribeiro e Castro acusa Portas de o ter mandado silenciar
por Artur Cassiano in DN online

Deputado Ribeiro e Castro acusa direção de Portas de ter ordenado o seu "silenciamento" e demite-se da presidência da comissão parlamentar de Educação.

O ex-líder do CDS e atual deputado, José Ribeiro e Castro, demitiu-se da presidência da comissão parlamentar de Educação acusando a direção do partido de ter decretado o seu "silenciamento" impedindo-o de intervir em plenário.

Por essa razão Ribeiro e Castro, em carta enviado, no domingo, ao líder do grupo parlamentar do CDS, Nuno Magalhães, comunicou que abandonou a presidência da comissão de Educação.


O antigo líder do CDS não abdica do seu "lugar de deputado" - "assumo o meu lugar de soldado raso" - mas sublinha ser alvo de "uma punição administrativa que se agravou na última sessão legislativa"

Papa Francisco já enfrenta resistência no Vaticano. Ala tradicionalista da Igreja condena abertamente mudanças promovidas pelo Pontífice. Papa considera Igreja Católica muito "vaticanocêntrica".

 O “liberalismo selvagem” tem como resultado “tornar os fortes mais fortes, os fracos mais fracos e os excluídos mais excluídos”, diz também.
O Papa Francisco acena para a multidão durante cerimônia do Angelus na Praça de São Pedro: Pontífice demonstrou uma maior abertura às transformações das sociedades modernas, o que está lhe rendendo ataques de conservadores STEFANO RELLANDINI / Reuters/STEFANO RELLANDINI 



Papa Francisco já enfrenta resistência no Vaticano
Ala tradicionalista da Igreja condena abertamente mudanças promovidas pelo Pontífice


Fernando Eichenberg



PARIS - Não é raro o Papa Francisco deixar sua sala de trabalho na Residência de Santa Marta, na Cidade do Vaticano, tirar uma moeda do bolso e se servir de um café expresso na máquina instalada no corredor. Em mais de seis meses de pontificado, o sucessor de Bento XVI manteve seus austeros hábitos de cardeal franciscano, renunciou aos aposentos papais no Palácio Apostólico e a tradicionais símbolos do vestuário do cargo, como os sapatos vermelhos ou a cruz de ouro (ele usa uma de prata).

No discurso, o novo Pontífice demonstrou uma maior abertura às transformações das sociedades modernas, na rejeição de uma ingerência espiritual na vida pessoal, e criticou a “obsessão” da Igreja por temas como o casamento homossexual, o aborto ou os contraceptivos. A Igreja “dos pobres e para os pobres” do Papa Francisco tem suscitado entusiasmo entre fiéis, mas também desaprovação e severas críticas por parte de setores católicos conservadores.

Para o italiano Marco Politi, um dos mais respeitados vaticanistas, está em curso “uma verdadeira revolução”, num processo gradual de “desmontagem de uma Igreja imperial” em que o Papa era o monarca absoluto e a Cúria romana, o centro de dominação. O analista aponta uma firme intenção de Francisco em impor o “princípio de colegialidade” pela implementação de um mecanismo de consulta com os bispos para decidir sobre as mudanças necessárias à Igreja.

— Por isso que já ocorre uma resistência das forças conservadoras, não somente na Cúria, mas na Igreja. Mas até este momento, no escalão superior, os cardeais e bispos conservadores não falam abertamente contra o Papa, deixam as críticas mais furiosas aos sites na internet. Vemos em diferentes partes do mundo sites muito agressivos contra o Papa, acusando-o de populista, demagógico, pauperista, de não querer exercer o primado absoluto de Pontífice romano — nota Politi.

