The Blind
Leading the Blind
by Pieter
Bruegel.
Comentário de OVOODOCORVO ao artigo publicado em baixo.
FESTA DO AVANTE
Foi o “declínio do capitalismo” que obrigou Vladimir
Putin a invadir a Ucrânia
Deputado bielorrusso sugere “união” dos povos vizinhos
“como o povo soviético quando alcançou a vitória sobre o fascismo”.
Ana Sá Lopes (Texto) e Nuno Ferreira Santos (Fotografia)
5 de Setembro de 2022, 0:00
Paz é uma palavra que aparece em cada canto da Festa do
Avante!. Está por todo o lado, em cartazes, pavilhões, panfletos, discursos.
Mas há uma guerra na Europa, que acontece por causa do “declínio do
capitalismo”. As palavras são de Ângelo Alves, membro da comissão política do
PCP, na abertura do debate “Não ao militarismo e à guerra! Por um mundo de paz
e cooperação!”. Os pontos de exclamação fazem parte do título oficial.
A guerra da Ucrânia está em curso porque, segundo Ângelo
Alves, “o capitalismo e o imperialismo só têm uma de duas formas de sobreviver:
ou o domínio absoluto ou o confronto”. E, perante a “crise do capitalismo”, “o
imperialismo escolheu a linha de confronto”. Prossegue o membro da direcção do
PCP: “A estratégia de confrontação que os Estados Unidos estão a liderar,
arrastando os estados da União Europeia, é uma estratégia que tem como alvo
todos os povos que afirmam o direito à sua soberania.”
Mas os amanhãs cantam porque “esta estratégia de
confronto não é um sinal de força, é de fraqueza (…) É neste enquadramento que
se insere a guerra na Ucrânia, que é uma guerra por procuração entre os Estados
Unidos e a Federação Russa”, que teve início quando a NATO avançou para Leste e
fez “um cerco geoestratégico à Federação Russa”. E, diz Ângelo Alves, “é aqui
que reside a razão fundamental deste conflito”.
A estratégia dos Estados Unidos “não visa apenas a
Federação Russa”: “Vejam-se as provocações na região asiática, Taiwan.”
Olá, Lenine
Sirguei Mikovich, do Partido Comunista da Bielorrússia,
deputado no Parlamento do seu país, lembra que “a Ucrânia é um país amigo, como
a Rússia”, mas foi “a política dos Estados Unidos, que ocuparam a Ucrânia
depois do golpe de Estado de 2014”, que levou a esta “guerra feroz entre povos
irmãos”.
E a Bielorrússia acabou “a pedir ajuda à Rússia":
“Os países do Báltico que agem segundo instruções dos Estados Unidos colocaram
um grande número de Forças Armadas junto da fronteira com a Bielorrússia.
Pedimos à Rússia para voltar a ter no nosso território as armas nucleares que
tinham no tempo da URSS.” Afirmando que se houver uma guerra nuclear “não há
vencedores”, as armas nucleares na Bielorrússia servem “apenas para que os
países da NATO não façam ingerências nos nossos assuntos internos”.
Para o dirigente do PC bielorrusso, “todos devem tirar
conclusões deste conflito”: “Não devemos permitir entre nós aqueles que
promovem o ódio entre os nossos vizinhos.” Aparentemente, solução para a guerra
só haveria criando uma nova URSS, diz o deputado da Assembleia bielorrussa,
para quem “obter a vitória nesta guerra só é possível se nos unirmos, como o
povo soviético quando alcançou a vitória sobre o fascismo”.
A Bielorrússia continua, desde que se tornou independente
em 1991, “a defender as conquistas socialistas, a educação gratuita, a saúde
gratuita”. “Na Bielorrússia, as mulheres têm a reforma aos 58 anos e os homens
aos 63”, o que “não agrada aos países imperialistas que gostariam que a
população bielorrussa enveredasse “pelo neoliberalismo para viver abaixo do limiar
da pobreza”.
O dirigente bielorrusso afirma que o país, desde 1991, já
enfrentou “cinco golpes de Estado” que, “felizmente”, conseguiu travar. A
Bielorrússia é um país “vitorioso”: “A Bielorrússia resiste à tentativa de
reescrever a História, de nos empurrarem para uma economia de mercado que
levaria uma grande parte da população à miséria.”
Elogiou o PCP por, “no meio de pressões tão fortes”, não
ter “medo de se encontrar aqui e dizer a verdade”.
Ucrânia divide PC alemão
A representante dos comunistas alemães iniciou a sua
intervenção com uma frase que costuma ser evitada nos documentos e discursos
oficiais do Partido Comunista Português: “A Rússia atacou a Ucrânia.” Mas
admitiu que “há avaliações diferentes” sobre a matéria entre os comunistas alemães.
Alguns dos militantes afirmam que se trata de “uma guerra
de agressão que viola o direito internacional”, enquanto outros consideram
tratar-se de “uma guerra defensiva contra um ataque iminente” e nesse caso
estaria abrangida pelo direito internacional. A dirigente diz que o PC alemão
promete “intensificar a discussão colectiva sobre o assunto no futuro”.
A prioridade agora é “parar a ameaça de guerra mundial e
repor novamente o direito internacional em vigor, base essencial para uma
futura ordem de paz no mundo”. Mas segundo a dirigente comunista alemã, “o
ataque da Rússia à Ucrânia serviu para impor um pacto de guerra pelos Estados
Unidos, Europa e Alemanha”.
A dirigente do Comité Central do Partido Comunista da
Alemanha afirma que “há agitação, ódio, exclusão e violência contra cidadãos
russos e a cultura do povo russo”. E contesta o facto de a NATO “estar a
aumentar a presença de tropas junto da fronteira russa”. O aumento dos gastos
com a Defesa no seu país causa-lhe apreensão: “A República Federal nunca
experimentou um tal pacote de guerra.”
Os travões que eram “impostos ao imperialismo alemão
foram apagados”. “A paz só é possível com a Rússia e a China. O nosso principal
inimigo é o imperialismo alemão que quer dar o salto para ser uma grande
potência”.


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