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GUERRA NA UCRÂNIA
Roman Abramovic é alvo de sanções pelo Reino Unido.
Cidadania portuguesa pode estar em risco
Roman Abramovich é um da lista de oligarcas russos alvos
de sanções por parte do Reino Unido que viram os seus bens congelados e estão
proibidos de viajar para o Reino Unido. As sanções impedem que o
multimilionário, que também tem nacionalidade portuguesa, venda o Chelsea FC,
de que é proprietário.
Inês Chaíça
10 de Março de
2022, 11:26 actualizada às 17:19
O multimilionário
russo Roman Abramovich, proprietário do Chelsea FC, viu os seus bens congelados
como parte de um pacote de sanções aprovadas pelo governo britânico esta
quinta-feira, em resposta à invasão da Ucrânia pela Rússia. O processo de venda
do clube, que tinha começado no início do mês, fica, assim, em pausa, uma vez
que Abramovich está impedido de fazer transacções com indivíduos ou empresas no
Reino Unido.
Em Portugal, Roman Abramovich, que tem nacionalidade
russa, israelita e portuguesa, naturalizou-se em Abril ao abrigo da Lei da
Nacionalidade como judeu sefardita — ainda que existam dúvidas acerca da sua
árvore genealógica por falta de fontes credíveis. Em resposta à Reuters, fonte
do Governo afirma que a cidadania portuguesa pode estar em risco: a sua
manutenção dependerá do resultado de uma investigação a decorrer.
O que se sabe,
por enquanto, é que o multimilionário ficou fora do reforço das sanções
impostas pela União Europeia e anunciadas na última quarta-feira. Os 27
Estados-membros da EU acrescentaram alguns nomes de dirigentes e oligarcas
russos à lista das pessoas sujeitas a congelamento de bens e proibição de
viagens na UE. Os nomes não foram oficialmente revelados, mas a CNN Portugal
escreve que o de Roman Abramovich não consta na lista.
Num primeiro momento, o ministério da Justiça português
disse à Reuters que as sanções impostas pelo governo britânico não se aplicam
fora do Reino Unido devido ao Brexit. O comunicado acrescentava ainda que as
sanções europeias a oligarcas russos não incluem a retirada de cidadania a
ninguém — horas depois, fonte do Governo disse à mesma agência que a manutenção
da cidadania depende dos resultados de uma investigação.
No que toca à
decisão do Reino Unido, Boris Johnson justifica-a dizendo que “não pode haver
refúgios seguros” para quem apoia a invasão russa à Ucrânia. “As sanções de
hoje são o último passo no apoio firme do Reino Unido ao povo ucraniano.
Seremos implacáveis com aqueles que possibilitam o assassinato de civis, a
destruição de hospitais e a ocupação ilegal de aliados soberanos”, acrescentou,
citado pela BBC.
De acordo com o
governo britânico, o multimilionário terá recebido “tratamento preferencial e
concessões” do Kremlin e, através dos seus laços comerciais, esteve “envolvido
na desestabilização da Ucrânia e no enfraquecimento e ameaça à integridade
territorial, soberania e independência”, escreve o Guardian. Abramovich tem
participações na multinacional de aço Evraz, que terá fornecido matérias-primas
para a produção de tanques para o exército russo.
Abramovich, 55
anos, é apenas um dos nomes da lista de novas sanções do Reino Unido anunciadas
esta quinta-feira. O seu antigo sócio, Oleg Deripaska, e ainda Igor Sechin,
presidente executivo da petrolífera estatal russa Rosneft, Andrey Kostin,
presidente do banco VTB, Alexei Miller, presidente da empresa de energia
Gazprom, Nikolai Tokarev, presidente da empresa estatal russa de oleodutos
Transneft, e Dmitri Lebedev, presidente do Conselho de Administração do Banco
Rossiya foram os outros nomes incluídos nas sanções, que incluem o congelamento
de bens e a proibição de viagens. Além do congelamento de bens e da proibição
de viagens para o Reino Unido, nenhum cidadão ou empresa britânica pode fazer
negócios com eles.
De acordo com o
governo britânico, entre todos, detêm activos e património avaliados em quase
18 mil milhões de euros (15 mil milhões de libras).
O que acontece ao
Chelsea FC?
O proprietário do
Chelsea FC desde 2003 vê-se, agora, impedido de vender o clube tal como tinha
planeado. Porém, e de acordo com uma fonte governamental citada pelo Guardian e
pela BBC, Abramovich poderá requerer uma licença especial que lhe permitirá
avançar com a venda, mesmo com as sanções em vigor. Se isso acontecer, terá de
provar que não sairá beneficiado com a transacção.
Por enquanto, as
sanções não deverão impedir o funcionamento do clube que ocupa a terceira
posição da Premier League: de acordo com a Reuters, o governo britânico emitiu
uma licença especial para que o clube continue a jogar, a pagar salários e para
que os portadores de bilhetes anuais continuem a poder assistir a jogos. Porém,
o clube está impedido de vender bilhetes para jogos e negociar jogadores.
“Sei que isto
traz alguma incerteza, mas o governo vai trabalhar com a Liga e com os clubes
para que nos mantenhamos a jogar, enquanto garantimos que as sanções atingem os
seus alvos”, escreveu Nadine Dorries, ministra do Desporto. “Os clubes de
futebol são bens culturais e o alicerce das nossas comunidades. Estamos
empenhados em protege-los”. Esta licença poderá ser revista.
Antigo político
com raízes na Ucrânia, Abramovich foi convidado, a 28 de Fevereiro, para ajudar
nas negociações com o Kremlin, tendo em vista uma solução pacífica para a
guerra. O multimilionário, que é visto como uma pessoa próxima da liderança
russa — em 2018, terá sido incluído na denominada “Lista do Kremlin”, divulgada
pelo Departamento do Tesouro dos EUA, que enumerava os oligarcas e políticos
russos com um papel significativo na economia do país — mostrou-se disponível
para ajudar, mas não se sabe ao certo se teve algum papel nas negociações que
já decorreram entretanto.
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