Bilhetes entre Portugal e Reino Unido disparam com
britânicos a antecipar regresso a casa
Os preços dos bilhetes dispararam com os britânicos a
anteciparem a partida para evitar a quarentena no regresso a casa. Com a saída
de Portugal da “lista verde”, a partir da próxima terça os turistas britânicos
são obrigados a cumprir uma quarentena de 10 dias à chegada.
O Algarve será a região mais afetada pela decisão do
governo britânico.
Luís Forra/Lusa
Cátia Rocha
catiarocha@negocios.pt
10:52
Após o anúncio de
que Portugal vai sair da "lista verde" do Reino Unido, decisão conhecida
esta quinta-feira, foram vários os turistas britânicos a passar férias em
Portugal a tentar antecipar o voo de regresso ao país. O objetivo? Tentar
contornar uma quarentena de 10 dias à chegada, que passa a ser obrigatória a
partir das 4 horas da próxima terça-feira, dia 8.
A corrida aos
bilhetes fez disparar os preços dos voos, especialmente para as viagens na
véspera da mudança. Os preços estão mais altos para os principais aeroportos
portugueses, com as viagens mais caras a partir do aeroporto de Faro, já que o
Algarve concentra uma boa parte dos turistas ingleses.
Tanto no site de
comparação de preços de voos Skyscanner como no Google Voos é possível
encontrar grandes variações de preços. No caso do Google, é mesmo feito o
alerta de que os preços estão altos, aconselhando o utilizador a procurar voos
para outras datas.
De acordo com o
site Skyscanner, um voo de cerca de três horas entre Faro e Londres, através da
British Airways, na segunda-feira pode custar 827 euros por pessoa. Neste dia,
o voo mais barato aproxima-se dos 400 euros. Ainda segundo o Skyscanner, as
opções mais baratas a partir de Faro com destino a Londres só podem ser
encontradas para viajar este sábado, com preços a partir de 125 euros. Este
valor está acima do preço médio de uma viagem entre estes dois destinos, que
costuma ficar abaixo dos 100 euros por pessoa.
Os aumentos de
preços também são sentidos nas viagens a partir do aeroporto de Lisboa e Porto,
ainda que não tão elevados como no caso de Faro. Um voo entre Lisboa e
Heathrow, na segunda-feira, através da TAP ultrapassa os 450 euros; através da
British Ways a viagem é ainda mais cara, ultrapassando os 760 euros. A partir
do Porto só existe um voo com destino a Londres, que também ultrapassa os 460
euros.
A partir de
terça-feira, quando os turistas britânicos já estão sujeitos a quarentena à
chegada, os preços caem a pique: o voo mais barato a partir de Faro custa 80
euros, por exemplo. No Google Voos, o resto da semana apresenta voos ainda mais
baratos, quase sempre abaixo dos 50 euros.
O anúncio do
Reino Unido transtornou não só os planos de férias de muitos britânicos por cá
mas também os planos das companhias aéreas. A meio de maio, companhias como a
Ryanair ou a easyJet adicionaram milhares de lugares em voos entre o Reino
Unido e Portugal, na tentativa de aproveitar a inclusão do país na lista verde.
Outros destinos populares entre os britânicos, como a Espanha ou a Grécia,
continuam fora da "lista verde".
Em comunicado, o
CEO da easyJet, Johan Lundgren, afirmou que "o Governo rasgou o seu
próprio livro de regras e ignorou a ciência, deixando os planos das pessoas num
caos". "Esta decisão essencialmente corta o Reino Unido do resto do
mundo".
De acordo com a
Bloomberg, o operador turístico Jet2 anunciou esta sexta-feira que vai adiar o
recomeço de atividade uma semana, para dia 1 de julho. A empresa pediu ainda ao
Governo britânico que seja mais "transparente" relativamente aos dados
que são usados para tomar decisões relativamente à lista.
Portugal passou
da "lista verde" para a "lista âmbar", que obriga a uma
quarentena de 10 dias na chegada ao país. A decisão foi conhecida esta
quinta-feira, numa atualização em que não foi adicionado nenhum país à
"lista verde".
Através do
Twitter, o ministério dos Negócios Estrangeiros reagiu à decisão, indicando que
tomou nota da decisão, mas que não compreende a lógica. "Tomámos nota da
decisão britânica de retirar Portugal da "lista verde" de viagens,
uma decisão cuja lógica não se alcança. Portugal continua a realizar o seu
plano de desconfinamento, prudente e gradual, com regras claras para a
segurança dos que aqui residem ou nos visitam", sublinhou o ministério de
Augusto Santos Silva.
Turismo considerou saída da lista "desastrosa"
Após o anúncio do
Reino Unido, a Confederação do Turismo de Portugal (CTP) considerou
"desastrosa" para o turismo português a decisão do Reino Unido de
retirar Portugal da "lista verde".
"Esta é uma
notícia muito preocupante e penalizadora, não só para o turismo, mas também
para a economia nacional, já que estamos a falar da principal atividade
exportadora do país", afirmou a CTP.
A confederação
notou também que "a retoma que se iniciou nas últimas semanas com a
chegada dos turistas ingleses vai ser abruptamente interrompida durante, pelo
menos, três semanas", antecipando um impacto nas reservas, especialmente
no Algarve.

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