terça-feira, 6 de setembro de 2022

Quase três horas, um balanço: PNS a separar as águas na oposição e as "contas certas" de Medina

 


Quase três horas, um balanço: PNS a separar as águas na oposição e as "contas certas" de Medina

 Victor Ferreira

https://www.publico.pt/2022/09/06/economia/noticia/ajuda-familias-medina-ministros-explicam-opcoes-governo-2019521#84643

 

Terminou a conferência de imprensa. Ao fim de 2h44, com quatro ministros à mesa, escolhemos uma dezena de momentos-chave nesta conferência de imprensa convocada pelo Governo para explicar com mais detalhes as opções que fez com o conjunto de oito medidas para responder ao agravamento dos custos sentido pelas famílias.

 

Navegue por esses momentos-chave através dos destaques que encontra à esquerda.

 

Apesar de quase três horas, no meio de muitas perguntas houve algumas que ficaram sem resposta. Talvez a mais relevante seja a relativa à actualização do valor do Indexante dos Apoios Sociais (IAS), que é revisto anualmente e tal como nas pensões tem em conta a inflação e o comportamento da economia. Como será feita a actualização em 2023, um tema decisivo para perceber como evolui o próprio IRS por exemplo?

 

O PÚBLICO foi um dos quatro órgãos a colocar a questão, mas nenhum ministro lhe deu resposta.

 

Também sem uma resposta clara ficou o tema de um eventual imposto ou taxa de solidariedade aplicável sobre lucros extraordinários de alguns sectores de actividade (medida que António Costa rejeitou, apesar de em algum momento ter sido ponderada).

 

O ministro do Ambiente ensaiou uma resposta dizendo que permitir aos consumidores a mudança para o mercado regulado de gás é uma forma de limitar lucros excessivos.

 

Mas como toda a gente entendeu, não era bem essa a pergunta...

 

Do que foi dito, resultam algumas notícias:

 

Apoio de 125 euros não ficará sujeito a IRS

Rendas: compensação fiscal aos proprietários será automática

Governo aguarda para ver se apoia famílias no crédito à habitação

Mudança para o mercado regulado do gás vai poder ser feita online

Redução do IVA na electricidade tem custo de 90 milhões

Regresso ao mercado regulado no gás limita “ganhos não esperados” da Galp


Ouviram-se muitas declarações, que nas próximas horas e dias serão escalpelizadas. Fizemos nesta manhã uma selecção das mais importantes e fechamos esta cobertura com duas das intervenções finais, a do ministro Pedro Nuno Santos, atacando o PSD, e a última declaração do ministro das Finanças, quiçá porque também sintetiza uma ideia-chave que foi insistentemente repisada por Fernando Medina, e porque aborda as opções políticas que parecem ter norteado as escolhas destas medidas.

 

Pedro Nuno Santos quis separar as águas na oposição. "Os partidos não são iguais, as críticas não são iguais, e uns têm mais credibilidade do que outros", começou por dizer. O governante considera "mais fácil compreender" as críticas do PCP e do BE por causa da posição destes partidos em relação aos compromissos europeus em matéria de dívida e de défice - que na opinião do PS devem ser cumpridos.

 

"É mais difícil perceber o PSD, a não ser que tenham revisto os compromissos em matéria de dívida e défice, o que não é credível tento em conta aliás quem hoje dirige o PSD. Temos assistido nas últimas semanas à inconstância, que ainda dá menos credibilidade. Começaram com mil milhões, perceberam que se calhar era pouco e passaram para 1500 milhões, agora dizem que ficamos [o Governo] aquém. Isso não dá credibilidade à crítica", reagiu o ministro que tutela as Infra-estruturas e a Habitação.

 

Desvalorizando propostas do PSD, que se antecipou ao Governo no último fim-de-semana com a apresentação da sua proposta de ajuda às famílias, Santos prosseguiu: "As medidas que temos vão muito para lá de um vale alimentar de 40 euros para pensionistas até mil e poucos euros ou dos dez euros por cada criança ou jovem. Há duas perspectivas diferentes de olhar para o problema, mas uma é essencial: é preciso credibilidade na crítica e ser consequente."

 

Pedro Nuno Santos invocou ainda o "histórico" do PSD, de ser "rápido e intenso no corte dos apoios sociais". Depois de mais duas intervenções de Ana Mendes Godinho e Duarte Cordeiro, fechou Fernando Medina, "telegraficamente e em tom ainda mais aborrecido" do que o de Pedro Nuno Santos.

 

"Vamos ouvir todo o tipo de críticas (...). Ao contrário de outras ideologias, em momentos bem nefastos, estamos a manter os nossos compromissos orçamentais. Sem este programa, o ministro das Finanças estaria a anunciar uma redução extraordinária do défice. Mas nós não mexemos neste objectivo [descer para 1,9% do PIB]".

 

E para rematar:

 

Nem deixar derrapar o défice porque seria um erro, mas também não utilizar esta receita adicional para acentuar melhor os resultados orçamentais. É isto que se chama ponderação, equilíbrio.

 

Assim terminou o titular da pasta das Finanças na conferência de imprensa, durante a qual defendeu incansavelmente a ideia de que o pacote de ajuda às famílias é "eficaz", mas que é preciso manter as "contas certas".

 

Agora toca a actualizar os dados na AT e na Segurança Social, se está em condições de receber algum dos apoios. E não se esqueçam de confirmar o IBAN.

 

Obrigado por nos ter acompanhado.

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