sábado, 2 de agosto de 2014

Clube centenário de Lisboa cobiçado pela maçonaria e pelo PSD

O que é que num clube de bairro, centenário mas endividado, pode interessar a um grão-mestre da maçonaria e a autarcas do PSD?

Clube centenário de Lisboa cobiçado pela maçonaria e pelo PSD
JOSÉ ANTÓNIO CEREJO 02/08/2014 - PÚBLICO
Assembleia eleitoral vai fazer-se num hotel com a polícia à porta. Presidente da mesa é grão-mestre da Grande Loja Legal de Portugal. Autarcas do PSD entraram para sócios antes das eleições.

O que é que num clube de bairro, centenário mas endividado, pode interessar a um grão-mestre da maçonaria e a autarcas do PSD?

A pergunta anda há meses na cabeça de centenas de sócios do Sport Futebol Palmense, uma associação criada em 1910 na Palma de Baixo, entre a Estada da Luz e a Universidade Católica de Lisboa. A resposta, contudo, não se lhes afigura fácil.

Na síntese de alguns velhos sócios, que alegam recear pala sua segurança para não dar o nome, o clube está a assistir desde há uns dois anos a “um assalto” protagonizado por pessoas acabadas de chegar e com intuitos que não compreendem.

O confronto entre a tradição Palmense e os novos sócios tem-se vindo a agudizar e na quarta-feira à noite chegou a haver gritos e seguranças privados em frente ao clube. Dezenas de novos sócios, com raros apoios entre os antigos, apareceram no local para promoverem uma candidatura aos órgão sociais, sem que os nomes dos candidatos sejam conhecidos. Mas os do bairro não estiveram pelos ajustes.

A sessão, que não chegou a realizar-se, tinha sido marcada pela direcção  — cujo presidente está a cumprir uma penas de prisão desde Março e da qual já se demitiu uma grande parte dos membros  — e a convocatória das eleições, a realizar na próxima segunda-feira, tinha sido feita pelo presidente da Assembleia Geral sem o conhecimento dos restantes elementos da mesa.

Entre os novos sócios presentes encontrava-se Rodrigo Gonçalves, anterior presidente da junta de freguesia local  — a de São Domingos de Benfica — e actual deputado municipal. O autarca, que é também vice-presidente do PSD de Lisboa e membro do Conselho Nacional do mesmo partido, está a ser julgado por agressão a um outro presidente de junta do PSD e foi recentemente acusado de corrupção passiva pelo Ministério Público.

Ricardo Crespo, o cabeça de lista pelo PSD à junta local nas eleições de Setembro, a cuja lista derrotada pertencia também o presidente do clube que está na cadeia, também lá se encontrava, garantem várias testemunhas.

Quem lá não estava era o presidente da Assembleia Geral, o advogado José Francisco Moreno, que ocupa desde 2010 o lugar de grão-mestre da Grande Loja Legal de Portugal e fez parte do gabinete de Manuela Ferreia Leite, quando esta era ministra.

Ontem mesmo os outros três membros da mesa da assembleia mandaram-lhe uma carta a pedir uma reunião urgente por não terem sido vistos nem achados na convocatória das eleições e para pedirem explicações sobre o processo de adesão de novos sócios, que tem sido conduzido por um colaborador de José Moreno não pertencente  aos órgãos sociais.

Para os que se consideram filhos do bairro, nados e criados no clube, a ofensa maior traduziu-se entretanto na convocação da assembleia geral eleitoral de segunda-feira. Esta não se fará na sede, como sempre, mas no Hotel Ibis, na Av. José Malhoa. 

À porta da sala deverá haver agentes da PSP e só poderão entrar os sócios com quotas em dia. Nelson Martins, um dos membros da anterior direcção que está do lado de José Moreno e Rodrigo Gonçalves, disse ao PÚBLICO que a reunião se fará no hotel e terá polícia à porta “porque vai haver muita gente e há pessoas que têm atitudes menos próprias”. Nelson Martins recusa motivações políticas na adesão dos novos sócios. Diz que “são cerca de 300 e alguns até são da oposição”.

Os nomes dos candidatos aos órgão sociais, explica, só serão conhecidos na assembleia “porque a oposição não quis que se fizesse a sessão de quarta-feira”. Quanto à legalidade da convocação do acto eleitoral, Nelson Martins está confiante: “Eu não estou a ver o dr. Moreno a ser parvo. Ele sabe o que está a fazer. Ele não vai meter o pé na argola.”

Da parte dos adversários do grupo dos novos sócios, Carlos Gonçalves, um dos vice-presidentes que se demitiu logo no início do mandato “por ver o rumo ilegal que as coisas estavam a levar”, é um dos que não entende o que está a acontecer no Palmense. “Isto é tudo muito estranho. Não percebo porque é que há um grupo de pessoas que nunca teve nada a ver com o clube e querer tomar o poder, custe o que custar”, afirma.


