Sociedade
Relatório
preliminar aponta para falsas tarefas de manutenção e de inspeção ao elevador
da Glória
Documento
revela desconformidades na utilização do cabo. Moedas reafirma que tragédia
deveu-se a causas técnicas e não políticas, enquanto Carris remete compra de
cabos para administração anterior.
David
Pereira
Publicado
a:
20 Out
2025, 19:31
Atualizado
a:
20 Out
2025, 22:37
O
relatório preliminar do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com
Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) sobre descarrilamento e
subsequente colisão das cabinas do ascensor da Glória, divulgado esta
segunda-feira, 20 de outubro, aponta para falsas tarefas de manutenção e de
inspeção, da responsabilidade da Carris.
No
documento, a que o DN teve acesso, mais precisamente no sexto capítulo, que
resume as constatações relevantes até à data, "há evidências de que
tarefas de manutenção registadas como cumpridas nem sempre correspondem às
tarefas efetivamente realizadas, bem como de serem executadas tarefas críticas
para a segurança de forma não padronizada, com parâmetros de execução e
validação díspares".
Mais
abaixo, também sobre as constatações relevantes sobre a manutenção do ascensor,
é referido que "as inspeções previstas para o dia do acidente e
antecedentes estão registadas como executadas e pessoal do prestador de serviço
esteve presente, mas as evidências não suportam o período horário indicado nas
folhas de trabalho para a sua execução".
O GPIAAF
conta que, no dia do acidente e no anterior, o cabo não foi observado no fosso,
nem tal estava previsto nos procedimentos de manutenção, “embora o caderno de
encargos seja contraditório em relação a este aspeto específico”.
“A
lubrificação do cabo, prevista com periodicidade semanal, está registada como
tendo sido realizada em 28 de agosto. A inspeção mensal ao cabo está registada
como tendo sido realizada em 1 de setembro”, constataram os investigadores.
De acordo
com GPIAAF, “o local do cabo onde este se rompeu não era passível de ser
observado em qualquer destas inspeções”, sublinhando que, nesta fase, não é
possível concluir “se algum indício de anomalia no cabo poderia ou não ser
observado algum tempo antes da rotura na parte visível junto ao trambolho
[ponto de fixação do cabo]”.
Há mais
de 20 anos que a manutenção do ascensor da Glória está contratada pela Carris a
um prestador de serviços.
A
manutenção é assegurada pela mesma empresa desde 2019, contando com um corpo de
cinco trabalhadores, à data do acidente.
“O
processo de formação dos cinco técnicos, com experiências a variar entre os 11
anos e os 8 meses na empresa, é assente em passagem de conhecimento prático em
ambiente de trabalho, sem recurso a ações de formação teórica ou cursos
técnicos específicos nos vários equipamentos intervencionados sob os contratos
vigentes”, refere o GPIAAF.
O
conhecimento “foi sendo passado ao longo dos anos dos técnicos da Carris para
os executantes do prestador de serviços e destes em sucessão”.
Os
procedimentos de execução (normas), desenhados pela Carris, “há já largos anos
que não sofreram qualquer atualização nem o prestador de serviços conta com o
necessário corpo de engenharia com o conhecimento técnico especializado em
funiculares e meios para o desenvolvimento, atualização e adaptação das ações
de manutenção à realidade da operação”.
“Não há,
por parte do quadro técnico do prestador de serviços de manutenção, no que
respeita ao modo específico de execução dos trabalhos, qualquer orientação aos
trabalhadores ou supervisão, a qual é feita pela fiscalização da Carris”, frisa
o GPIAAF.
O sistema
de qualidade do prestador também não assegura o “levantamento de fragilidades
ou a identificação de oportunidades de melhoria com foco nas suas atividades de
manutenção, estando voltado maioritariamente para as questões de higiene e
segurança no trabalho”.
Cabo não
respeitava especificações nem estava certificado
Sobre o
cabo de tração/equilíbrio, o relatório preliminar indica que o mesmo "não
estava conforme com a especificação da CCFL [Carris] para utilização no
Ascensor da Glória", "não estava certificado para utilização em
instalações para o transporte de pessoas" e "não era indicado para
ser instalado com destorcedores nas suas extremidades, como é o sistema no
Ascensor da Glória (e no Ascensor do Lavra)".
