segunda-feira, 2 de outubro de 2017

UE não pode "desviar o olhar"



UE não pode "desviar o olhar"

O presidente regional apelou a Bruxelas para que se envolva diretamente no conflito que opõe o estado espanhol e a Catalunha e considera que a UE "não pode continuar a desviar o olhar" depois destes resultados.

"Somos cidadãos europeus e hoje sofremos a vulnerabilização dos nossos direitos e liberdades", referiu Carles Puigdemont, exigindo uma "ação imediata" por parte da União Europeia.

Segundo o responsável catalão, a situação que se gerou na Catalunha "pela intransigência e repressão, pela negação absoluta do reconhecimento da realidade, pela hostilidade face às exigências democráticas dos cidadãos do nosso país, já não é um assunto interno, mas um assunto de interesse europeu", considerou.

Horas antes da declaração de Puidgemont, o presidente do Governo espanhol tinha acusado os separatistas de "chantagear toda a nação". Apesar da posição de confronto perante o referendo, Mariano Rajoy apelou ao diálogo e reflexão conjunta entre "todos os partidos com representação parlamentar".

Antes do referendo, o líder da Catalunha tinha prometido que a vitória do "Sim" levaria a uma declaração da independência 48 horas depois do voto. Perante a confusão, a violência vivida ao longo do dia e as várias assembleias de voto que ficaram por abrir, Rajoy não esperava que o governo regional pretendesse ler neste referendo um resultado conclusivo.

Rajoy disse mesmo esperar um regresso à "normalidade constitucional" e que os líderes catalães "não repetissem os erros que têm cometido".

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Mais um Hotel, agora no conjunto Patrimonial -Arquétipo do Pombalino no largo de S. Paulo!?



 Mais um Hotel, agora no conjunto Patrimonial -Arquétipo do Pombalino no largo de S. Paulo!?
O Largo de S.Paulo, constitui (e o Rossio) com as suas tipologias, o Arquétipo do Pombalino como conjunto urbano, desenvolvido com Mardel na Casa do Risco, por Eugénio dos Santos ...incluindo as mansardas de Mardel, as tipologias tipologias das janelas de Guilhotina, portas , azulejaria e interiores  que ainda lá estão, no Largo de S. Paulo .
“O primeiro edifício Pombalino era um extenso conjunto de quatro pisos, com telhado de águas duplas e mansardas, surgindo uma marcação de sacadas no segundo piso dos edifícios da face Sul e no segundo e terceiro pisos dos da face Oriental.
As propostas para as novas habitações, conhecidas pela designação de “estilo / prédio pombalino”, eram idênticas, incorporavam um sistema construtivo de madeira ligado por elementos de ferro designado por “gaiola” e apresentavam a elevação das paredes laterais acima do nível dos telhados (segurança contra incêndios). Compreendiam habitualmente três pisos (alguns um quarto piso denominado por “águas furtadas”); as fachadas dos prédios eram hierarquizadas de acordo com a importância concedida às ruas (principais ou secundárias) apresentando, no entanto, uma certa monotonia estética e uma sistematização de padrões.”


O turismo deu ainda mais visibilidade às questões da habitação


HABITAÇÃO
O turismo deu ainda mais visibilidade às questões da habitação

Em Lisboa e no Porto os candidatos assumem, nos programas, a necessidade de garantir habitação a preços acessíveis para os residentes.

 Abel Coentrão
ABEL COENTRÃO 29 de Setembro de 2017, 7:16

Não há volta a dar. As políticas de habitação estão, como sempre estiveram, no centro dos programas eleitorais de todos os principais candidatos de Lisboa e Porto, duas cidades que há muito vêm perdendo habitantes. A novidade nesta campanha é a associação, generalizada, entre um tema que é um clássico e a recente pressão do turísmo, desejado pelo efeito de dinamização da economia e da reabilitação urbana, já comprovado, mas apontado como uma das causas para o aumento dos preços na habitação.

Nem a líder do CDS e candidata Assunção Cristas - cuja passagem pelo Governo ficou ligada à nova Lei das Rendas - deixa de dissociar, nem que seja em parte, o problema do aumento do preço das rendas da pressão do investimento destinado ao turismo. A palavra de ordem, encontrada no texto dos programas da maior parte dos candidatos é, por isso, o de prosseguir a aposta neste sector, mas de forma sustentável, tendo em conta que, como admite o próprio presidente da Câmara de LIsboa e candidato Socialista, Fernando Medina, os seus efeitos fazem-se sentir também sobre o transporte e a limpeza urbana.