O PÚBLICO tentou falar durante a tarde desta sexta-feira com Rodrigo Gonçalves e com José Moreno, mas não obteve resposta.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

O MEGA / Ciclópico ... Buraco financeiro do BES e os contribuintes . Pedro Santos Guerreiro relembrou hoje no Facebook um Editorial da sua autoria no Diário de Negócios/ datado de 3 de Novembro 2008




A salvação dos canalhas
03 Novembro 2008, 13:00 por Pedro Santos Guerreiro | psg@negocios.pt

A nacionalização do BPN é uma infâmia inevitável. Os infames são os gestores e accionistas que já lá não estão; os inevitáveis são os contribuintes. E num tenebroso limbo estão os reguladores e auditores, que protegeram uns e falharam aos outros. Se são inocentes, são impotentes - e então de que nos servem?
O Estado vai comprar o que vale pouco ou nada, levar um peso-morto que a Caixa Geral de Depósitos dispensaria carregar e ligar à máquina um projecto que merecia eutanásia. Não é possível que o ministro das Finanças tenha anunciado esta nacionalização sem que bílis lhe ardesse por dentro. Se não lhe ardeu, ardeu aos contribuintes. O BPN devia morrer, os seus accionistas perder o dinheiro e os gestores chamados aos tribunais. Já agora: onde estão eles?

Miguel Cadilhe vai à frente desta barca mas não é ele quem entrará no inferno. O gestor filiou-se numa missão impossível, que quase conseguiu inverter não fosse a crise financeira internacional, que lhe tapou primeiro a liquidez para gerir e depois o capital para investir. E apesar das cautelas na gestão dos rumores, criou-se uma ansiedade nacional que levou de facto a uma corrida aos depósitos do BPN. Foi uma corrida em marcha lenta, mas suficiente para esvaziar os cofres.

Este colapso tem um nome: Oliveira e Costa, o gestor que durou anos e que há semanas tratou de desligar o telemóvel. Foi ele quem geriu na maior das opacidades, numa época agora investigada pela Procuradoria (na Operação Furacão), pela CMVM e pelo Banco de Portugal; que foi prometendo dispersões em Bolsa para convencer uma turba de accionistas que o seu dinheiro valorizaria; que hostilizou a Deloitte, quando a auditora lhe fez reservas às contas; que contratou, para a substituir, a BDO Binder que, entretanto, caucinou sem pestanejo as contas anuais. Oliveira e Costa é, como todos, inocente. Mas a presunção da inocência dos suspeitos não pode representar a presunção da estupidez dos contribuintes. Até prova em contrário, são eles que estão a pagar o erro.

Restou a bomba atómica: a nacionalização. O impressionante é que não se sabe sequer o que se salvou. O que é o BPN hoje? O que é que lá está dentro? Que mais esquemas com "offshores" há? O que valem os activos? Quanto mais dinheiro será preciso?

O Banco de Portugal não pode dormir sem pesos na consciência, justificando-se com o mandato formal de que só controla contas. O sistema de supervisão falhou. Outra vez. E, outra vez, porque se porta como bom samaritano. Porque todo o seu sistema assenta no pressuposto de que não lhe mentem. De que nada está fora do balanço. Se toda esta crise não servir para rever a supervisão, então não serviu para nada.

O BPN foi salvo porque deixá-lo cair agora detonaria a credibilidade de todo o sistema financeiro. Era possível salvar os clientes dos BPN sem comprar massa falida mas isso teria um custo, como aliás teve deixar cair o Lehman Brothers. Esta crise não tem nada a ver com a origem dos problemas do BPN mas foi o último prego no seu caixão. Foi por causa da crise que o Governo assumiu o compromisso de salvar os depósitos ameaçados. É por isso que a crise não matou o BPN, mas salvou o BPN. O velho BPN morreu; um novo BPN nasceu.

O slogan "valores que distinguem" não podia ter sido melhor escolhido para o BPN, que se distinguiu tanto que fica para a História. Mas não pode restar o vazio de responsabilidades. As últimas palavras desta triste história não podem ser as de Frei Luís de Sousa: Banqueiro, banqueiro, quem és tu? Ninguém...

Alguém que dê a cara na crise do BES. Estado pode ficar com 70% do BES sem traumas ideológicos./ O terramoto Editorial / Dinheiro Vivo. E o impossivel aconteceu/ Diário Económico.


EDITORIAL / PÚBLICO / 1-8-2014
Alguém que dê a cara na crise do BES
Ninguém assumiu a paternidade das contas do Banco Espírito Santo. Mas alguém as deveria explicar

