segunda-feira, 29 de abril de 2013

"SE AS ABELHAS DESAPARECEREM DA FACE DA TERRA, A HUMANIDADE TERÁ APENAS MAIS QUATRO ANOS DE EXISTÊNCIA. SEM ABELHAS NÃO HÁ POLINIZAÇÃO, NÃO HÁ REPRODUÇÃO DA FLORA, SEM FLORA NÃO HÁ ANIMAIS, SEM ANIMAIS NÃO HAVERÁ RAÇA HUMANA". Albert Einstein

Estudos apontam o dedo aos pesticidas como causa do "desaparecimento" das abelhas

Bruxelas avança com proibição de pesticidas que matam abelhas

Por Ricardo Garcia in Público

29/04/2013
Comissão Europeia vai impor medida, depois de nova votação ter resultado em maioria insuficiente. Portugal votou contra.

A Comissão Europeia vai impor a proibição de pesticidas suspeitos de estarem a dizimar populações de abelhas, apesar de a proposta não ter conseguido acordo dos países da União Europeia (UE).

Numa votação de recurso nesta segunda-feira, em Bruxelas, 15 Estados-membros posicionaram-se a favor da proposta da Comissão, que prevê a suspensão, por dois anos a partir de Dezembro, do uso de três pesticidas da família dos neonicotinóides, amplamente aplicados na agricultura. Oito países votaram contra – incluindo Portugal – e quatro abstiveram-se.
Portugal votou contra, alegando que é necessária outra metodologia para avaliar estes riscos. "É nosso entendimento que deve ser dada continuidade aos trabalhos já em curso com vista à consolidação dos princípios e orientações técnicas de avaliação do risco e tomada de decisão relativa aos efeitos dos produtos fitofarmacêuticos em abelhas e, ainda a revisão científica dos protocolos de ensaio de toxicidade de produtos fitofarmacêuticos sobre abelhas, incluindo outros polinizadores, de modo a melhor aferir dos efeitos tóxicos agudos, e subletais destes produtos e dos seus resíduos", diz uma resposta escrita enviada pelo gabinete de imprensa do Ministério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território.
Apesar de não se ter conseguido a maioria qualificada necessária para aprovar a proposta, o resultado da votação deixou a decisão nas mãos da Comissão Europeia, que já anunciou que irá avançar com as restrições.
Estudos recentes sugerem que alguns pesticidas neonicotinóides, uma vez absorvidos pelas abelhas através do néctar e do pólen das plantas, prejudicam a sua capacidade de navegação e resultam na produção de menos rainhas. Esta poderá ser uma das causas do “desaparecimento” das abelhas, deixando as colmeias vazias, que se tem verificado em vários países europeus e nos Estados Unidos.
Em Janeiro passado, a Agência Europeia de Segurança Alimentar considerou que o uso de tais produtos só seria aceitável em culturas onde as abelhas não se alimentam. Mas a ideia de os proibir vinha sendo vivamente rejeitada por alguns países e pelas multinacionais Bayer e Syngenta, os seus principais fabricantes.
“Dado que a nossa proposta se baseia em riscos para a saúde das abelhas identificados pela Agência Europeia de Segurança Alimentar, a Comissão irá adiante com o seu texto nas próximas semanas”, disse o comissário europeu da Saúde e do Consumidor, Tonio Borg, num comunicado.
Os pesticidas em causa são o tioametoxam, o imidacloprid e o clotianidin e representam problemas para as abelhas em culturas como canola, girassol, milho e cereais, segundo o relatório da Agência Europeia de Segurança Alimentar.
A Comissão vai banir o seu uso, excepto em culturas que não atraiam abelhas. Há algumas excepções também para estufas e para a aplicação dos produtos em culturas “problemáticas”, mas apenas depois da floração.
Onde o seu uso for permitido, os pesticidas só estarão disponíveis para profissionais.
A ideia inicial da Comissão era avançar com as restrições já em Julho, mas a data foi adiada para Dezembro. Dentro de dois anos, a situação será reavaliada.
A proposta de Bruxelas já tinha falhado uma primeira votação, dia 15 de Março, conseguindo apenas 13 votos a favor. Entre os países que então votaram contra ou se abstiveram, a Alemanha mudou agora de posição, apoiando a Comissão.
Já o Reino Unido manteve a sua oposição à proposta, argumentando que não há provas suficientes de que os pesticidas façam mal às abelhas e que os prejuízos na agricultura seriam elevados. Os fabricantes dos pesticidas também dizem que não há provas suficientes de que o seu uso em condições normais na agricultura cause problemas às abelhas.



