segunda-feira, 5 de setembro de 2022

FESTA DO AVANTE Foi o “declínio do capitalismo” que obrigou Vladimir Putin a invadir a Ucrânia

 


The Blind Leading the Blind

by Pieter Bruegel.

Comentário de OVOODOCORVO ao artigo publicado em baixo.

 


FESTA DO AVANTE

Foi o “declínio do capitalismo” que obrigou Vladimir Putin a invadir a Ucrânia

 

Deputado bielorrusso sugere “união” dos povos vizinhos “como o povo soviético quando alcançou a vitória sobre o fascismo”.

 

Ana Sá Lopes (Texto) e Nuno Ferreira Santos (Fotografia)

5 de Setembro de 2022, 0:00

https://www.publico.pt/2022/09/05/politica/noticia/declinio-capitalismo-obrigou-vladimir-putin-invadir-ucrania-2019374

 

Paz é uma palavra que aparece em cada canto da Festa do Avante!. Está por todo o lado, em cartazes, pavilhões, panfletos, discursos. Mas há uma guerra na Europa, que acontece por causa do “declínio do capitalismo”. As palavras são de Ângelo Alves, membro da comissão política do PCP, na abertura do debate “Não ao militarismo e à guerra! Por um mundo de paz e cooperação!”. Os pontos de exclamação fazem parte do título oficial.

 

A guerra da Ucrânia está em curso porque, segundo Ângelo Alves, “o capitalismo e o imperialismo só têm uma de duas formas de sobreviver: ou o domínio absoluto ou o confronto”. E, perante a “crise do capitalismo”, “o imperialismo escolheu a linha de confronto”. Prossegue o membro da direcção do PCP: “A estratégia de confrontação que os Estados Unidos estão a liderar, arrastando os estados da União Europeia, é uma estratégia que tem como alvo todos os povos que afirmam o direito à sua soberania.”

 

Mas os amanhãs cantam porque “esta estratégia de confronto não é um sinal de força, é de fraqueza (…) É neste enquadramento que se insere a guerra na Ucrânia, que é uma guerra por procuração entre os Estados Unidos e a Federação Russa”, que teve início quando a NATO avançou para Leste e fez “um cerco geoestratégico à Federação Russa”. E, diz Ângelo Alves, “é aqui que reside a razão fundamental deste conflito”.

 

A estratégia dos Estados Unidos “não visa apenas a Federação Russa”: “Vejam-se as provocações na região asiática, Taiwan.”

 

Olá, Lenine

Sirguei Mikovich, do Partido Comunista da Bielorrússia, deputado no Parlamento do seu país, lembra que “a Ucrânia é um país amigo, como a Rússia”, mas foi “a política dos Estados Unidos, que ocuparam a Ucrânia depois do golpe de Estado de 2014”, que levou a esta “guerra feroz entre povos irmãos”.

 

 

 

 

E a Bielorrússia acabou “a pedir ajuda à Rússia": “Os países do Báltico que agem segundo instruções dos Estados Unidos colocaram um grande número de Forças Armadas junto da fronteira com a Bielorrússia. Pedimos à Rússia para voltar a ter no nosso território as armas nucleares que tinham no tempo da URSS.” Afirmando que se houver uma guerra nuclear “não há vencedores”, as armas nucleares na Bielorrússia servem “apenas para que os países da NATO não façam ingerências nos nossos assuntos internos”.

 

Para o dirigente do PC bielorrusso, “todos devem tirar conclusões deste conflito”: “Não devemos permitir entre nós aqueles que promovem o ódio entre os nossos vizinhos.” Aparentemente, solução para a guerra só haveria criando uma nova URSS, diz o deputado da Assembleia bielorrussa, para quem “obter a vitória nesta guerra só é possível se nos unirmos, como o povo soviético quando alcançou a vitória sobre o fascismo”.

 

A Bielorrússia continua, desde que se tornou independente em 1991, “a defender as conquistas socialistas, a educação gratuita, a saúde gratuita”. “Na Bielorrússia, as mulheres têm a reforma aos 58 anos e os homens aos 63”, o que “não agrada aos países imperialistas que gostariam que a população bielorrussa enveredasse “pelo neoliberalismo para viver abaixo do limiar da pobreza”.

 

O dirigente bielorrusso afirma que o país, desde 1991, já enfrentou “cinco golpes de Estado” que, “felizmente”, conseguiu travar. A Bielorrússia é um país “vitorioso”: “A Bielorrússia resiste à tentativa de reescrever a História, de nos empurrarem para uma economia de mercado que levaria uma grande parte da população à miséria.”

 

Elogiou o PCP por, “no meio de pressões tão fortes”, não ter “medo de se encontrar aqui e dizer a verdade”.

 

Ucrânia divide PC alemão

A representante dos comunistas alemães iniciou a sua intervenção com uma frase que costuma ser evitada nos documentos e discursos oficiais do Partido Comunista Português: “A Rússia atacou a Ucrânia.” Mas admitiu que “há avaliações diferentes” sobre a matéria entre os comunistas alemães.

 

Alguns dos militantes afirmam que se trata de “uma guerra de agressão que viola o direito internacional”, enquanto outros consideram tratar-se de “uma guerra defensiva contra um ataque iminente” e nesse caso estaria abrangida pelo direito internacional. A dirigente diz que o PC alemão promete “intensificar a discussão colectiva sobre o assunto no futuro”.

 

A prioridade agora é “parar a ameaça de guerra mundial e repor novamente o direito internacional em vigor, base essencial para uma futura ordem de paz no mundo”. Mas segundo a dirigente comunista alemã, “o ataque da Rússia à Ucrânia serviu para impor um pacto de guerra pelos Estados Unidos, Europa e Alemanha”.

 

A dirigente do Comité Central do Partido Comunista da Alemanha afirma que “há agitação, ódio, exclusão e violência contra cidadãos russos e a cultura do povo russo”. E contesta o facto de a NATO “estar a aumentar a presença de tropas junto da fronteira russa”. O aumento dos gastos com a Defesa no seu país causa-lhe apreensão: “A República Federal nunca experimentou um tal pacote de guerra.”

 

Os travões que eram “impostos ao imperialismo alemão foram apagados”. “A paz só é possível com a Rússia e a China. O nosso principal inimigo é o imperialismo alemão que quer dar o salto para ser uma grande potência”.

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