Procura-se: cidade com casas acessíveis e turismo equilibrado
Concentrando atenções na questão da habitação, emerge nesta campanha, em todas as forças políticas e nas duas cidades, um discurso que vai para lá daquela que tem sido a política de sempre dos municípios - a construção de habitação social - e atira para os ombros dos próximos executivos de Lisboa e Porto a tarefa de regular os mercados locais, ou intervir proactivamente, por via de parcerias com agentes privados, na edificação de casas destinadas à classe média. Fruto do envelhecimento da população, um dos alvos das preocupações transpostas para os manifestos eleitorais são os jovens, cujo nível de rendimento, no início da respectiva vida laboral, está muito aquém dos preços praticados para aquisição ou arrendamento de casas nas duas cidades.

Ao mesmo tempo que promete pôr seis mil casas no mercado, a preços acessíveis, Medina propõe por exemplo “a implementação urgente da redução da tributação em sede de IRS para 10% nos contratos de arrendamento habitacional de duração superior a 10 anos, como meio para garantir o aumento da oferta de arrendamento no mercado e a consequente diminuição do valor das rendas”. O investimento municipal, como forma de mexer com o mercado, é também um compromisso de Teresa Leal Coelho (PSD). Já Assunção Cristas defende, à semelhança do que Rui Moreira está a propor no Porto, que a Taxa Turística que Lisboa já cobra seja aplicada na melhoria da qualidade de vida dos residentes.

A CDU e o Bloco, que acusam Cristas de ter provocado o problema, com a Lei das Rendas, e Medina de pouco ou nada ter feito para o debelar, insistem também que o município deve ter um papel activo, reabilitando para arrendar a preços acessíveis. Os bloquistas, que pedem um aumento de um euro na taxa turística, e o seu investimento na habitação, especificam que as casas estritamente dedicadas àquilo que designam como turismo habitacional fiquem sujeitas “a licenciamento específico e com quotas territoriais, assim como a hotelaria tradicional”.

No Porto, onde o PSD se apresenta com o slogan Porto autêntico, Rui Moreira, actual presidente da câmara e recandidato, assume que é preciso mitigar o risco de o turismo globalizador vir a fazer desaparecer “o encanto natural” e a autenticidade da região. Não escamoteando a existência de uma “falha” no mercado habitacional, o independente apoiado pelo CDS já disse que usará a receita de uma futura taxa turística para comprar habitação no centro da cidade, colocando-a depois no mercado, a preços acessíveis para a classe média e promete impedir, por via da regulamentação, a proliferação de casas com tipologia T1 nos novos projectos de reabilitação.

A candidatura Porto Autêntico, encabeçada também por um independente, Álvaro Almeida, aposta em parcerias com privados e nos benefícios fiscais para reabilitação que garantam habitação com preços comportáveis pelos mais jovens. O socialista Manuel Pizarro pretende reduzir a taxa de IMI em 40% para os fogos arrendados em regime de renda controlada e entregar terrenos municipais a promotores privados, com vista à construção ou reabilitação, garantindo a colocação no mercado, no espaço de um mandato, de 3000 fogos, distribuídos por toda a cidade, com rendas máximas entre 275 euros (T1) e 400 euros (T4).


À esquerda, o Bloco, encabeçado por João Teixeira Lopes, quer construir mil casas de habitação social e 1500 outras com rendas acessíveis à classe média, usando, entre outras fontes de financiamento, a receita da taxa turística a criar. Os bloquistas defendem um travão à proliferação de casas exclusivamente dedicadas ao arrendamento turístico e propõe até uma moratória de um ano no licenciamento de novos hotéis. A CDU, que candidata Ilda Figueiredo, defende também o reforço da regulamentação, com o objectivo de travar novos licenciamentos e, para além do investimento municipal em casas com rendas acessíveis, propõe o apoio às cooperativas de habitação.

Procura-se: cidade com casas acessíveis e turismo equilibrado


HABITAÇÃO
Procura-se: cidade com casas acessíveis e turismo equilibrado

Invasão de turistas está a criar desafios na oferta de habitação nas grandes cidades
As dificuldades em alugar casas em Lisboa e Porto têm gerado diversas reacções, que envolvem também o alojamento local. Ponto de acordo é o de que algo tem ser feito para evitar cidades com centros esvaziados de habitantes permanentes.

