quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Projecto para Martim Moniz "não é o ideal", mas “é bem melhor do que o que lá está hoje”




Projecto para Martim Moniz "não é o ideal", mas “é bem melhor do que o que lá está hoje”
Câmara de Lisboa foi novamente muito criticada pelo projecto para o Miradouro de Santa Catarina e pelos contentores que o concessionário quer pôr no Martim Moniz

 João Pedro Pincha
JOÃO PEDRO PINCHA 19 de Dezembro de 2018, 20:26

O presidente da câmara de Lisboa diz que o projecto apresentado para o Martim Moniz “não é o melhor” e “não é o ideal”, mas “é bem melhor do que aquilo que lá está hoje”. Fernando Medina fez questão de dizer que este “não é um projecto da câmara”, mas do concessionário, e que aguarda as alterações anunciadas.

Na reunião pública da autarquia, uma munícipe, em representação do movimento Libertem o Adamastor!, entregou uma petição com mais de quatro mil assinaturas contra a colocação de uma vedação no Miradouro de Santa Catarina. Depois de criticar longamente a câmara por essa intenção, Irina Gomes ainda se referiu brevemente ao Martim Moniz, originando animado debate entre os vereadores.

"Não estamos a desenhar o Martim Moniz do zero. Aprecio bem que tenha havido propostas de alteração e vamos ver quando estas propostas chegarão. Acho que a solução proposta é bem melhor do que o que lá está hoje. Não é a melhor, admito”, disse Fernando Medina.

Como o PÚBLICO já noticiou, a nova concessionária da praça, uma empresa chamada Moonbrigade SA, quer criar um recinto comercial composto por contentores. Depois das intensíssimas críticas da população de Santa Maria Maior, da junta de freguesia, do Fórum Cidadania Lx e de quase todos os partidos, a Moonbrigade anunciou recentemente ligeiras alterações ao projecto: abdicou de uma vedação e acrescentou mais arbustos e floreiras.

Esta quarta-feira, Fernando Medina lembrou que “desde há larguíssimas décadas” se vêm fazendo projectos para o Martim Moniz e até disse que muitos deles “eram maus”. “A câmara decidiu seguir o mesmo lastro”, atirou João Ferreira, do PCP. Tanto comunistas como sociais-democratas defendem, em vez dos contentores, o lançamento de um processo de participação pública, recolhendo ideias e depois tomando uma decisão.

Para todos os vereadores da oposição, Martim Moniz e Miradouro de Santa Catarina (conhecido igualmente como Adamastor) são dois sítios da cidade em que a maioria socialista está a cometer o mesmo erro: não ouvir as pessoas e impor soluções. Ana Jara, do PCP, até acusou Fernando Medina de “dificuldade em conviver com a participação democrática na cidade” e de não compreender “que está perante uma cidade que se tem organizado em movimentos” para se fazer ouvir.

“Eu não aceito qualquer lição sobre democracia e processos participativos. E não aceito lições de moral sobre direito ao espaço público”, respondeu Medina. “Ainda não lhe ouvi meia ideia sobre o Adamastor”, acusou o autarca.

O vereador do Bloco, Manuel Grilo, aproveitou a ocasião para anunciar que em Janeiro vai apresentar uma proposta alternativa à vedação – que, como o PÚBLICO noticiou, consta do projecto do atelier de arquitectura Proap contratado pela câmara. A ideia bloquista passa por colocar bancos e mesas “independentes do quiosque, independentes do consumo”, fazer “um plano anual de dinamização do espaço”, com “feiras, concertos, performances de dança e teatro” e ainda “promover o policiamento de proximidade no local”.

 “Estarei muito disponível para trocar as minhas ideias por outras. Ainda não ouvi uma melhor”, afirmou Medina mais do que uma vez. “De há largos anos a esta parte que, em todas as reuniões que fazemos com a população destes bairros, os problemas de segurança, de degradação do espaço público são relatados de forma ininterrupta”, disse o autarca.

“Nós temos ali um problema de segurança. Tem de haver um plano, uma intervenção. E não é um muro. O muro já se percebeu que não é solução”, disse João Gonçalves Pereira, do CDS. “Continua a existir violência e tráfico de droga”, corroborou João Pedro Costa, do PSD. “Não aceito que digam que a solução para aquele espaço é de polícia”, respondeu o presidente da câmara


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