"IN GREED WE TRUST"

"Os swaps são a normalidade no casino em que se tornou o capitalismo financeiro. Uma normalidade que foi aceite por aqueles que ocupam lugares que deveriam servir para defender os nossos interesses. Por isso, não se façam, por favor, de virgens escandalizadas e de pregadores de bons costumes. Afinal de contas, são clientes habituais deste bordel. Seus acérrimos defensores. Para não dizer que são seus funcionários."



Neste casino, os swaps são a normalidade


Daniel Oliveira 8:00 Segunda feira, 29 de abril de 2013 in Expresso online
O governo está chocado com os negócios de alto risco que os gestores de empresas públicas andaram a fazer com o nosso dinheiro, através da troca (swap) de taxas de juros variáveis por taxas fixas. A coisa, do ponto de vista do devedor, parece, quando os juros estão a subir (e foi o caso do momento em que a maioria destes contratos foram assinados), previdente. Sendo um ato comum de gestão, à época, é bom negócio se os juros sobem, uma tragédia se eles descem.
Só que, na realidade, porque não se tratava apenas da fixação de uma taxa de juro fixa, mas de um produto tóxico bem mais complexo para especulação financeira com dinheiros públicos, a coisa é um pouco mais grave. Seja como for, a Euribor desceu e as empresas estão a pagar juros muito acima dos praticados e têm dívidas muitíssimo superiores ao que lhes foi emprestado. Porque as instituições financeiras são hoje casinos e nos casinos o cliente perde sempre.
O PSD e o CDS vão abrir uma comissão parlamentar de inquérito. Querem saber o que Sócrates andou a fazer, claro. Não estarão muito interessados em saber o que os governos de Santana e Durão fizeram quando usaram este mesmo expediente. E já se livraram dos seus secretários de Estado que aprovaram essas operações quando eram gestores de empresas. Para que as coisas não pareçam o que são: responsabilidade de um bloco central de gestores e políticos. Agora, que a bomba lhes rebentou nas mãos, é preciso fazer o jogo do costume: atirar as culpas para o lado de lá e no meio ainda apanhar alguns inimigos internos da maioria.
O governo diz que está fulo com os bancos. Quer renegociar e, quem sabe, levar as coisas à justiça. Não pagar a parte especulativa de um negócio que só pode resultar da cumplicidade que sempre existiu, e continua a existir, entre o sector financeiro e a política (quantos ex-ministros estão em administrações de bancos?), não lhes passará pela cabeça.
Ainda assim, há uma evolução: os bancos que lucraram com esta desgraça já não são apenas os nossos credores, com os quais temos de cumprir os nossos compromissos, que assinámos de livre vontade. Já não ouvimos o discurso moralista, as comparações com a economia doméstica das famílias, a ética do bom pagador submisso que fez asneira e tem de pagar por ela. Já não nos dizem que se tivesse corrido bem estaríamos a lucrar e como correu mal temos de pagar. Já não se põem no lugar do homem honrado que cumpre o que assina.
Afinal, a relação dos Estados, dirigidos por gente sem coluna vertebral e à espera de boas carreiras no privado, com a finança tem mesmo sido a de um jogo em que há um lado que ganha sempre e outro que se lixa: o contribuinte. Afinal, os que desconfiam que alguns "compromissos" que os Estados firmaram com os credores não são mais do que uma forma extorsão não são "caloteiros" e "irresponsáveis".
Curioso ver como a cândida fé nos mercados e na banca se evaporou no segundo em que o governo percebeu que uma bomba lhe rebentaria nas mãos e ela não poderia, de forma fácil, ser vendida como responsabilidade exclusiva da outra parte do bloco central. Claro que o governo está a tentar vender a mesma história de sempre. Mas, azar dos azares, entre os que assinaram estes negócios ruinosos para as nossas empresas públicas, que sugaram mais dinheiro do que aquele que os insuportáveis aumentos nas tarifas dos transportes públicos, estava gente deste governo.
Exposto o bloco central, resta a retórica indignada contra a banca. Que suspeito que acabará em nada. Mas talvez faça escola. Talvez finalmente se perceba que o jogo está viciado. E que em jogos viciados não se aplicam as regras que funcionam entre cavalheiros. Talvez seja altura de, percebendo que é assim que as coisas agora funcionam, abandonarmos os velhos discursos da ética do devedor. E mandarmos o jogo abaixo. Ou eles, ou nós, assim deveria pensar quem nos representa. Governos que se batessem pelos interesses dos cidadãos até às últimas consequências. Usando todo o poder que têm e que ainda é, se quiserem, algum.
Estes swaps não são um escândalo, uma anormalidade, um abuso. São tão escandalosos comi a impossibilidade do BCE financiar diretamente os Estados que o sustentam para que estes sejam obrigados a se entregar à especulação com as dividas soberanas, engordando os bancos, que compram a dívida dos Estados para os BCE lhes comprar a eles. São tão anormais como as agências de notação que, com interesses diretos nesta especulação, brincam ao sobe e desce dos ratings em momentos convenientes. São tão abusivos como a nacionalização dos prejuízos dos bancos a quem o jogo, mesmo quando está viciado, corre mal.
Os swaps são a normalidade no casino em que se tornou o capitalismo financeiro. Uma normalidade que foi aceite por aqueles que ocupam lugares que deveriam servir para defender os nossos interesses. Por isso, não se façam, por favor, de virgens escandalizadas e de pregadores de bons costumes. Afinal de contas, são clientes habituais deste bordel. Seus acérrimos defensores. Para não dizer que são seus funcionários.