ROSA SOARES e LUÍS VILLALOBOS 29 de Setembro de 2017, 7:15

Tema crucial nas grandes cidades, a habitação é alvo de constantes debates e embates, com os respectivos fluxos sociais e financeiros (ou financeiros e sociais). Na actual conjuntura, e olhando para as duas grandes urbes, Lisboa e Porto, o enfoque tem estado na questão da oferta de habitação para residentes permanentes e para turistas, com destaque para o grande crescimento do alojamento local (AL), tendo como pano de fundo o elevado preço das rendas. O tema, complexo, requer pensar no caminho percorrido até aqui, com uma reduzida oferta de imóveis para arrendamento tradicional, rendas elevadas, e crescimento da oferta do alojamento para turistas.

Em grandes números, é possível ver que o índice de preços da habitação, calculado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) aumento 24,8% desde o segundo trimestre de 2013, data em que atingiu o mínimo da série, iniciada em 2009. Entre 1991 e 2011, a população residente no centro histórico do Porto caiu para mais de metade (em 2011 eram 9334 indivíduos) e a do centro histórico de Lisboa 34% (para cerca de 47.000). O Índice de Rendas Residenciais, da Confidencial Imobiliário, mostra, nos mesmos quatro anos, um aumento de 34 % nos preços em Lisboa e de apenas 3% no Porto.

O turismo deu ainda mais visibilidade às questões da habitação
Sónia Alves, especialista em ambiente urbano e investigadora de pós-doutoramento no Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa, entende que as razões do desequilíbrio actual entre os dois tipos de alojamento vêm de longe. “As políticas públicas que foram implementadas ao longo das últimas décadas contribuíram para o desequilíbrio entre a oferta de habitação para arrendamento/compra e de ocupação permanente/temporária”, destacando que as decisões políticas, ao longo de um ciclo de 25 anos, foram no sentido de apoiar sobretudo os empréstimos bancários para a construção e aquisição de nova habitação, em vez da reabilitação e do arrendamento.

O resultado, nos dias de hoje, é haver dificuldades em alugar casas, com destaque para Lisboa, com preços comportáveis para cidadãos nacionais. Aqui, a secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, diz ser redutor, e até mesmo errado, afirmar que o alojamento local (AL) está na base dos males do valor das rendas nas cidades. De acordo com a governante, há todo um outro conjunto de factores ligados a esta questão, como um maior fluxo de investimentos estrangeiros, e o efeito da alteração da lei das rendas. Recordando que há poucos anos os centros históricos de Lisboa e Porto estavam esvaziados e hoje recuperaram um novo fôlego com o turismo – posição partilhada pela Associação de Hotelaria de Portugal – afirma que a ideia de que o AL está a fazer subir os valores dos arrendamentos é “demagógica” e “simplista” e que surge porque este elemento da oferta é “a face mais visível das mudanças” que ocorreram nas cidades.

Destacando que as zonas de grande pressão do AL estão circunscritas a duas ou três freguesias em Lisboa e Porto, a governante não deixa de sublinhar que é preciso “acompanhar a evolução do que vai acontecendo e ir encontrando mecanismos que permitam a sã convivência entre as várias realidades”.

Numa altura em que se preparam alterações à lei que regula o AL, a Associação de Hotelaria de Portugal (AHP), pela voz da sua presidente executiva, Cristina Siza Vieira, defende que há vários instrumentos que podem ser usados para estimular os arrendamentos de longa duração e recorda que já propôs mudanças no AL, como a distinção entre quem aluga apartamentos esporadicamente ou de forma permanente.

Por parte do executivo, a secretária de Estado do Turismo recorda a recente criação da nova secretaria de Estado da Habitação, tutelada pela arquitecta Ana Pinho, e que a entrada de mais imóveis no mercado de arrendamento é “uma prioridade do Governo”.

No que toca ao AL, o presidente da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI), Reis Campos, defende que este e o arrendamento tradicional “são duas realidades distintas que terão, necessariamente, de coexistir à semelhança do que sucede na maioria das cidades europeias”, e que “não são, nem têm de ser alternativas”, e o equilíbrio depende “da criação de condições que permitam o regular funcionamento do mercado”.  

Sónia Alves, do ICS, destaca o uso de “os instrumentos de tipo fiscal para apoiar o arrendamento de longa duração e para penalizar a subutilização e abandono dos imóveis”.

Ao nível do licenciamento urbanístico refere “a cedência de terrenos ou edifícios para a execução de programas de habitação cujos fogos se destinem ao arrendamento nos regimes de renda apoiada ou de renda condicionada e a proibição da instalação de novos hotéis e alojamentos turísticos em áreas onde estes estão já sobre representados”. E ainda “a obrigatoriedade da inclusão de habitação para arrendamento em novas áreas de expansão ou de requalificação habitacional”.