‘Enganador em turnês demagógicas’

O blog “Messainlatino.it”, que prega a renovação da Igreja “na esteira da tradição”, denunciou uma “real e verdadeira crise de identidade” do Pontífice por causa de uma de suas notórias declarações no voo de retorno à Itália da viagem ao Rio de Janeiro, onde participou da Jornada Mundial da Juventude (JMJ): “Se uma pessoa é gay, busca Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?”, disse Francisco. O site tradicionalista diagnosticou como “um sinal tangível de um extravio existencial que faz literalmente tremer os nervos e o corações dos fiéis”, e indagou de forma irônica: “Perdoe o atrevimento, vós não sois, talvez, o ‘Papa’? Não tendes, talvez, as chaves para abrir e fechar o Reino dos Céus?”.

Conservadores americanos reunidos no “Tradition in Action”, site baseado em Los Angeles que defende as “tradições católicas”, acusaram Francisco de ser um “enganador” que organiza “turnês demagógicas” em “estilo miserabilista”. Para o “Tradition in Action”, o Pontífice procura “dessacralizar os símbolos do papado a fim de aboli-los”. O site criticou seu gesto de retirar o solidéu para colocá-lo sobre a cabeça de uma menina: “Deste modo, quer parecer como um velho vovô que brinca com a sua netinha e, ao mesmo tempo, demonstrar que os símbolos do papado são inúteis”.

Bertone fora do caminho

Para o “Corrispondenza Romana”, setores da Igreja estão sendo controlados por “uma minoria de frades rebeldes de orientação progressista”. O site “Una Fides” censurou missas celebradas no Brasil em que sacerdotes distribuíram a eucaristia em copos de plástico: “O Senhor, um dia, pedirá contas pelos inumeráveis sacrilégios cometidos por milhões de crentes, milhares de sacerdotes, centenas de bispos, dezenas de cardeais e talvez até por alguns Papas.” Já a publicação americana “National Catholic Register” definiu a eleição de Jorge Mario Bergoglio como Papa como “mais um acréscimo à pilha das recentes novidades e mediocridades católicas”.

Para Marco Politi, haverá mais oposição entre bispos e cardeais no mundo do que dentro da Cúria, onde grande parte de seus integrantes estava decepcionada com a ineficácia administrativa de Bento XVI e com o autoritarismo do cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado do Vaticano.

— Não podemos saber como tudo vai evoluir, mas é certo que à medida que o Papa avançar em suas reformas, o movimento de resistência por parte dos conservadores será cada vez mais forte — avalia.

Para o posto de Bertone, o segundo na hierarquia da Santa Sé, foi nomeado o arcebispo Pietro Parolin, “um homem de grande experiência, que não tem uma atitude ideológica, mas de atenção para a realidade contemporânea”, diz Politi. O vaticanista lista, ainda, algumas mudanças importantes já feitas ou sinalizadas pelo Papa: o saneamento do Banco do Vaticano, com tolerância zero para as contas opacas; a criação do grupo de trabalho constituído de oito cardeais para refletir e elaborar propostas de reformas na Cúria, a comunhão para os divorciados recasados ou a ascensão de mulheres a postos de decisão na hierarquia da Igreja.

— Uma de suas decisões que provocaram bastante ruído em Roma foi a demissão do prefeito da Congregação do Clero, o cardeal Mauro Piacenza (substituído por Beniamo Stella), responsável pelas centenas de milhares de padres no mundo — acrescenta Politi. — Era muito conservador, e contra qualquer mudança na lei do celibato. Esta troca é um sinal claro de que o Papa não quer um conservador num posto-chave como este.

‘A instituição irá se defender’

Para o sociólogo francês Olivier Bobineau, especialista em religiões no Instituto de Ciências Políticas de Paris (Sciences-Po) e autor de “O império dos Papas — uma sociologia do poder na Igreja”, haverá um limite para as reformas de Francisco. Na sua opinião, o Pontífice já deu sinais de abertura, simplificou o protocolo hierárquico e poderá alterar o “clima e o ambiente” na Igreja, mas terá enormes dificuldades se desejar promover transformações mais profundas.

— A primeira coisa que ele teria de fazer é mexer no edifício hierárquico. Mas nem João XXIII conseguiu fazê-lo. A instituição irá se defender. Há padres e bispos que amam este poder hierárquico, e vão tentar conservá-lo por todos os meios. Não se pode sair de uma estrutura católica que remonta ao século V. Há 1.500 anos é assim. Um só homem não pode mudar isto.