Porém,
"cabos iguais estiveram em uso durante 601 dias no Ascensor da Glória (e
606 dias no Ascensor do Lavra), sem incidentes. Por esse motivo não é possível
neste momento afirmar se as desconformidades na utilização do cabo são ou não
relevantes para o acidente".
“Desta
forma, naturalmente se conclui que, neste momento, não se pode afirmar se
interveio, ou que intervenção teve, a utilização deste tipo de cabo não
conforme na rotura ocorrida aos 337 dias de utilização, sendo certo para a
investigação que houve outros fatores que tiveram forçosamente de intervir”,
aponta o GPIAAF.
A
investigação sublinha que “a zona onde o cabo rompeu não era passível de
inspeção visual sem desmontagem do destorcedor do trambolho superior [zona de
fixação do cabo]”.
Carris
poupou 600 mil euros em manutenção entre 2021 e 2023
“Uma
análise macroscópica das extremidades dos cordões rompidos evidencia roturas
progressivas, portanto, ocorrendo gradualmente ao longo do tempo, e de diversos
tipos. As peritagens metalográficas que serão realizadas no decurso da
investigação esclarecerão os mecanismos de rotura envolvidos”, lê-se no
relatório preliminar.
O GPIAAF
revela também que, “imediatamente antes da preparação para o início da viagem”
do acidente, na cabina 1, que se encontrava no cimo da Calçada da Glória,
estavam 27 pessoas, incluindo uma criança e o guarda-freio, enquanto no
interior da cabina 2, junto à Praça dos Restauradores, estavam 33 pessoas,
incluindo três crianças e o guarda-freio.
“Portanto,
ambas bem abaixo da sua lotação máxima de 42 ocupantes”, frisa este organismo,
acrescentando que no dia do acidente os ascensores “haviam realizado 53 viagens
no total”.
“A
ocupação média foi de 22 passageiros na cabina 1 e de 17 passageiros na cabina
2, sendo que a lotação máxima de 42 passageiros foi atingida em duas viagens na
cabina 1 e em uma viagem da cabina 2”, constatou a investigação.
No
relatório preliminar, o GPIAAF adianta ainda que ambos os ascensores “estavam
equipados com quatro câmaras de videovigilância, cada um, e com um dispositivo
dotado de acelerómetros [equipamentos para medir a aceleração] de baixa
precisão”, dando conta de que na Calçada da Glória “existem também diversas
câmaras de vigilância”.
“Tal
permitiu à investigação estabelecer com o rigor suficiente a sequência de
eventos que antecederam o acidente”, indica o documento.
O
primeiro embate ocorreu a uma velocidade estimada de entre os 41 e os 49
quilómetros hora, tendo decorrido 33 segundos desde a preparação para a viagem
e 20 segundos desde o início do movimento.
Ascensores
devem manter-se parados até reavaliação por entidade especializada
O GPIAAF
recomenda à Carris “que não reative os ascensores sem uma reavaliação, por uma
entidade especializada em funiculares, das fixações dos cabos e dos travões, em
linha com o normativo europeu nesta matéria, respeitando a proteção histórica
daqueles transportes, mas sem prejuízo da segurança”.
Este
organismo recomenda à empresa responsável pelos ascensores de Lisboa que
proceda também “a uma reavaliação e revisão do seu sistema de controlo interno,
nomeadamente no que respeita aos processos de especificação, aquisição, receção
e aplicação de componentes críticos para a segurança dos veículos”.
A
investigação recomenda também à Carris que proceda “a uma avaliação das
vantagens de definir e implementar um sistema de gestão da segurança, em linha
com as melhores práticas europeias, mas adaptado à realidade da sua
organização”.
“Que
permita uma identificação e análise explícita e documentada dos riscos de
segurança da operação e das medidas implementadas para garantir o seu controlo
a um nível considerado adequado, procedendo em conformidade com o resultado
dessa avaliação”, aponta o GPIAAF.
O cabo
que unia as duas cabinas do elevador da Glória e que cedeu no seu ponto de
fixação da carruagem que descarrilou não respeitava as especificações da Carris
nem estava certificado para uso em transporte de pessoas.
A
investigação detetou falhas no processo de aquisição do cabo pela Carris e nos
mecanismos internos de controlo da empresa.
O GPIAAF
recomenda ainda à Carris a “clarificação junto do prestador de serviços de
manutenção das obrigações contratuais e exercício de uma efetiva fiscalização e
controlo sobre essas obrigações, a nível de gestão da manutenção, sua execução
e controlo da qualidade em conformidade com o normativo aplicável”.
