segunda-feira, 6 de setembro de 2021

'We are united': More than 200 health journals call for emergency action on climate change / Mais de 200 revistas de saúde apelam por acções urgentes contra as alterações climáticas

 


'We are united': More than 200 health journals call for emergency action on climate change

 

"The greatest threat to global public health is the continued failure of world leaders to keep the global temperature rise below 1.5C and to restore nature," says the editorial backed by hundreds of journals.

 

Monday 6 September 2021 10:20, UK

https://news.sky.com/story/we-are-united-more-than-200-health-journals-call-for-emergency-action-on-climate-change-12400336

 

The more warming, the more extreme weather we will see, report warns, so every 0.1C of warming we can prevent matters

'Urgent, society-wide changes must be made and will lead to a fairer and healthier world', the journals' statement says

 

More than 200 health journals across the globe are making a joint call for world leaders to take emergency action on climate change in a bid to protect public health.

 

It is the first time so many publications have come together to back the same statement, which they say reflects the severity of the situation.

 

The editorial is being published ahead of the UN General Assembly and the COP26 climate summit in Glasgow in November.

 

It says: "Ahead of these pivotal meetings, we - the editors of health journals worldwide - call for urgent action to keep average global temperature increases below 1.5C, halt the destruction of nature, and protect health.

 

"Health is already being harmed by global temperature increases and the destruction of the natural world, a state of affairs health professionals have been bringing attention to for decades.

 

"The science is unequivocal; a global increase of 1.5C above the pre-industrial average and the continued loss of biodiversity risk catastrophic harm to health that will be impossible to reverse.

 

"Despite the world's necessary preoccupation with COVID-19, we cannot wait for the pandemic to pass to rapidly reduce emissions.

 

"Reflecting the severity of the moment, this editorial appears in health journals across the world.

 

"We are united in recognising that only fundamental and equitable changes to societies will reverse our current trajectory."

 

It adds: "The greatest threat to global public health is the continued failure of world leaders to keep the global temperature rise below 1.5C and to restore nature.

 

"Urgent, society-wide changes must be made and will lead to a fairer and healthier world.

 

"We, as editors of health journals, call for governments and other leaders to act, marking 2021 as the year that the world finally changes course."

 

Dr Fiona Godlee, editor-in-chief of The BMJ, and one of the co-authors of the editorial, said: "Health professionals have been on the frontline of the COVID-19 crisis and they are united in warning that going above 1.5C and allowing the continued destruction of nature will bring the next, far deadlier crisis.

 

"Wealthier nations must act faster and do more to support those countries already suffering under higher temperatures. 2021 has to be the year the world changes course - our health depends on it."

 

The editorial will appear in The BMJ, The Lancet, the New England Journal of Medicine, the East African Medical Journal, the Chinese Science Bulletin, the National Medical Journal of India, the Medical Journal of Australia, and 50 BMJ specialist journals including BMJ Global Health and Thorax.

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https://www.publico.pt/2021/09/06/ciencia/noticia/200-revistas-saude-apelam-accoes-urgentes-alteracoes-climaticas-1976305

 

CRISE CLIMÁTICA

Mais de 200 revistas de saúde apelam por acções urgentes contra as alterações climáticas

 

Num editorial comum revistas de saúde pedem que líderes mundiais aumentem os seus esforços para transformar as sociedades e torná-las mais saudáveis. A saúde já está a ser prejudicada pela subida da temperatura média global, acusam

 

Teresa Sofia Serafim

6 de Setembro de 2021, 1:01

https://www.publico.pt/2021/09/06/ciencia/noticia/200-revistas-saude-apelam-accoes-urgentes-alteracoes-climaticas-1976305

 

Mais de 200 revistas especializadas em medicina ou saúde pública juntaram-se para publicar em simultâneo um editorial que apela aos líderes mundiais para que tomem medidas urgentes para limitar o aumento da temperatura média global abaixo dos 1,5 graus Celsius, travar a destruição da natureza e proteger a saúde humana. A emergência climática que o mundo enfrenta acabou por levar a algo inédito: nunca tantas revistas científicas de saúde se tinham unido para lançar a mesma declaração.

 

Há já muito tempo que profissionais e revistas de saúde têm vindo a alertar para os impactos graves e cada vez maiores das alterações climáticas na saúde e na destruição da natureza. Agora, com o aproximar da Assembleia Geral das Nações Unidos (a partir de 14 de Setembro) – um dos grandes encontros antes da 26.ª conferência das partes (COP26) da Convenção-Quadro sobre as Alterações Climáticas das Nações Unidas –, as mais de 200 revistas científicas unem-se para se fazer ouvir num editorial comum.

