Biden tem a solução para a falta de mão-de-obra
O problema, toda a gente sabe, é este: horários
prolongados e imprevisíveis, condições precárias, contratos sazonais, ausência
de evolução na carreira e baixos salários (a remuneração média, por
trabalhador, no sector do turismo, é inferior à média nacional).
Amílcar Correia
4 de Julho de
2022, 21:13
https://www.publico.pt/2022/07/04/economia/editorial/biden-solucao-falta-maodeobra-2012464
Aeroportos e
companhias áreas responderam com prontidão à acelerada redução de receitas que
a pandemia implicou e reduziram substancialmente o número dos seus
funcionários. O caos nos principais aeroportos, com especial impacto nas
principais plataformas europeias de distribuição, replica o congestionamento em
rede. Lisboa não é excepção.
As companhias
foram mais diligentes a despedir do que a contratar, ou porque o queriam evitar
ou porque foram incapazes de prever a avalanche que se aproximava da pista. O
cenário torna-se ainda mais tortuoso quando as dificuldades se transformam no
momento certeiro para fazer greve em nome da melhoria de condições laborais.
Mas, quer em
Portugal, quer na esmagadora dos países europeus, ninguém se precaveu, também,
para os congestionamentos que o fluxo de passageiros iria trazer ao controlo de
entradas e saídas do país. Má gestão de recursos, condições salariais
insatisfatórias e ausência de planeamento acabaram por impedir que as
companhias tivessem capacidade de dar resposta a esta súbita explosão. No caso
nacional, é notório que o crescimento turístico tem vindo a crescer a um ritmo
superior ao registado na pré-pandemia, pelo menos desde a Páscoa, e em grande
parte devido ao mercado interno.
Ninguém põe em
causa a importância do turismo na economia portuguesa. Também é consensual que
essa importância é desmesurada e que decorre da ausência de um plano
estratégico de desenvolvimento económico digno desse nome. O turismo tem, desde
logo, um efeito crucial no mercado de trabalho, ao representar mais de 5 por
cento do total nacional.
O problema, toda
a gente sabe, é este: horários prolongados e imprevisíveis, condições
precárias, contratos sazonais, ausência de evolução na carreira e baixos
salários (a remuneração média por trabalhador, neste sector, é inferior à média
nacional). Bradar aos ventos, como faz parte do sector, de que não há
trabalhadores disponíveis esconde a verdadeira questão: já não há trabalhadores
disponíveis para aceitar aquelas condições. O mercado de trabalho está a mudar.
A crise do
transporte aéreo, como lhe chama a presidente executiva da TAP, que a justifica
pela ausência de trabalhadores a nível global, pode não estar solucionada antes
do pico das férias. A falta de mão-de-obra na hotelaria portuguesa também não.
A carreira não é atractiva e a alternativa pode ser recrutar fora do país, se
este deixar de se empanturrar com burocracia. A outra solução é esta, e é de
Joe Biden: “Pay them more” [Paguem-lhes mais]...

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