Já o líder da CPCI também destaca a importância da fiscalidade, que é bem mais elevada no arrendamento permanente face à do alojamento, e travão à captação de investimento para o arrendamento tradicional. Mas também alerta para a necessidade de ser apoiar o acesso ao financiamento de particulares que pretendam realizar obras de reabilitação das suas casas e, assim, aumentar a oferta de habitações no arrendamento.

Francisco Carballo-Cruz, professor de Economia da Universidade do Minho, entende que “ dinâmica do mercado irá dificultar a implementação de políticas públicas que limitem os efeitos indesejados”. Em termos de quantidade da oferta, entende que “as políticas de restrição da expansão do alojamento local ou de reserva de oferta para residentes podem resolver parte do problema, mas irão provocar distorções no mercado” e, neste domínio, considera que “seria mais adequado expandir localmente a oferta de habitação de promoção ou com regulação pública para determinados grupos de residentes e/ou incentivar a descentralização da oferta de alojamento local”.

O objectivo final, esse, deve ser o de procurar uma harmonia entre residentes de longo e curto prazo, entre locais e visitantes. Com isso, evitar riscos como o identificado por Sónia Alves, com centros históricos mais bonitos, “mas possivelmente mais desinteressantes, sem a sua população original e sem as actividades que lhe davam um cunho distintivo”. Francisco Carballo-Cruz acredita que o processo de reabilitação de propriedades continuará nos próximos anos, e que os efeitos positivos “ver-se-ão contrabalançados por efeitos negativos de carácter económico, nomeadamente o aumento significativo das rendas, e social, designadamente a expulsão de residentes, especialmente dos mais vulneráveis”.

O grande desafio, diz Ana Mendes Godinho, é a gestão inteligente dos territórios, e “desenvolver, cada vez mais, projectos e infra-estruturas a pensar nas pessoas” que usufruem os territórios. Um exemplo é da gestão dos transportes públicos, que tem de ser feita tendo em conta residentes e visitantes e minimizar tensões de carga. Para esta responsável, é preciso “que o turismo seja incorporado na cidade como uma parte dela própria”, enquanto factor positivo, nomeadamente com novas centralidades (como o Beato e a Ajuda, em Lisboa) e menos concentrações.


“Há tensões e desafios que a gestão articulada das várias necessidades nas cidades coloca”, destaca a responsável da AHP, Cristina Siza Vieira, afirmando que deve ser encontrado “um modelo que permita monitorizar o volume de turistas versus capacidade de alojamento vs capacidade de habitação vs capacidade das infra-estruturas, designadamente de transporte, aeroportuária, segurança e higiene urbana”. E que a expectativa é a de que Porto e Lisboa continuem “a ter a capacidade de atracção de turistas, visitantes e residentes que hoje têm”.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Moradores de rua de Lisboa que iam ser despejados assinam contratos de arrendamento


Moradores de rua de Lisboa que iam ser despejados assinam contratos de arrendamento
Inquilinos viram os seus contratos serem renovados por cinco anos.

LUSA 27 de Setembro de 2017, 19:03

As 16 famílias em risco de serem despejadas de um prédio na Rua dos Lagares, em Lisboa, assinaram hoje novos contratos de arrendamento com o senhorio por cinco anos e com os valores anteriormente estipulados, anunciou a Câmara.

"O acordo que fizemos com o proprietário [no início de Agosto] implicava que as pessoas que tinham recebido as cartas de não renovação dos contratos fizessem novos contratos por cinco anos e foi isso que hoje estivemos a acompanhar", disse à agência Lusa a vereadora da Habitação do município de Lisboa, Paula Marques.

Paula Marques precisou que em causa estão os habitantes de "todas as fracções habitacionais e uma não habitacional, que é uma loja que está prestes a abrir", que assinaram "contratos por cinco anos e com os valores de renda dos contratos anteriores".

A autarca adiantou que esteve presente na ocasião para fazer "a ponte" entre os parceiros, isto é, os arrendatários e o proprietário, e assegurou que continuará a acompanhar este caso.

No início de Agosto, a Câmara de Lisboa informou que "foi travada a saída das famílias da rua dos Lagares", na freguesia de Santa Maria Maior, uma vez que o executivo chegou a entendimento com o proprietário, permitindo que as famílias fiquem nas suas casas.

Na altura, a autarquia indicou que o proprietário iria realizar obras nas infra-estruturas, na sequência de intimações feitas pelo município.

Paula Marques avançou à Lusa que "as primeiras obras têm de se iniciar até ao final deste ano", mas os trabalhos são "de vários níveis" e, por isso, têm diferentes prazos.

