quinta-feira, 29 de maio de 2014

Eles coleccionam detalhes da arquitectura portuguesa


Eles coleccionam detalhes da arquitectura portuguesa
"Old Portuguese Stuff" é um blogue dos jovens arquitectos Catarina Santos e Alexandre Gamelas, que visam recolher detalhes arquitectónicos típicos da realidade portuguesa
Texto de Ricardo M. Alves • 27/05/2014 – PÚBLICO / P3

Do barroco ao moderno, do puxador à escadaria, do Norte ao Sul de Portugal. Catarina Santos e Alexandre Gamelas fotografam aqueles requintes dos edifícios que parecem desaparecer num cenário alargado, mas que quando vistos à lupa revelam segredos sobre a identidade de um país. Falamos com eles sobre o blogue Old Portuguese Stuff, onde aglomeram esses registos, e sobre a realidade da arquitectura portuguesa.



Para a reverência que vocês têm pelos materiais que catalogam, Old Portuguese Stuff parece um nome muito informal.
Catarina Santos — Sim, é um bocado [risos]. Mas o âmbito do blogue é demasiado amplo para fechar numa palavra que não seja genérica. Recolhemos detalhes arquitectónicos de todas as correntes e formatos, o critério é apenas que esteja bem construído e seja um retrato da realidade portuguesa.
Alexandre Gamelas — Sim, e o que acontece muito em Portugal é o discurso sobre arquitectura ser muito formal, muito académico. Enquanto estivemos a trabalhar nos Estados Unidos havia um diálogo muito mais relaxado com a arquitectura.

Vocês começaram o Old Portuguese Stuff quando ainda estavam a trabalhar em Nova Iorque — foi por causa da saudade?
CS — Sim, foi isso [risos].
AG — Também foi isso, mas também foi uma ideia que nos surgiu naquele momento e naquele lugar porque nos escritórios onde trabalhávamos havia uns cadernos que não se encontram em Portugal. São pequenos compêndios de pormenores arquitecturais como caixilhos, portas, corrimões. Como o trabalho que fazíamos lá era uma arquitectura bastante tradicional, usávamos estas pequenas revistas como ferramentas de trabalho, como referência. Claro que a nostalgia por Portugal foi um grande motivador, mas a ideia para o blogue foi também construir uma base de dados semelhante, que nos fosse útil a nós mas também a outros arquitectos.



Isso explica um pouco a transversalidade do blogue — vocês cobrem desde estruturas como escadarias a detalhes como puxadores. Mas também cobrem muita área, com fotografias do Norte ao Sul do país. As fotografias são todas recolhidas só por vocês?
CS — Sim, todas as fotografias são nossas. Temos alguma facilidade nessas viagens porque eu sou da Batalha, e o Alexandre é da Guarda — acabamos por circular bastante. E nessas viagens aproveitamos sempre para recolher algumas fotografias — algumas viagens fazemos de propósito para recolher material, noutros casos são só oportunidades que surgem durante passeios.
AG — Quando começamos o blogue já tínhamos um arquivo enorme, porque sempre tivemos esse gosto por tirar fotografias de detalhe em viagens.

Há algo de missão aqui?
AG — Um pouco, talvez. Acho que ainda temos muito material à espera de ser encontrado, há um trabalho de memória que seria interessante fazer com o património que temos que está abandonado ou até a ser destruído.



Vocês já voltaram a Portugal há cerca de três anos. Como vêem a acção de recuperação que está a ser feita — como por exemplo no caso dos projectos da Sociedade de Reabilitação Urbana, aqui no Porto?
AG — Pois, por onde começar...
CS — É assim, é bom que se esteja a recuperar, porque durante muitos anos não se fez nada. Pelo menos há um movimento de regresso à baixa e os agentes estão interessados em recuperar. Só que muitas vezes essa recuperação não é a melhor.

Falta algum respeito pelos materiais que se recupera?
CS — Sim, a recuperação muitas vezes não respeita a arquitectura antiga. Muitas vezes se destrói o que já lá estava para substituír por coisas novas que não estão muito de acordo com o contexto.
AG — Como a Catarina diz, essa onda de regresso à Baixa é uma coisa objectivamente boa. Mas em relação às intervenções públicas, houve coisas muito graves que aconteceram. Muitas vezes quando o estado intervém parece que apenas piora a situação. Mas isto não é uma coisa recente, já tem alguns anos. Temos nesta cidade o caso da Avenida dos Aliados, ou do empreendimento das Cardosas. As coisas estão mais limpas, mais arranjadas, mas perdem a identidade que tinham.

A acção típica de levantar a calçada portuguesa e substituí-la por blocos de granito.
AG — Sim, as intervenções do estado são muito agressivas. Casos assim mereciam uma acção mais conservadora, algo que se limitasse a uma limpeza de imagem. Desta maneira os espaços ficam com uma cara lavada, é certo, mas é uma cara que já não é a deles. Corremos o risco de, repetindo-se demasiadas vezes essa acção, a cidade perder o seu tom característico. Isto é uma situação que não se verifica quando a intervenção é feita a título indivdual pelos proprietários, aí há menos perigo de se perder património. As más acções aqui são minoritárias, o efeito nocivo dilui-se.