OBanco Espírito Santo (BES) apresentou esta quarta-feira os resultados do primeiro semestre e, ao contrário do que é habitual, não houve uma conferência de imprensa para explicar as contas. É natural que a nova administração liderada por Vítor Bento não quisesse assinar e muito menos aparecer associada a resultados que reportam a um período ( Janeiro a Junho) em que não tinha nenhuma responsabilidade na gestão do banco. Um período negro na história do BES, a julgar pelos prejuízos de 3,6 mil milhões de euros.
Vítor Bento e a nova equipa de gestão do BES limitaram-se a emitir um comunicado em que explicam que estão a preparar um plano para recapitalizar o banco e ainda um programa estratégico de reestruturação. É pouco. Para tentar evitar a queda abrupta das acções e para acalmar os clientes é preciso que alguém apareça e dê a cara. Vítor Bento carrega consigo uma imagem de credibilidade e foi também por causa disso que o Banco de Portugal o aceitou como presidente do BES num momento tão delicado. Se fosse para ficar na sede do banco na Avenida da Liberdade a analisar as contas, mais valia ter-se contratado uma empresa de contabilidade. Mais do que dinheiro, o que o banco precisa urgentemente neste período é de uma injecção de confiança.
O mesmo se poderia pedir e exigir ao governador do Banco de Portugal que, depois de ter anunciado que o BES tinha uma almofada de capital suficiente para poder arcar com os prejuízos, se viu obrigado a mudar de discurso. E também não chega Carlos Costa fecharse num escritório na Rua do Comércio e emitir um comunicado. É preciso dar a cara e enviar uma mensagem de tranquilidade. A queda superior a 40% das acções do banco foi ontem um sinal de alerta.

Estado pode ficar com 70% do BES sem traumas ideológicos

Banco de Portugal continua a atirar pedras para o buraco do BES a ver se há algum barulho
Pedro Sousa Carvalho / PÚBLICO / 1-8-2014

O que assusta no caso do BES é que o Banco de Portugal deixou de antecipar os acontecimentos e passou a correr atrás do prejuízo. Literalmente a correr atrás do prejuízo. O BES veio anunciar prejuízos de 3,6 mil milhões de euros. É muito dinheiro, ou melhor, é muito pouco dinheiro. E Carlos Costa teve de dar o dito pelo não dito.
Há duas semanas o governador do Banco de Portugal jurava a pés juntos que o BES tinha uma almofada financeira que lhe permitiria absorver o impacto do buraco provocado pela exposição do banco às empresas do grupo Espírito Santo. Ficámos agora a saber que afinal o buraco era uma cratera. E o Banco de Portugal continua a atirar pedrinhas e auditores para dentro do buraco, a ver se ouve algum barulho, para tentar perceber se a cratera tem algum fundo.
Quando o Banco de Portugal ordenou uma auditoria às empresas do grupo, descobriu um buraco. Nessa altura, sabendo que tinham sido cometidas ilegalidades, o governador deveria ter substituído de imediato Ricardo Salgado e o resto da administração do banco. O problema é que Carlos Costa deixou que fosse Ricardo Salgado a dizer como seria o seu próprio enterro como banqueiro. E Salgado quis ser transportado num pedestal, numa espécie de pira que ia ardendo e sendo alimentada com dinheiro do próprio banco.
Chegámos ao cúmulo de ser não o Banco de Portugal, mas o próprio Ricardo Salgado a dizer numa entrevista ao Jornal de Negócios que se tinham detectado irregularidades graves no grupo. Carlos Costa estava nessa altura preocupado com a imagem do banqueiro e queria que Salgado se afastasse com alguma dignidade. E foi nessa entrevista que Salgado veio culpar o contabilista pelas ilegalidades. Aliás, os contabilistas estão para a banca como os mordomos estão para os policiais, são sempre os culpados.
Salgado não só escolheu a forma de dar a notícia, como ainda o nome do seu sucessor, que por sinal era o seu braço direito. E numa primeira fase o Banco de Portugal, mesmo sabendo das ilegalidades, foi pactuado com essas veleidades até que percebeu que a situação estava a ficar descontrolada. Os clientes e os accionistas já não confiavam na família para gerir o banco. No sector da banca, onde a confiança é o bem mais precioso, o “logo se vê” e o “deixa andar” é meio caminho para a desgraça. Na banca não se deve confiar por defeito. E por norma deve-se desconfiar. É a desconfiança dos reguladores que nos faz confiar em quem guarda o nosso dinheiro.
E foi já em desespero que o Banco de Portugal correu com Ricardo Salgado e nomeou Vítor Bento para tomar conta do banco. Bento tem nome de Papa, mas não faz milagres. O que a nova administração do BES precisa nesta altura é de tempo e dinheiro. E tempo é dinheiro. Tempo Vítor Bento não vai ter. As acções chegaram ontem a cair 50%. E Bento não se pode dar ao luxo de se enclausurar numa sala a ler relatórios e contas. Quando acabar de desenhar o seu plano estratégico de reestruturação, já não terá nada para reestruturar.
Dinheiro será muito difícil de desencantar. Os actuais accionistas que foram ao último aumento de capital em Junho compraram acções a 65 cêntimos. Ontem essas mesmas acções chegaram a ser vendidas a 17 cêntimos. Só mesmo por masoquismo é que voltam a meter dinheiro no banco.
Há outra opção para salvar o BES. O Banco de Portugal e Vítor Bento garantem que há investidores de fora interessados. Com as imparidades e provisões agora assumidas, os capitais próprios do banco ficaram reduzidos a 3 mil milhões de euros. Isto quer dizer que o BES precisa, no mínimo, de outros 3 mil milhões para repor os rácios a níveis confortáveis e acima do mínimo legal. E quem lá puser os 3 mil milhões, tendo em conta a actual capitalização, ficará com mais de 70% do BES, o que até parece ser um bom negócio.