Quanto ao
IMT, o relatório preliminar refere tratar-se de uma entidade pública nacional
com as atribuições de promover a definição e atualização do quadro normativo e
regulamentar do setor dos transportes terrestres, bem como de aprovar,
homologar e certificar veículos e equipamentos afetos aos sistemas de
transporte terrestre, garantindo os padrões técnicos e de segurança exigidos.
O GPIAAF
recomenda ao IMT que, em linha com o expresso no regulamento da União Europeia,
proceda “à promoção de um quadro legislativo, regulamentar ou outro apropriado,
que garanta que todos os funiculares e demais sistemas de transporte público
similares ou assimiláveis estão devidamente enquadrados do ponto de vista
técnico e de supervisão”.
A
investigação recomenda ainda que o IMT proceda “à promoção de um quadro
legislativo que garanta que os carros elétricos sobre carris, históricos,
modernizados ou modernos, que circulam nos arruamentos públicos, quer na sua
entrada ao serviço, quer durante a sua vida, ficam sujeitos ao cumprimento de
regras e condições de segurança adequadas”.
“Seguindo
as melhores práticas dos demais Estados-Membros neste domínio, e a um nível de
supervisão independente apropriado”, indica relatório preliminar.
Segundo o
GPIAAF, as recomendações de segurança são propostas para melhoria, sendo
elaboradas com base nas conclusões, ainda que preliminares caso tal seja
apropriado, de uma investigação a um ou mais acidentes ou incidentes.
O
acidente com o elevador da Glória, ocorrido a 3 de setembro, causou 16 mortos e
cerca de duas dezenas de feridos, entre portugueses e estrangeiros de várias
nacionalidades.
Moedas
reafirma que a tragédia foi derivada de causas técnicas e não políticas
O
presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, já veio reafirmar que o acidente
do elevador da Glória foi derivado a causas técnicas e não políticas.
A reação
do autarca surge na sequência do relatório preliminar do Gabinete de Prevenção
e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF),
que aponta, nomeadamente, falhas à Carris, à manutenção e à supervisão.
“Ao
contrário da politização que alguns fizeram durante a campanha, este relatório
reafirma que a infeliz tragédia do elevador da Glória foi derivada de causas
técnicas e não políticas”, refere Carlos Moedas, numa curta declaração escrita
enviada à agência Lusa.
Carris
remete compra de cabos com alegadas irregularidades para administração anterior
A Carris
já veio dizer que desconhece qualquer incumprimento por parte da empresa que
fazia a manutenção do Elevador da Glóriana sequência ds falhas e omissões nos
trabalhos efetuados pelo prestador do serviço, que são indicadas pelo relatório
preliminar
Num
comunicado, a Carris realçou que o relatório considera que “[…] não é possível
neste momento afirmar se as desconformidades na utilização do cabo são ou não
relevantes para o acidente” e esclareceu que o processo de aquisição dos cabos,
“com alegadas inconformidades, que condicionaram todo o processo de
substituição dos cabos, ocorreu em mandato anterior ao do presente conselho de
administração”.
“Sobre
esta matéria, o conselho de administração da Carris desconhece a factualidade
exposta” no Resumo das Constatações Relevantes até à Data sobre o cabo de
tração/equilíbrio (nos pontos 2 a 5), sublinhou a transportadora, indicando
que, “uma vez que o relatório refere o incumprimento de normativos em vigor na
Carris, serão apuradas as respetivas responsabilidades”.
Society
Preliminary
report points to false maintenance and inspection tasks at the Glória elevator
Document
reveals non-conformities in the use of the cable. Moedas reaffirms that the
tragedy was due to technical and not political causes, while Carris refers the
purchase of cables to the previous administration.
David
Pereira
Published
to:
20 Oct
2025, 19:31
Updated
to:
20 Oct
2025, 22:37
The
preliminary report of the Office for the Prevention and Investigation of
Aircraft Accidents and Railway Accidents (GPIAAF) on the derailment and
subsequent collision of the cabins of the Glória lift, released this Monday,
October 20, points to false maintenance and inspection tasks, under the
responsibility of Carris.
In the
document, to which DN had access, more precisely in the sixth chapter, which
summarizes the relevant findings to date, "there is evidence that
maintenance tasks recorded as completed do not always correspond to the tasks
actually performed, as well as that safety-critical tasks are performed in a
non-standardized way, with disparate execution and validation parameters".
