POLÍTICA
15 abril 2024 às 10h36
https://www.dn.pt/7907090807/passos-coelho-diz-que-montenegro-tem-se-desligado-de-si/
Passos
Coelho diz que Montenegro tem-se desligado de si
"A
mim parece-me que foi muito evidente nos últimos tempos que houve essa
preocupação de tentar desligar", defende Passos Coelho em entrevista ao
'podcast' "Eu estive lá", da rádio Observador.
O antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho
considera que Luís Montenegro tem tido uma preocupação em desligar-se do seu
legado, numa entrevista divulgada esta segunda-feira em que também revela que a
'troika' não confiava em Paulo Portas.
"Ele [Luís Montenegro] realmente foi um
grande líder parlamentar. E foi aí que nasceu a possibilidade de ele criar
condições para fazer o caminho para poder vir a ser líder do PSD. Portanto, ele
faz parte dessa herança e desse legado. Em que medida é que ele se quer
desconectar mais desse seu próprio passado? Não sei. A mim parece-me que foi
muito evidente nos últimos tempos que houve essa preocupação de tentar
desligar", defende Passos Coelho.
Em entrevista ao 'podcast' "Eu estive
lá", da rádio Observador, o antigo presidente do PSD diz que "até
certo ponto" entende essa preocupação do atual líder social-democrata e
primeiro-ministro "porque é importante que os partidos possam ter uma
perspetiva para futuro e não ficarem sempre só ligados ao seu passado".
Na conversa com a jornalista Maria João
Avillez, Passos recusa "andar a criar constrangimentos" a Montenegro
com as suas intervenções públicas, mas sublinha: "Agora, também não posso
ser impedido de, de quando em vez, poder dizer alguma coisa do que penso. E eu
penso pela minha cabeça, evidentemente".
Nesta entrevista, Passos Coelho revela que
durante o seu governo com o CDS-PP a 'troika' (União Europeia, Banco Central
Europeu e Fundo Monetário Internacional) "a partir de certa altura
percebeu que havia um problema com o CDS" e "passou a exigir cartas
assinadas por Paulo Portas".
"Eu julgo que ele não sabe isto: para
impedir uma humilhação do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, eu
obriguei o ministro das Finanças a assinar comigo e com ele a carta para as
instituições. Assinámos os três. A ´troika´' exigia uma carta só dele. Porque
não confiava nele", conta.
Durante a sétima avaliação das instituições
que tinham concedido o empréstimo a Portugal durante a crise das dívidas
soberanas, Paulo Portas terá sido um obstáculo e, refere Passos, só a
intervenção do então Presidente da República Cavaco Silva impediu o
"desperdício de todos os sacrifícios dos portugueses".
"Eu não conseguia que Paulo Portas
aceitasse nenhuma versão. Nenhuma, nenhuma. Convoquei até um Conselho [de
Ministros] extraordinário para explicar ao Governo que íamos falhar a avaliação
porque Paulo Portas não aceitava aquela avaliação. O que se passaria a partir
dai era uma incógnita. A 'troika' diria que se não queríamos fazer nada também
não enviaria mais dinheiro. O que é que se seguiu? Não sei, para mim é um
mistério. Paulo Portas mudou de opinião. Eu creio que foi o Presidente da
República", revela.
Após a demissão de Portas do Governo em 2013,
que Passos Coelho não aceitou, o líder do CDS-PP passou de ministro de Estado e
dos Negócios Estrangeiros a vice-primeiro-ministro e a relação entre ambos
alterou-se, com sinais públicos de sintonia, culminando na campanha eleitoral
para as eleições de 2015, que fizeram coligados e venceram, chegando a formar
governo, que foi derrubado pela união de PS, PCP, BE e PEV.
Sobre Cavaco Silva, sinaliza que com ele teve
"um relacionamento impecável".
"E nos momentos difíceis tive o apoio
dele. Isso foi importante para o país. Se tivesse falhado, o país teria falhado
também", contou o antigo primeiro-ministro na entrevista em que também
revela ter tido a perceção antecipada de que o seu sucessor, António Costa,
estava a preparar um acordo com o PCP para poder governar, uma convergência à
esquerda que juntou também BE e PEV.


Sem comentários:
Enviar um comentário