O problema é que, enquanto não se perceber a real dimensão das perdas, nenhum investidor privado arrisca investir no BES. E para apurar as perdas totais vai ser preciso tempo. E tempo é coisa que o banco não tem. Como tal, resta o Estado, que ainda tem 6,4 mil milhões de dinheiro da troika precisamente para tapar buracos na banca. E aqui não se trata de salvar a família ou de nacionalizar prejuízos. Trata-se de salvar o património dos clientes e o sistema financeiro. E não precisamos de ter grandes pruridos ideológicos. Os bancos têm de ser nacionalizados quando têm de ser nacionalizados e ponto final.


Editorial: o GES, o BES, Vítor Bento e o governador
O terramoto
31/07/2014 | 12:35 |  Dinheiro Vivo

As contas apresentadas ontem pelo BES não são contas, é uma autópsia, uma condenação feroz à anterior administração e um catálogo de indícios e acusações que puseram o banco de pernas para o ar e levaram o Banco de Portugal, ainda ontem ao fim da noite, a redigir o comunicado mais violento (digo: bárbaro) da sua história.
Não ficará pedra sobre pedra no BES. Carlos Costa sentiu-se enganado, parece ter sido enganado ao longo dos últimos meses, e agora soltou definitivamente os cães. A ordem de purga imposta aos administradores da anterior gestão que ainda não tinham saído do banco - e que afetará também as linhas imediatamente abaixo - é um tiro de canhão que está neste preciso momento a fazer estremecer o edifício da avenida da Liberdade.
Quanto às contas do primeiro semestre, o essencial a sublinhar nesta altura (com a informação disponível...) é que a exposição do BES às dívidas do Grupo Espírito Santo parece finalmente definida e consolidada. Isto é: o contágio e os riscos estão, agora sim, incorporados no balanço, talvez até contando com os piores cenários, o que significa que pelo menos os ventos envenenados do GES terão esgotado os efeitos destruidores no banco. Um prejuízo de 3,6 mil milhões de euros não tem paralelo em Portugal. Traduz a derrocada da dinastia Espírito Santo e implicará forçosamente, inevitavelmente a refundação do banco.
Há no entanto um risco que ainda se mantém presente: o BESA, o banco que o BES tem em Angola (controla 55% do capital), mantém-se de pé apenas porque o Estado angolano emitiu uma garantia de 5,7 mil milhões de dólares, 4,2 mil milhões de euros, assumindo a responsabilidade "pelo bom e integral cumprimento das operações de crédito executadas". Apesar desta garantia, na verdade ainda não está totalmente excluído que estas perdas ou parte delas não se possam refletir no balanço do BES, que financiava a operação do BESA.
Portanto, o problema é o seguinte: Vítor Bento tem de fazer um aumento de capital que pode atingir os três mil milhões de euros. Se os problemas do BES estivessem totalmente estancados e assumidos, apesar da enormidade do valor, a verdade é que o BES controla um quinto do mercado bancário nacional, tem quase 800 balcões dentro e fora de Portugal, mais de 90 mil milhões de euros em ativos e 51 mil milhões em crédito concedido, ou seja, tem uma máquina comercial capaz de gerar receitas. Livre do peso e dos esquemas do GES é um bom banco, um banco capaz de gerar lucros e dividendos. Acontece que os novos investidores só entram se confiarem que já não há mais cartas escondidas e riscos evidentes - e é isso que o BESA ainda é: um elefante que pode afastar os investidores. Vítor Bento tem de começar a resolver este problema. Provavelmente está disposto a sair de Angola, mas veremos como o fará e se isso vai custar o quê ao BES.
Também é importante que Bento fale e dê a cara. O comunicado que produziu ontem não chega, é curto em explicações. A queda das ações do BES explica-se por causa do aumento de capital prometido (o valor das ações ficará diluído), mas o atual resguardo de Vítor Bento não ajuda a tranquilizar investidores e depositantes. O novo CEO não é um gestor de falências, é o novo CEO e tem de se comportar à altura dos acontecimentos do ponto de vista público. Exige-se liderança dentro do banco (e isso está a acontecer), mas também fora dele. Até agora compreende-se que tenha estado 100% ocupado, mas não pode continuar muito mais tempo fechado no gabinete.

Um último ponto sobre o governador do Banco de Portugal. Não vale a pena inverter as coisas e considerá-lo culpado disto tudo, mas não deixa de surpreender que tudo tenha acontecido debaixo do seu nariz nos últimos dois anos. E mais: espanta que se tenha deixado iludir nos últimos meses, permitindo que o contágio do GES ao BES não só não parasse como aumentasse exponencialmente. Portanto, o Banco de Portugal falhou em parte. Talvez fosse inevitável, hoje todos sabemos que não só não há regulação perfeita como, aliás, ela é demasiado imperfeita pelo mundo fora. No entanto, há apenas três semanas o governador assegurou (deu a sua palavra) ao país que havia uma almofada de segurança no BES. Ora bem, essa almofada afinal não chega, é curta, e isso deixa o BdP não apenas vulnerável às críticas, mas acima de tudo um pouco mais enfraquecido na sua capacidade de tranquilizar investidores e depositantes. E isso sim é preocupante numa altura destas.