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Euforia e ilusões no ressurgir da "rosa".


Euforia e ilusões no ressurgir da "rosa"


Seguro uniu o partido como pôde e queria, acenando-lhe com vitórias. O resto será tudo menos fácil

Editorial Público /
29/04/2013


No discurso inaugural de sexta-feira, António José Seguro já tinha deixado claro ao que vinha: estava ali para unir o PS (com ex-adversários, amigos ou menos amigos, os que viessem) e para, selada essa união, prometer um caminho de vitórias. Sérgio Sousa Pinto ainda destoou da euforia geral, ao falar num "problema de credibilidade" por resolver e num "irrespirável impasse" por onde andaria o partido. Mas os ouvidos abrem-se mais facilmente às boas notícias e essas Seguro quis dá-las em forma de um renascimento "rosa": uma Convenção Novo Rumo aberta a todos (decalque dos Estados Gerais de Guterres, certamente), um programa eleitoral feito a partir daí, que reúna o maior dos consensos (palavra que ele aceita, claro que aceita, mas só quando for ele próprio a governar), uma miragem de vitória para as autárquicas e, num previsível crescendo, uma vitória ainda maior nas legislativas, para as quais Seguro vai já pedindo maioria absoluta para o PS. Não é nada que Portugal não tenha já visto ou ouvido, a maior parte das vezes com resultados funestos. Muito do que Seguro propôs no congresso poderá soar como um bálsamo para muita gente: quem é que não quer reduzir o emprego jovem pelo menos para metade? Quem é que não aplaudirá um governo que, como garante agora Seguro, "porá o emprego no coração das suas políticas e da sua acção"? Quem é que rejeita a defesa do Estado social, junto com os seus benefícios? Quem dirá não a uma Europa mais justa? E, no entanto, tantas palavras igualmente auspiciosas foram já gastas por outros candidatos a primeiro-ministro do país para depois se esboroarem na realidade que depressa trata de afogar as gongóricas promessas pré-eleitorais. Seguro pede uma maioria absoluta para governar, mas terá de provar merecê-la. E será tudo menos fácil. Os portugueses ainda não esqueceram o que sucedeu com Sócrates e, depois, com Passos Coelho. E já estão fartos de ser cobaias.



Santa Apolónia . Informação e Táxis, dois importantes problemas a resolver.


