Política
Gouveia e
Melo recusa discurso anti-imigração mesmo que perca votos
"Nós
precisamos dos imigrantes para nos desenvolvermos. A imigração não é um
problema, é uma oportunidade", defende o almirante, candidato a Belém que
tem Mário Soares como modelo de Presidente.
DN/Lusa
Publicado
a:
18 Out
2025, 17:47
Atualizado
a:
18 Out
2025, 17:47
https://www.dn.pt/pol%C3%ADtica/gouveia-e-melo-recusa-discurso-anti-imigrao-mesmo-que-perca-votos
O
candidato a Belém Henrique Gouveia e Melo distancia-se por completo do discurso
anti-imigração, mesmo que isso signifique a perda de votos na corrida
presidencial.
Em
entrevista à agência Lusa, quando confrontado com a possibilidade de o discurso
contra os imigrantes render votos, o ex-chefe do Estado-Maior da Armada
responde: “Então vou perder votos”.
Citando
estudos económicos, o almirante na reserva indica que Portugal, para chegar ao
topo dos países europeus, “precisa de crescer no mínimo a 3% ao ano, isto se a
Europa crescer entre 1 e 1,5%”.
“E nós
estamos a crescer 1,5% ou menos por ano”, assinalou, acrescentando: “a economia
portuguesa tem que se desenvolver e nós precisamos dos imigrantes para
desenvolver essa economia”, declarou, apontando os contributos fundamentais
dessa comunidade também para o equilíbrio do saldo da Segurança Social e para
que se possam continuar a pagar pensões.
"Nós
precisamos dos imigrantes para nos desenvolvermos. A imigração não é um
problema, é uma oportunidade", acentuou.
Apesar de
pretender combater o “discurso do ódio” anti-imigração, Gouveia e Melo rejeita
uma política maniqueísta de “sim” ou “não” aos imigrantes, manifestando-se
contra a entrada de estrangeiros que promovam a intolerância, como é o caso da
violência contra mulheres.
Mas
também rejeita uma relação entre imigração e criminalidade, defendendo que a
“palavra-chave” nesta área deve ser “integração”.
“Eu sou
racional. Se me provarem que há um conjunto de imigração que é prejudicial ao
Estado, claro que eu não quero essa imigração, mas têm que me provar, não é
porque eu não gosto de imigrantes, ou porque a população portuguesa está
aborrecida com um tipo de imigrantes e acha que todos os imigrantes são maus”,
disse.
Para o
almirante, a política de imigração deve passar por verificar quais os
estrangeiros que podem transformar Portugal numa “economia de mais valor
acrescentado, mais produtiva” e evitar os que venham “embaratecer a mão-de-obra
e permitir que empresas de mais baixo valor continuem a prosperar”.
“A
população portuguesa não se pode esquecer de uma coisa: que os emigrantes
mandaram mais dinheiro para Portugal por ano do que todos os fundos da União
Europeia. Nós dependemos não só dos imigrantes cá, que contribuem para a nossa
economia e para a segurança social, como dependemos muito dos nossos emigrantes
que foram aceites noutras sociedades”.
Na mesma
entrevista à agência Lusa, Gouveia e Melo afirmou que Mário Soares é o modelo
de Presidente em que se revê e considera que Ramalho Eanes foi também
"importantíssimo" numa fase da democracia - e que sem Eanes e Soares,
Portugal não teria a democracia que possui hoje.
Politics
Gouveia e
Melo refuses anti-immigration speech even if he loses votes
"We
need immigrants to develop. Immigration is not a problem, it is an
opportunity", defends the admiral, a candidate for Belém who has Mário
Soares as a model of President.
DN/Lusa
Published
to:
18 Oct
2025, 17:47
Updated
to:
18 Oct
2025, 17:47
https://www.dn.pt/pol%C3%ADtica/gouveia-e-melo-recusa-discurso-anti-imigrao-mesmo-que-perca-votos
The
candidate for Belém Henrique Gouveia e Melo completely distances himself from
the anti-immigration discourse, even if it means losing votes in the
presidential race.
In an
interview with the Lusa agency, when confronted with the possibility of the
speech against immigrants yielding votes, the former chief of staff of the Navy
replies: "Then I will lose votes".
Citing
economic studies, the retired admiral indicates that Portugal, in order to
reach the top of European countries, "needs to grow at least 3% per year,
if Europe grows between 1 and 1.5%".
"And
we are growing 1.5% or less per year," he said, adding: "the
Portuguese economy has to develop and we need immigrants to develop that
economy," he said, pointing out the fundamental contributions of this
community also to the balance of the Social Security balance and so that
pensions can continue to be paid.
"We
need immigrants to develop. Immigration is not a problem, it is an
opportunity," he stressed.
Despite
intending to combat anti-immigration "hate speech", Gouveia e Melo
rejects a Manichean policy of "yes" or "no" to immigrants,
demonstrating against the entry of foreigners who promote intolerance, as is
the case of violence against women.
But he
also rejects a relationship between immigration and crime, arguing that the
"key word" in this area should be "integration".
"I'm
rational. If they prove to me that there is a set of immigration that is
harmful to the State, of course I don't want that immigration, but they have to
prove it to me, it's not because I don't like immigrants, or because the
Portuguese population is bored with one type of immigrants and thinks that all
immigrants are bad," he said.
For the
admiral, immigration policy should involve verifying which foreigners can
transform Portugal into a "more value-added, more productive economy"
and avoid those who will "cheapen the workforce and allow lower-value
companies to continue to prosper".
"The
Portuguese population cannot forget one thing: that emigrants sent more money
to Portugal per year than all the European Union funds. We depend not only on
immigrants here, who contribute to our economy and social security, but we
depend a lot on our emigrants who have been accepted into other
societies".
In the
same interview with the Lusa agency, Gouveia e Melo said that Mário Soares is
the model of President in which he sees himself and considers that Ramalho
Eanes was also "very important" in a phase of democracy - and that
without Eanes and Soares, Portugal would not have the democracy it has today.

Sem comentários:
Enviar um comentário