E o impossivel aconteceu
Demolidor, estrondoso, surpreendente, inédito, colossal , inacreditável. Seja qual for a palavra que se procure, nenhuma parece suficientemente chocante para dar a verdadeira dimensão do prejuízo histórico que o Banco Espírito Santo (BES) ontem apresentou: 3.577 milhões de euros.

Helena Cristina Coelho in Diário Económico / 1-8-2014.

Sim, são precisos pelo menos dez dígitos para medir o fosso que está a engolir um banco inteiro, juntamente com a reputação de um banqueiro, o futuro de uma dinastia e a confiança de investidores, clientes, mercados. Porque aquilo que até há bem pouco tempo todos diriam ser, numa palavra, impossível, aconteceu. E rebentou bem na cara de todos.

Depois da notícia, veio o baque. Depois do abalo, a estupefacção. O assombro não foi apenas nacional. A partir de Londres, Frankfurt, Bruxelas, Paris, Madrid, Nova Iorque, São Paulo ouviram-se comentários de choque, outros de indignação, quase todos de incredulidade. E muitas interrogações. Como é que esta hecatombe pôde acontecer? Como é que durante tanto tempo foi possível dissimular actos de legalidade suspeita capazes de ferir de morte um dos maiores impérios financeiros do país? Quem é responsável por tal caos e quem deixou que ele se instalasse? E que mais há por descobrir que possa ameaçar o que ainda resta?

Ao final da noite de quarta-feira, logo depois de o BES divulgar as trágicas contas, e durante todo o dia de ontem, as reacções multiplicaram-se em forma de ‘posts', ‘tweets' e comentários nos sites noticiosos mais influentes. Simon Nixon, correspondente do "Wall Street Journal" em Londres, era um deles. Sobre os resultados, dizia serem "impressionantes", questionava "como tudo isto podia ter acontecido mesmo sob os narizes da ‘troika'" e ainda lançava farpas a um aparentemente "distraído" Banco Central Europeu, cuja credibilidade sofre um forte rombo com este caso BES, acusou. Surpresas e indignações que correm mundo e de que o banco não vai recuperar tão cedo (basta ver o tombo de 42% que levou num só dia em bolsa), o mercado também não.

Depois de tantas interrogações, sobram agora duas que é preciso fazer até à exaustão: como se recupera do desaire histórico? Como se salva uma marca financeira que caiu no abismo? A resposta está neste momento nas mãos de Vítor Bento, mas a solução não passa unicamente por si e pelo plano de reestruturação que está a desenhar e que ainda falta conhecer com detalhe. Há activos para vender, linhas de financiamento para garantir, capital para injectar, correcções dolorosas para aplicar - e ainda alegadas irregularidades de gestão para esclarecer e punir. E isso passa pelos novos investidores (preferencialmente privados e sem ajuda do Estado) que é preciso captar e que podem até passar por outros bancos, passa por garantir encaixe suficiente para alargar o garrote da dívida, passa por uma supervisão mais vigilante e interventiva, passa por fortalecer a confiança dos clientes que, apesar de todo o choque e indignação, ontem não correram aos balcões do banco a exigir o dinheiro de volta. Esse é o primeiro capital que o banco terá de segurar: o da credibilidade. Assumir os números mais negros da história do banco e da família Espírito Santo foi o primeiro passo nesse sentido. O que vier a seguir depende agora de como Vítor Bento quer que a história se escreva.

HERE WE GO AGAIN !! Gestão do BES, Banco de Portugal e Governo estudam apoio estatal.

HERE WE GO AGAIN !! Gestão do BES, Banco de Portugal e Governo estudam apoio estatal.

Gestão do BES, Banco de Portugal e Governo estudam apoio estatal
CRISTINA FERREIRA 01/08/2014 - PÚBLICO
Há várias soluções que o Estado pode seguir para ajudar o BES a sair do impasse: emissão de uma garantia do Estado, apoio formal à nova gestão, separação dos activos tóxicos para serem geridos na esfera pública e venda a privados da parte rentável; injecção de fundos estatais; ou uma recapitalização através da linha criada pela troika.

Perante a declaração histórica dos maiores prejuízos [apesar de semestrais] de sempre da economia portuguesa, de quase 3,6 mil milhões de euros, o Estado prepara-se para ter um papel decisivo na resolução do dossier BES, no contexto da União Bancária europeia.

Com os analistas a estimarem as necessidades de financiamento do BES entre 4 e 3 mil milhões de euros (mais de metade do seu capital), as cotações a caírem a pique e os clientes do banco a darem sinais de inquietação, aumenta a pressão para que a gestão encontre um desfecho rápido para estabilizar o banco.

O acerto final das contas referentes à actividade semestral do BES traduziu-se num prejuízo de 3577 milhões e no registo de imparidade e contingências de 4253 milhões de euros, o que levou o Banco de Portugal a neutralizar os interesses da família Espirito Santo no banco. Os valores são expressivos e atiraram o rácio de capital Core Tier 1 para 5%, abaixo dos 7% recomendados, o que impede o BES  de passar no exame dos testes de stress europeus.

