sábado, 31 de dezembro de 2011

INTELIGÊNCIA EMPRESARIAL E SENSIBILIDADE PATRIMONIAL 06/06/2010


Isolada no oceano de híbrido e decadência em que a Rua da Prata se tornou, qual fortim sitiado ostentando orgulhosamente o seu estandarte de resistência à decrepitude que se instala, a farmácia Normal ousa existir agora em plena glória, depois de um restauro exemplar da sua fachada e dos seus INTERIORES ...
Foi em 2004 que a jovem farmacêutica decidiu assumir a herança do seu pai, e desde logo, percebeu da urgência das obras tão necessárias.
No entanto a sua intenção foi desde o início, consciente do valor do património que tinha em mãos, "desempoeirar" e assegurar uma maior funcionalidade e efectividade comercial, mas mantendo e respeitando ao máximo os seus magníficos interiores.
Tive o prazer de falar com ela no início do processo com a Unidade de Projecto da Baixa Chiado, e de aconselhar o arquitecto entretanto contratado pela senhora, apoiando a preservação integral do mobiliário...
Depois seguiu-se a consulta do então IPPAAR e a ajuda e o acompanhamento permanente do Museu da Farmácia.
O resultado está à vista .... Sr Vereador Manuel Salgado ... Para quando um reconhecimento público deste casos, através de uma merecida atribuição de Prémio-Louvor com respectiva placa em bronze na fachada ?
P.S. A qualidade também se estende aos "Bastidores" do estabelecimento ... aos laboratórios e zonas administrativas ... e ... também ao 'famoso' saguão pombalino.
Saudações de António Sérgio Rosa de Carvalho













A Real Praça do Comércio In Público (4/6/2010)

04/06/2010
A Real Praça do Comércio
Opinião/In Público (4/6/2010)
Por António Sérgio Rosa de Carvalho

«Pronto, finalmente reavemos a Real Praça do Comércio. Reparem que não lhe chamo "Terreiro do Paço"... e isto não acontece por acaso, mas é uma atitude consciente e premeditada... pois esta diferença de denominação ilustra precisamente o erro de perspectiva e de interpretação histórica que levou a todas as "trapalhadas" no antigo projecto, agora sensatamente corrigido.

A Real Praça do Comércio foi concebida por um primeiro-ministro "estrangeirado" que pretendia alcançar uma reforma profundíssima no plano político, social e mercantil do Reino de Portugal, aproveitando um cataclismo natural que, tendo criado uma situação de Tabula rasa no país, oferecia-lhe uma oportunidade única.

Ela foi concebida também seguindo referências eruditas e prestigiantes internacionais da place royale do séc. XVIII Iluminista, e, no caso de todo o plano de reconstrução da Baixa, ela anunciava com grandiosidade uma nova cidade, renascida das cinzas e que iria servir de décor para um novo Portugal reformado, e de contexto e habitação para uma nova burguesia mercantil e iluminada.

Assim, é perfeitamente claro que o conceito do "terreiro" pertencia a um passado pré-terramoto e a um tipo de sociedade que se pretendia reformar radicalmente numa perspectiva iluminista, embora num conceito tão típico para a época de despotismo iluminado.

Visto isto, vale a pena reflectir sobre o facto de que, mais uma vez, se o prazo foi cumprido "sem derrapagens orçamentais", se deve a um factor externo que nos pressionava e obrigava a uma clara deadline... a visita do Papa.

Sem questionar a evidente e prestigiante oportunidade mediática que nos foi oferecida com a visita do Papa, e agora que foi anunciado o Plano de Pormenor de Salvaguarda da Baixa Pombalina, teremos que reconhecer que a imagem que foi oferecida ao Papa e ao mundo não foi a imagem da verdadeira decrepitude em que se encontra a Baixa de Lisboa.

Assim, as intenções e os milhões pretendidos com o anúncio do plano de salvaguarda não podem ser encarados como algo para se "ir fazendo", mas como um dos projectos mais urgentes e indispensáveis para Lisboa, capital de Portugal.

Agora, em plena e profunda crise, que tentamos rever e reanalisar os grandes projectos de obras públicas, aqui temos um grande projecto, urgente, indispensável e verdadeiramente responsável. Ele é credível e responsável, pois os benefícios e resultados estão a priori garantidos.

Trata-se do prestígio e da atractibilidade da nossa imagem exterior e dos dividendos na área do turismo cultural. Trata-se da nossa qualidade de vida no quotidiano. Trata-se da auto-estima e do estímulo que ela transporta para o nosso empreendedorismo. Trata-se de provar à nossa juventude que Portugal está à altura da responsabilidade da salvaguarda do nosso património e portanto tem futuro.