Further
down, also on the relevant findings on the maintenance of the lift, it is
mentioned that "the inspections planned for the day of the accident and
background are recorded as performed and personnel of the service provider were
present, but the evidence does not support the time period indicated in the
worksheets for their execution".
The
GPIAAF says that, on the day of the accident and the day before, the cable was
not observed in the pit, nor was this provided for in the maintenance
procedures, "although the specifications are contradictory in relation to
this specific aspect".
"The
lubrication of the cable, scheduled on a weekly basis, is recorded as having
been carried out on August 28. The monthly inspection of the cable is recorded
as having been carried out on September 1," the investigators found.
According
to GPIAAF, "the location of the cable where it broke was not likely to be
observed in any of these inspections", stressing that, at this stage, it
is not possible to conclude "whether or not any indication of anomaly in
the cable could be observed some time before the rupture in the visible part
next to the trambolho [cable attachment point]".
For more
than 20 years, the maintenance of the Glória lift has been contracted by Carris
to a service provider.
Maintenance
has been carried out by the same company since 2019, with a staff of five
workers at the time of the accident.
"The
training process of the five technicians, with experiences ranging from 11
years to 8 months in the company, is based on the transfer of practical
knowledge in the work environment, without resorting to theoretical training
actions or specific technical courses in the various equipment intervened under
the current contracts", says the GPIAAF.
The
knowledge "has been passed on over the years from Carris technicians to
the service provider's performers and from these in succession".
The
execution procedures (standards), designed by Carris, "have not undergone
any update for many years, nor does the service provider have the necessary
engineering staff with the technical knowledge specialized in funiculars and
means for the development, updating and adaptation of maintenance actions to
the reality of the operation".
"There
is no guidance on the part of the technical staff of the maintenance service
provider, with regard to the specific way of carrying out the work, any
guidance to workers or supervision, which is done by the inspection of
Carris", stresses the GPIAAF.
The
provider's quality system also does not ensure the "survey of weaknesses
or the identification of opportunities for improvement with a focus on its
maintenance activities, being mainly focused on issues of hygiene and safety at
work".
Cable did
not meet specifications or was certified
Regarding
the traction/balance cable, the preliminary report indicates that it "did
not comply with the CCFL [Carris] specification for use in the Glória
Funicular", "was not certified for use in facilities for the
transport of people" and "was not suitable to be installed with
swivels at its ends, as is the system in the Glória Funicular (and in the Lavra
Funicular)".
However,
"equal cables were in use for 601 days in the Glória Funicular (and 606
days in the Lavra Funicular), without incident. For this reason, it is not
possible at this time to say whether or not the non-conformities in the use of
the cable are relevant to the accident".
"In
this way, it is naturally concluded that, at this moment, it cannot be said
whether the use of this type of non-compliant cable intervened, or what
intervention it had, in the rupture that occurred after 337 days of use, and it
is certain for the investigation that there were other factors that had to
intervene", points out the GPIAAF.
The
investigation stresses that "the area where the cable broke was not
subject to visual inspection without disassembling the upper rail swivel [cable
attachment area]".
Carris
saved 600 thousand euros in maintenance between 2021 and 2023
"A
macroscopic analysis of the ends of the ruptured cords shows progressive
breaks, therefore, occurring gradually over time, and of various types. The
metallographic expertise that will be carried out in the course of the
investigation will clarify the rupture mechanisms involved," reads the
preliminary report.
The
GPIAAF also reveals that, "immediately before the preparation for the
start of the trip" of the accident, in cabin 1, which was at the top of
Calçada da Glória, there were 27 people, including a child and the brakeman,
while inside cabin 2, next to Praça dos Restauradores, there were 33 people,
including three children and the brakeman.
"Therefore,
both well below their maximum capacity of 42 occupants", stresses this
body, adding that on the day of the accident the lifts "had made 53 trips
in total".
"The
average occupancy was 22 passengers in cabin 1 and 17 passengers in cabin 2,
with the maximum capacity of 42 passengers being reached on two trips in cabin
1 and one trip in cabin 2," the investigation found.
In the
preliminary report, the GPIAAF also said that both lifts "were equipped
with four video surveillance cameras, each, and with a device equipped with
low-precision accelerometers [equipment to measure acceleration]", noting
that in Calçada da Glória "there are also several surveillance
cameras".
