MUSEUS
Rui Moreira pede desculpa pelo modo “intolerável” como
foi comunicada a abertura da Extensão do Romantismo
Oposição criticou o presidente da Câmara do Porto por ter
transformado o ex-Museu Romântico numa “galeria de arte” e quer ouvir Comissão
de Coordenação acerca de eventual “desperdício” de fundos comunitários.
Lusa e PÚBLICO
6 de Setembro de
2021, 18:30
O presidente da
Câmara do Porto pediu esta segunda-feira desculpa pela forma “intolerável” e
“soberba” como foi comunicada a abertura da Extensão do Romantismo, ex-Museu
Romântico, reiterando, perante as críticas da oposição, que “nada foi destruído”.
“Queria pedir
desculpa pela forma como foi comunicada a abertura desta exposição que está a
decorrer na Extensão do Romantismo, porque considero que a forma como ela foi
feita é absolutamente intolerável e é de uma enorme soberba. Não me conformo e
peço desculpa, porque sou responsável pela câmara e pelo pelouro e acho
que a comunicação foi absolutamente desastrada, provocatória”, afirmou Rui
Moreira, quando confrontado pela vereadora do PS, Odete Patrício, na reunião do
executivo.
Numa intervenção,
no período antes da ordem do dia, a socialista acusou o independente de fazer
“desaparecer” um activo da cidade, transformando-o numa “galeria de arte”,
lamentou que a reformulação do Museu Romântico não tenha sido alvo de
discussão na Câmara, e questionou que esta tenha ocorrido “escassos três anos”
após o espaço ter sofrido obras de requalificação financiadas por fundos
comunitários.
“É o desperdício
de um activo importante na cidade, é o desperdício de uma verba significativa
(cerca de 500 mil euros) que foi aplicada há pouco tempo para a sua
requalificação (2018), é o desperdício histórico, é o desperdício patrimonial:
tudo o que está ligado a esta decisão unilateral da câmara, não discutida com
ninguém, é de facto, um desperdício para a cidade”, disse a vereadora, que
mostrou interesse em conhecer a opinião da Comissão de Coordenação e
Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), a quem foi apresentada a
candidatura.
CCDR-N está
a analisar
O PÚBLICO
perguntou à CCDR-N se previa tomar alguma iniciativa, tendo
recebido uma breve declaração a confirmar que o assunto está a ser avaliado: “A
CCDR-Norte, enquanto autoridade de gestão do Norte 2020, encontra-se a analisar
os eventuais impactos sobre a atribuição de financiamento comunitário à
requalificação do Museu Romântico do Porto, nos termos regulamentares.”
Reafirmando a sua
confiança no director artístico do Museu da Cidade do Porto, Nuno Faria, Rui
Moreira explicou que quando da primeira intervenção, em 2018, o Museu se
encontrava-se “penúria”, tendo sido alvo de uma intervenção infra-estrutural e
de requalificação da exposição permanente. À data, também houve uma
reinterpretação da exposição e da museografia que gerou críticas, explicou.
Dirigindo-se aos
vereadores da oposição, o autarca avançou que a intenção do executivo é ter
exposições temporárias que exaltem o romantismo no Porto. Sublinhando que
nenhum do património retirado do ex-Museu Romântico foi perdido, e que
essas peças “poderão rodar lá e noutros locais”, Rui Moreira anunciou que
a próxima exposição, que está a ser programada para daqui a seis meses, vai
abordar “os tecidos, os papéis e os trajes da época, alguns dos quais estavam
lá em exibição, outros não”.
Já a vereadora da
CDU, Ilda Figueiredo, começou por criticar a falta de diálogo em torno desta
reconfiguração, sem a audição dos vereadores do executivo e do Conselho
Municipal de Cultura, que, assegurou, não foi ouvido em concreto “sobre esta
matéria”. A vereadora criticou ainda a forma como foi comunicada à cidade
“uma mudança tão brusca” e defendeu que podia ter sido equacionado um “diálogo”
entre “o mais antigo e o mais actual”, algo que, defendeu, deve ser ponderado
no futuro.
Também o
social-democrata Álvaro Almeida considerou que houve um “erro de comunicação” e
defendeu a reposição da ideia do Museu Romântico. “O que me parece fundamental
é que se reponha os princípios do Museu Romântico, ainda que com variações”,
disse.
A Extensão do
Romantismo do Museu da Cidade do Porto, antigo Museu Romântico, reabriu portas
em 28 de Agosto, com o Herbário de Júlio Dinis, numa homenagem ao escritor
portuense, este ano figura central da Feira do Livro, tendo desde então estado
no centro de uma acesa polémica, que incluiu o lançamento de uma petição a
exigir a reposição do espólio do Museu Romântico do Porto que contava esta
segunda-feira à tarde com mais de 3500 subscritores.


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