As fachadas azulejares são outro exemplo de algo que não é propriamente preservado.
AG — Sem dúvida. Nesses casos até se faz algo ainda pior — pelo menos para nós que somos puristas — que é produzir industrialmente réplicas dos azulejos pintados à mão que lá estavam. Mas nota-se logo a diferença na técnica estandardizada, o efeito final é quase uma coisa irónica, grotesca. O edifício parece uma casa de banho.
CS — É um pouco o valor que achamos que o blogue tem, o de preservar esse tipo de detalhes que aos poucos vão desaparecendo e sendo adulterados. E isso acaba por chamar a atenção a essas falhas na recuperação.

O que é que acham que contribuiu para essas especificidades da arquitectura portuguesa? Foi o isolamento do período do Estado Novo?
AG — Essa é uma boa questão. Eu acho que sim, que essa especificidade na história do nosso país nos deu algo de único, que não se encontra em cidades espanholas, francesas ou britânicas. É também por isso que nos damos ao trabalho de captar esses pormenores, porque temos tendências actuais de recuperação que são substituír as janelas por caixilhos para vidro duplo em PVC, encher o interior de pladur e está feita a recuperação. É algo económico por ser massificado. Nós tentamos desenvolver um trabalho diferente, desenhamos janelas como elas eram desenhadas há um século.

O que também caracteriza a arquitectura tradicional portuguesa é a cultura artesã — acham que é algo que se está a perder?
CS — Agora já está a haver mais procura outra vez. Mas há uma ou duas décadas atrás não era de todo o que se fazia, por isso muito conhecimento entretanto desapareceu. Mas ainda vamos a tempo de recuperar, de dinamizar de novo a produção artesã — ela ainda não desapareceu completamente.
AG — Sim, já começa a haver uma procura generalizada. Mas a título de exemplo, nós no ano passado estávamos a recuperar um apartamento e procuramos peças de substituição fabricadas através do mesmo processo. Ainda encontramos algumas, mas noutros casos a frase que mais ouvíamos era "esse senhor já morreu". A gente chegava à loja de ferragens, escolhíamos determinado tipo de puxador, e quando tentávamos encomendar em grande número diziam-nos sempre "o senhor que fazia isso já morreu, não se arranja mais". As fábricas fecham, os moldes vendem-se, não deixaram aprendizes.


Sendo que zonas como este centro histórico do Porto são classificadas pela UNESCO como património da humanidade, a recuperação das práticas artesanais não deve também caber às entidades públicas ou mesmo comunitárias?
CS — Acho que se houver procura isso vai reaparecer novamente. Aquele período nos anos 90 em que se perdeu mais dessa arte deveu-se a falta de procura. Se a procura aumentar, acho que ainda vamos a tempo de ver o ressurgimento das práticas artesanais.

O mercado livre também pode funcionar para o bem, então.
AG — Exacto! Mas sobretudo acho que deve haver da parte das entidades públicas menos preocupação em construir e mais preocupação em regular. Dentro dos limites do razoável, obrigar os proprietários à recuperação criteriosa dos edifícios. Acho que aí teríamos uma acção mais natural em que o património estaria protegido.


Texto editado por Andréia Azevedo Soares

“Definição para politico"

“Definição para politico:
Animal de grande porte,
Traiçoeiro,
Vive em bandos (ou quadrilha),
Tem vida muito longa,
Na sua grande maioria são imunes a doenças ,
Não vivem sem mordomias,
E sempre morde a mão de quem o alimenta.”
―Marcelo Vico
Frases - http://kdfrases.com

Capacitar o PS para quê? António Costa vai ter de explicar como quer rever o Tratado Orçamental.Socialistas de máquina de calcular na mão.


Capacitar o PS para quê?
António Costa vai ter de explicar como quer rever o Tratado Orçamental
Por Luís Rosa
publicado em 29 Maio 2014 / in (jornal) i online

Quarenta e oito horas depois do início do bullying político a António José Seguro, continuamos concentrados no acessório da marcação do congresso extraordinário sem saber o essencial: António Costa quer ser primeiro-ministro porquê? O que distingue António Costa de António José Seguro? Que ideias tão diferentes defende Costa que assegurem uma alternativa mais credível do que aquela apresentada pelo actual líder do PS?