"Algumas [obras] são dentro das casas, e isso será coordenado com cada um dos moradores, e outras são nos espaços comuns e na cobertura, que é o que está mais degradado", adiantou.

Em causa estão 16 famílias que habitam no prédio número 25 da Rua dos Lagares, no bairro lisboeta da Mouraria, e que poderiam ter de abandonar as suas casas depois de o imóvel ter sido vendido a um investidor privado.


Por várias vezes, estes moradores pediram ajuda à Câmara e à Assembleia Municipal de Lisboa, tendo também levado a cabo diversas iniciativas (como churrascadas ou sardinhadas) para tornar o caso público.

Imagens do Dia / OVOODOCORVO / O triunfo do híbrido


Imagens do Dia / OVOODOCORVO
O triunfo do híbrido
A maravilhosa, autêntica e genuínamente interessante para o Turismo ( Cultural e não massificado ) Casa Oriental no Porto, foi substituida por este “pastiche Las Vegas”, que pretende representar o “Mundo” da sardinha …


Associação de Alfama recorre à Justiça para travar Museu Judaico

«Obra de autor” em assumida ruptura e arrogante desprezo pela envolvente Patrimonial e pelo contexto histórico. Nào se discute o direito à existência do Museu Judaico neste local. Discute-se a violência afirmativa por demarcação e arrogância autista da linguagem arquitectónica escolhida e "aprovada"!»   António Sérgio Rosa de Carvalho

Associação de Alfama recorre à Justiça para travar Museu Judaico

Moradores e comerciantes estão contra a instalação do museu no Largo de São Miguel. Cancelamento de reunião foi a gota de água.

 João Pedro Pincha
JOÃO PEDRO PINCHA 27 de Setembro de 2017, 7:50 Partilhar notícia

A Associação do Património e População de Alfama (APPA) apresentou uma providência cautelar para travar a construção do Museu Judaico no Largo de São Miguel. Há já muitos meses que a associação vem dizendo que considera que aquele largo de Alfama é um sítio desadequado à instalação do museu, mas a Câmara Municipal de Lisboa tem-se mostrado inflexível.

Em Abril, perante as críticas de moradores e comerciantes do bairro, criou-se uma comissão de acompanhamento do museu, que apenas se reuniu pela primeira vez em Julho. Nesse encontro decidiu-se que a localização era um ponto inegociável, mas que o projecto – assinado por Graça Bachmann e com arquitectura contemporânea – podia ser alterado. Decidiu-se inclusivamente que os lisboetas podiam enviar sugestões de alteração até meio de Agosto. Na altura, o PÚBLICO tentou perceber como é que se podiam apresentar propostas, quem é que as podia fazer e como é que elas seriam ponderadas. Nunca houve resposta da câmara.

Museu Judaico, em Lisboa, "tem sido discutido intensamente"
Estava marcada uma nova reunião dessa comissão para 11 de Setembro, mas a dirigente da APPA diz que ela foi cancelada “na véspera”. Essa foi a gota de água, explica Lurdes Pinheiro – que, além de presidente da associação, é também candidata da CDU à Junta de Freguesia de Santa Maria Maior.

“Mandámos moradas de edifícios na Rua Jardim do Tabaco que estão fechados e serviam perfeitamente”, diz Lurdes Pinheiro. “Na véspera da reunião, recebi um telefonema do gabinete da vereadora Catarina Vaz Pinto [pelouro da Cultura] a dizer que afinal não havia reunião, que só ia haver depois das eleições.”

O PÚBLICO procurou confirmar esta informação junto da autarquia, mas não obteve resposta. Também tentou perceber quantas propostas de alteração ao projecto foram recebidas, mas esta questão ficou igualmente por esclarecer.

Para a APPA, que apresentou a providência cautelar esta terça-feira de manhã, “a principal reivindicação é que o museu não seja construído no Largo de São Miguel” e não que o projecto seja revisto (embora também não goste dele). A associação, apoiada por alguns membros do Fórum Cidadania Lx e outros activistas de defesa do património, considera que o espaço reservado para o museu devia antes ser utilizado para construir habitação. E que há prédios na Rua Jardim do Tabaco, onde já está o Museu do Fado, onde este museu podia ser instalado.

Inicialmente, a abertura do museu estava prevista para Setembro deste ano. O prazo está quase a ser ultrapassado e nem um tijolo foi colocado. Se a providência cautelar tiver sucesso, o processo vai arrastar-se ainda mais. Resta saber até quando.


tp.ocilbup@ahcnip.oaoj