sexta-feira, 4 de junho de 2021

 


We speak english, pá!

https://expresso.pt/opiniao/2021-06-04-We-speak-english-pa-343dff9b

 

"Primeiro vendemos a autonomia financeira do Estado, depois vendemos os bancos e as grandes empresas, a seguir vendemos as dívidas falidas a fundos-abutre por 10%, vendemos a cobrança de impostos a reformados europeus e vendemos-lhes os prédios nas avenidas das cidades, as casas na praia e as quintas no campo, agora vendemos a vergonha e as regras nacionais em troca de barris de cerveja e pires de amendoins, come to Portugal, aqui é very nice, por umas libras é all you can eat com bebidas à parte, abrimos as portas, abrimos os braços e até abrimos as penas, toste o pão e toste ao sol, os nossos baixos salários são o seu paradise, isto sai baratinho, faça o que lhe aprouver, leve o que quiser, deixe like no TripAdvisor — e até à próxima, má frend! (...)

Mais vale dizer a verdade, servimos sardinhadas porque estamos tesos como carapaus. E por isso os ingleses estão acima das regras sanitárias, os suecos e os finlandeses abaixo da tributação de IRS, a TAP engole três mil milhões porque precisamos dos brasileiros e dos americanos, queremos 27 milhões de turistas daqui a meia dúzia de anos porque isso é o nosso ganha-pão.

São todos bem-vindos, sem ponta de ironia, turistas e capitalistas. Mas assuma-se que o modelo é uma economia descapitalizada e sobre-endividada, uma economia desinvestida, de baixos salários e baixos preços (...) Se Costa fosse Durão, pirava-se a tempo para a Europa, como Centeno já se mudou para a filial portuguesa do BCE, e deixava isto ao próximo gestor de falências, que lá engrenará no círculo vicioso do sistema viciado. Assim como assim, nós ficaremos cá, mais abanados que abonados, à espera de um futuro diferente do de sermos a marquise da Europa."

No Expresso.

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