Se olharmos para os apoiantes de António Costa, descobrimos uma verdadeira amálgama de sensibilidades internas do PS que vão desde a ala esquerda até aos mais fiéis dos seguidores de José Sócrates e que defendem posições antagónicas sobre questões essenciais como o Tratado Orçamental, a forma como se deve reduzir a dívida, o défice público ou reformar o Estado. Será que António Costa concorda com Pedro Nuno Santos, líder da Federação de Aveiro, quando este defende que Portugal não consegue cumprir os seus compromissos e deve reestruturar a dívida? Será que tem a mesma opinião de João Galamba, que “entre cortes nas despesas e aumento de impostos” prefere “sempre aumento de impostos”, nomeadamente do IRS, por rejeitar que “os cortes na despesa pública sejam uma solução para o país”? Ou será que concorda com a outra parte do partido que considera estas posições negativas para os socialistas? Ainda não sabemos, porque o edil lisboeta ainda terá de garantir o apoio estatutariamente necessário para disputar o cargo de líder do PS a António José Seguro.

A única grande diferença, que se saiba, entre Costa e Seguro prende-se com o Tratado Orçamental, que foi aprovado noparlamento com os votos do PSD, do CDS e do PS de Seguro. Apesar de reconhecer que era inevitável a aprovação na Assembleia da República, António Costa não deixou de defender, numa entrevista recente ao “Negócios”, uma revisão do documento que impõe a Portugal uma redução da dívida para 60% do PIB e do défice para 0,5% do produto. Porquê? Porque é necessária uma maior solidariedade orçamental entre os países da União Monetária, devido às desigualdades entre os países do norte e do sul que foram exponenciadas pelo euro.

Será curioso ver como António Costa compatibiliza esta argumentação com uma possível candidatura a primeiro-ministro. A argumentação de que o euro aumentou as desigualdades dentro da União Europeia e de que é necessário a Europa transferir mais dinheiro para Portugal implica romper claramente com as posições diplomáticas que Portugal tem tido, de consonância com a Alemanha de Angela Merkel.

Uma coisa é certa: nestas, tal como noutras questões, como a reforma do Estado, AntónioCosta tem de mostrar que tem muito mais do que uma boa imagem na comunicação social. Vai ter de se diferenciar claramente de António José Seguro e mostrar aos militantes socialistas que a sua proposta de alternativa é mais consistente e dá maiores garantias de sucesso. Só assim evitará um regresso perigoso à câmara de Lisboa.



EDITORIAL
Socialistas de máquina de calcular na mão
DIRECÇÃO EDITORIAL PÚBLICO/  29/05/2014
Se o congresso no PS não se realizar, nem Seguro nem Costa saem bem na fotografia.

O dia no Partido Socialista começou com a demissão de Jorge Lacão do secretariado nacional do PS e, mais ao final do dia, de Susana Amador. São dois dos três secretários nacionais eleitos pela quota de António Costa. Sendo este um órgão de confiança política do secretário-geral, é coerente a posição assumida por ambos que exigem aquilo que António José Seguro ainda não deu sinais de querer fazer, ou seja, de convocar um congresso extraordinário no qual António Costa possa disputar a liderança.

Coerente também foi a posição do líder parlamentar, Alberto Martins, que veio nesta quarta-feira dizer que há regras constitucionais do partido que devem ser respeitadas e, logo, quem quiser nesta altura disputar o lugar de Seguro terá de reunir apoios na comissão nacional ou nas distritais.

Claro está que António Costa queria atalhar caminho e preferia que fosse o próprio António José Seguro a convocar o congresso. Mas o líder do PS continua sem dar sinais de querer passar por cima daquilo que Costa apelida de “questões metodológicas”.

Já se percebeu que, muito provavelmente, a discussão ficará adiada para este sábado, para a reunião da comissão nacional, mas não é garantido que o diferendo fique sanado nessa altura. Se não se resolver nada no Vimeiro, então será mesmo preciso recorrer ao apoio das federações distritais. E nesta altura quer Costa, quer Seguro, já estarão de máquina de calcular na mão a fazer o somatório dos apoios.


Mas ambos ficarão com um problema entre mãos, se o congresso não se realizar. António José Seguro será sempre acusado (aliás, já está a ser) de fugir à luta, de se refugiar nos estatutos e de ganhar na secretaria. E se o congresso não acontecer, porque António Costa não convenceu a comissão nacional ou as distritais, também é um sinal de que não tem a maioria do partido do seu lado.

Câmara decide contratar cantoneiros e admite que isso não resolve problemas

Até 2016 o município deverá contratar mais 150 trabalhores para a recolha do lixo. Sindicato diz que isso não resolverá o problema

Câmara decide contratar cantoneiros e admite que isso não resolve problemas
Os vereadores da Câmara de Lisboa aprovaram uma tomada de posição em que se mostram favoráveis à reorganização do dispositivo da PSP e insistem na entrega do policiamento do trânsito à autarquia

“Ando na cidade e constato bem qual é a situação”, disse António Costa, referindose ao facto de o problema do lixo estar por resolver