Táxis, um problema à espera de solução

 Multas por preços acima da tabela

O inquérito do Observatório de Turismo de Lisboa revela que 32% dos cruzeiristas deslocam-se de táxi em Lisboa. Assim, "não se compreende como é que no terminal de Sta. Apolónia não há uma praça de táxis como deve ser", afirma Carlos Ramos, presidente da Federação Portuguesa do Táxi. "Nós já manifestámos a nossa discordância relativamente à forma como estão montadas as praças de táxis ao pé dos terminais", diz o responsável, adiantando que a Federação, conjuntamente com a ANTRAL (uma outra associação do sector), está a trabalhar "numa proposta de credibilização dos táxis". A 17 de Abril, dia em que Lisboa recebeu cerca de 8500 turistas de cruzeiros, a PSP deteve um taxista e multou quatro no Cais da Rocha do Conde de Óbidos por praticarem preços acima da tabela. Também em Santa Apolónia, um destes dias, alguns taxistas tentavam convencer os turistas a fazer um tour pela cidade por 220 euros. Trata-se de uma situação que, segundo Carlos Ramos, é frequente. "O Porto e a Câmara têm responsabilidade nisso", diz, apelando a que se "arranje uma solução para o futuro". J.P.P.




Vêm de longe e vão para longe, mas perdem-se à chegada a Lisboa

Por João Pedro Pincha in Público
29/04/2013

Os turistas dos cruzeiros gostam de Lisboa e de passear a pé por ela. Muitos deles decidem explorar a cidade pelos seus meios, mas o passeio pode tornar-se longo - a informação junto aos terminais é escassa

