Grupo Saudade Perpétua quer reversão da reconfiguração do
Museu Romântico do Porto
Falando numa intervenção “radical”, o grupo apela à
reversão do “erro cometido” e à não dispersão do espólio para que o Porto volte
a ter “um verdadeiro” Museu Romântico.
Lusa
5 de Setembro de
2021, 13:15
O Grupo Saudade
Perpétua considerou este sábado que a reconfiguração do Museu Romântico criou
um “vazio e empobreceu” o Porto e apelou, numa carta aberta ao presidente da
câmara, o independente Rui Moreira, à reversão do “erro cometido”.
Na missiva, o
Saudade Perpétua, fundado em 2011 para promover a partilha de conhecimento
sobre a dimensão histórica, artística e cultural do Romantismo em Portugal,
entendeu que o museu como espaço de recriação de ambientes oitocentistas
“desapareceu literalmente”.
Esta posição do
Saudade Perpétua não é única, estando em curso uma petição pela reposição do espólio
do Museu Romântico do Porto, já com mais de 3.178 subscritores, que considera a
sua reconfiguração “uma violação patrimonial”, acusando a autarquia de, “com
orgulho”, “desfazer” o antigo museu. Já em declarações à Lusa, Rui Moreira,
responsável pelo pelouro da Cultura, defendeu que “nada foi destruído” e
rejeitou as críticas sobre a ausência de preocupações patrimoniais.
A Extensão do
Romantismo do Museu da Cidade do Porto, antigo Museu Romântico, reabriu portas
em 28 de Agosto, com o Herbário de Júlio Dinis, numa homenagem ao escritor
portuense, este ano figura central da Feira do Livro, tendo desde então estado
no centro da polémica.
“O Museu
Romântico da Quinta da Macieirinha era um espaço museológico que fazia todo o
sentido no contexto da cidade e do país e a sua reformulação criou um vazio e
empobreceu o Porto”, ressalvou o Grupo Saudade Perpétua. Falando numa
intervenção “radical”, o grupo apela à reversão do “erro cometido” e à não
dispersão do espólio para que o Porto volte a ter “um verdadeiro” Museu
Romântico.
Na sua opinião, o
espaço museológico transformou-se num “espaço performativo” remetendo para um
discurso contemporâneo sem debate nem diálogo com eixos oitocentistas. “O
palacete da Quinta da Macieirinha agora, apenas pontualmente, apresenta
referentes românticos, como se de um exotismo se tratasse, sobrepondo-se-lhe um
espectáculo contemporâneo somente com ligeiras reminiscências oitocentistas”,
concluiu o Saudade Perpétua.

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