Inês Boaventura / PÚBLICO / 29-5-2014

O vice-presidente da Câmara de Lisboa anunciou ontem que vão ser contratados, até 2016, 150 cantoneiros. Ainda assim, Fernando Medina admitiu que é preciso fazer mais para suprir as “dificuldades” que se vêm sentindo na recolha de lixo na capital, dado que estas não se resolvem “simplesmente colocando mais recursos em cima do problema”.
“Há dificuldades resultantes de opções que têm de ser tomadas do ponto de vista operacional, dificuldades decorrentes da necessidade de correcção e ajustamento em função do processo de transferência de competências para as freguesias e dificuldades decorrentes da avaliação de recursos. Convém não confundir as coisas”, afirmou o vereador socialista. Fernando Medina acrescentou que os 50 cantoneiros que vão ser contratados ainda este ano vão “colmatar o processo de reforma” de outros tantos profissionais da área.
Tanto o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa, Vítor Reis, como o vereador do PCP João Ferreira consideraram que as contratações anunciadas durante a reunião camarária de ontem não são suficientes. “Não vão resolver problema absolutamente nenhum”, disse o autarca, lembrando que “há quase seis vezes mais vagas por preencher no mapa de pessoal do município”.
O próprio presidente da Câmara de Lisboa reconheceu que os 150 cantoneiros não vão “suprir as falhas de recursos humanos”, mas disse que este é o número possível atendendo a que “as receitas do município não têm estado propriamente reluzentes”.
António Costa, que durante a campanha para as últimas autárquicas defendeu que as queixas dos cidadãos relativas à higiene urbana iriam diminuir com a transferência de competências para as juntas de freguesias, reconheceu a existência de problemas a este nível: “Ando na cidade e constato bem qual é a situação”, admitiu.
Para o vereador António Prôa, que levou para a reunião uma série de fotografias que mostravam lixo acumulado junto a vidrões e em redor de caixotes, a explicação para esta realidade reside no facto de o município não ter tido “capacidade de antecipação das consequências do processo de transferência para as freguesias”. “A câmara não se soube adaptar às novas circunstâncias”, criticou o eleito do PSD.
“O problema é por demais evidente, é conhecido de todos, é grave e urge ser resolvido”, defendeu António Prôa. Quanto à actuação das juntas de freguesia, que passaram a ser responsáveis pela lavagem e varredura das ruas, o vereador considera que estas “têm, com mais ou menos dificuldades, sido capazes de dar resposta às novas necessidades”.
Nesta reunião foi aprovada uma tomada de posição, na qual a Câmara de Lisboa manifesta “a sua concordância com a reorganização do dispositivo da PSP na cidade de Lisboa, conforme apresentada pelo Governo e pela Direcção Nacional da PSP, no pressuposto do cumprimento das linhas orientadoras e das medidas operacionais que lhe estão subjacentes, nomeadamente o aumento de polícias nas ruas”. No documento, o município aproveita para voltar a pedir ao Governo que lhe atribua a tutela da Divisão de Trânsito e que transfira “agentes da PSP, devidamente formados” para a Polícia Municipal.
O PCP votou contra a totalidade da proposta, enquanto os dois eleitos dos Cidadãos por Lisboa se abstiveram no primeiro ponto.
“Mais importante do que as quatro paredes de uma esquadra, é o aumento do dispositivo policial nas ruas”, sustentou o vereador da Segurança, Carlos Castro, sublinhando que estão em causa “267 efectivos que a câmara quer que a PSP passe para a rua”.
“É enganar as populações a ideia de que uma esquadra aberta melhora a segurança”, disse também António Costa, considerando que a proposta que está agora em cima da mesa, depois de negociações da autarquia com o Governo, “está francamente melhorada” face à proposta inicial.
Segundo o texto da tomada de posição agora aprovada, em Santa Maria Maior fecharão duas esquadras e abrirá uma nova (e uma outra dará lugar à sede da Divisão de Segurança a Transportes Públicos), em Santo António e Arroios fecharão três e abrirá uma, na Misericórdia já fechou uma, em Marvila fecharão três e abrirá uma, em Campolide fecharão duas e abrirá uma, em Carnide fecharão três e abrirá uma, em Alcântara fecharão duas e abrirá uma e no Lumiar uma esquadra será “recentralizada” e outra passará a Divisão de Trânsito.

“Procuram-nos convencer que quando fecham esquadras a segurança aumenta”, reagiu João Ferreira, acusando o executivo de António Costa de com isto “dar mais um aval ao Governo para cortar a direito nos direitos das populações”. “Esta reorganização nada contribui para a segurança das populações”, acrescentou Carlos Moura, também vereador do PCP.

Litoral de Carcavelos vai mesmo ter nova urbanização apesar dos fortes protestos.Reunião da assembleia municipal marcada por insultos da assistência dirigidos aos deputados. PSP teve de intervir.


