Insegurança no Cais do Sodré preocupa agências europeias
Em causa está a onda de assaltos, a falta de policiamento
e os ajuntamentos que se verificam regularmente na Praça Europa.
© Rita
Chantre/Global Imagens
PorMaria Miguel
Cabo
20 Outubro, 2021
• 16:06
O Observatório
Europeu da Droga e da Toxicodependência e Agência Europeia de Segurança
Marítima, com sede em Lisboa, afirmam à TSF que estão preocupados com a onda de
assaltos e ajuntamentos na Praça Europa, na zona ribeirinha da cidade, junto ao
Cais do Sodré. As instituições queixam-se de danos provocados nos edifícios
oficiais e de falta de resposta por parte das autoridades portuguesas.
"Há um
problema de segurança", garante Alexis Goosdeel, diretor do Observatório
Europeu da Droga e da Toxicodependência. Em causa está a onda de assaltos, a
falta de policiamento e os ajuntamentos que se verificam regularmente na Praça
Europa em Lisboa, entre o Cais do Sodré e o Cais das Colunas. O problema
aumentou com o desconfinamento, parece estar cada vez pior e já levou vários
funcionários do Observatório a pedirem para ficar em teletrabalho: "Parte
do pessoal tem pedido para mudarmos as regras, para ficarem a trabalhar em casa
ou saírem mais cedo, para evitar atravessar a praça demasiado tarde porque têm
receio de assaltos. Nas últimas semanas alguns colegas têm tido muito medo de
circular com a mala ou computador."
Em entrevista à
TSF, o responsável europeu afirma que muitas vezes a Praça Europa mais parece
um acampamento: "Quando há 30, 40 ou mais pessoas sentadas e encostadas na
parede a beber e a fumar qualquer coisa, a usar o espaço como se fosse um
acampamento, há muitos momentos em que até é difícil entrar no prédio.
Obviamente que nos lugares onde estão apoiados a consumir, mas também onde há
impacto devido à prática de skate, por exemplo, o nosso prédio, que é um prédio
oficial de um organismo europeu, tem buracos na parede", lamenta.
A mesma queixa é
feita à TSF pela Agência Europeia de Segurança Marítima (EMSA), que fica
paredes meias com o Observatório Europeu. Numa nota enviada à redação, a EMSA
diz estar consciente das questões de segurança na Praça Europa, particularmente
durante a noite e aos fins de semana. "O nosso edifício já foi,
inclusivamente, danificado. Estamos em permanente contacto com as autoridades
locais na tentativa de resolver a situação e esperamos que se encontre uma
solução rapidamente", esclarece a EMSA. Ambos os prédios são propriedade
do Porto de Lisboa que, por várias vezes, foi obrigado a reparar as fachadas.
No entanto, os
problemas não ficam por aqui, já que as paredes e janelas dos prédios são
usadas para outros fins. Alexis Goosdeel afirma que a concentração, que implica
vários consumos, "leva as pessoas a utilizarem as paredes e até as janelas
do nosso prédio como casa de banho, sem dar conta de que há gente do outro lado
da janela a trabalhar. Isso é totalmente inaceitável e as condições mínimas da
nossa segurança como instituições europeias não estão garantidas."
Ate agora o
Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência e a Agência Europeia de
Segurança Marítima já bateram a varias portas, mas os problemas continuam.
"Já
contactámos o Serviço do Protocolo do Estado do Ministério dos Negócios
Estrangeiros, enviámos uma carta para o Porto de Lisboa e a Câmara Municipal de
Lisboa", afima Alexis Goosdeel.
O alto
responsável lamenta a falta de resposta das autoridades portuguesas e lembra
que "a EMSA e o Observatório recebem várias visitas políticas de alto
nível e esta situação não permite receber um Chefe de Estado em condições, de
forma a dar uma imagem positiva das agências, de Portugal e de Lisboa."
Ministério pediu
que sejam determinadas medidas de segurança
A TSF contactou o
Porto de Lisboa e o Ministério dos Negócios Estrangeiros, que confirma ter
recebido "comunicações das duas agências em causa, tendo encaminhado as
preocupações nelas expressas para as autoridades com competência em matéria de
segurança, nomeadamente a Polícia de Segurança Pública, com um pedido para que
fossem determinadas as medidas de segurança consideradas adequadas".
A Câmara
Municipal de Lisboa afirma estar a inteirar-se de várias questões, numa altura
em que o atual presidente tomou posse há apenas dois dias.
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