 

Nesse apelo estão revistas de referência e de todos os continentes, incluindo a The Lancet, a New England Journal of Medicine, a The BMJ, a PLOS Medicine, a East African Medical Journal, a Chinese Science Bulletin, a National Medical Journal of India ou a Medical Journal of Australia. Entre elas, não há nenhuma revista com sede em Portugal. De revistas em língua portuguesa, o artigo vai ser publicado na Revista de Saúde Pública, do Brasil.

 

Ao longo do editorial, deixam-se algumas ideias sobre o impacto do aumento da temperatura na saúde humana. “A saúde está já a ser prejudicada pelo aumento na temperatura global e a destruição do mundo natural, uma situação que profissionais de saúde têm vindo a chamar a atenção há décadas”, escreve-se no artigo.

 

Nos últimos 20 anos, destaca-se que a mortalidade ligada ao calor entre as pessoas com mais de 65 anos tem subido para mais de 50%. Temperaturas mais altas têm aumentado a desidratação, a insuficiência renal, malignidades dermatológicas, infecções tropicais, resultados negativos para a saúde mental, complicações na gravidez, alergias, ou morbilidades cardiovasculares e pulmonares. Alerta-se que esses danos afectam desproporcionalmente os mais vulneráveis, nomeadamente as populações mais velhas, minorias étnicas, comunidades mais pobres, crianças ou quem já tem doenças subjacentes.

 

O declínio de culturas agrícolas ligado ao aquecimento global não é esquecido. Juntamente com esse declínio, os efeitos do clima extremo e o esgotamento dos solos pode minar os esforços para se reduzir a subnutrição no mundo. Assinala-se ainda que ecossistemas prósperos são essenciais para a saúde humana, e que a destruição alargada da natureza está a pôr em causa a segurança alimentar e da água, o que aumenta o risco de pandemias. E nota-se: “As consequências da crise ambiental recaem desproporcionalmente em países e comunidade que contribuíram menos para o problema e têm menos capacidade de mitigar os danos”.

 

No editorial, apela-se para que os governos intervenham de uma forma que seja possível transformar as sociedades e as economias. Como? Ao apoiar a remodelação dos sistemas de transportes, das cidades, da produção e distribuição alimentar, ou dos sistemas de saúde. “Os governos devem fazer mudanças fundamentais na forma como as nossas sociedades e economias são organizadas na forma como vivemos”, lê-se no documento. Dessa forma, poderiam verificar-se melhorias na qualidade do ar e na alimentação ou um aumento na actividade física.

 

Países mais ricos têm de ajudar mais

Os esforços de muitos governos, instituições financeiras e de empresas para alcançar metas de emissões líquidas zero (incluindo até 2030) são destacados no editorial. O custo da energia renovável está a descer e há países que estão a tentar proteger pelo menos 30% dos oceanos e territórios até 2030. Mesmo assim, refere-se que esses esforços não são suficientes e é preciso combiná-los com planos a curto e longo prazo para aumentar as tecnologias de “energia limpa” e transformar as sociedades.

 

Também se sugere que os países que contribuíram mais para a actual crise ambiental devem apoiar mais os países de baixos e médios rendimentos a construir sociedades mais limpas, saudáveis e resilientes. Os países mais ricos devem aumentar o seu “financiamento climático” tanto ao nível de medidas de mitigação como de adaptação. Esse financiamento deve ser feito em subvenções e não através de empréstimos a outras nações.

 

Na declaração comum não restam dúvidas sobre o grande problema que se enfrenta: “A grande ameaça para a saúde pública global é o contínuo fracasso dos líderes mundiais em manter o aumento da temperatura global abaixo dos 1,5 graus Celsius”. Aliás, no novo relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas confirma-se a grande influência humana no aquecimento global e nos fenómenos associados. Concluiu-se que, em qualquer cenário, a Terra deve aquecer 1,5 graus até 2040.

 

“Mudanças urgentes em toda a sociedade devem ser feitas, o que levará a um mundo mais saudável e justo”, resume-se. “Pedimos aos governos e outros líderes para actuar para que 2021 seja marcado como o ano que em que o mundo finalmente mudou de rumo.”

 

Em comunicado, Fiona Godlee, directora da The BMJ e uma das autoras do editorial, salienta o compromisso dos profissionais de saúde na luta contra as alterações climáticas. “Os profissionais de saúde têm estado na linha da frente da crise da covid-19 e estão unidos no alerta de que o aumento de 1,5 graus Celsius [na temperatura média global] e uma contínua destruição da natureza levarão a uma próxima crise [de saúde global] ainda mais letal.” Também Richard Horton, director da The Lancet, deixou uma mensagem: “Enfrentar urgentemente a crise climática é uma das grandes oportunidades que temos de melhorar o bem-estar das pessoas em todo o mundo”.

 

tp.ocilbup@mifares.aseret

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