"Lovely, lovely" é o comentário que mais se ouve no cais do Jardim do Tabaco aos turistas que começam a regressar ao Queen Elizabeth, o navio de cruzeiro com capacidade para cerca de 2100 passageiros que, por esta altura, estará no mar alto, de volta a Inglaterra. É o termo de um cruzeiro que começou em Southampton e teve a capital portuguesa como primeira escala.
Lisboa é "lovely", mas Malcolm e Tina Stevens, originários do Reino Unido, perderam-se mal saíram do navio. Queriam ir para o Castelo e foram dar ao Panteão Nacional, bastante perto do Jardim do Tabaco mas relativamente longe do centro da cidade. Segundo o casal, o local de desembarque inicialmente previsto foi alterado, o que provocou o desnorte, uma vez que não conseguiram localizar o cais no mapa fornecido a bordo.
À saída do navio, contudo, também não viram qualquer sinalética que indicasse onde era a Baixa, o Castelo ou mesmo o Panteão Nacional. Por isso, em vez de seguirem logo para o Castelo, demoraram duas horas a perceber como ir do Campo de Santa Clara, onde fica o Panteão, até às portas da fortaleza medieval da capital.
"Só não me perdi porque havia a bordo um cavalheiro que explicou tudo", diz outro passageiro, também britânico, que está em Lisboa pela segunda vez. Segundo relata, "houve uma apresentação no navio sobre Lisboa" e foi dado aos passageiros um mapa para se orientarem na cidade.
Quando o Queen Elizabeth chegou, a maioria dos turistas optou por conhecer a cidade através dos autocarros de sightseeing que já esperavam o seu desembarque. Quem escolheu passear por sua própria conta chegou ao parque de estacionamento e não viu nenhuma indicação. "A boa sinalização contribui para melhorar a experiência do passageiro de cruzeiro na cidade", admite Andreia Ventura, administradora do Porto de Lisboa.
Neste sentido, a administração do porto "tem vindo a colaborar com a Câmara Municipal de Lisboa no sentido de melhorar a sinalética existente junto aos terminais e também na futura identificação de diferentes percursos turísticos na cidade", diz a responsável.
Em Santa Apolónia, a escassa distância do Jardim do Tabaco, o cenário é idêntico: os passageiros saem dos cruzeiros e não encontram sequer uma placa que lhes indique a direcção do centro da cidade. Os turistas alemães que vieram no Albatros, na quarta-feira passada, são de poucas falas mas dizem que chegaram ao centro através da carreira 728, cuja paragem se situa em frente ao terminal e que eles descobriram "procurando".
"Não temos queixas", diz ATL
É para esta zona da cidade que está previsto o novo terminal de cruzeiros, cujo concurso de construção deverá ser lançado durante o mês de Maio. Quando estiver pronto, toda a operação de navios de cruzeiro será concentrada aqui, admitindo Andreia Ventura que "as restantes infra-estruturas existentes poderão ser utilizadas nos dias em que o número de navios em porto assim o justifique".
Ou seja, o terminal de cruzeiros de Alcântara, projectado por Pardal Monteiro e aberto ao público em 1942, com os célebres painéis de Almada Negreiros, tem um futuro incerto. Por agora, recebe cruzeiros como o Crown Princess, com capacidade para 3080 passageiros.
Dois desses passageiros, Rick e Sharon, canadianos, mostram-se muito interessados em perceber por que é que as ruas de Lisboa estão tão cheias de gente. É 25 de Abril, e depois de perceberem a importância da data, arriscam: "Provavelmente foi por isso que não conseguimos comprar bilhetes na estação de comboios". Antes das dificuldades em comprar bilhetes, porém, tiveram dificuldade em encontrar a própria estação.
"Chegámos aqui fora e não vimos um único sinal a dizer onde era a estação", dizem, contando que seguiram em direcção às Docas - o sentido oposto - antes de serem "ajudados por um senhor idoso muito simpático". "Não percebo, em todos os outros portos há gente a querer dar-nos informações, ansiosos por nos levar para autocarros. Aqui não havia ninguém", comenta Rick.
Mapa pouco claro
Duas amigas, uma britânica e outra americana, queriam precisamente apanhar um autocarro de sightseeing. "Foi bastante difícil encontrar a paragem, não havia aqui nenhum à espera e o mapa não era nada claro", contam.
A zona de desembarque de Alcântara tem um mapa publicitário de Lisboa com os percursos de uma das empresas de sightseeing a operar na cidade. Ao lado, um painel da CP informa que Alcântara tem uma estação de caminhos-de-ferro, mas não fornece qualquer indicação sobre que direcção tomar uma vez fora do terminal.
Um casal americano, do Texas, teve a mesma dificuldade que Rick e Sharon em encontrar a estação e também em comprar bilhetes. "Não temos recebido queixas" sobre a sinalização dos terminais, garante Vítor Costa, director-geral do Turismo de Lisboa. "De qualquer modo consideramos indispensável que se melhore a sinalização, designadamente para o percurso pedonal até à Baixa e Alfama", acrescenta.
De acordo com a administração do porto, em Fevereiro de 2012 foi criado o Lisbon Cruise Club, "que conta já com 32 membros e junta entidades públicas e privadas com o objectivo de contribuir para a melhoria da actividade de cruzeiros", adianta Andreia Ventura. Neste clube, há "um grupo de entidades que tem vindo a trabalhar para encontrar soluções de melhoria da recepção dos turistas de cruzeiro em Lisboa", afirma.
Segundo os resultados de um inquérito do Observatório do Turismo de Lisboa divulgado na semana passada, 44,8% dos turistas de cruzeiro que visitam a cidade preferem fazê-lo pelos seus próprios meios e 67,2% deslocam-se a pé.
Apesar da ausência de sinalização à saída dos terminais, a "rapidez no acesso à cidade" ficou em terceiro lugar na lista daquilo que os turistas mais gostaram em Lisboa, no ano passado.
Em 2013, a administração do porto espera receber 355 navios de cruzeiro nas águas do Tejo, o que trará à cidade cerca de 560 mil turistas - um crescimento de 7% face a 2012, ano em que Lisboa acolheu 522 mil passageiros de cruzeiros. Destes, 50,8% têm intenção de voltar. Porque, para eles, Lisboa é "lovely", mesmo que se percam à chegada.



Sindicato dos Jornalistas "muito preocupado" com suspensão de jornalista da TVI.



Sindicato dos Jornalistas "muito preocupado" com suspensão de jornalista da TVI

Por Mariana Oliveira in Público
29/04/2013

"Estou muito preocupado que esta situação seja vista internamente como um sinal de repressão dissuasor dos direitos dos jornalistas da TVI",

Alfredo Maia receia que caso que envolve Ana Leal esteja a "criar ambiente de intimidação na redacção" da estação de televisão