Foi, aliás, esta situação que levou Vitor Bento, depois da apresentação das contas semestrais na quarta-feira, a anunciar que encomendou o novo plano de recapitalização ao Deutsche Bank, mas não informou se será por via pública, privada ou mista. O tema esteve no centro do debate nesta quinta-feira. A agência Bloomberg considerou que “o BES poderá precisar de fazer um aumento de capital até quatro mil milhões de euros” e o BPI menciona um valor entre 3 e 4 mil milhões de euros.

A hipótese de o Estado apoiar o BES já foi afastada por Pedro Passos Coelho e por Maria Luís Albuquerque, que poderão ser forçados a rever as suas declarações. O primeiro sinal surgiu nesta quinta-feira pela voz de Luís Marques Guedes, que admitiu potenciais “impactos para a economia” se a crise no Grupo Espírito Santo (GES) se acentuar. O ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares não descartou uma participação do Estado na recapitalização do banco, mas defendeu que “a primeira linha” de salvamento do BES “deve passar necessariamente primeiro pelo mercado, pelos accionistas privados”.

Uma posição alinhada com Carlos Costa, governador do Banco de Portugal,  que já disse que recebeu manifestações de interesse por parte de privados, o que também afirmou o presidente executivo Vítor Bento. Um dos investidores que contactou as autoridades foi um fundo que esteve activo na resolução da crise da banca grega. Por seu turno, o Bradesco, accionista de referência do BES, avisou que não acompanhará o aumento de capital projectado.

A questão é saber se, sem o Estado a dar um sinal inequívoco de que intervém no banco, os privados aceitam “meter-se” na instituição, pois a tendência é para contornar os riscos. E são várias as questões ainda sem resposta: Qual é a verdadeira situação do BES? Quem manda? Quem são os reais detentores do capital (há posições a garantir dívida)? Qual a extensão das ilicitudes (nos primeiros seis meses do ano, o BES criou veículos especiais para  investirem em dívida emitida pelo próprio banco)? Qual a natureza das potenciais litigâncias jurídicas e policiais? Que garantias há de que as contas do próximo trimestre não trarão surpresas?

E há ainda o tema da exposição da instituição ao GES, que se tornou incontornável, pois os problemas da esfera familiar têm acabado a desaguar no BES, o que levou às sucessivas emendas das contas.

Os desafios que as autoridades têm pela frente impõem, portanto, decisões não precipitadas, mas rápidas, para travar eventuais ondas de choque resultantes de novas revelações. E impedir que a “insegurança” sobre a boa saúde do banco continue a contaminar a confiança dos clientes.

Daí que, conforme apurou o PÚBLICO, as autoridades estejam articuladas (BdP, Governo, Europa e gestão do BES) a estudar (pela primeira vez) como é que, dentro do novo quadro jurídico criado pela União Bancária, o Estado pode intervir no BES. Há várias soluções (ou uma mistura delas): emissão de uma garantia pública, apoio formal à nova gestão (Vitor Bento não foi indicado pelo Estado, mas pelos accionistas e 20% do capital, detido pela família Espírito Santo, já perdeu o poder de voto), separação dos activos tóxicos para serem geridos na esfera pública e venda da parte rentável, e ainda a injecção de fundos estatais ou a recapitalização pela linha criada pela troika, ainda em vigor.

Ao contrário de 2008, quando o BPN foi nacionalizado, em que não existia um quadro jurídico e o Estado se responsabilizou pelas perdas, hoje há instrumentos que impedem que sejam os contribuintes a assumir os prejuízos resultantes de erros de gestores imprudentes e pouco sérios. E as consequências de uma intervenção estatal no BES são “fortes” e imediatas: os accionistas “perdem” o que investiram, bem como os detentores de dívida subordinada. Se, por hipótese (o que não é provável), o Estado subscrevesse um aumento de capital de 3 mil milhões de euros, ficaria com 70% do BES. O mesmo se passará se fossem privados.

Uma das vias que tem sido, aliás, sugerida por Carlos Costa é a do recurso aos 6 mil milhões de euros do fundo estatal de recapitalização. Mas já não será nos mesmos moldes “suaves” que beneficiaram o BCP, o BPI e o Banif, dado que as regras (do regime de transição) que decorrem da entrada em vigor da União Bancária são agora mais severas. O governador do BdP garantiu já que a solvabilidade do BES não está em causa.   


Por enquanto, o problema parece estar circunscrito ao segundo maior banco privado que voltou nesta quinta-feira a sofrer na bolsa portuguesa, com os investidores a reflectirem os receios em torno de novo reforço de capital. Mas o dia foi sobretudo negro para os subscritores (muitos clientes de retalho) do último aumento de capital de Maio (reforço de 1,04 mil milhões) colocado a 65 cêntimos e que assistiram à queda a pique da cotação (42,07%) que fechou a 0,201 euros (e esteve durante a manhã 0,16 euros). Já os restantes bancos encerraram com quedas menos fortes: BCP (4,37%), BPI (0,99%), Banif (3,23%).