Litoral de Carcavelos vai mesmo ter nova urbanização apesar dos fortes protestos
Reunião da assembleia municipal marcada por insultos da assistência dirigidos aos deputados. PSP teve de intervir

Marisa Soares / PÚBLICO / 29-5-2014

Houve gritos, insultos e até choro ao longo das quatro horas que durou a reunião da Assembleia Municipal de Cascais anteontem à noite. O polémico Plano de Pormenor do Espaço de Reestruturação Urbanística de Carcavelos-Sul (PPERUCS), que prevê uma mega-urbanização para a Quinta dos Ingleses, foi aprovado sob forte protesto de grande parte dos cerca de 200 munícipes presentes, obrigando mesmo a algumas interrupções e à intervenção da polícia.
O auditório do Centro Cultural de Cascais foi demasiado pequeno para tantas pessoas, que se amontoaram nas escadas, no chão, de pé ou sentadas. Os apelos dos contestatários à presença em massa dos moradores parece ter sido ouvido, mas o pedido feito aos deputados municipais para que chumbassem o projecto caiu em saco roto. E nem a presidente da Junta da União de Freguesias de Carcavelos e Parede, Zilda Costa da Silva, na qual os opositores depositavam as últimas esperanças, respondeu como esperavam.
O mesmo órgão que em 2001 chumbou a anterior versão do plano deu luz verde a este novo PPERUCS. O documento obteve 19 votos favoráveis da maioria PSD/CDS-PP e 18 votos contra de toda a oposição — PS, CDU, BE e movimento independente Ser Cascais. O voto favorável de Zilda Costa da Silva, que é do partido da maioria, foi determinante. Terminada a votação, o público manifestouse com apupos e gritos. “Traidora”, “bandidos”, “decepção” foram algumas das palavras usadas, dirigidas à autarca. Perante isto, o presidente da assembleia municipal, António Pires de Lima, ordenou a retirada das pessoas, motivando a intervenção da PSP. A reunião continuou, apesar do protesto da oposição, com os deputados da CDU e do BE a abandonarem a sala. Algumas pessoas foram identificadas pela polícia.
Numa declaração de voto que o público já não pôde ouvir, lida após a hora marcada para o final da reunião (00h30), Zilda Costa da Silva tentou justificar-se. Para a autarca, seria “uma irresponsabilidade negar
A mega-urbanização para a Quinta dos Ingleses já tem luz verde as evidências” ou “considerar que não existem direitos do promotor” sobre a Quinta dos Ingleses.
“O cargo de presidente de junta é eleito directamente pela população, sendo livre de interpretar o mandato que lhe foi conferido pelos eleitores como melhor lhe aprouver”, justificou, acrescentando que, enquanto autarca, não está condicionada ao sentido de voto expresso pela assembleia de freguesia, que em Abril aprovou uma moção contra o projecto.
Erros irreversíveis
O PPERUCS, apresentado em Novembro pela Câmara de Cascais depois de mais de 50 anos de avanços e recuos, prevê a construção de uma urbanização com 906 fogos, sem condomínios privados. Inclui ainda um hotel de cinco pisos, espaços comerciais e de serviços, e um ninho de empresas para estimular a criação de emprego. Quase metade do terreno (40%) de 54 hectares está reservado para parque urbano e espaços verdes, públicos e privados.
No período de intervenção do público, foram várias as vozes que se manifestaram contra o plano, pelos seus impactos no ambiente e na qualidade de vida dos munícipes. Rita Neto, moradora em Carcavelos, apontou falhas como a ausência do estudo do quarteirão exigido pela lei e o aumento da impermeabilização do solo, com o consequente aumento do risco de cheias. “Os erros que agora se cometerem dificilmente serão reversíveis e irão repercutir-se nas gerações vindouras”, acrescentou Anamaria Azevedo, porta-voz do Fórum por Carcavelos.
Mas houve também quem defendesse a urbanização, em nome do colégio privado St. Julians (que é também promotor do projecto), instalado no terreno da Quinta dos Ingleses, “um território sem lei”. E um representante do Grupo Desportivo de Carcavelos manifestou-se a favor do projecto, por este prever a instalação da sede do grupo no empreendimento.
Os deputados da maioria PSD/ CDS-PP admitiram que o plano agora aprovado “não é o ideal, mas sim o possível”, repetindo a argumentação já apresentada diversas vezes pelo presidente da câmara, Carlos Carreiras. Fernando Lopes, do PSD, reiterou que o promotor, a construtora Alves Ribeiro, tem direitos de construção adquiridos aquando da assinatura da escritura em 1985, e que o chumbo desta versão do plano poderá implicar o pagamento de uma indemnização à empresa, de quase 300 milhões de euros, e a construção do projecto inicial.
“Nem nós nem ninguém com objectividade de análise acredita neste cenário”, retorquiu o deputado Vasco Graça, do PS. Também a CDU acusou Carreiras e a maioria de se colocarem do lado da “especulação imobiliária” e praticarem uma “política de faz de conta”. No início da reunião, o BE apresentou um requerimento para a realização de um referendo local, o que inviabilizaria a votação do plano. Os deputados votaram num empate e o requerimento acabou chumbado com o “voto de qualidade” desfavorável do presidente da mesa.


