domingo, 19 de outubro de 2025

Gouveia e Melo recusa discurso anti-imigração mesmo que perca votos / Gouveia e Melo refuses anti-immigration speech even if he loses votes

 


Política

Gouveia e Melo recusa discurso anti-imigração mesmo que perca votos

 

"Nós precisamos dos imigrantes para nos desenvolvermos. A imigração não é um problema, é uma oportunidade", defende o almirante, candidato a Belém que tem Mário Soares como modelo de Presidente.

 

DN/Lusa

Publicado a:

18 Out 2025, 17:47

Atualizado a:

18 Out 2025, 17:47

https://www.dn.pt/pol%C3%ADtica/gouveia-e-melo-recusa-discurso-anti-imigrao-mesmo-que-perca-votos

 

O candidato a Belém Henrique Gouveia e Melo distancia-se por completo do discurso anti-imigração, mesmo que isso signifique a perda de votos na corrida presidencial.

 

Em entrevista à agência Lusa, quando confrontado com a possibilidade de o discurso contra os imigrantes render votos, o ex-chefe do Estado-Maior da Armada responde: “Então vou perder votos”.

 

Citando estudos económicos, o almirante na reserva indica que Portugal, para chegar ao topo dos países europeus, “precisa de crescer no mínimo a 3% ao ano, isto se a Europa crescer entre 1 e 1,5%”.

 

“E nós estamos a crescer 1,5% ou menos por ano”, assinalou, acrescentando: “a economia portuguesa tem que se desenvolver e nós precisamos dos imigrantes para desenvolver essa economia”, declarou, apontando os contributos fundamentais dessa comunidade também para o equilíbrio do saldo da Segurança Social e para que se possam continuar a pagar pensões.

 

"Nós precisamos dos imigrantes para nos desenvolvermos. A imigração não é um problema, é uma oportunidade", acentuou.

 

Apesar de pretender combater o “discurso do ódio” anti-imigração, Gouveia e Melo rejeita uma política maniqueísta de “sim” ou “não” aos imigrantes, manifestando-se contra a entrada de estrangeiros que promovam a intolerância, como é o caso da violência contra mulheres.

 

Mas também rejeita uma relação entre imigração e criminalidade, defendendo que a “palavra-chave” nesta área deve ser “integração”.

 

“Eu sou racional. Se me provarem que há um conjunto de imigração que é prejudicial ao Estado, claro que eu não quero essa imigração, mas têm que me provar, não é porque eu não gosto de imigrantes, ou porque a população portuguesa está aborrecida com um tipo de imigrantes e acha que todos os imigrantes são maus”, disse.

 

Para o almirante, a política de imigração deve passar por verificar quais os estrangeiros que podem transformar Portugal numa “economia de mais valor acrescentado, mais produtiva” e evitar os que venham “embaratecer a mão-de-obra e permitir que empresas de mais baixo valor continuem a prosperar”.

 

“A população portuguesa não se pode esquecer de uma coisa: que os emigrantes mandaram mais dinheiro para Portugal por ano do que todos os fundos da União Europeia. Nós dependemos não só dos imigrantes cá, que contribuem para a nossa economia e para a segurança social, como dependemos muito dos nossos emigrantes que foram aceites noutras sociedades”.

 

Na mesma entrevista à agência Lusa, Gouveia e Melo afirmou que Mário Soares é o modelo de Presidente em que se revê e considera que Ramalho Eanes foi também "importantíssimo" numa fase da democracia - e que sem Eanes e Soares, Portugal não teria a democracia que possui hoje.


Politics

Gouveia e Melo refuses anti-immigration speech even if he loses votes

 

"We need immigrants to develop. Immigration is not a problem, it is an opportunity", defends the admiral, a candidate for Belém who has Mário Soares as a model of President.

 

DN/Lusa

Published to:

18 Oct 2025, 17:47

Updated to:

18 Oct 2025, 17:47

https://www.dn.pt/pol%C3%ADtica/gouveia-e-melo-recusa-discurso-anti-imigrao-mesmo-que-perca-votos

 

The candidate for Belém Henrique Gouveia e Melo completely distances himself from the anti-immigration discourse, even if it means losing votes in the presidential race.

 

In an interview with the Lusa agency, when confronted with the possibility of the speech against immigrants yielding votes, the former chief of staff of the Navy replies: "Then I will lose votes".

 

Citing economic studies, the retired admiral indicates that Portugal, in order to reach the top of European countries, "needs to grow at least 3% per year, if Europe grows between 1 and 1.5%".

 

"And we are growing 1.5% or less per year," he said, adding: "the Portuguese economy has to develop and we need immigrants to develop that economy," he said, pointing out the fundamental contributions of this community also to the balance of the Social Security balance and so that pensions can continue to be paid.

 

"We need immigrants to develop. Immigration is not a problem, it is an opportunity," he stressed.

 

Despite intending to combat anti-immigration "hate speech", Gouveia e Melo rejects a Manichean policy of "yes" or "no" to immigrants, demonstrating against the entry of foreigners who promote intolerance, as is the case of violence against women.

 

But he also rejects a relationship between immigration and crime, arguing that the "key word" in this area should be "integration".

 

"I'm rational. If they prove to me that there is a set of immigration that is harmful to the State, of course I don't want that immigration, but they have to prove it to me, it's not because I don't like immigrants, or because the Portuguese population is bored with one type of immigrants and thinks that all immigrants are bad," he said.

 

For the admiral, immigration policy should involve verifying which foreigners can transform Portugal into a "more value-added, more productive economy" and avoid those who will "cheapen the workforce and allow lower-value companies to continue to prosper".

 

"The Portuguese population cannot forget one thing: that emigrants sent more money to Portugal per year than all the European Union funds. We depend not only on immigrants here, who contribute to our economy and social security, but we depend a lot on our emigrants who have been accepted into other societies".

 

In the same interview with the Lusa agency, Gouveia e Melo said that Mário Soares is the model of President in which he sees himself and considers that Ramalho Eanes was also "very important" in a phase of democracy - and that without Eanes and Soares, Portugal would not have the democracy it has today.

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