A vergonha dos Espírito Santo



A vergonha dos Espírito Santo
Por Luís Rosa
publicado em 1 Ago 2014 in (jornal) i online
A inibição de um Espírito Santo por parte do Banco de Portugal será uma vergonha que a família nunca perdoará a Salgado

1. Imprudente, agiota, vil ou criminosa. Independentemente do adjectivo escolhido, a gestão de Ricardo Salgado no BES e no Grupo Espírito Santo conseguiu o inimaginável: quebrar a confiança que os depositantes tinham num banco com quase 150 anos. A onda de choque provocada pela revelação do buraco pornográfico de 3,577 mil milhões de euros obriga o novo líder do BES, Vítor Bento, a agir rapidamente para acalmar a enorme desconfiança que existe neste momento em todos os depositantes. Bento tem de falar em público o mais cedo possível para tranquilizar os depositantes e evitar uma corrida aos depósitos.

Um banqueiro moderno entende que a principal função de um banco é conceder crédito, cobrar juros, aplicar comissões atrás de comissões e gerar lucros anuais de centenas de milhões de euros mas a primeira, obrigatória e imprescindível função é bastante mais simples: assegurar a segurança dos fundos que lhe são confiados. E os depositantes do BES começam a ter dúvidas de que as suas poupanças estejam seguras. Vítor Bento, com a ajuda do Banco de Portugal e do governo, tem de clarificar e dar tranquilidade aos clientes do BES.

No dia de hoje sabe-se que o banco necessita, segundo o “Jornal de Negócios”, de 1,5 a 3 mil milhões de euros – valor que pode ser retirado da linha de crédito da troika com um total de 6400 milhões de euros. A disponibilidade destes fundos para injectar no banco deveria ser uma boa razão para tranquilizar o mercado, mas a incerteza continua a pairar. Vítor Bento tem de falar nos próximos dias e assegurar que não há razões para alarme social. 

2. O comunicado violento do Banco de Portugal de quarta-feira à noite (provavelmente o primeiro da sua história) abriu a porta da rua à família Espírito Santo. Inibir os direitos de voto da Espírito Santo Financial Group no BES equivale a dizer a Ricardo Salgado: “Venda rapidamente e em força. Não queremos cá os Espírito Santo!”


Além do buraco, da suspensão imediata de três administradores com responsabilidades na área da fiscalização e auditoria e da mais que certa participação criminal dos factos apurados, Salgado arrisca-se a ser o primeiro Espírito Santo a ser inibido de exercer funções em órgãos sociais de sociedades financeiras. Dito de outra forma: tendo em conta a pena máxima de 10 anos, Ricardo Salgado pode não voltar a ser banqueiro até ao final da sua vida. E com ele e por causa dele mais alguns membros da família. Será, muito mais que uma acusação criminal ou condenação em tribunal, o exemplo máximo da desgraça e da vergonha que Ricardo Salgado provocou na família EspíritoSanto – algo que nunca lhe será perdoado.

Argentina's government blames 'conspiracy' for defaulting on debt / GUARDIAN.


Argentina's government blames 'conspiracy' for defaulting on debt
Second default in 13 years pushes peso down more than 4% against the dollar, with fallout likely to drive inflation higher
Angela Monaghan and Uki Goni

Argentina's government was in a defiant mood on Thursday after defaulting on its debt for the second time in 13 years.

Economy minister Axel Kicillof, speaking after 11th hour talks with bondholders in New York failed to avert a default, played down the impact it would have on the country's citizens. "We're not going to sign an agreement that jeopardises the future of all Argentinians," he told a press conference in New York. "Argentinians can remain calm because tomorrow will just be another day and the world will keep on spinning."

Markets appeared to disagree, with Argentina's Merval share index falling almost 7% on Thursday and the peso down more than 4% against the dollar. Analysts said a fall in Argentina's currency would cause further pain in the country, pushing up the price of imports and driving inflation higher.

Steen Jakobsen, chief economist at Saxo Bank, said the fallout would be difficult for a country where inflation is already 12% on official measures and 40% unofficially. "At a minimum we'll see a loss of GDP of at least 1% if not 2%," he said.

Argentina was already locked out of international capital markets following its earlier default in late 2001, and Neil Shearing, chief emerging markets economist at Capital Economics, said the latest default would be viewed as a local issue: "Confirmation that Argentina has officially fallen into default is likely to rattle local markets and has the potential to do significant damage to the domestic economy. But we suspect that contagion to other emerging markets is likely to be limited."

Argentina has been locked in a decade-long dispute with hold-out investors that the government has described as "vulture funds" – a group of US hedge funds led by billionaire Paul Singer's NML Capital, an affiliate of Elliott Management. The vast majority of Argentina's bondholders agreed to debt restructuring deals in 2005 and 2010 following its 2001 default, wiping off more than 70% of the value of their investment but securing regular interest payments. But the holdout investors refused the restructuring and are demanding repayment in full.