Na sua intervenção, Carlos Carreiras garantiu que “o processo não termina aqui” e que haverá “um cuidadoso acompanhamento”, por parte da autarquia, da assembleia municipal e dos próprios cidadãos, da elaboração do plano de urbanização.

Buoyant Le Pen seeks more allies for Eurosceptic group in Brussels

 
Marine Le Pen with Matteo Salvini of Italy's Northern League (left), Harald Vilimsky of Austria's Freedom party, and Geert Wilders of the Dutch Freedom party (right) in Brussels. Photograph: Geert Vanden Wijngaert/AP
Buoyant Le Pen seeks more allies for Eurosceptic group in Brussels
Front National leader partners with Italian, Dutch, Austrian and Belgian parties and says she is confident of adding others
Kim Willsher in Paris and Lizzy Davies in Rome

Marine Le Pen is confident of forming a powerful Eurosceptic bloc before the first meeting of the European parliament at the beginning of July.

The Front National (FN) president appeared buoyed up and determined as she led a press conference with the leaders of four other far right parties in Brussels on Wednesday afternoon. And she had a message for Ukip's Nigel Farage, a rival in the pursuit of rightwing allies. "I'm sorry Nigel, we're going to form our own group," she said with a triumphant smile.

"We have just come out of a meeting and I can tell you absolutely no worries about the existence or the future of our group that, as you know, must be constituted by the first [parliamentary] session at the start of July," Le Pen said. "The existence of our group will be proof that a future Europe of sovereign [states] that are respectful and fraternal can exist and must exist while the Europe of technocrats and totalitarianism has had its day."

Ukip is fishing in the same political pool for alliances in its own attempt to constitute an official parliamentary group. Farage, whose previous allies could defect to Le Pen, has said he will not ally himself with the FN, claiming the French party is still riven with "antisemitism and general prejudice". His remarks sparked accusations of slander from Le Pen.

Judging by her smiles, being in Brussels – home of the institution she blames for torpedoing France's economy, impinging on its sovereignty and flooding it with immigrants – does not disagree with Le Pen. The clearly delighted FN leader fired the first salvo against Farage flanked by the presidents of the Northern League in Italy, which has five European seats, the Freedom party in the Netherlands, led by Geert Wilders, which has four seats, the Freedom party in Austria, with four seats, and its traditional ally Vlaams Belang in Belgium, which has one seat.

"You know the FN that I have the honour to represent won an historic score of 25% of votes, arriving first in 71 departments and 24,400 communes out of the 36,000 in France, allowing us to quadruple our score of 2009 and multiply by eight the number of our MEPs," she said.

"We have shown a wonderful unity of the movement and maturity of the new generation of politics that we represent. The press, the system, our adversary sought to divide us, to create splits. We have shown an united front. The great lesson of this day and our presence is this unity, the same unity that allowed us this immense victory."

Despite the bravado, however, Le Pen is still short of representatives from two more countries to form a parliamentary group. Under European rules, such a group must contain at least 25 MEPs from seven different member states. The parliamentary groups must be formed before 24 June if their members wish to obtain influential posts.

The Swedish Democrats, who have worked with the FN in the past, seem hesitant to ally themselves with the French far right, while the Danish People's party, with four seats, and the True Finns party, with two, have both refused to join Le Pen's group.

Le Pen has said she does not want to join forces with Golden Dawn in Greece (three seats), Jobbik in Hungary (three seats), or the neo-Nazi Udo Pastors of the National Democrat party in Germany (one seat). It is not known whether Poland's New Right Congress (four seats) or the Lithuanian Justice Order (two seats) have been approached by Le Pen.

French analysts said Le Pen was walking a thin line of trying to form a strong Eurosceptic bloc without joining forces with openly neo-Nazi groups.

Le Pen knows she can count on the support of Matteo Salvini, leader of Italy's rightwing, xenophobic Northern League, who is one of the French politician's most vocal supporters in Europe. Salvini's Twitter profile features a picture of him and Le Pen with the slogan: "Vote for her too."

After their meeting in Brussels on Wednesday, he posted another photograph on Facebook showing the pair smiling together at a round table. "Another Europe is possible!" he wrote. "Less immigration and finance; more work and hope."

Beppe Grillo, figurehead of the Italian anti-establishment Five Star Movement (M5S), was on a more covert mission to meet Farage on Wednesday, as the M5S ponders how best to use its 17 new MEPs.

In the runup to the election, Grillo made clear that he would not join any form of alliance with Le Pen, but made no secret of his liking for Farage and some of Ukip's ideas. However, no decision was expected imminently after the meeting in Brussels, a spokesman in Rome told the Guardian.

The encounter was described as a chance for the two parties to "look for points in common" and "evaluate the idea" of a possible alliance. On his return to Italy, asked whether he had come to an agreement with Farage, Grillo said: "At the moment these are just probes. We are exploring."