Bobineau acredita que o Papa centrará seu Pontificado nas mensagens de amor e pelos pobres e em mudanças de estilo:

— Em sua recente entrevista à revista dos jesuítas, ele disse que as reformas estruturais e organizacionais são secundárias. Ele sabe. Seria necessário explodir tudo. Ele está no topo de uma estrutura hierárquica que em algum momento vai lhe impor limites. Quanto mais ele empurrar no sentido de mudanças, mais sofrerá resistências dos conservadores — prevê.

Entre 1º e 3 de outubro, o Conselho de oito cardeais se reunirá com o Papa para preparar um documento de trabalho com propostas de reformas na Cúria. No dia 4, Francisco visitará, pela primeira vez como Papa, Assis, a cidade do santo que inspirou o nome de seu pontificado.

— A expectativa é de que fará um discurso bastante forte sobre a pobreza na Igreja — arrisca Politi.

“Não existe um Deus católico… Acredito em Jesus Cristo, a sua encarnação."

Papa considera Igreja Católica muito "vaticanocêntrica"

Crítica a um governo da Igreja centrado no Vaticano, cujos interesses “são ainda em grande medida temporais”, numa entrevista publicada no dia em que começa a discutir reformas com um grupo de cardeais.
“Os chefes da Igreja foram com frequência narcisistas, amantes da bajulação e influenciados negativamente pelos seus cortesãos. A corte é a lepra do papado”, disse o Papa Francisco, numa entrevista ao diário italiano La Repubblica, em que considera a Igreja Católica muito “vaticanocêntrica” .
As declarações foram publicadas nesta terça-feira, dia em que começa um conselho de cardeais que pode decidir reformas na Igreja.
A Cúria – governo da Igreja – não é uma corte, mas encontram-se lá “cortesãos”, afirma o Papa. Francisco adianta que fará o que estiver ao seu alcance para mudar a mentalidade “vaticanocêntrica”. A Cúria centra-se muito nos interesses do Vaticano que “são ainda em grande medida interesses temporais”.
A entrevista é feita pelo fundador do La Repubblica, Eugenio Scalfari, e segue-se a uma troca de correspondência, depois de o jornalista ter manifestando ao Papa as razões do seu ateísmo. Francisco revela que, por momentos, ponderou não aceitar a eleição para liderar a Igreja, quando foi escolhido, em Março.
Falando sobre a sua fé, o Papa afirma: “Não existe um Deus católico…Acredito em Jesus Cristo, a sua encarnação. Jesus é o meu mestre e o meu pastor, mas Deus, o pai …é a luz e o criador."
O Papa Bergoglio distingue também clericalismo de cristianismo. “Não tem nada a ver com cristianismo”, sublinha. “Acontece-me também a mim: se encontro um clerical torno-me anticlerical.”
Francisco manifesta o entendimento de que a Igreja deve relançar-se a partir do Concílio Vaticano II e abrir-se à cultura moderna, participando nos grandes debates da actualidade.
Os “males mais graves que afligem o mundo” são, afirma, “o desemprego dos jovens e a solidão em que são deixadas as pessoas idosas”. O “liberalismo selvagem” tem como resultado “tornar os fortes mais fortes, os fracos mais fracos e os excluídos mais excluídos”, diz também.
Francisco começa nesta terça-feira uma reunião com oito cardeais de todo o mundo – Itália, Chile, Índia, Alemanha, República Democrática do Congo, EUA, Austrália e Honduras –  a quem pediu que o ajudassem a reformar a administração do Vaticano. “É o princípio de uma Igreja com uma organização não apenas vertical mas também horizontal”, disse.

O reforço do papel das mulheres na Igreja, a situação dos católicos divorciados e os abusos sexuais são outros assuntos que poderão ser abordados nas discussões que se devem prolongar por três dias. A intenção de criar o conselho de cardeais foi anunciada por Francisco um mês depois da sua eleição.