TURISMO
Decisão do Reino Unido ameaça esperança de retoma
económica rápida
Economia portuguesa é uma das que depende mais do turismo
para a força da sua retoma. Optimismo recente relativamente a um crescimento
mais rápido pode sair abalado
Sérgio Aníbal
3 de Junho de
2021, 19:06
A expectativa,
alimentada recentemente pelo ministro das Finanças, de uma retoma da economia
portuguesa mais rápida do que o inicialmente previsto, sofreu esta quinta-feira
um duro golpe com a saída de Portugal da lista “verde” para os turistas
britânicos.
Depois de, no
Programa de Estabilidade apresentado em Abril, o Governo ter previsto um
crescimento económico de 4% durante este ano, João Leão manifestou-se confiante
esta semana que, afinal, a variação do PIB possa chegar já em 2021 aos 5%. Uma
parte importante deste novo optimismo deve-se aos sinais positivos que têm
vindo a surgir em vários indicadores económicos, especialmente no que diz
respeito ao comércio e a alguns dos sectores mais afectados durante a crise,
como o alojamento e a restauração.
“Com os
indicadores que temos quer do mercado de trabalho, quer do consumo, quer das
exportações, que estão a ser muito mais positivos do que esperávamos, temos a
expectativa, se a pandemia continuar controlada e evoluir de forma positiva com
a campanha de vacinação, que o crescimento possa ser bastante superior ao que
tínhamos previsto”, disse o ministro das Finanças em entrevista à Lusa.
O contratempo
agora sentido no que diz respeito à chegada dos turistas britânicos ao país
tem, contudo, o potencial para baralhar estas contas mais positivas, à
semelhança, numa dimensão mais reduzida, daquilo que aconteceu no arranque
deste ano, quando a retoma conseguida pela economia na segunda metade de 2020
foi travada pelos efeitos da terceira vaga da pandemia.
Nesse caso, o
efeito foi particularmente forte nas exportações de serviços, que incluem as
vendas feitas a não residentes em turismo em Portugal. De acordo com os dados
publicados pelo INE no mês passado, as exportações de serviços, depois da queda
a pique de 48,8% registada no segundo trimestre de 2020, recuperou 26% no
terceiro trimestre e 13,7% no quarto trimestre, contribuindo decisivamente para
o desempenho positivo nesse período das exportações totais e do Produto Interno
Bruto (PIB).
No entanto, no primeiro
trimestre deste ano, com as entradas de turistas outra vez limitadas, as
exportações de serviços voltaram a cair, desta vez 15,4%, provocando uma queda
de 2,5% nas exportações totais que deixaram de dar um contributo positivo para
a retoma.
Agora, aquilo que
se tem vindo a assistir é, desde Abril, a uma recuperação significativa de
alguns indicadores do turismo. As dormidas de não residentes, apesar de terem
ficado ainda muito distantes dos níveis pré-pandemia, registaram subidas
significativas em Abril. E, com a ajuda da chegada dos turistas britânicos,
tudo indica que a tendência se terá reforçado em Maio.
A economia
portuguesa é, a nível europeu, uma das que apresenta um maior peso do sector do
turismo. Essa característica contribuiu de forma decisiva para que Portugal, a
par de outros países com uma estrutura económica semelhante como a Espanha, a
Grécia e a Itália, tenha sido um dos que registou uma maior quebra no PIB em
2020.
E é por isso que
Portugal é também um dos que mais depende, para a força da retoma da sua
economia, de uma melhoria rápida da situação sanitária e da definição de regras
que permitam o regresso mais célere possível a uma situação de normalidade nos
fluxos turísticos. Novos fechos de fronteiras ou limitações às entradas e
saídas semelhantes às agora decididas pelo Reino Unido têm o potencial para,
mais uma vez, adiar a chegada da economia aos níveis pré-crise.

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