Some in the M5S expressed doubt about the viability of such a step. Giuseppe Brescia, a Grillino MP in the national parliament, was quoted by the Corriere della Sera newspaper as saying: "Everyone is writing that Farage's is a xenophobic party. Ours is not."

Duncan McDonnell, a political scientist at the European University Institute in Florence, said he thought it was unlikely the M5S would form an alliance with Ukip, "especially if they put it to an online vote". Many of the M5S's moves are dictated by the verdict of an online network of activists and supporters.

As Le Pen spoke on Wednesday, hundreds of demonstrators held an impromptu demonstration against her outside the European parliament. Willy Decourty, the burgermeister of the Belgian capital, said no permission for the protest had been sought, but it would be "tolerated".


"Being a democrat, I can understand what has driven the organisers to suddenly mobilise for this kind of event," he said.

Snowden quer voltar a casa, mas não para acabar numa cela.Edward Snowden: breaking law was only option, says whistleblower Snowden tells NBC it was his duty to reveal sprawling NSA surveillance and going home would be 'walking into a jail cell'


Snowden quer voltar a casa, mas não para acabar numa cela
SOFIA LORENA 29/05/2014 - PÚBLICO
Sugerindo que gostaria de beneficiar de uma amnistia, o ex-analista voltou às denúncias dos programas de espionagem da NSA. Kerry diz-lhe que regresse para enfrentar "o sistema de justiça americano".

Edward Snowden, o analista informático na origem das revelações sobre os programas de vigilância e espionagem da Agência de Segurança Nacional (NSA) norte-americana, quer voltar a casa, aos Estados Unidos, afirmou numa entrevista ao canal de televisão norte-americano NBC.

“Se há um lugar no mundo para onde eu desejaria ir é para casa”, disse Snowden, quase um ano depois do início da publicação de documentos que revelaram a dimensão das escutas ilegais realizadas por Washington em todo o mundo. O antigo consultor da NSA repetiu ter agido “desde o primeiro dia para servir o seu país”. “Resta às pessoas decidirem se eu posso beneficiar de uma medida de amnistia ou de clemência.”

Pouco antes da transmissão da entrevista de uma hora, a primeira dada por Snowden a uma televisão nos EUA, e na sequência da divulgação dos primeiros excertos, o secretário de Estado, John Kerry, descrevia o analista como “um fugitivo” que "provocou grandes danos ao seu país", sugerindo-lhe que “deve portar-se como um homem e regressar aos EUA”. “Um patriota não fugiria”, disse. “Se ele acredita na América devia confiar no sistema de justiça americano”, acrescentou.

O attorney general (equivalente a ministro da Justiça) Eric Holder já disse que perdoar Snowden “seria ir demasiado longe”, mas admitiu que os EUA “entrariam num diálogo” com o analista para encontrar uma solução se ele aceitasse a responsabilidade pelas fugas de informação.

Snowden foi acusado de roubo e várias violações da Lei da Espionagem por divulgar detalhes dos programas de espionagem aos meios de comunicação social – incluindo ao norte-americano The Washington Post e ao britânico The Guardian, que este ano ganharam o Prémio Pulitzer pelo tratamento jornalístico dos documentos revelados.

Snowden quer voltar a casa, mas não para “entrar na cela de uma prisão”. Isso, defende, “seria um mau exemplo para outras pessoas no governo que vejam alguma coisa a passar-se, alguma violação da Constituição, e pensem que deveriam dizer qualquer coisa sobre isso”.

Na entrevista, Snowden não negou ter cometido ilegalidades. “Há alturas em que o que está certo e o que é legal não são o mesmo”, justificou. “Às vezes, fazer o que está certo significa fazer algo ilegal.”

Proteger a Constituição
Explicando que nunca planeou acabar na Rússia, país que em Agosto lhe deu o estatuto de refugiado, Snowden contou que tinha previsto viajar até à América Latina mas quando a administração norte-americana lhe revogou o passaporte teve de permanecer no aeroporto de Moscovo. Isto depois de ter abandonado o hotel de Hong Kong onde se encontrava quando os documentos que obteve começaram a sair na imprensa.

“Eu nunca me encontrei com o Presidente russo. Eu não sou apoiado pelo Governo russo. Não recebo dinheiro deles. Não sou um espião, que é o que está em causa”, afirmou.

Na entrevista realizada na Rússia, Snowden repetiu 22 vezes a palavra Constituição (as contas são do Washington Post). “Ser um patriota não significa dar prioridade a servir o Governo acima de tudo”, disse. “Ser um patriota significa saber quando é preciso proteger o país e quando é preciso proteger a Constituição contra o ataque de adversários. E os adversários não têm de ser países estrangeiros. Podem ser maus polícias.”

O debate nos EUA
As revelações feitas por Snowden embaraçaram a administração de Barack Obama (principalmente por provarem que Washington regista conversas privadas de dirigentes estrangeiros aliados), mas abriram um debate nos EUA sobre o papel da NSA e os limites que devem enquadrar o poder da agência para conduzir os seus programas de vigilância.