An instalment of $539m (£319m) was due on the country's restructured bonds on 30 June, which Argentina wanted to pay. The move was blocked, however, by a US judge, Thomas Griesa, who ruled Argentina could not pay the restructured bonds back unless it also paid more than $1.5bn to the holdout investors. Argentina has insisted it cannot afford to do both. A 30-day grace period expired on Wednesday at midnight New York time, meaning Argentina technically defaulted on the restructured bonds.

Economists at the Washington-based Centre for Economic and Policy Research called on the US Congress to intervene, warning in a letter that Griesa's decision to uphold the holdout investors claim could cause "unnecessary economic damage to the international financial system, as well as to US economic interests".

In Argentina, the government said the country was the victim of a conspiracy of international financial agents.

"To say we are in default is absurd trickery," said cabinet chief minister Jorge Capitanich. "If the judge is clearly an agent of the vulture funds, if the mediator is an agent of the vulture funds, if the judicial system is infiltrated by the vulture funds, then what kind of justice are you talking to me about?"

Capitanich blamed the US government for failing to intervene against the "obscene profits" awarded to hedge funds by the New York court. "Here there is a responsibility of the United States to generate the conditions for unrestricted respect for the sovereignty of nations. This is Argentina's position, a rational position," Capitanich said.

Later, after returning from New York, Kicillof said he is willing to hold further talks with holdout investors whose claim for bond payments forced the South American country into default.

It was unclear how the situation would be resolved, but Griesa said he would hold a hearing on the case on Friday.

There was also speculation that JP Morgan is considering the possibility of buying the holdout bonds. A spokeswoman for the bank declined to comment.

News that the late-stage talks had failed was broken by Daniel Pollack, a US court-appointed mediator in the tense negotiations. "Unfortunately, no agreement was reached and the Republic of Argentina will imminently be in default," he said. "The full consequences of default are not predictable, but they certainly are not positive."

Stressing the severity of the situation, he added in a statement: "Default is not a mere "technical" condition, but rather a real and painful event that will hurt real people: these include all ordinary Argentine citizens, the exchange bondholders (who will not receive their interest) and the holdouts (who will not receive payment of the judgments they obtained in court)."

Opposition leaders in Argentina scoffed at the government's attempt to deny the country had entered into default. "It doesn't matter what we say, the world understands we have fallen into default," said Rogelio Frigerio of the PRO conservative party and head of the Buenos Aires city bank Banco Ciudad.

In the conservative daily La Nación, columinst Joaquín Morales Solá questioned the wisdom of president Cristina Fernández de Kirchner's tactic of denial. "The government's attitude is unexplainable," the columnist wrote.

Russia tightens controls on blogosphere


Russia tightens controls on blogosphere
Bloggers say new law is attempt to crack down on free expression and criticism of Russian government

Alec Luhn in Moscow

A law that comes into effect in Russia on Friday will place tighter controls on the blogosphere, one of the few remaining places where people can freely criticise the government.

The federal mass media watchdog has said the law is meant to "de-anonymise popular websites". Prominent bloggers argue it is yet another step to crack down on free expression and will be wielded against critics of the regime.

Popularly known as the "law on bloggers," the legislation requires users of any website whose posts are read by more than 3,000 people each day to publish under their real name and register with the authorities if requested. It also holds popular bloggers to the same standards as the mass media, forbidding false information and foul language, although it doesn't guarantee them the same rights. Violators could incur fines of up to 50,000 rubles (£800) and be blacklisted.

Facebook, Twitter, LiveJournal and other social media sites regulated under the new law played an instrumental role in organising the protests against president Vladimir Putin in 2011-13 and have provided a vital platform for critical voices, since most nationwide television and print media is controlled by the government.

Already, the authorities enjoy sweeping powers under a 2013 law to close down websites for advocating "extremist activities" or "participation in public events held in breach of appropriate procedures." In March, the media watchdog blocked three opposition news portals and the LiveJournal blog of opposition leader and anti-corruption activist Alexei Navalny, who specialises in exposés on the luxurious real estate owned by prominent officials, replete with documents and photographs.

Popular blogger and media entrepreneur Anton Nosik called the law on bloggers unconstitutional and said it was meant to intimidate regime critics.

"It's about creating a situation where big brother is watching you," said Nosik. "You are part of a list, you are being watched, being observed, you are being served notices and could even serve a criminal sentence if you choose to speak out."

Another prominent blogger, Leonid Kaganov, told the magazine Afisha that the legislation was yet another attempt to transfer regulating power from the judicial system to unknown officials and "bring the authorities' relationship with its citizens into a shadow realm."

Bloggers have also complained that the law's terminology is too vague, and wondered how the media watchdog could possibly hope to regulate all site users and reliably count their readers. After parliament passed the law in April, LiveJournal stopped listing the exact number of followers for bloggers with more than 2,500.


The deputy head of the media watchdog, Maxim Ksenzov, recently suggested that the legislation would be applied selectively, telling the news site Lenta.ru that: "If you post kitten pics, speak in a civilized manner and publish no classified information, you may never be required [to register], even if you have a daily audience of 1 million visitors."