O presidente do Sindicato dos Jornalistas, Alfredo Maia, afirma estar a acompanhar o processo que levou à suspensão da jornalista da TVI Ana Leal com "enorme preocupação, não só em relação à visada como também em relação à redacção" da estação de televisão. Alfredo Maia sublinhou ontem ao PÚBLICO que este caso é inédito e precisou que "em 36 anos de profissão nunca viu um jornalista ser alvo de um processo disciplinar por exercer um direito".
"Estou muito preocupado que esta situação seja vista internamente como um sinal de repressão dissuasor dos direitos dos jornalistas da TVI", realçou. E acrescentou: "Receio que esteja a ser criado um ambiente de intimidação na redacção da TVI." A suspensão, notificada na sexta-feira a Ana Leal, seguiu-se a uma participação da jornalista feita em Fevereiro ao Conselho de Redacção pedindo esclarecimentos sobre a retirada de uma notícia sua do alinhamento do Jornal das 8 de 26 de Janeiro, pela subdirectora Judite Sousa.
Contactado pelo PÚBLICO, o presidente não executivo da Media Capital, Miguel Pais do Amaral, não quis comentar o caso em concreto, nem as palavras do sindicalista. Mas insistiu que a TVI "nunca foi tão credível, tão séria e tão independente como agora". Pais do Amaral fez ainda duras críticas à anterior "linha editorial do canal", dizendo que "não era informação credível e séria", sem nunca referir nomes. O presidente não executivo da Media Capital referiu-se a Ana Leal e a outros colegas como "jornalistas apoiantes dessa linha" e enfatizou ter uma "grande admiração por José Alberto Carvalho e Judite Sousa", que formam a Direcção Editorial.
O PÚBLICO começou a noticiar este caso em Fevereiro, tendo tido cada vez mais dificuldade em contactar com elementos da redacção da TVI. Vários profissionais recusaram-se a falar com o PÚBLICO pelo telefone, temendo represálias internas.
Em causa, na notícia de Ana Leal, estava o facto de o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), então dirigido por Cândida Almeida, ter chamado a si um inquérito sobre a forma como foi adjudicado o polémico Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP), mas depois ter optado por não reabrir o caso.
A notícia dava conta deste recuo do DCIAP numa altura em que se aproximava a eventual renovação da comissão de serviço de Cândida Almeida (que acabou por ser afastada pela nova procuradora-geral da República) e deveria ter sido emitida a 26 de Janeiro, a par de uma outra do jornalista Carlos Enes. Esta última dava conta do não funcionamento do SIRESP, que custou mais de 500 milhões ao Estado, durante a vaga de mau tempo em Janeiro.



domingo, 28 de abril de 2013

Governo prepara corte das pensões vitalícias de políticos.

Este ano, o Governo prevê gastar 6,4 milhões de euros com reformas vitalícias.

Proposta

Governo prepara corte das pensões vitalícias de políticos.

26 Fevereiro 2013, por Jornal de Negócios Online
negocios@negocios.pt

Proposta será apresentada à troika na sétima avaliação do programa de ajustamento português. Além das reformas dos políticos estão ainda em causa as pensões pagas pelo Banco de Portugal e Caixa Geral de Depósitos.
Os ministros das Finanças e da Segurança Social vão propor à troika cortes nas pensões de valor superior a 5.000 mil euros por mês e que resultem de carreiras contributivas curtas, noticia o “Correio da Manhã” esta terça-feira. Na mira do Governo estão as pensões vitalícias pagas a políticos, bem como as reformas da Caixa Geral de Depósitos e do Banco de Portugal.
Segundo adianta o jornal, esta proposta de Vítor Gaspar e Pedro Mota Soares visa contornar a eventual declaração de inconstitucionalidade do Tribunal Constitucional relativamente aos cortes previstos no Orçamento do Estado de 2013, designadamente a contribuição especial de solidariedade, aplicada aos pensionistas com reformas superiores a 1.350 euros por mês.
Este ano, o Governo prevê gastar 6,4 milhões de euros com reformas vitalícias.



RTP: contagem decrescente para o colapso? A CENSURA, ANTES E DEPOIS DE 1974, NO EXPRESSO: UM CASO POR ESCLARECER.


“Já ritual, o 25 de Abril envelhece na TV. A SIC destacou-se com um telefilme bem escrito, realizado e interpretado. ‘Lápis Azul’ juntou história e ficção nos Serviços de Censura cortando notícias do Expresso. Com economia de meios e de narrativa e um expressivo preto e branco, o telefilme foi boa ficção histórica. O telefilme coincidiu com a divulgação, em 19 de Abril, pela jornalista Marisa Moura, de casos de censura em 2010-11 na Exame e no Expresso, do mesmo grupo da SIC. Os trabalhos da jornalista não convinham, pois podiam pôr em causa publicidade empresarial. As grandes empresas são hoje o quinto poder. Impõem--se a alguns media. O grupo Impresa ainda não reagiu às acusações da jornalista. Um silêncio assustador.”