Proponho portanto que o projecto de restauro e salvaguarda da Baixa pombalina seja elevado a desígnio nacional... que seja ligado a uma dimensão capaz de transcender a própria autarquia, e os ciclos políticos inerentes, através da ligação à Presidência da República pela nomeação de um comissário.

Seguindo o exemplo de Amsterdão, onde o presidente da câmara é nomeado pela Coroa como árbitro au dessus de la mêlée, pode cumprir vários mandatos e tem a função de estimular, vigiar e garantir, perante os eleitos políticos, a prioridade e o cumprimento dos projectos verdadeiramente importantes ... assim eu proponho um comissário escolhido pela Presidência da República, instituição suprema da nação portuguesa, que desempenhe este papel de guardião e de garantia de execução deste verdadeiro desígnio nacional.

Chegou a altura de encontrarmos em nós próprios a capacidade de realizar, de cumprir, e não "ir" avançando apenas aos soluços estimulados por factores externos.

Para isso, teremos de compreender, de vez, que estamos reduzidos a este pequeno rectângulo, e deixarmo-nos de fugas, de diásporas e quimeras. É Portugal que tem que ser cumprido!


Historiador de Arquitectura»

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

INTELIGÊNCIA EMPRESARIAL E SENSIBILIDADE PATRIMONIAL 29/05/2010


Na agora tão decadente, Praça dos Restauradores, existiam dois estabelecimentos "Lourenço e Santos" ... o mais antigo, o incluído no edifício do Avenida Palace, agora transformado numa loja "Calzedonia" apesar da mudança de função e de ramo, ainda mantém "algo"(básico) do interior, mas nunca comparável ao que passo a descrever...
O segundo estabelecimento do "Lourenço e Santos", situado no outro lado da Praça, acaba de renascer, tal "Fénix renascida das cinzas", e através de um restauro cuidado e sensivel no que respeita os interiores e o mobiliário, foi inteligentemente e novamente oferecido ao público desta Praça e de Lisboa. Atitude heróica e fundamental para o Renascimento da Baixa e que deve ser louvada pelo seu papel pedagógico.
Depois do desaparecimento criminoso de dois grandes "Picture Palaces", o Monumental e o Éden, a ameaça de ruína do "Odeon" e a indiferença a que está condenada a Magnifica "Solmar"( Sec XX-Estado Novo)... esta atitude da Firma de dimensão Internacional que agora gere o "Lourenço e Santos ( Firma de Confecções de Alto Nível Internacional, mas Portuguesa) merece o nosso reconhecimento ...
Em qualquer País da Europa, um interior com a qualidade e a autenticidade intacta e coerente no seu todo, da Solmar, era Monumento de Interiores (gesamkunstwerk).
Para quando uma política coerente e efectiva de Urbanismo Comercial, com estratégia e Preservação Patrimonial de Interiores ... Sr Vereador Salgado ?
Saudações de António Sérgio Rosa de Carvalho











Inteligência Empresarial e Sensibilidade Patrimonial. LX, da Cidadania à Factory 24/05/2010


Uma visita à "micro-cidade" de sinergias e ao verdadeiro "viveiro" de actividades culturais e contactos humanos, em que a "Factory LX" se transformou, faz-nos meditar na importância da preservação e do investimento inteligente ... no Património ... neste caso Industrial.
Com o sucesso que espaços como a "Ler Devagar" ou a "Cantina LX" estão a conhecer, vale a pena pensar duas, três vezes, as que forem preciso ... antes de demolir ...
Saudações de Parabéns, com votos de muitos anos de vida, para além "dos cinco" estipulados, a este, entretanto indispensável, Centro Cultural LX, do António Sérgio Rosa de Carvalho.







Privados descrentes são entrave à revitalização da Baixa In Público (19/5/2010)

19/05/2010
Privados descrentes são entrave à revitalização da Baixa
In Público (19/5/2010)
Por Inês Boaventura

«A "decrepitude" da Baixa Pombalina "é uma escolha, não uma fatalidade" e o plano de pormenor de salvaguarda recentemente aprovado pela Câmara de Lisboa só será bem sucedido se o aparelho camarário for capaz de "dar resposta às ansiedades dos privados". Este é o entendimento do historiador António Sérgio Rosa de Carvalho, que defende que para tornar viva esta zona da cidade há que começar por convencer as "elites" a mudarem-se para lá.

Licenciado em História de Arte e Arqueologia pela Universidade de Amesterdão, António Sérgio apresentou anteontem no Centro Nacional de Cultura a sua obra História das Ideias, História da Teoria da Arquitectura e Defesa do Património. A Baixa, área na qual chegou a desenvolver trabalho enquanto assessor da autarquia na área da reabilitação urbana e onde reside, foi um dos temas centrais da sua apresentação.