Obama pediu ao Congresso para pôr ordem nestes programas, impedir a NSA de armazenar por si mesma os dados das comunicações e obrigar a agência a pedir aos tribunais para ter acesso aos registos das empresas de telecomunicações. A Casa Branca já aprovou esta legislação e, na semana passada, enviou-a ao Senado.

Num registo bem mais descontraído do que em anteriores aparições públicas, Snowden contou ao entrevistador Brian Williams que tem pouco com que se entreter na Rússia, já que nem fala a língua. Disse que passa os dias em casa a ver a série norte-americana The Wire (que em 2008 Obama nomeou como o seu “programa de televisão favorito"), apesar de achar “que a segunda temporada não é assim tão boa”




Edward Snowden: breaking law was only option, says whistleblower
Snowden tells NBC it was his duty to reveal sprawling NSA surveillance and going home would be 'walking into a jail cell'
Tom McCarthy in New York

One year after revealing himself as the source of the biggest intelligence leak in US history, Edward Snowden appeared in a long network television interview on Wednesday to describe himself as an American patriot and to make the case that his disclosures were motivated by a desire to help the country.

In his most extensive public comments to date Snowden sought to answer critics who have said his actions damaged US national security or that the threat from the secret government surveillance he revealed was overblown. Snowden was interviewed by the NBC News anchor Brian Williams, who travelled to Moscow for the meeting.

Snowden defended his decision to leak documents to the press, instead of making his complaints via internal channels, and explained why he had decided for the moment not to travel back to the United States to face criminal charges.

“If I could go anywhere in the world that place would be home,” Snowden told Williams. “I’ve from day one said that I’m doing this to serve my country … I don’t think there’s ever been any question that I’d like to go home.”

Snowden said he had not second-guessed his decision, however, to release an estimated 1.7m top secret government documents. “My priority is not about myself,” Snowden said. “It’s about making sure that these programs are reformed – and that the family that I left behind, the country that I left behind – can be helped by my actions.”

The interview, which took place at Kempinski Hotel in Moscow last week, followed months of negotiations between the news network and representatives of Snowden. The conversation, which was held in a library and lasted more than four hours, was billed as Snowden's first interview with a US television network.

Snowden has regularly participated in interviews over the last year, although never on such a large stage, or on one as likely to bring his words – and his argument – into American living rooms. NBC Nightly News, which ran clips from the interview, drew about 8.4m total viewers per night in May.

On Wednesday Snowden, 30, described for the first time his experience of the 9/11 terror attacks and talked about his views on the threat of terrorism.

“I’ve never told anybody this,” he said. “No journalist. But I was on Fort Meade [Maryland] on September 11th. I was right outside the NSA. So I remember – I remember the tension of that day. I remember hearing on the radio the planes hitting. And I remember thinking my grandfather, who worked for the FBI at the time, was in the Pentagon when the plane hit it.

“I take the threat of terrorism seriously. And I think we all do. And I think it’s really disingenuous for the government to invoke and sort of scandalize our memories, to sort of exploit the national trauma that we all suffered together and worked so hard to come through to justify programs that have never been shown to keep us safe, but cost us liberties and freedoms that we don’t need to give up and our constitution says we should not give up.”

Snowden said he did not consider himself blameless. “I think the most important idea is to remember that there have been times throughout history where what is right is not the same as what is legal,” he said. “Sometimes to do the right thing, you have to break a law.”

In a Pew Research poll of Americans earlier this year 57% of 18 to 29-year-olds said Snowden’s leaks had served the public interest but respondents 65 and over disagreed. A majority of respondents in older age groups supported prosecuting Snowden, while the 18-29 group split 42-42% on the question.

As much as he wanted to return home, Snowden said, he did not plan “to walk into a jail cell”. He repeated a view explained elsewhere by his legal counsel that the charges he faces under the 1917 Espionage Act would not allow him to mount a defense that he had acted in the public interest.

“These are things that no individual should empower himself to really decide, you know, ‘I’m gonna give myself a parade,’” Snowden said in reply to a question about how he judged his actions. “But neither am I going to walk into a jail cell, to serve as a bad example for other people in government who see something happening, some violation of the constitution, and think they need to say something about it.”

In the year he has lived in Russia as a fugitive from US law, Snowden said, he had not met President Vladimir Putin. “I have no relationship with the Russian government at all,” he said.

NBC News said it had confirmed “with multiple sources” that before he took the story to the press Snowden had raised a concern about possibly illegal surveillance on at least one occasion with intelligence agency superiors. Snowden said he had advanced his concerns on multiple occasions, even sending emails to the office of the NSA general counsel, and that the NSA would have a paper trail. The NSA has denied Snowden took such steps.

Snowden said he remained comfortable with the decision he made.


"I may have lost the ability to travel but I've gained the ability to fall asleep at night and know I've done the right thing and I'm comfortable with that.”