"This
allowed the investigation to establish with sufficient accuracy the sequence of
events leading up to the accident," the document indicates.
The first
collision occurred at an estimated speed of between 41 and 49 kilometers per
hour, with 33 seconds elapsing from the preparation for the trip and 20 seconds
from the beginning of the movement.
Lifts
must remain stopped until reassessment by a specialized entity
The
GPIAAF recommends Carris "not to reactivate the lifts without a
reassessment, by an entity specialized in funiculars, of the cable and brake
anchorages, in line with the European regulations on this matter, respecting
the historical protection of those transports, but without prejudice to
safety".
This body
recommends that the company responsible for the Lisbon lifts also carry out
"a reassessment and review of its internal control system, namely with
regard to the processes of specification, acquisition, reception and
application of components critical to the safety of vehicles".
The
investigation also recommends Carris to carry out "an assessment of the
advantages of defining and implementing a safety management system, in line
with the best European practices, but adapted to the reality of its
organization".
"That
allows an explicit and documented identification and analysis of the safety
risks of the operation and the measures implemented to ensure its control at a
level considered appropriate, proceeding in accordance with the result of this
assessment", points out the GPIAAF.
The cable
that joined the two cabins of the Glória elevator and that gave way at its
attachment point of the carriage that derailed did not comply with Carris
specifications nor was it certified for use in the transport of people.
The
investigation detected flaws in the process of acquiring the cable by Carris
and in the company's internal control mechanisms.
The
GPIAAF also recommends to Carris the "clarification with the maintenance
service provider of contractual obligations and exercise effective supervision
and control over these obligations, in terms of maintenance management, its
execution and quality control in accordance with the applicable
regulations".
As for
the IMT, the preliminary report states that it is a national public entity with
the attributions of promoting the definition and updating of the normative and
regulatory framework of the land transport sector, as well as approving,
homologating and certifying vehicles and equipment allocated to land transport
systems, ensuring the required technical and safety standards.
The
GPIAAF recommends that the IMT, in line with what is expressed in the European
Union regulation, proceed "to promote a legislative, regulatory or other
appropriate framework, which ensures that all funiculars and other similar or
assimilable public transport systems are properly framed from a technical and
supervisory point of view".
The
investigation also recommends that the IMT proceed "to promote a
legislative framework that ensures that electric cars on rails, historical,
modernized or modern, that circulate on public streets, either at their entry
into service or during their life, are subject to compliance with appropriate
safety rules and conditions".
"Following
the best practices of other Member States in this area, and at an appropriate
level of independent oversight," indicates a preliminary report.
According
to the GPIAAF, safety recommendations are proposed for improvement and are
drawn up on the basis of the conclusions, albeit preliminary if appropriate, of
an investigation into one or more accidents or incidents.
The
accident with the Glória elevator, which occurred on September 3, caused 16
deaths and about two dozen injured, including Portuguese and foreigners of
various nationalities.
Moedas
reaffirms that the tragedy was derived from technical and not political causes
The mayor
of Lisbon, Carlos Moedas, has already reaffirmed that the accident of the
Glória elevator was due to technical and not political causes.
The
mayor's reaction follows the preliminary report of the Office for the
Prevention and Investigation of Aircraft Accidents and Railway Accidents
(GPIAAF), which points out, in particular, failures to Carris, maintenance and
supervision.
"Contrary
to the politicization that some made during the campaign, this report reaffirms
that the unfortunate tragedy of the Glória elevator was derived from technical
and not political causes," says Carlos Moedas, in a short written
statement sent to the Lusa agency.
Carris
sends purchase of cables with alleged irregularities to previous administration
Carris
has already said that it is unaware of any non-compliance by the company that
maintained the Elevador da Glória following the failures and omissions in the
work carried out by the service provider, which are indicated by the
preliminary report
In a
statement, Carris stressed that the report considers that "[...] It is not
possible at this time to say whether or not the non-conformities in the use of
the cable are relevant to the accident" and clarified that the process of
acquiring the cables, "with alleged non-conformities, which conditioned
the entire process of replacing the cables, took place in a mandate prior to
that of the present Board of Directors".
"On
this matter, Carris' board of directors is unaware of the factual
statement" in the Summary of Relevant Findings to date on the
traction/balance cable (in points 2 to 5), the carrier stressed, indicating
that, "since the report refers to non-compliance with regulations in force
at Carris, the respective responsibilities will be ascertained".


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