Fogos e seca
fazem Portugal cair oito lugares em ranking ambiental
Portugal está
agora na 25.ª posição, a meio da tabela. Nas políticas ambientais, Portugal
sai-se muito melhor.
Patrícia Carvalho
Patrícia Carvalho
10 de Dezembro de 2019, 9:00
Portugal caiu
oito posições no Índice de Desempenho das Alterações Climáticas (CCPI, na sigla
inglesa), que avalia 57 países e a União Europeia nas categorias de emissão de
gases com efeito de estufa (GEE), uso de energias renováveis, consumo de
energia e políticas ambientais.
A queda no índice
deve-se, curiosamente e em parte, aos efeitos causadas pelas próprias
alterações climáticas, já que os dados aqui avaliados são de 2017, quando o
país foi devastado por fogos e afectado por uma grande seca que levou à queda
da produção hidroeléctrica e a um maior recurso a combustíveis fósseis.
O CCPI é feito
anualmente por um conjunto de organizações não-governamentais, que usam dados
estatísticos disponíveis para avaliar o desempenho dos vários países. O
documento com os dados mais recentes, a que o PÚBLICO teve acesso, vai ser
apresentado esta terça-feira na 25.ª Conferência das Partes (COP25) da
Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas, em Madrid.
Como já vem sendo
habitual, os três primeiros lugares do índice, que corresponderiam a avaliações
“muito altas” e significariam que esses classificados estavam em linha com o
cumprimento das metas do Acordo de Paris, ficaram vazios. O 4.º lugar (que na
prática corresponde ao primeiro), volta a pertencer à Suécia, logo seguida da Dinamarca
(que sobe onze lugares no índice) e Marrocos. No extremo oposto, o último lugar
é ocupado pelos Estados Unidos da América, com Arábia Saudita e Taiwan logo
acima dele.
A queda de
Portugal, que fica agora na 25.ª posição (22.ª se considerarmos que os três
primeiros lugares estão vazios), deve-se sobretudo ao aumento de emissões de
GEE, entre 2012 e 2017, o que valeu ao país uma classificação de “muito baixo”
desempenho nesta área. O país foi avaliado com um desempenho “médio” ao nível
das energias renováveis e do uso energético — prejudicado pelo fim da crise e o
consequente aumento do consumo, sendo também essa a classificação global que
obtém.
Já nas políticas
ambientais, Portugal sai-se muito melhor. Recebe uma classificação de
desempenho “alto” nas políticas internas e de “muito alto” pela forma como se
tem comportado nas negociações a nível internacional (é mesmo o 1.º
classificado nesta categoria), nomeadamente, no âmbito da União Europeia, em
que se bateu pela redução de emissões de GEE em 55% até 2030 e a neutralidade
carbónica em 2050, refere o estudo.
O Governo de
António Costa não se livra, contudo, de críticas, sobretudo pelas isenções que
ainda são concedidas aos combustíveis fósseis e pelas concessões ainda activas
de exploração de gás, na zona centro do país.
Entre os aspectos
mais positivos, destaca-se o anúncio de que o fecho das centrais de carvão foi
antecipado para 2023. A revisão das políticas florestais também é saudada, mas
com alguma expectativa, já que não se sabe que resultados trará.
Em comunicado, a
Zero - Associação Sistema Terrestre Sustentável (que participa no relatório)
realça que o país se encontra quatro lugares abaixo da União Europeia, mas nove
lugares acima de Espanha, onde está a decorrer a COP25. Os países com pior
desempenho na UE são a Bulgária e a Polónia.
A nível global, a
associação refere que do grupo do G20, apenas dois membros (Reino Unido e
Índia) têm uma classificação “alta”, enquanto oito não vão além de “muito
baixa”. A China, que é o maior emissor global, melhora ligeiramente a sua
classificação e fica em 30.º lugar. Mas, se implementar “os seus extensos
planos para construir novas centrais a carvão”, poderá cair abruptamente no
índice, refere a Zero.
Já os Estados
Unidos assumem, pela primeira vez, o último lugar da tabela, com os desempenhos
da política de Donald Trump a serem classificados como “baixos” ou “muito
baixos”. Ainda assim, há pelo menos um item em que a Austrália conseguir
sair-se ainda pior. Este é o único país a obter um zero (em 100 pontos
possíveis) na categoria políticas ambientais.
tp.ocilbup@ohlavrac.aicirtap


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