SOCIEDADE 21 de
outubro 2021
Laranjeiras. "Nos últimos dias houve pelo menos três
esfaqueamentos e pancadaria"
“Sei de muitas coisas que ninguém sabe e posso dizer que
isto anda completamente louco”, confessa jovem de 23 anos que estava no metro
quando um menor foi esfaqueado mortalmente esta quarta-feira.
Diana Tinoco
Maria Moreira
Rato
maria.rato@newsplex.pt
Um adolescente
foi esfaqueado até à morte esta quarta-feira na estação das Laranjeiras, em
Lisboa, por dois rapazes da mesma idade, que, até ao início da noite de ontem,
encontravam-se a monte. O i sabe que os agressores e a vítima se conheciam,
embora as razões que motivaram esta tragédia ainda não sejam claras.
“Estava dentro do
metro, a ir para o trabalho, quando tudo aconteceu”, descreve ao i, Gonçalo, de
23 anos, a primeira pessoa a divulgar uma fotografia da cena do crime, onde é
possível ver o jovem de origem cabo-verdiana deitado de barriga para baixo,
junto à linha daquela estação do Metropolitano de Lisboa, rodeado de pessoas
que tentavam salvá-lo.
“Fecharam as
portas e mandaram toda a gente sair e manter a calma. O local foi completamente
evacuado e a estação fechou logo de seguida”, avança o lisboeta que trabalha
num bar no Bairro Alto. “Eu não quero saber se me criticam. Sinceramente,
voltaria a publicar porque não se trata apenas daquilo que aconteceu agora. Só
num fim de semana, foram registados 12 esfaqueamentos”, relata, esclarecendo
que mantém contacto regularmente com as autoridades que fazem rondas pela zona.
“Sei de muitas
coisas que ninguém sabe e posso dizer que isto anda completamente louco. Esta
semana ainda não falei com a Polícia, por exemplo, mas sei que nos últimos dias
houve pelo menos três esfaqueamentos e pancadaria”, denuncia. Apesar de sentir
que está protegido por ter uma esquadra perto do emprego, teme que algo
aconteça às irmãs mais novas.
“Acho isto
ridículo e estamos a chegar a uma altura em que vale tudo”, considera o rapaz.
A imagem que veiculou nas redes sociais ia acompanhada por algumas palavras:
“Acabei de ver uma pessoa provavelmente a morrer no metro das Laranjeiras.
Levou facadas. Facadas no metro, estou completamente em choque. Como é que
estas coisas estão a acontecer em plena luz do dia em Portugal?”, questionava.
“Ninguém quer
saber da polícia” “Foi uma ocorrência por volta das 13h17, um jovem foi
agredido com arma branca, vindo a falecer na estação das Laranjeiras”,
partilhou a PSP que, num primeiro momento, informou que a vítima era um jovem
entre os “18 e os 20 anos”. Porém, familiares do jovem esfaqueado, em
declarações à SIC, esclareceram que se tratava de um estudante menor de idade.
No local esteve a
PSP até à chegada da Polícia Judiciária (PJ) e foi transmitido que no decorrer
da recolha de indícios e da espera pelo delegado de saúde, “o metro não foi interrompido,
simplesmente não está a parar na estação das Laranjeiras”. Aproximadamente
pelas 17h45, a circulação na estação voltou ao normal.
“Ninguém quer
saber da Polícia. Acho que não existe o mínimo de respeito e ‘medo’ pelas
autoridades. Isto faz com que toda a gente faça aquilo que quer e não haja a
mínima preocupação em relação àquilo que pode acontecer. Foram duas crianças,
que não têm outro nome, de 16/17 anos que cometeram o crime”, lastima Gonçalo,
que tem sido alvo de críticas duras por parte dos utilizadores de plataformas
como o Twitter. “Assusta-me perceber a que ponto estamos a chegar”.
O Metropolitano
de Lisboa mostrou-se disponível para ceder as imagens de videovigilância à PJ
para que esta proceda à investigação do crime. De acordo com a RTP, o cadáver
foi removido do local após a realização das perícias criminais.
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