O historiador considerou "um erro ter-se desistido da classificação da Baixa a património mundial", quando em seu entender a reabilitação desta zona de Lisboa devia ser entendida como "um desígnio nacional". E esse processo, diz, poderia começar pelo Largo de São Paulo: se aqui funcionasse "uma microcidade" com comércio, habitação e espaço público, esse exemplo acabaria por alargar-se às artérias vizinhas.

António Sérgio louvou a existência de alguns casos de "inteligência emocional e sensibilidade patrimonial" no restauro de espaços de comércio e serviços, mas sublinhou que a maioria dos empresários tem "um profundo cepticismo perante o aparelho camarário", desde logo devido à multiplicidade de interlocutores.

Quanto ao resto da cidade, o historiador lamentou a inexistência de uma cultura de restauro, criticando os arquitectos que, em vez de lutarem por uma certa "invisibilidade", fazem por "deixar uma marca da sua intervenção". Um dos resultados, acusa, é "a agonia da Lisboa romântica", onde foram surgindo "intervenções cyborg" como o edifício Heron Castilho, onde à "carcaça biológica" se acrescentou "um esquema high-tech".»

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Jovem e Criativa Inteligência Empresarial e Sensibilidade Patrimonial 30/03/2010



Caros Amigos (as),
Um grupo de quatro jovens estão desde há 6 anos a desenvolver um interessante projecto hoteleiro baseado no conceito "Hostel". Assim, tendo começado por um projecto em 2004 na Rua de S.Paulo, foram adquirindo experiência e iniciaram por fim dois projectos no espaço de dois anos, desde 2006, um na Rua de S. Nicolau e outro na Rua do Crucifixo.
As intervenções ao nível de interiores são exemplares e constituem verdadeiros restauros, com inteligente manutenção de todas as características fundamentais, tais como cantarias, soalhos, portas, tectos, janelas (algumas guilhotinas) etc.
Tudo isto foi possivel porque a filosofia de intervenção foi ao encontro das convicções do proprietário, um alemão, que não só concordou, como apoiou totalmente.
Aqui temos um exemplo inspirador de jovens que souberam tomar a iniciativa e libertar-se da passividade e do sindrome paralisante que parece dominar toda uma geração, que insistem em ficar em casa dos pais, enquanto digerem a cruel realidade de que o emprego deixou de ser uma garantia ... ligada ao "canudo"...

A Baixa agradece ...

Saudações Pombalinas de António Sérgio Rosa de Carvalho.










ALGO DE POSITIVO ... MAS ... NÃO CONSOLIDADO. A EXPANSÃO DO EFEITO DE 'GENTRIFICATION' DO CHIADO 25/02/2010







Caros Amigos (as)
É evidente o efeito de expansão, através da criação e consolidação de novos "eixos" de ocupação residencial e comercial, que o núcleo de qualidade do Chiado está a ter, na Rua Anchieta, Rua Ivens e agora também, na Rua do Alecrim.
Assim, na Rua Ivens, têm-se instalado estabelecimentos de indiscutivel qualidade, assim como na Rua Anchieta, consolidando o Largo de S.Carlos ...
Também, últimamente, a qualidade já existente na Rua do Alecrim, garantida pelos seus antiquários, está a ser consolidada, por estabelecimentos, como um novo Florista, e uma interessante Padaria, da qual mostro duas imagens.
Portanto algo de positivo ... mas porque ainda utilizo as reticências e o 'não consolidado'?
Isto refere-se à questão da Reabilitação Urbana ... e não tem só a ver com o estado de degradação do prédio, outrora magnifico em implantação, e nas suas caracteríisticas arquitectónicas, na forma como aplica a fórmula Pombalina, já XIX, em relação à Topografia, que ilustro na imagem. ( Reparem nas características "Londrinas" do final da Rua do Alecrim e do remate em pedra, ao qual não podia faltar o 'cantinho do lixo')
Assim, como não existe Reabilitação Urbana de grande escala sem "Gentrification", essa mesma "Gentrification" traz um desafio e uma oportunidade às autoridades Camarárias ... o da Pedagogia.
Assim como os investidores merecem regras bem claras, e exigem um aparelho como uma capacidade de resposta à altura ... cabe à C.M.L. fazer Pedagogia no que respeita as Características Patrimoniais inalienáveis do edifício, na sua linguagem de EXTERIORES e INTERIORES, materiais, estrutura, etc
Assim se as entidades Camarárias não tiverem uma estratégia global, com um aparelho capaz de dar resposta célere, interessada e eficaz, acompanhando e não dificultando, explicando pedagógicamente, ao mesmo tempo que são oferecidas garantias das respectivas licenças com celeridade e sem contradições ...
Como pode a C.M.L. esperar que as suas necessárias exigências serão respeitadas ... senão tiver um aparelho capaz de dar resposta efectiva às ansiedades dos investidores? Como poderá ela exercer a tão necessária Pedagogia?
Saudações Lisboetas e Expectantes, António Sérgio Rosa de Carvalho