Ventura
recusa "chantagens" de Montenegro e ameaça "deitar tudo
abaixo"
Maria
Lopes /
11 ABRIL
Pelo Chega, André Ventura começa por dizer que
"não começou bem" a legislatura de Luís Montenegro por ter dito que
os partidos que lhe viabilizarem o Governo devem continuar a deixá-lo governar
até ao fim do mandato. Na verdade, o presidente do Chega lamenta que o líder do
PSD tenha posto de parte "as forças que poderiam verdadeiramente construir
uma maioria lhe permitiria" governar com estabilidade.
"Pelo contrário, parece apostado em
derrubar tudo da pior maneira", ameaça Ventura porque Montenegro está a
dizer à IL e ao Chega "que têm que dar apoio para o resto da
legislatura". O líder do Chega desafia: "Então, se quiser, diga isso
já hoje (...) e isto via já abaixo. (...) Chantagem é coisa que a Assembleia da
República não deve ter."
Ventura lembra ainda que o PSD teve um
"resultado muito parecido com o de 2022 [quando tinha 79 deputados], mas
vem aqui dizer que 'não temos que falar com ninguém'. "Vai correr
mal", volta a ameaçar o líder do Chega, que diz que Montenegro se está a
inspirar no cavaquismo para governar. O que é "um erro", já que
Cavaco Silva "perdeu para o Chega na sua terra", afirma, numa
referência ao facto de o Chega ter sido o partido mais votado no distrito de
Faro nestas legislativas.
"Tenha a humildade que os portugueses lhe
pediram no dia 10, o que seria governar verdadeiramente à direita. (...) O
homem que ia varrer o socialismo de Portugal foi pôr-se nas mãos daquela
bancada. Como é que diz que está tudo errado no PS - e está - e mete 32 medidas
do PS no seu programa?", questiona o líder do Chega.
Ventura diz que Montenegro quer transparência,
mas atira com o caso das gémeas, sobre o qual o PSD disse não aprovar a
comissão de inquérito proposta pelo Chega. "Deixe lá os cavaquismos dos
anos 80 e a arrogância desta casa", pede. Para a seguir falar de temas em
que quer medidas, como o combate à corrupção, os serviços de saúde, as
reivindicações dos polícias e dos oficiais de justiça
"Tem as condições políticas, economias e
financeiras para o orçamento rectificativo quando quiser para depois chantagear
as forças políticas desta casa e dizer que não o deixaram fazer.
"Primeiro o país, depois o partido e
depois a nossa circunstância pessoal. Saberá tão bem quanto eu de quem é esta
frase. Deixemos de parte a circunstância. (...) vamos varrer o socialismo, é
isso com que contamos da vossa parte", pede Ventura, citando Francisco Sá
Carneiro.
11 ABRIL | 12:26
"Não
começou bem a sua legislatura", disse Ventura a Montenegro
André Ventura, presidente do Chega, começou a
sua intervenção ao criticar o primeiro-ministro. "Não começou bem a sua
legislatura no Parlamento", disse.
"Quase que diz ao PS e ao Chega: se nos
derem cartão branco têm de nos dar até ao fim da legislatura. Senhor
primeiro-ministro, se quiser resolver hoje podemos resolver já hoje ou
amanhã", declarou Ventura. "Chantagem é coisa que a Assembleia da
República não deve ter", sublinhou.
"Vai correr melhor, senhor primeiro-ministro", avisou.
"Tenha a humildade que os portugueses lhe
pediram no dia 10 de março, seria a de governar verdadeiramente à
direita", referiu Ventura na sua intervenção, pedindo a Montenegro para
deixar de lado os "cavaquismos".
"Não consigo compreender que diz que está
tudo errado no PS, e está, e mete 32 medidas do PS no seu programa",
prosseguiu.
"Quero
dizer-lhe que o Governo começou bem", respondeu Montenegro a Ventura.
"Vamos ser fiéis à palavra que demos"
"Nunca alinhámos no PSD pelo
radicalismo", respondeu Luís Montenegro ao presidente do Chega.
"Quero dizer-lhe que o Governo começou
bem. O Governo é bom e já está a governar bem", disse o primeiro-ministro,
reiterando a necessidade de diálogo na Assembleia da República.
"Somos todos responsáveis por cumprir as
regras do jogo democrático", defendeu Montenegro, acusando Ventura de
estar constantemente a mudar de opinião.
"Quero dizer-lhe que vamos ser fiéis à
palavra que demos" aos portugueses e "vamos ser fiéis no cumprimento
deste programa de Governo", disse Montenegro, manifestando disponibilidade
do Governo para o diálogo com todos os deputados.
"Não há chantagem, há predisposição para
o diálogo político", declarou o primeiro-ministro.



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