Eduardo Cintra Torres in CM.

RTP: contagem decrescente para o colapso?
Por: Eduardo Cintra Torres (ectorres@cmjornal.pt)

A RTP 2 está em 2% de share. Também a RTP 1 vai desaparecendo. Por ter programas com interesse público? Não. Por navegar à vista. Por estar paralisada, sem rumo, desmoralizada. Por fazer o contrário do prometido. O presidente anda em festas e entrevistas, em promoção pessoal. Do ilegal "director-geral", responsável pela total ausência de estratégia, não sai uma ideia. Apresentado como sucesso, o programa de rescisões amigáveis foram 207 consultas, não rescisões – e, entretanto, a RTP contrata um correspondente externo para Timor sem abrir concurso interno. A Direcção de Marketing (a única que interessa ao presidente), já com 36 pessoas, continua a crescer. E a RTP Meios foi aumentada ao ponto de se tornar impraticável. Para impedir críticas do provedor do espectador, a RTP não lhe renova o contrato e prepara-se para contratar alguém que fez parte durante décadas do "sistema" da empresa (e identificado com o PSD). Alguém acreditará na sua independência?
Nas rádios, o director de programas, Rui Pêgo, não faz reuniões com equipas há sete anos. A programação de TV não existe. O "director-geral" e os directores de programas e de informação não estão à altura. Em vez de interesse público, a RTP afunda-se em populismo, programas-dinossauros, repetições. Recorre desesperadamente às telenovelas: três por dia na RTP 1 (‘Éramos Seis’, ‘Sinais de Vida’, e ‘Windeck’, esta produzida pelo filho do presidente angolano e aceite a custo zero pela RTP). Programas novos? Comédias tipo anos 80, com a "ministra" Ana Bola e nova versão de Duarte & Ca. Na Informação, que contratou o maior divisor comum dos portugueses (J. Sócrates), há dois directores de "baixa".
Querem uma RTP comercial, mas a publicidade diminui. Com menos anúncios, o fim das "indemnizações compensatórias", a reposição de subsídios salariais por decisão do TC e a proibição europeia de subsídios por portas travessas, poderá não haver dinheiro em breve.
O caminho para a nova tutela governamental não é fácil. Ou mexe agora no ninho de lacraus e é um ai-jesus das carpideiras do costume, que querem ainda roer o que resta do osso em proveito próprio, ou pode deixar andar a RTP como ela quis, até que rebente. Já não falta muito. Talvez nessa altura se pudesse fazer a revolução tranquila e criar um serviço de interesse público a sério.

Texto escrito com a antiga grafia

A VER VAMOS

A CENSURA, ANTES E DEPOIS DE 1974, NO EXPRESSO: UM CASO POR ESCLARECER

Já ritual, o 25 de Abril envelhece na TV. A SIC destacou-se com um telefilme bem escrito, realizado e interpretado. ‘Lápis Azul’ juntou história e ficção nos Serviços de Censura cortando notícias do Expresso. Com economia de meios e de narrativa e um expressivo preto e branco, o telefilme foi boa ficção histórica. O telefilme coincidiu com a divulgação, em 19 de Abril, pela jornalista Marisa Moura, de casos de censura em 2010-11 na Exame e no Expresso, do mesmo grupo da SIC. Os trabalhos da jornalista não convinham, pois podiam pôr em causa publicidade empresarial. As grandes empresas são hoje o quinto poder. Impõem--se a alguns media. O grupo Impresa ainda não reagiu às acusações da jornalista. Um silêncio assustador.
JÁ AGORA
JORNALISTAS MILITANTES

Na RTP 1, o repórter J. M. Levy, num directo, pôs-se a distribuir cravos (acto patético que lhe saiu mal: nem um entregou). Há meses, na manif contra a troika, a repórter Joana Latino, da SIC, abraçou-se a um manifestante. Das duas uma: ou são jornalistas ou abandonam a neutralidade jornalística e participam nos acontecimentos. Nos dois casos não foram jornalistas.